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Coluna Conjunta: Duas viagens literalmente mágicas

Quem não conhece a frase “Viajar é trocar a roupa da alma”, tão dita hoje? De fato, fazer uma viagem para fora do Brasil é uma experiência fantástica, algo que nunca ninguém pode tirar de você. Conhecer lugares novos, culturas diferentes, aperfeiçoar outro idioma, enfim, vale a pena cada detalhe de uma viagem ao exterior.

Quando essa viagem pode ser relacionada a Harry Potter, então, a experiência torna-se literalmente mágica. Coincidentemente, Nilsen Silva e eu tivemos a chance de, em lugares diferentes, compartilhar da mesma magia. Viaje conosco na coluna especial deste domingo!

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Por Luiz Guilherme Boneto

Que Orlando é uma cidade incrível, eu já imaginava. Toda uma estrutura municipal voltada a um grupo de parques temáticos, que atraem visitantes dos quatro cantos do mundo, é algo absolutamente fantástico. A cidade conta com excelentes hotéis, restaurantes, uma malha viária excepcionalmente boa, e conta também com a cereja do bolo: O Mundo Mágico de Harry Potter.

O abafado calor de agosto, pleno verão nos Estados Unidos, contrastava com os telhados nevados de Hogsmeade, porém combinava perfeitamente com o ar condicionado da Zonko´s e da Dedosdemel, onde eu, devo dizer, fui às compras. Tive a fantástica oportunidade de assistir a uma varinha escolhendo um bruxo na Olivaras, e depois, é claro, comprar a minha própria varinha, muito semelhante à varinha de Dumbledore, devo dizer. Pude também entrar em Hogwarts, onde passei por salas de aula e onde o Prof. Dumbledore me convidou para o chá, que lamentavelmente tive que recusar, devido à pressa. E o toque final do passeio dentro da escola: o simulador, no qual você sobrevoa, com Harry, os campos de Hogwarts e o lago. Uma experiência incrível, fantástica, e para nós, fãs incondicionais da série, algo para se levar para a vida toda.

Devo ressaltar também a enorme quantidade de itens da série que você pode comprar, especialmente na Zonko´s. Eu, que sou um apaixonado por chaveiros de todos os tipos, fiz questão de trazer alguns com temas da série, porém você encontra também Orelhas Extensíveis, pufosos e corujas de pelúcia, varinhas de dezenas de personagens, telescópios, e doces, dos mais variados tipos, de balas a sapos de chocolate, de varinhas de alcaçuz a feijõezinhos de todos os sabores. Isso sem falar das roupas: você vai poder comprar um moletom da sua casa preferida, e também camisetas, ou se quiser, capas e chapéus de bruxo, à escolha. Seu cartão de crédito vai sofrer com essa quantidade de itens.

O Mundo Mágico de Harry Potter era, sim, o que eu mais queria conhecer em Orlando. Porém eu tinha tantas expectativas quanto a tudo que iria ver que meramente deixei o parque como um dos últimos a visitar, mais ou menos como a sobremesa numa boa refeição. Já de volta, e tendo passado um tempo desde que retornei da viagem, posso dizer que O Mundo Mágico é uma construção esplêndida, à altura dos fãs mais incorrigíveis, como nós, e mesmo para quem não é fã; há diversão para todos. Você conhece alguém que vai a Orlando, hoje, e deixa de ir ao chamado “Parque do Harry Potter”? Não precisa ler todos os livros nem assistir a todos os filmes; basta visitá-lo para ingressar nessa magia. E como o Ish já noticiou várias vezes, há uma extensão em execução no parque. O painel que separa O Mundo Mágico da área em obras tem uma mensagem: “Great Things Are On The Way”. E eu mal posso esperar para voltar, nem tanto por isso, mas especialmente porque o suco de abóbora de Hogsmeade é altamente viciante.

Por Nilsen Silva

Se alguém me perguntasse, antes de eu embarcar no avião, se visitar os estúdios do Harry Potter em Londres era um dos grandes sonhos da minha vida, eu com certeza teria dito um claro e sonoro “não”. O meu tom de voz não seria pedante, é claro; é um lugar que eu queria muito visitar, mas… sei lá. Para quem é apaixonado pela série, sonho de verdade é descobrir, por acaso, que Hogwarts existe e conseguir mudar para lá no minuto seguinte. Não é?

Pois bem. Se alguém realmente tivesse me feito essa pergunta – e se minha resposta tivesse sido a mesma -, eu provavelmente teria me arrependido de dizer isso. Na mesma hora. Conhecer o The Making of Harry Potter foi uma das melhores coisas que já me aconteceram. E tudo isso porque, ao seu modo, a visita foi tão incrível que eu me senti parte do universo de J.K. Rowling. Só faltou a varinha para soltar um Lumos que deixaria as minhas fotos mais claras e nítidas.

Nos oito dias que passei em Londres com minha amiga, nós achamos mais do que justo reservar um dia inteiro para conhecer os estúdios. E foi uma sábia decisão. Não ficamos lá desde que o lugar abriu até a hora em que fechou – longe disso. Mas fizemos questão de ter todo o tempo do mundo para apreciar cada atração.

Antes de mais nada: se você ainda não visitou os estúdios, eu tenho uma dica. Não olhe na internet o que há lá dentro. Evite fazer o tour pelo Google Maps. Ignore os vídeos de pessoas filmando cada metro do lugar. Não vou dizer que a magia vai acabar por inteiro se você fizer isso, mas foi extraordinário descobrir as coisas na hora – e ficar empolgada com isso. Vou ser sincera: se eu sabia de três coisas que estariam lá dentro era muito. Em parte porque algo dentro de mim sempre soube que eu visitaria esse lugar (eu só não sabia quando) e eu queria ter a experiência mais inédita possível; em parte porque eu sou o tipo de pessoa que não consegue ver fotos e vídeos de lugares legais sem sentir uma náusea do tipo “alguém me leva pra lá AGORA!”.

Agora, sobre os estúdios? É o melhor lugar do mundo. E olha que eu ainda nem fui para o parque temático! O salão, com as estátuas de cada casa, os talheres ornamentados e as vestes que os professores utilizam para apreciar o banquete; o espaço voltado aos diretores dos filmes, que foram responsáveis por dar vida a toda essa magia; o dormitório dos garotos; a sala do Dumbledore… tudo projetado à la Disney, naquela mesma pegada que tem como único objetivo fazer todo mundo esquecer que há um mundo de verdade lá fora.

Sou suspeita para falar? Sim. Sou dessas que se emocionam até com a peruca do Snape? Claro. Mas é verdade.

De repente, estar cercado dos objetos que foram utilizados nos filmes nem é tão sublime assim. Porque, para quem assistiu cada filme pelo menos umas cinco vezes, aquilo tudo já é familiar. É como jantar num restaurante que você freqüentava apenas quando criança, com a sua família; como passar na porta da sua antiga escola e cumprimentar velhos conhecidos. Como fazer uma viagem no tempo e visitar, novamente, a casa na qual você morou durante toda a infância. Ver tudo ali, no lugar onde sempre esteve. O malão com as iniciais embaixo da cama, as taças perto dos pratos, a varinha do seu personagem preferido, as velas flutuantes…

“Melhor que isso só tomar um gole de cerveja amanteigada e subir na moto do Hagrid”, eu pensei. E quase caí pra trás quando vi que tinha uma moto igualzinha lá fora esperando para que eu tirasse uma foto com ela…

Nilsen Silva e eu costumamos viajar em tudo o que escrevemos, mas hoje nós dois estamos de parabéns.