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A política mágica no Brasil

Política é um assunto sempre muito polêmico e complicado, e esteve, como bem sabemos, implícito o tempo todo em Harry Potter, seja nos gestos extremos de Cornélio Fudge para tentar se manter no cargo de Ministro da Magia, seja nos métodos hediondos dos quais Voldemort se utilizou para tomar o Ministério e controlar o sistema político da Grã-Bretanha.

J.K. Rowling também criou, além do sistema político, toda uma estrutura física para o mundo bruxo. Nosso colunista Arthur de Lima vem na coluna de hoje fazer um exercício de imaginação sobre como seria esse mesmo sistema aqui no Brasil, incluindo os transportes, a educação mágica e o próprio mundo político. Você concorda com ele?

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Desde 1997 nos saboreamos em um mundo criado por uma mente extremamente criativa pertencente a J. K. Rowling. A medida que cada história progredia ao passar dos anos, nos vimos cada vez mais dentro de uma realidade categoricamente humana, com ressalvas dos feitos mágicos realizados. Pudemos conhecer uma estrutura política completa, coberta de afazeres e conspirações para que o poder seja mantido nas mesmas mãos. Observamos uma estrutura educacional completa, formando seres para seguirem carreiras, pois um bruxo não sobrevive somente de mágicas, estruturas familiares tradicionais, ricas, pobres, e tantas outras características do mundo normal.
Contudo, tivemos, por este motivo uma realidade estupidamente britânica quanto a este modo de vida e suas estruturas tão familiares. Então, mexendo em meus botões, pensei: como seria a política mágica na realidade brasileira? E eis minha análise.

Como todos sabem, a autoridade política máxima do país, teria conhecimento do mundo mágico através do Ministro da Magia. Enfrentando a realidade dos escândalos políticos de nosso país, imaginem quantos galeões seriam necessários para manter em sigilo o mundo bruxo, afinal de contas, ou ficariam na surdina de vez, ou teriam que se ocupar em esforço quíntuplo para poder sair apagando memória por memória. A magia estaria entrando num campo altamente corrupto do mundo trouxa, e tenho até medo pensar em como nosso governo cederia fácil ao regime ditatorial de Lord Voldemort.

Quanto às escolas de magia, cabe aí uma questão: será que seriam públicas? Será que as mentes políticas bruxas brasileiras teriam o mesmo descaso com a educação conforme o governo trouxa? As felizardas crianças de genes mágicos seriam obrigadas a pagarem uma fortuna por sua educação caso tivessem condições ou se submeteriam a uma educação reclusa, repleta de professores mal pagos, marginalizando também a magia em nosso país?

O sistema de cotas para escolas poderia ser desnecessário, pois todo bruxo deveria sim ser ensinado, mas levando em consideração o sangue quente brasileiro, teríamos um caso de excesso de mestiços neste país, de modo que praticamente não existiriam famílias de sangue puro, e neste caso, as cotas entrariam como sistemas de bolsas de estudo para escola de magia particulares (provavelmente a família Weasley seria beneficiada de tal modo com uma educação de qualidade, caso contrário seus filhos seriam obrigados ao ensino público e defasado da magia), trazendo assim um pouco mais de acesso as famílias bruxas ou mestiças com poucas condições. Mas de todo fato, poderiam também ser criados os Institutos Federais de Magia, para, conforme a educação brasileira, ofertarem os últimos três anos do curso, entrando nestes moldes também, se bem conheço meu país, as cotas para bruxos nascidos trouxas.

Imagino que na lei que homologou o programa “Minha Casa, Minha Vida”, estaria incluso um inciso secreto para que os bruxos de renda baixa obtivessem com mais facilidade sua primeira casa própria. E poderíamos imaginar nosso queridos bruxos e bruxas tentando arrumar empregos trouxas para se manterem após terminarem a escola, pois devido ao excesso populacional mágico que seria gerado, os cargos públicos somente poderiam ser ocupados através de concursos (e as cotas aparecem de novo).

A utilização da rede de flu, tenhamos certeza que seria tarifada (de estado para estado) e os impostos em cima do uso, óbvio, exorbitantes! Ao ponto de que no regime de economia doméstica, as redes de flu seriam cortadas, pois seria mais em conta levar seus filhos para comprarem o material escolar em alguma passagem secreta na rua 25 de março (sim, não imagino outro local) em transporte trouxa.
E por falar em transporte, sabemos que o Brasil é um país de proporções continentais, portanto não teria como bruxos menores que não podem usar magia se dirigirem todos os anos para Brasília e pegarem o transporte para a escola (que provavelmente seria um ônibus). Ou seja, imagino que cada capital teria sua própria passagem, sua própria escola, e ainda vou além, cada estado teria seu próprio beco diagonal (visualizem aqui o tanto de dinheiro que seria tirado dos nossos irmãos bruxos, e não quero nem pensar onde o Beco seria localizado aqui em Maceió).

E o que vocês acham? Teríamos jeito desta forma? O povo bruxo brasileiro saberia eleger um governante sábio e evitar a bagunça bruxa e, talvez, até acabar com a bagunça trouxa?

Eu não sei vocês, mas Alvo Dumbledore deve estar se revirando no túmulo, só de imaginar esta possibilidade.