J. K. Rowling ︎◆ Morte Súbita

The Casual Vacancy lembra Charles Dickens, afirma editor

A um mês e um dia de chegar às prateleiras de todo o mundo, The Casual Vacancy é o tema dum interessante artigo publicado pelo USA Today. Para propor uma análise que vai desde a expectativa criada pelo novo livro até à validade da estratégia de marketing empregada em seu lançamento, o texto traz uma série de comentários de fãs, livreiros, diretores de vendas e até mesmo do próprio editor da obra nos EUA.

Um dos pouquíssimos a ter tido acesso ao livro, Michael Pietsch, da Little, Brown, diz esperar “que o mundo se extasie com a amplitude do alcance da imaginação” de Rowling, classificando-a como “gênia; uma entre os grandes escritores de todos os tempos”. Reiterou que o escopo do livro é um bocado diferente do de Harry Potter e chegou a afirmar que, ao lê-lo, lembrou-se “de Dickens por causa da humanidade, do humor, das preocupações sociais, dos personagens fortemente reais”.

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Sobre a migração da autora dos livros infantis para o mercado adulto, o editor-chefe do jornal especializado Publishing Perspectives, Edward Nawotka, tem uma opinião animadora, mas apresenta ressalvas quanto ao sucesso da publicação:

“Rowling já fez parte da transição dentro do ciclo completo dos romances de Harry Potter. […] Não acredito que […] tenha sido necessariamente difícil para ela. Ela é uma escritora, e das boas. Mas acho que o complicado vai ser ajustar as expectativas do mercado e da mídia. Porque […] qualquer coisa que não seja um livro amado por todos que venda milhões e milhões pode ser taxado como uma decepção, o que é injusto com o livro e com a escritora”.

É certo que o livro seja considerado o mais esperado da temporada, mas não fica claro como suas vendas serão afetadas pelas mudanças drásticas no mercado editorial desde a publicação de Relíquias da Morte, em 2007, com a explosão dos livros eletrônicos e o progressivo fechamento de lojas físicas. Os donos de livrarias não estão tão confiantes e afirmam que “não sabemos o que esperar”, enquanto as grandes redes virtuais apostam que “quanto mais plataformas, mais oportunidades existem” de os leitores comprarem os livros.

Para além disso, a matéria noticia a participação de Jô numa série de programas americanos como promoção da nova obra. A autora estará presente nos noticiários Nightline e World News, no programa de variedades Good Morning America e no noticiário humorístico The Daily Show with Jon Stewart, provavelmente em meados de outubro. Para maiores informações, vigilância constante no Ish!

Você pode conferir o texto traduzido íntegra na notícia completa.

J.K. ROWLING
J.K. Rowling escreve ‘Casual Vacancy’ para adultos

Deirdre Donahue e Craig Wilson ~ USA Today
22 de agosto de 2012
Tradução: Evandro Lira e Renan Lazzarin

Era uma vez quando J.K. Rowling incediou a imaginação das crianças. Será que a criadora de Harry Potter vai conseguir gerar reação parecida num público crescido?

Isso a autora britânica vai descobrir em 27 de setembro, quando mais de 2 milhões de exemplares em capa-dura de seu primeiro romance para adultos chegarem às prateleiras americanas, junto com a edição digital. O lançamento simultâneo se estenderá ao Reino Unido, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Alemanha.

Situada na cidadela inglesa de Pagford, The Casual Vacancy (Little, Brown, US$35) gira em torno de uma eleição realizada após um membro do conselho paroquial morrer inesperadamente. Apesar de o terreno de Miss Marple, materiais de imprensa descrevem o romance como “humor ácido …” Pagford é uma idílica cidade inglesa, com uma praça de mercado de paralelepípedos e uma antiga abadia, mas o que se esconde por trás dessa bela fachada é uma cidade em guerra.

