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O Jornalismo no mundo bruxo

O jornalismo é uma atividade que seduz milhares de pessoas – eu entre elas! -, e é também de fundamental importância para que as informações possam circular com credibilidade. Trata-se de uma profissão que abarca todas as ciências numa só.

Com a presença de publicações como O Profeta Diário, O Pasquim e a valorosa contribuição literária de Rita Skeeter, o jornalismo tem papel importantíssimo em Harry Potter. Na coluna deste domingo Bruno Barros aborda um pouco desta profissão tão valorosa.

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Por Bruno Barros

Para começar eu peço perdão, desde já, se algum trecho desta coluna conter informações exageradas ou de cunho apelativo-ofensivo, uma vez que tive de usar a Pena de Repetição Rápida da ilustríssima e jovem jornalista Rita Skeeter que, quando descobriu que eu trataria desse assunto, fez questão que eu escrevesse com seu instrumento de trabalho.

Jornalismo! Ah, só de pronunciar esta palavra já me causa um suspiro um tanto quanto incomum. O profissional desta área tem o dever de tratar a informação e transmiti-la a um público alvo. Seja por meio de revistas, jornais, boletins informativos, ou pelos meios mais tecnológicos criados pelos trouxas, o rádio, a televisão e a internet.

Em Harry Potter, como em toda conservadora vizinhança inglesa, bruxos mantêm os costumes de recolherem os jornais e correspondências, que os mantêm informados de toda ação decorrente na sociedade mágica, desde carros voadores que foram vistos em vilarejos trouxa, até a fuga dos mais perversos bruxos das trevas de Azkaban. A diferença do jornal trouxa para as edições mágicas é que uma imagem que se mexe vale muito mais que uma imagem que vale mais que mil palavras.

No Brasil, durante mais de vinte anos, vivemos o regime militar, época em que dentre tantas medidas rígidas tomadas pelo governo, a liberdade de expressão dos cidadãos foi limitada. Principalmente, as mídias que transmitiam ideias contrárias ao governo ditador, eram proibidas de circular. Processo semelhante encontramos na ascensão de Voldemort. The Quibbler (traduzido como “O Pasquim”), de Xenófilio Lovegood é um jornal que apresentou sua contrainformação diante da situação.

Entramos em um ponto interessante, relacionado à tradução, pois O Pasquim, diz respeito a um semanário alternativo que publicava artigos comportamentais e que confrontavam os ideais do regime militar. Não teríamos tradução melhor para compreender o episódio com O Pasquim bruxo, onde foi publicada uma entrevista sobre o encontro de Voldemort com Harry e logo que tomado conhecimento da ditadora Dolores Umbridge, foi banido dos arredores da escola para evitar que a história se espalhasse. Dois anos mais tarde, o editor do jornal é chantageado pelos comensais, levando sua filha em troca de apoio à ditadura de Voldemort. Com sua queda, O Pasquim volta a publicar suas fantásticas histórias sobre bufadores de chifre enrugado e narguilés.

Do outro lado temos o “insuperável, disseminador de informação verdadeira, empregador da repórter mais sensual do mundo bruxo”: O Profeta Diário. Diferente do Pasquim, o Profeta faz a linha “publicamos o que o povo quer ouvir”, ou até mesmo “publicamos o que o povo tem que pensar”. Ele retrarou Harry como um jovem com surtos imaginários, um garoto perturbado e em busca de atenção. Nem Dumbledore fugiu de suas alfinetadas, ganhando o título de “senil” em um artigo publicado. Se você quer saber da vida amorosa dos campeões tribruxo, nenhum outro meio contém mais informações – a veracidade é de sua responsabilidade – quanto O Profeta Diário. Após a queda de Voldemort, o jornal seguiu sua linha editorial de acordo com os ideais do Ministério da Magia e acredita-se que vem desempenhando seu papel de disseminador da informação.

Espero que a “bela” Rita Skeeter não se importe com algumas destas reflexões sobre o jornalismo bruxo, mas pelo que percebi, a pena está enfeitiçada apenas para exaltar a sua “beleza juvenil, enfatizando sua pele macia e seu cabelo sedoso”. Um bom exemplo do jornalismo rosa – ou deveria ser verde fluorescente? – que circula nas revistas de fofocas.

Bom, não se esqueçam de renovar a assinatura do Profeta Diário e, quem sabe, eventualmente ler algum divertido artigo sobre testrálios coloridos e heliopatas no Pasquim. Os meus calorosos agradecimentos à Srta. Skeeter, por sua generosidade em me emprestar sua pena e a todos vocês leitores do Ish, comprem A Vida e as Mentiras de Alvo Dumbledore!

Não se preocupem: Bruno Barros me disse que despachou uma coruja com a Pena de Repetição Rápida de volta a Londres.