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Coruja, gato, sapo

Uma coruja OU um gato OU um sapo. Essa sentença já intrigou você? Por que, Hogwarts lista a seus alunos estes animais para o ano letivo, caso queiram a companhia de um bicho? Por que não incluem um cachorro, os tão tradicionais amigos do homem?

Monique Calmon debruçou-se sobre isso e foi atrás de conhecer algumas das características dessas três espécies e que podem explicar, no fim das contas, por que a nossa tão amada escola os sugere. Não deixe de ler a coluna de hoje, comentá-la, e conhecer um pouco mais sobre esses bichos tão… Mágicos!

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Por Monique Calmon

Quando Harry recebe sua carta de Hogwarts, fica espantado com todos os materiais escolares que deveria comprar em Londres. Vestes, livros de magia, varinha, caldeirão… O último item em sua lista de materiais escolares diz que poderia trazer “uma coruja OU um gato OU um sapo”, e quase ao fim de sua jornada pelo Beco Diagonal, Hagrid o presenteia com Edwiges, uma coruja branca como a neve. Mas o que sapos, gatos e corujas têm de tão especial em relação a outros animais para JK Rowling escolhê-los como potenciais “pets” dos jovens bruxos?

Hagrid descreve as corujas como animais desejáveis principalmente por poderem enviar cartas. São aves que possuem diversos significados míticos e culturais. Em diversas mitologias, são animais que trazem má sorte, provavelmente devido a seus hábitos solitários e noturnos. Porém a coruja é também símbolo de Atena, deusa grega da sabedoria, e talvez seja por isso que Hogwarts a liste como um animal desejável ao estudante de magia.

Também há uma vasta simbologia ao redor da figura do sapo. É associado à boa sorte, fertilidade, transição, cura… Numa fábula muito famosa que até hoje é contada às crianças, a princesa beija o sapo, que se torna um príncipe. Mas já há muitos séculos, algumas pessoas lambiam sapos para “entrar em contato” com divindades. Acreditavam que isso acontecia por causa das toxinas liberadas por algumas espécies, que possuem propriedades alucinógenas. Mas como sapos comem aranhas, podemos supor que em Hogwarts eles seriam bons aliados para o controle populacional da incrível prole de Aragogue.

Algumas civilizações, como a egípcia, cultuavam os gatos, chegando ao ponto de mumificá-los quando morriam. Já na Idade Média, foram mortos em massa por estarem associados às supostas bruxas da época. Já existia então o conceito de Animago, pois acreditava-se que não só as bruxas gostavam de gatos, como também se transformavam neles quando queriam. O gato de Hermione, Bichento, é considerado muito astuto, e foi o primeiro a desconfiar do “rato” de Rony, Perebas, ou melhor, Pettigrew. Gatos provavelmente se dão bem em Hogwarts por poderem se esgueirar por seus corredores e descobrir seus segredos. Argo Filch, por exemplo, se usa dos talentos de sua amada gata Madame Norra para perseguir qualquer aluno fora da cama zanzando pelo castelo.

Coruja, gato, sapo. Três animais com diversas representações mitológicas e intimamente ligados à magia. Qualquer um deles é uma boa escolha para se levar a Hogwarts. Mas apenas eles! Rony aprendeu da pior maneira no que dá escolher sem cautela um animal fora da lista.

Monique Calmon levou a Hogwarts uma coruja, para que possa escrever as colunas e enviá-las para edição.