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Texto biográfico de Gilderoy Lockhart, por J.K., é adicionado ao Pottermore

O Pottermore, que como sempre traz conteúdos inéditos sobre a série, liberou, recentemente, um texto biográfico estendido escrito por J.K. Rowling sobre Gilderoy Lockhart, contando, por alto, toda sua vida, desde a infância até o fim da vida no Hospital St. Mungus.

Embora o projeto tenha acabado de lançar os nove primeiros capítulos do quarto livro da série, “Harry Potter e o Cálice de Fogo”, o texto foi adicionado ao segundo livro, “Câmara Secreta”, o que ocorre ocasionalmente dependendo de como é feita a colaboração de Jo.

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O texto, que contém spoilers, pode ser lido no segundo momento, “O Dia dos Namorados”, no capítulo décimo terceiro, “O Diário Secretíssimo”, e conta detalhes inéditos não só da vida do antigo professor de Hogwarts como informações importantes de seu retorno à escola.

A tradução pode ser lida logo abaixo, e os outros conteúdos do site, com a exceção dos novos, que estão sendo traduzidos pela equipe do Ish, podem ser encontrados em português no hotsite feito para o Pottermore, neste link.

Gilderoy Lockhart
Gilderoy Lockhart é um bruxo famoso que assinou muitos livros, ele tem um largo sorriso branco e um cabelo loiro ondulado.

Pottermore ~ J.K. Rowling
03 de outubro de 2013
Tradução: Gabriel Guimarães

Nascimento: 26 de Janeiro
Varinha: Cerejeira e corda de coração de dragão, vinte e dois centímetros, levemente flexível
Casa de Hogwarts: Corvinal
Habilidades Especiais: Habilitado em Encanto de Memória; desenvolvimento do sistema de tratamento capilar que envolve gemas de ovo de Occami, o qual garante ‘aprisionamentos de lustrosas iluminações’ (os shampoos realmente funcionavam, mas eram muito perigosos e caros para serem produzidos para o mercado em massa)
Parentesco: Pai trouxa, mãe mágica
Família: Duas irmãs trouxas, nenhum filho
Hobbies: Autografar fotografias próprias, implacável autopromoção

Início de Vida
Nascido de uma mãe bruxa e um pai trouxa, com duas outras irmãs, Gilderoy Lockhart foi o único dos três filhos de seus pais a mostrar habilidades mágicas. Um garoto inteligente, bonito, ele era, sem embaraço, o favorito de sua mãe, e a compreensão de que ele era também um bruxo fez com que sua vaidade florescesse como uma erva daninha particularmente perniciosa.

Escola
A chegada do jovem Lockhart à Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts não foi o triunfo que ele e sua mãe esperavam. De alguma forma, Lockhart não gostou do fato de que estaria em uma escola cheia de bruxas e bruxos, muitos deles mais experientes que ele. (Na verdade, não viu para ele uma entrada em Hogwarts como a experiência de Harry Potter, décadas depois. Ele imaginou excitados murmúrios de seus talentos mágicos espalhando-se pelos corredores, já que nunca lhe ocorreu que todo estudante de Hogwarts tivera experiências similares antes de ingressarem na escola.) Na mente de Lockhart, ele já era um herói e gênio plenamente desenvolvido, e foi um choque enorme descobrir que seu nome era desconhecido, seus talentos não eram excepcionais e que ninguém ficou particularmente impressionado pelo seu cabelo naturalmente ondulado. Na verdade, os professores sentiram que ele tinha uma inteligência e habilidade acimas da média, e que, com trabalho duro, ele poderia fazer algo de si mesmo, mesmo que ficasse abaixo das ambições compartilhadas livremente com seus colegas (Lockhart disse a qualquer um que quisesse ouvir que obteria sucesso na produção da Pedra Filosofal antes de deixar a escola e que pretendia liderar o time inglês de quadribol para a glória na Copa Mundial, antes de começar a dar duro para tornar-se o Ministro da Magia britânico mais jovem).

Enviado para a casa da Corvinal, Lockhart foi rapidamente conquistando boas notas em seus trabalhos escolares, mas havia sempre uma pulga em sua natureza que o tornava cada vez mais insatisfeito. Se não fosse para ser o primeiro e melhor, preferiria não participar completamente. Cada vez mais, direcionou seus talentos para atalhos curtos e esquivos. Valorizava o aprendizado não por seu próprio bem, mas pela atenção que este lhe trazia. Ansiava prêmios e distinções. Pressionou o diretor para começar um jornal escolar, porque não achava nada melhor que ver seu próprio nome e fotografia na impressão. Nunca muito popular, embora tenha conquistada a atenção da escola através de repetidas e pretensiosas proezas temerárias. Recebeu uma semana de detenção por cravar, em letras de vinte metros de altura, sua assinatura no campo de quadribol. Conseguiu criar uma projeção enorme e iluminada de seu próprio rosto, que enviara em direção ao céu à imitação da Marca Negra. Enviou a si mesmo, em certo ano, oitocentos panfletos do Dia dos Namorados, que causou uma aglomeração tão grande de corujas no Salão Principal que o desjejum teve que ser abandonado (muitas penas e fezes nos mingais).

