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Lições das mulheres de Harry Potter

Na última quinta-feira, comemoramos mais um Dia Internacional da Mulher. Por mais que o machismo esteja cada vez mais antiquado, ele ainda existe e deve ser combatido. J.K. Rowling fez um ótimo trabalho em seus livros, criando personagens que orgulham e inspiram garotas em todo o mundo.

Por isso, a coluna de hoje é uma homenagem a todas as mulheres de Harry Potter. Confira o texto e comente sobre cada ensinamento das personagens e quais faltaram na lista!

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por Sheila Vieira

Durante o dia 8 de março, pensei muito sobre quais mulheres haviam me ensinado lições de vida. Como lidar com o turbilhão de emoções que sentimos e realizar várias tarefas ao mesmo tempo. De que maneira cuidar dos outros sem esquecer de si mesma, administrar diversos papéis e ser testada o tempo todo por uma sociedade ainda machista.

Então lembrei das mulheres de Harry Potter e os ensinamentos de cada uma.

Hermione sempre foi uma das maiores influências na minha vida. Primeiro, por não cair numa armadilha que muitas meninas caem: esconder a própria inteligência para não assustar os garotos. Pelo contrário, Hermione nunca teve vergonha de todo o seu conhecimento, de seu poder de tomar decisões extremamente sensatas (na maioria das vezes, mais racionais que as de Harry e Rony) e de suas ambições. Claro que ela era insegura, mas entre mudar para se encaixar num padrão e continuar sendo ela mesma, Hermione manteve sua honestidade.

Agora imagine como deve ser crescer numa casa com seis irmãos! Todos tentando protegê-la, afastá-la dos meninos, reproduzindo o velho preconceito de que quando garotos ficam com várias, são garanhões, e quando garotas fazem o mesmo, são vagabundas. Porém, Gina nunca se intimidou e sempre seguiu seu coração. Demorou um pouco para Harry perceber isso, mas Gina foi paciente e, assim como Hermione, não traiu a própria personalidade.

E quando se fala de ser você mesma, não há melhor exemplo do que Luna Lovegood. Estranha, sensitiva e doce, a aluna da Corvinal nos ensinou como viver em liberdade, com uma enorme paz interior e visão de mundo que não fazia julgamentos precipitados sobre ninguém. Luna é a beleza do diferente.

Molly Weasley, a mãe da série, é uma homenagem de Rowling às donas de casa, como ela diz no documentário nos extras do DVD do último filme. Num mundo em que a mulher está conseguindo competir razoavelmente igual com homens no mercado de trabalho, mas ainda se sente “obrigada” a assumir todas as responsabilidades domésticas, Molly mostra que a dona de casa não é uma dondoca que não faz nada, mas sim alguém que administra várias vidas e cuida de todos com extremo carinho.

O que falar então de Lily, que se sacrificou para garantir a sobrevivência do filho? Quantas Lilys existem no mundo, que numa situação de risco se jogam na frente dos filhos sem pensar em nenhum momento no medo da morte e da dor? Felizmente, a maioria das mães têm esse instinto e transmitem um amor que é fundamental na formação psicológica de uma pessoa.

Poderia também citar as vilãs, como Dolores Umbridge e Bellatriz Lestrange, que perpetuam comportamentos machistas. Mas deixo este parágrafo final para J.K. Rowling, a mulher que escreveu uma das séries literárias mais bem-sucedidas da história e encorajou diversas garotas pelo mundo a acreditarem em seu potencial.

Inteligente, insegura, sensível e forte, como nós.

Sheila Vieira jura que nunca queimou um sutiã.