“Eu espero que o mundo se extasie com a amplitude do alcance da imaginação dela,” prevê o editor americano de Rowling, Michael Pietsch. Um dos poucos a ter lido o livro embargado, ele chama Rowling de “gênia; uma entre os grandes escritores de todos os tempos”. Ler o romance de 512 páginas, diz, “lembrou-me de Dickens por causa da humanidade, do humor, das preocupações sociais, dos personagens fortemente reais.”

Nada de varinhas, ao que parece: “Esse livro não é Harry Potter“, diz Pietsch. “O escopo é completamente diferente”.

Mas o sigilo ao redor de The Casual Vacancy não muda. Como com Harry Potter, não há exemplares adiantados para a imprensa, nem críticas antes da publicação. No caso de Harry Potter, o blecaute das relações públicas apenas fomentou o frenesi. Até hoje, a série de sete livros sobre um menino-bruxo vendeu mais de 450 milhões de exemplares em todo o mundo, tornando-se, também, uma das franquias de filmes mais bem-sucedidas da história.

A história da própria Rowling se acresceu à magia. Ela foi de mãe solteira batalhadora a rabiscar num café de Edimburgo a uma das mulheres ricas do mundo.

E uma das mais admiradas. Pais, professores e bibliotecários de todo o mundo cumprimentam-na por fisgar as crianças para a leitura. Ela publicou o primeiro livro de Harry Potter em 1997, logo na época em que os computadores se juntaram à tevê como artigo eletrônico de primeira necessidade para uma família.

A grande questão de hoje é: será que esses pequenos Potter-fanáticos que aguardaram tão avezadamente nas filas de livrarias para comprar o novo Potter apenas passada a meia-noite também vão se apressar para comprar (ou baixar) The Casual Vacancy?

“Fãs que leram Harry Potter quando crianças vão ser um dos públicos mais primordiais para esse livro, sem dúvidas,”diz Diane Roback, editora de livros infantis na Publishers Weekly. “Não consigo pensar num escritor ou escritora que seja mais amado por seus leitores.”

Para Melissa Anelli, não há “talvez” em relação a The Casual Vacancy. “J.K. Rowling é uma mestra da contação de histórias, e vou ler qualquer estória que ela venha a escrever,” diz Anelli, 32.

Anelli se qualifica como uma fã super-híper-ultra. Ela nos ligou do encontro anual do Harry Potter Fan Club em Chicago, onde mais de 4 mil fiéis de Potter se encontraram no começo do mês. Anelli, webmistress do site de Harry Potter The-Leaky-Cauldron.org, escreveu o livro Harry e seus fãs em 2008, com direito a prefácio escrito por Rowling.

A livreira Cathy Langer, gerente de compras das livrarias The Tattered Cover, de Denver, prevê “vendas muito robustas”. Ela aponta que, para além de seus jovens fãs, “J.K. Rowling tinha centenas de milhares, senão milhões, de fãs adultos da sua série Harry Potter. … Já temos encomendas na pré-venda e vamos ter um bocado de livros à mão no lançamento.”

O mundo editorial mudou dramaticamente desde que o sétimo Harry Potter foi publicado em 21 de julho de 2007, com uma tiragem inicial de 12 milhões de exemplares.

À época, os fãs podiam comprar os livros em eventos à meia-noite organizados pela Borders e outras lojas. A rede Borders fechou no ano passado, levando consigo centenas de lojas físicas.

As pessoas ainda estão comprando livros; até mais que em 2007, segundo números divulgados pela Association of American Publishers. Mas os estão lendo num novo formato – o e-book.

Os livros de Harry Potter foram disponibilizados digitalmente pela primeira vez apenas em abril, quando Rowling e a Sony trabalharam no site Pottermore. A situação vai estar bem diferente para The Casual Vacancy, com o lançamento simultâneo do e-book por US$17,99 pela Little, Brown.

Para os fãs de Rowling que, doutra feita, faziam fila para Harry Potter, isso significa que a recompensa instantânea vai estar à distância de um clique. “Considerando que aqueles que esperaram online à meia-noite agora podem conseguir o livro com um toque num dispositivo… [The Casual Vacancy] vai chegar num contexto diferente”, diz Carol Fitzgerald, fundadora do The Book Report Network, um grupo de sites sobre livros.

