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O que está exposto nas entrelinhas?

É fato sabido que nos últimos anos, J.K. Rowling lançou outros três livros totalmente externos ao universo de Harry Potter. O primeiro deles foi “Morte Súbita”, e certamente que as comparações da saga com os novos lançamentos são inevitáveis – talvez este seja um dos motivos que levaram Jo a publicar (ou tentar publicar) “O Chamado do Cuco” sob um pseudônimo.

E hoje a nossa colunista Juane Vaillant trata de algumas dessas comparações e das confrontações feitas entre o universo de Harry Potter e o de “Morte Súbita”. Você concorda com ela? Leia a coluna deste domingo e não se esqueça de nos contar!

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“Se tirarmos a magia que envolve Harry Potter, o livro ainda assim será extraordinário”.

Por Juane Vaillant

Há cerca de duas semanas estreou a minissérie Morte Súbita (The Casual Vacancy), baseada na obra homônima de J.K. Rowling. Este foi seu primeiro livro que não envolvia o “Universo Potter” e quando ele foi lançado, assim como agora no lançamento da série, surgiram vários comentários e texto que enfatizam a diferença entre as duas histórias. Porém, acredito que existem mais semelhanças entre as obras do que podemos observar no primeiro momento.

Uma das coisas que mais admiro na escrita da J.K.Rowling, é a sua habilidade de criar personagens, fato que a própria escritora reconhece. Em uma das entrevistas que foram usadas no livro “J.K. Rowling: biografia do gênio por trás de Harry Potter”, ao ser indagada pela semelhança entre Harry Potter e “O senhor dos Anéis” ela afirma: “Penso que, se deixarmos de lado o fato de que os livros falam de dragões, varinhas mágicas e magos, os livros de Harry Potter são muito diferentes, especialmente no tom. Tolkien criou toda uma mitologia. Não penso que alguém possa dizer que eu tenha feito isso. Por outro lado, ele não criou um personagem como o Dudley Dursley”.

Concordo plenamente com a informação. Em primeiro lugar porque embora ame obra de Tolkien e admire muito sua imaginação, acho que os personagens secundários acabam ficando planos, sem ramificações. Em “O Hobbit”, por exemplo, com exceção de Thorin, não consigo ver uma diferença realmente expressiva entre um anão e outro, que vão na jornada junto com Bilbo e Gandalf, e acredito que não seja a única.

Mas a parte que mais me trás reflexos nessa frase é o começo. Se tirarmos a magia que envolve Harry Potter, o livro ainda assim será extraordinário. Com certeza não teria o mesmo sucesso e repercussão. Mas o que torna essa história realmente interessante ainda estaria lá, assim como Morte Súbita, Harry Potter tem personagens extraordinários. Desde os protagonistas até o núcleo de apoio. Todos construídos de forma singular.

Teremos um Draco ou Duda. Meninos que assim como Stuart (Bola), não tem uma índole realmente ruim, porém devido ao tipo de criação que recebe, com cobrança demasiada de um lado e superproteção do outro, acabam tendo comportamentos e atitudes maldosas.

Você pode também conhecer algum senhor que, como Fudge ou Howord Mollisom, vive atrás do seu cargo, sustentando a aparência de forte, mas que se mostra frágil e inseguro ao ser retirado da sua zona de conforto.

Podemos ter adolescentes que se sentem sozinhos e perdidos em um mundo hostil. Tentando se encaixar em um grupo, mesmo que as condições fossem desfavoráveis. Assim como Harry, Snape, Luna, Krystal ou Sukhvinder. Como muitos de nós, leitores de Harry Potter, fomos um dia.

Se retirarmos toda a magia da saga, teremos essa escola, para alunos com habilidades especiais e problemas bem reais. Uma escola que poderia estar em Pagford. E que poderia tranquilamente, estar na sua cidade.

Juane Vaillant não queria que eu contasse, mas ela compara todos os livros que lê a Harry Potter.