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O diabo veste rosa

Você, que aguardou por meses a publicação de “Harry Potter e a Ordem da Fênix” no Brasil, deve ter analisado com grande minúcia a forma como Dolores Umbridge pode ser odiosa. Manipuladora, cínica e extremamente maldosa, Umbridge tornou-se uma das vilãs mais influentes da saga porque ela é adoravelmente detestável.

Nosso novo colunista Kaio Rodrigues decidiu inaugurar seus textos no Potterish com uma análise a respeito de Umbridge e dos motivos que o levaram a amá-la odiando. Não se esqueça de ler e comentar!


“Sua maldade surge aos poucos, diluída em decretos, castigos e torturas direcionados aos estudantes de Hogwarts, e que, aos poucos, vão fazendo-a galgar postos até assumir a direção da escola.”

Por Kaio Rodrigues

Ela já é uma senhora. A voz aveludada, a risada infantil e a afeição por gatos e objetos fofos poderiam torná-la uma das personagens mais agradáveis de todo o mundo mágico de Harry Potter. Isso, claro, se essas não fossem as características de Dolores Joana Umbridge, que, junto com Voldemort e seus Comensais, tornou-se uma das maiores antagonistas a Harry na série.

Como a grande maioria dos personagens da série, Umbridge ganhou vida própria através das mãos talentosas de J.K. Rowling. Dados biográficos que remontam sua infância à ascensão aos altos escalões no Ministério da Magia. No cinema, com a interpretação inquestionavelmente exemplar da inglesa Imelda Staunton, Dolores recebeu do escritor Stephen King o título de “melhor vilã crível desde Hannibal Lecter”.

Isso porque sua maldade não está na capacidade de levar morte e destruição a todos, como Voldemort. Tampouco está na fúria insana de Belatriz. Não! Sua maldade surge aos poucos, diluída em decretos, castigos e torturas direcionados aos estudantes de Hogwarts, e que, aos poucos, vão fazendo-a galgar postos até assumir a direção da escola.

Ascensão sempre foi, inclusive, seu grande sonho. Como Jo Rowling revelou em outra ocasião, a ex Alta Inquisidora sempre escondeu de todos o fato de ser mestiça, filha de pai bruxo e mãe trouxa. Logo que terminou os ensinos na Escola de Magia, buscou um cargo no Ministério da Magia, onde, em vão, tentou conquistar romanticamente os seus superiores a fim de conseguir uma posição melhor. A vaidade e a necessidade de se elevar sempre a consumiram.

A inspiração real para a personagem, porém, veio de uma professora que Rowling teve, e de quem não gostou logo de cara. Por vários momentos, vi nela a Claire, da série “House of Cards”: aparentemente uma mulher tranquila, que vai ganhando força à medida que a história avança.

Nos sentimentos humanizados, nos medos – especialmente de seres que não fossem 100% humanos, como o meio-gigante Hagrid e os centauros –, no sadismo, em tudo, Dolores Joana Umbridge é, sem dúvida, uma das mais complexas e paradoxais personagens de todos os sete livros. E, também sem dúvida, uma das minhas preferidas.

A maldade em um metro e cinquenta de altura. Carne, osso e qualquer peça de roupa em tons de rosa.

Kaio Rodrigues mandou avisar que até gosta da Umbridge, mas adorou quando ela foi expulsa de Hogwarts.