Carreira Pós-Hogwarts
Quando Lockhart finalmente deixou Hogwarts, foi para um leve suspiro de alívio dos docentes. Seu nome logo foi ouvido de terras estrangeiras, onde suas façanhas começaram a ganhar uma crescente publicidade. Muitos de seus antigos professores começaram a sentir que o subestimaram por ele agora estar demonstrando tanta bravura e resistência em libertar vários lugares distantes de criaturas perigosas das Trevas. A verdade é que Lockhart enfim encontrara sua verdadeira vocação. Nunca fora um bruxo ruim, só preguiçoso, e decidiu aprimorar seus talentos em uma direção: Encanto de Memória. Ao perfeiçoar este feitiço complicado, conseguiu alterar as lembranças de uma dúzia de bruxas e bruxos altamente talentosos e corajosos, permitindo-lhe levar o crédito pelas façanhas ousadas destes, tornando à Grã-Bretanha no final de cada ‘aventura’ com um novo livro pronto para publicação, que recontava ‘seus’ feitos de bravura, com uma riqueza de detalhes inventados.

Dentro de uma década após a saída da escola, Lockhart alcançou com sua série de livros autobiográficos o estado de mais vendidos e uma reputação como um afugentador de calibre mundial contra as Artes das Trevas.

Ainda recebeu a Ordem de Merlin, Terceira Classe, tornou-se um Membro Honorário da Liga de Defesa contra as Forças do Mal e – com sua boa aparência imaculada pelas muitas batalhas de vida e morte, travadas com dentes e garras, que alegou terem sido realizadas por ele contra lobisomens, espíritos agourentos e coisas do tipo – ganhou o Prêmio Sorriso mais Atraente da revista Semanário dos Bruxos nada menos que cinco vezes consecutivas.

Retorno a Hogwarts
Muitos docentes estavam confusos quanto à razão pela qual Alvo Dumbledore escolheu convidar Gilderoy Lockhart para tornar a Hogwarts como professor de Defesa Contra as Artes das Trevas. Embora fosse verdade que tinha se tornado quase impossível persuadir alguém mais a assumir o trabalho (o boato de que este estava amaldiçoada estava ganhando força tanto dentro quanto fora de Hogwarts), muitos professores lembravam-se de Lockhart como completamente detestável, independente de suas recentes realizações.

O plano de Alvo Dumbledore, entretanto, era profundo. Acabou conhecendo dois dos bruxos cujos trabalhos de vida Gilderoy Lockhart tomara o crédito, e era uma das únicas pessoas a achar que sabia do que Lockhart era capaz. Dumbledore estava convencido de que Lockhart precisava apenas ser colocado novamente em um ambiente escolar normal para ser revelado como uma fraude. A professora McGonagall, que nunca gostara de Lockhart, perguntou a Dumbledore sobre o que ele achava que os estudantes aprenderiam de um homem tão vão e sedento de fama. Dumbledore replicou que ‘há muito a ser aprendido até de um mal professor: como não fazer, como não ser’.

Lockhart não precisaria retornar a Hogwarts, dado o quão bem sua carreira de glória roubada estava progredindo, se Dumbledore não o tivesse feito oscilar com a promessa de Harry Potter sob sua cabeça faminta de fome (um ardil que Dumbledore repetiria quatro anos depois, quando outro professor precisara ser persuadido para tornar à escola). Sugerindo sutilmente que o ensinamento a Harry Potter seria o selo na fama de Lockhart, Dumbledore criou uma isca que Lockhart não pôde resistir.

No tempo em que chegou à escola, as habilidades mágicas de Lockhart (uma vez muito boas) tornaram-se enferrujadas quase além do reparo. O único feitiço para o qual tinha habilidade efetiva era o Encanto da Memória, o qual vinha usando repetidamente por anos. Suas aulas rapidamente se tornaram uma farsa, já que foi revelando ser completamente inepto em tudo que afirmava, em seus livros, ser especialista.

O acidente que custou a sanidade de Lockhart ocorreu no final de seu ano em Hogwarts, quando foi atingido por um feitiço de Encanto de Memória contrário que apagou para sempre seu passado. Desde então, passou a residir na ala da Enfermaria Jano Thickey do Hospital St. Mungus para Doenças e Acidentes Mágicos.