Livros

Novas declarações sobre a análise literária da obra Potter

Conforme informamos antes, os livros da série Harry Potter foram analisados por 60 críticos acadêmicos na Universidade de St. Andrews a fim de discutir os méritos literários da obra. John Pazdziora, o organizador da conferência e doutorando no departamento de Inglês, voltou a comentar sobre o assunto na sexta-feira:

Esses são os livros mais importantes de uma geração inteira de leitores. Em 100, 200 anos, quando estudiosos quiserem entender o início do século XXI, quando quiserem entender o caráter e a cultura da geração que acabou de entrar na idade adulta, é certo que eles vão olhar para os livros de Harry Potter. Como críticos literários, como acadêmicos, por que diabos não queremos lidar com esses textos? Há tanta coisa neles para se falar, cultural e criticamente, que uma conferência de dois dias na verdade só consegue iniciar a conversa. As pessoas estarão lendo e escrevendo e estudando Harry Potter nos anos que virão. Temos cerca de 50 críticos acadêmicos sérios falando sobre esses textos; cada um está encontrando algo diferente sobre o que falar e, francamente, estamos apenas começando. Em qualquer bom texto literário, há muita profundidade e significado para se descobrir. Como eu disse na minha recepção de hoje, de fato os romances de Harry Potter são a sua própria Plataforma Nove e Meia, por assim dizer. Corra para eles, e haverá incontáveis mundos fascinantes se abrindo à sua frente. Então, sim, estamos debatendo por dois dias – e mal arranhamos a superfície da riqueza e complexidade do que realmente é um significante texto literário infantil.

Contudo, John Mullan, professor de Inglês na University College London, discorda:

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Não sou contra Harry Potter, meus filhos o adoram, [mas] Harry Potter é para crianças, não para adultos. É tudo culpa dos estudos culturais: tudo que é consumido com alguma voracidade pelas pessoas se torna um objeto de estudo acadêmico. [Os acadêmicos participantes] deveriam estar lendo Milton e Tristram Shandy: é para isso que são pagos.

Confira a tradução completa do artigo do The Guardian na extensão!

HARRY POTTER
Harry Potter e a ordem de 60 estudiosos tem recepção inicial mista

The Guardian ~ Alison Flood
18 de maio de 2012
Tradução: Daniel Mählmann
Revisão: Marina Anderi

Acadêmicos se reunem na Escócia na sexta-feira para discutir temas quentes literários, incluindo a política racial dos duendes, a canonização de Neville Longbottom, e Beedle o Bardo como mitologia na tradição Chauceriana. Bem-vindo à primeira conferência do Reino Unido sobre Harry Potter.

Intitulada ‘A Marca da Magia Ficcional: Lendo Harry Potter como literatura’, a conferência reúne 60 pesquisadores de todo o mundo para um evento de dois dias organizado pela escola de Inglês da Universidade de St Andrews. Tida como a primeira conferência mundial para discutir estritamente Harry Potter como um texto literário, cerca de 50 palestras estão previstas, com acadêmicos discutindo questões como o paganismo, a magia e a influência de C.S. Lewis, J.R.R. Tolkien e Shakespeare em Rowling. Os títulos dos seminários vão desde “O desenvolvimento moral através de Harry Potter em um mundo pós-11 de setembro”, até “Harry Potter e a desobediência civil Lockeana”.

O organizador John Pazdziora, doutorando no departamento de Inglês da St. Andrews, é firme sobre os sete livros infantis de Rowling merecerem uma conferência acadêmica. “Esses são os livros mais importantes de uma geração inteira de leitores”, ele disse. “Em 100, 200 anos, quando estudiosos quiserem entender o início do século XXI, quando quiserem entender o caráter e a cultura da geração que acabou de entrar na idade adulta, é certo que eles vão olhar para os livros de Harry Potter. Como críticos literários, como acadêmicos, por que diabos não queremos lidar com esses textos? Há tanta coisa neles para se falar, cultural e criticamente, que uma conferência de dois dias na verdade só consegue iniciar a conversa. As pessoas estarão lendo e escrevendo e estudando Harry Potter nos anos que virão.”

Os sete romances de J.K. Rowling se estendem em 4.100 páginas, de modo que os livros facilmente serão capazes de sustentar discussões acadêmicas sérias ao longo dos dois dias de conferência, acrescentou Pazdziora.

“Temos cerca de 50 críticos acadêmicos sérios falando sobre esses textos; cada um está encontrando algo diferente sobre o que falar e, francamente, estamos apenas começando. Em qualquer bom texto literário, há muita profundidade e significado para se descobrir.”

“Como eu disse na minha recepção de hoje, de fato os romances de Harry Potter são a sua própria Plataforma Nove e Meia, por assim dizer. Corra para eles, e haverá incontáveis mundos fascinantes se abrindo à sua frente. Então, sim, estamos debatendo por dois dias – e mal arranhamos a superfície da riqueza e complexidade do que realmente é um significante texto literário infantil.”

John Mullan, professor de Inglês na University College London, estava menos convencido. “Não sou contra Harry Potter, meus filhos o adoram, [mas] Harry Potter é para crianças, não para adultos. É tudo culpa dos estudos culturais: tudo que é consumido com alguma voracidade pelas pessoas se torna um objeto de estudo acadêmico.”

Mullan especulou se a conferência foi um resultado daqueles que gostavam de Harry Potter quando crianças e agora atingiram a idade em que poderiam aplicar crítica acadêmica sobre a obra de Rowling. “Talvez isso tenha acontecido”, ele disse. “Mas por que as universidades têm conferências? Para atrair atenção para elas mesmas como lugares dinâmicos. St Andrews é responsável por boa parte do jogo sujo aqui. Toda publicidade é realmente boa? Eles vão chamar atenção por ter uma conferência de Harry Potter, mas não acho que isso dará a eles a reputação de análise cultural especializada que eles podem estar esperando.”

Ele confessou estar “espantado” que os acadêmicos participantes tiveram tempo para comparecer na conferência. “Eles deveriam estar lendo Milton e Tristram Shandy: é para isso que são pagos,” disse ele.