Tais mudanças na venda de livros vão ajudar Rowling, diz Sara Nelson, a diretor editorial de livros e do Kindle da Amazon.com. “Quanto mais plataformas, mais oportunidades existem” de os leitores comprarem os livros, diz Nelson.

Neslon, que não leu o novo livro devido ao embargo, acredita que Casual Vacancy é o romance adulto mais esperado do outono [Nota do Ish: no hemisfério norte].

Quando questionada se ela acha que ele chegará à primeira posição na classificação de vendas da Amazon, tirando o posto do Cinquenta tons de cinza, de E.L. James, Neslon diz, “deixe-me ver minha bola de cristal. … Poxa, ela não está funcionando”.

Rowling não é a primeira autora a escrever para diferentes faixas etárias. Pietsch destaca James Patterson, bem como os compatriotas britânicos de Rowling Roald Dahl e Ian Fleming (que criou tanto James Bond quanto O Calhambeque Mágico).

Edward Nawotka, editor-chefe no jornal online Publishing Perspectives, repara que Rowling não está exatamente migrando dos livros infantis para os adultos: o movimento parece ser dos jovens-adultos para adultos.

“Rowling já fez parte da transição dentro do ciclo completo dos romances de Harry Potter“, diz. “Até o último livro, … ela tinha construído quadros psicológicos e emocionais complexos e lidado habilmente com eles, o que há de servir-lhe bem quando atingir um público adulto.”

Um editor está confiante no seu sucesso. “Se você for ler ou reler os livros de Harry Potter, vai ver que J.K. Rowling tem todos os pontos fortes de que precisa para um grande sucesso como escritora de ficção – tem ótimos personagens, um enredo envolvente, senso de humor e grande empatia”, diz Arthur Levine, da Scholastic, o co-editor americano dos livros de Harry Potter.

Com todo o seu dinheiro e trabalho filantrópico, por que Rowling – uma mulher de 47 anos, casada e mãe de três filhos que mora em Edimburgo – se daria o trabalho de publicar The Casual Vacancy?

“Ela é uma escritora”, diz Pietsch, da Little, Brown. “Ela vive para escrever. A sua maneira de se ligar ao mundo é pela escrita”.

A maneira de Rowling de se ligar ao mundo, porém, nunca incluiu muita publicidade. Para promover The Casual Vacancy nos EUA, Rowling se programou para aparecer nos programas Nightline, World News e Good Morning America, da ABC, assim como no The Daily Show with John Stewart no Comedy Central. Ela também se dispôs a duas entrevistas impressas, uma das quais ao USA Today.

A empolgação para o lançamento tem sido baixa. “Acho que há uma curiosidade sobre (o livro), mas não tenho ouvido de muita gente que esteja, de fato, ansiando por ele”, diz Fitzgerald.

Alguns editores estão confusos com a abordagem tomada pela editora de Rowling.

“Tenho estado na escuridão”, diz a livreira Kathryn Fabiani, gerente de compra das lojas R.J. Julia Booksellers em Madison, Connecticut. “Não temos pôsteres. … Não tem sido fácil. As pessoas estão curiosas, mas não sabemos o que esperar”. O lançamento vindouro “parece quase invisível”.

“Temos recebido algumas encomendas de pré-venda e há alguma movimentação, mas nada como Harry Potter“, ela diz. “Nada”. Apesar de ter pedido 300 exemplares para a livraria independente, ela suspeita de que eles não vão se esgotar.

Heather Fain, diretora de marketing da Little, Brown, diz que “queremos ser muito cuidadosos em nosso marketing. É um livro muito diferente e está direcionado a um público diferente de verdade.” Com Harry Potter, diz ela, os livreiros se acostumaram com campanhas promocionais que incluíam adesivos e tatuagens em formato de raio. Essa abordagem “simplesmente não se adéqua a esse livro”.

