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Cooperação mágica: as relações diplomáticas no mundo bruxo

Quem acompanha um pouco de política sabe bem: as relações entre os países são importantíssimas e influenciam numa série de acordos e decisões que as nações tomam em conjunto.

É claro que, com os bruxos, isso não poderia ser diferente: eles vêm, afinal, de todos os países, e como têm suas próprias leis e sua própria política, precisam se relacionar. Nossa colunista Débora Jacintho traz na coluna de hoje, um ensaio abordando a forma como bruxos oriundos de diferentes nações se relacionam.

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Por Débora Jacintho

Vivemos em um mundo cada vez mais globalizado. Principalmente depois da Revolução Industrial, as distâncias entre as pessoas em diferentes partes do mundo diminuíram, e hoje, com a tecnologia, podemos estar em qualquer parte do globo com apenas um clique. Com a globalização, cresceu também a importância da diplomacia, e da preservação de diálogos entre os países, em questões políticas, econômicas e culturais.

E as relações exteriores no mundo bruxo?

Ao longo dos livros, temos várias referências acerca do contato dos bruxos ingleses com bruxos de nacionalidades diferentes. O primeiro grande marco dessas relações internacionais acontece no “Cálice de Fogo”: temos dois eventos importantes ocorrendo no mesmo ano, a Copa Mundial de Quadribol e o Torneio Tribruxo.

No Ministério da Magia, temos um setor só para cuidar das relações diplomáticas, o Departamento de Cooperação Internacional em Magia, na época chefiado por Bartolomeu Crouch. É nesse departamento que são definidos os regulamentos em magia e os acordos internacionais.

Os dois eventos mágicos importantes foram organizados pelo Departamento de Jogos e Esportes Mágicos, chefiado por Ludovico Bagman. A Copa Mundial contou com grandes esforços de logística internacional, para garantir o transporte com segurança de milhares de bruxos para o local dos jogos. Além disso, era de extrema importância aumentar os feitiços de proteção contra trouxas, uma vez que um número atípico de bruxos estava se concentrando em uma mesma área.

O Torneio Tribruxo reuniu representantes de Beauxbatons e Durmstrang, bruxos franceses e búlgaros, respectivamente. Como nas relações da vida real, no mundo dos bruxos eventualmente ocorrem alguns conflitos diplomáticos. Lembremos-nos das discussões entre Dumbledore, Madame Maxime e Karkaroff acerca dos privilégios supostamente concedidos à escola inglesa (Hogwarts, com dois campeões).

Mas além dos conflitos, também existe a cooperação entre as nações. Principalmente com o retorno de Voldemort, as relações exteriores se intensificaram. O Lord das Trevas não escolhe nacionalidade para matar, e ele se torna uma ameaça não só na Grã-Bretanha, mas no mundo todo (só temos referências a países europeus, mas ninguém duvidaria da capacidade do Voldie de atravessar continentes).

Soberania

Podemos perceber a questão da soberania nas relações exteriores bruxas através de pequenos detalhes. A língua é um símbolo de soberania nacional. Vamos tomar como exemplo o Torneio Tribruxo, que aconteceu em Hogwarts, Grã-Bretanha. A língua nacional é o inglês, assim, vemos que tanto os búlgaros quanto os franceses falam inglês nas conversas (apesar de falarem sua língua mãe nas conversas entre eles). Assim como, se um Torneio Tribruxo acontecer em Beauxbatons, os alunos de Hogwarts (e também professores e representantes) falariam francês.

Relações entre bruxos e trouxas

Por que não considerar as relações com os trouxas como um tipo de relação exterior? São dois mundos diferentes, com costumes completamente diferentes, leis diferentes… Mas é uma relação bem específica, afinal, os bruxos tentam esconder a sua existência dos trouxas. Há o Estatuto Internacional de Sigilo em Magia, em que são acordadas, internacionalmente, leis que afastam os dois mundos e escondem a mágica daqueles que não a praticam. Na Inglaterra, o Departamento de Execução das Leis da Magia monitora todas as atividades mágicas que possam ser vistas pela comunidade trouxa e, através da Central de Obliviação e da Comissão de Justificativas Dignas de Trouxas, pode reparar eventuais danos e catástrofes de uma intervenção mágica no mundo dos trouxas.

Voltamos, porém, na questão da cooperação. Assim como existe cooperação entre os bruxos de diferentes nacionalidades, existe também entre bruxos e trouxas, porém, não ignorando o princípio de sigilo da magia. Em momentos críticos, há troca de diálogos entre o Ministro da Magia e o Primeiro Ministro trouxa. No período de ascensão de Voldemort, a ameaça era geral – aliás, tendo o agravante de que os trouxas eram vistos como uma raça suja que deveria ser eliminada, aumentando ainda mais o perigo para com a sociedade trouxa. O Primeiro Ministro, no entanto, não divulgaria a fonte de informações acerca das catástrofes, e ajudaria a manter o sigilo da comunidade bruxa.

Assim, concluímos que é difícil viver em sociedade sem cooperação, tanto internamente quanto externamente. A existência de regulamentos e regras para as relações diplomáticas, tanto no mundo bruxo como no nosso mundo, ajudam a tornar mais fácil o relacionamento bruxos de diferentes nacionalidades, e também a relação entre bruxos e trouxas.

Débora Jacintho é séria candidata ao cargo de Ministra da Magia do Brasil.