A vice-presidenta de marketing da Barnes & Noble, Patricia Bostelman, diz que a abordagem da Little, Brown é aquela que a autora deseja. “Aparentemente, muito do comportamento deles vem das vontades de J.K. Rowling”, diz Bostelman. Rowling “tem opiniões muito fortes sobre como quer que se lide com a publicação da obra. … Ela está tentando não viver dos louros de Harry Potter e quer muito que esse livro fique sozinho, de acordo com seu próprio mérito, como se ela fosse qualquer outra escritora chegando à cena editorial”.

Alguns insistem que o nome de Rowling no livro é tudo de que se precisa. “Ela poderia escrever um manual de cortador de grama e venderia 2 milhões de exemplares”, diz Charles Finch, autor da série de mistério Charles Lenox. Finch, de 32 anos, tem sido um fã de Harry Potter desde que começou a ler a série, quando era universitário.

“Acho que ela é terrivelmente subestimada como criadora de enredos. Ela meio que deixa fusíveis espalhados pelo caminho e você fica desesperado para que eles disparem,” diz Finch, cujo novo livro, A Death in the Small Hours, sai pela Minotaur em novembro. Rowling “nunca vai escrever algo que eu não leria, a não ser que comece a fazer coisas no estilo de Cinquenta tons de cinza“.

Fã apaixonada desde a infância, Sara Eckert, 23 anos, agora uma bióloga marinha no Monterey Bay Aquarium, na Califórnia, demonstra uma compreensão bastante adulta dos desafios que enfrentam Rowling.

“Só acho que, assim como atores têm que superar as expectativas de que sempre desempenhem um papel parecido, J.K. vai ter que superar o estilo e a estória que a fizeram famosa”, diz Eckert.

Por outro lado, diz Eckert, as pessoas que não foram pegas pelo espetáculo todo em Hogwarts podem apreciar a versão adulta e sem fantasias de Rowling.

É claro, diz Eckert, que ela vai comprar e ler The Casual Vacancy. “Mas não imagino que vá ser logo no dia em que sair, como fiz com todos os livros de Harry Potter“.

Talvez o problema não esteja com Rowling, diz Roback, do Publishers Weekly. “Não acredito que a transição tenha sido necessariamente difícil para ela. Ela é uma escritora, e das boas. Mas acho que o complicado vai ser ajustar as expectativas do mercado e da mídia. Porque, dado o seu sucesso fenomenal, qualquer coisa que não seja um livro amado por todos que venda milhões e milhões pode ser taxado como uma decepção, o que é injusto com o livro e com a escritora”.

Em uma entrevista de 2007 com o USA Today, na época do último livro de Potter, Rowling disse que estava trabalhando em dois projetos de livros, um para crianças e outro não. Ela sabia que as expectativas para qualquer novo livro seriam enormes.

“Acho que vai haver alguma decepção se eu não fizer outra fantasia”, contou ao USA Today. “Mas devo admitir: acho que já fiz minha magia”.

J.K. ROWLING
J.K. Rowling será entrevistada por Ann Patchett em 16 de outubro

Deirdre Donahue ~ USA Today
22 de agosto de 2012
Tradução: Renan Lazzarin

Para promover seu primeiro romance para adultos, J.K. Rowling será entrevistada pela romancista Ann Patchett antes diante duma plateia de fãs em 16 de outubro às 20h. O evento acontece na cidade de Nova Iorque, no Frederick P. Rose Hall no Lincoln Center.

Os ingressos estarão à venda no dia 10 de setembro e incluem um exemplar do livro The Casual Vacancy, de Rowling (Little, Brown, US$35), a ser publicado em 27 de setembro. Ela vai autografar exemplares do livro no evento e responder a perguntas da plateia. Será sua única aparição pública nos EUA.

Os ingressos, vendidos para os primeiros compradores, custam US$43 online, US$44 por telefone e US$37 na bilheteria do Licoln Center. Aproximadamente 1.100 ingressos estarão à disposição.