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Produtores falam sobre os filmes, J.K. Rowling e Studio Tour

Aconteceu ontem uma coletiva de imprensa no Warner Bros Studio Tour London – The Making of Harry Potter, da qual o Potterish teve a honra de ser convidado (confira aqui o nosso relato), e hoje as informações começam a ser cedidas. Dentre os convidados para a coletiva estava, é claro, a BBC, que fez excelentes perguntas aos produtores David Heyman e David Barron sobre os filmes, o que J.K. Rowling pensava sobre os filme, e suas impressões sobre o tour.

J.K. deve ter sido em algum momento, por assim dizer, influenciada pelo que ela estava vendo na tela.

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David Heyman: Absolutamente não. Ela foi questionada sobre isso muitas vezes. Ela não foi nem um pouco influenciada por tudo o que aconteceu. Ela sabia o que iria acontecer em seus livros…

David Barron: … antes mesmo de conhecer o elenco.

Na entrevista, que durou quase vinte minutos, foram abordados temas como o visual de Hermione, a influência dos filmes em Jo, o envolvimento atual de ambos com Harry Potter, a famosa frase “… é o novo Harry Potter!” e até mesmo o uso da Warner Bros. sobre a marca.

Confira a tradução de todas as perguntas e respostas em notícia completa, obrigado ao Snitch Seeker pelo áudio e transcrição do material.

WARNER BROS. STUDIO TOUR
BBC faz perguntas sobre os filmes, J.K. Rowling e o W.B. Studio Tour

BBC
Transcrição: Snitch Seeker
Tradução: André Almeida
29 de março de 2012

A BBC faz uma longa pergunta sobre as atitudes que os produtores tomaram quando as crianças começaram a crescer e ficar bonitas, ao contrário de suas personagens nos livros que não são atraentes.

David Barron: Nós estivemos falando sobre isso mais cedo, na verdade. Sobre Emma, particularmente, porque ela não tinha – do segundo filme em diante – o grande e espesso cabelo e os dentes salientes e qualquer outra coisa que o livro descrevia, mas ela incorporou a personagem de Hermione muito fortemente. Ela era uma menina muito bonita. Você não poderia fazer com que ela parecesse feia ou simples ou comum porque ela não era. E ela estava muito consciente sobre o amadurecimento da moda, e consciente de que outras pesssoas estavam consciente sobre a moda, eu acho. Mas mesmo que ela não tenha sido exatamente a Hermione descrita nos livros, ela era a Hermione descrita nos livros.

David Heyman: Eu não acho que fizemos qualquer coisa em termos de iluminação ou em termos de figurino para fazer o visual deles diferente de como eles eram – exceto, é claro, Rupert parecendo alguém completamente diferente no oitavo filme.

J.K. deve ter sido em algum momento, por assim dizer, influenciada pelo que ela estava vendo na tela.

David Heyman:Absolutamente não. Ela foi questionada sobre isso muitas vezes. Ela não foi nem um pouco influenciada por tudo o que aconteceu. Ela sabia o que iria acontecer em seus livros…

David Barron: … antes mesmo de conhecer o elenco.

Mesmo as nuances das personagens?

David Heyman: Ceramente houve um processo de descoberta em cada um dos livros, mas não foi influenciada por Dan, Rupert ou Emma, ou vendo o que criamos. Houve uma vez, eu sei, quando ela estava escrevendo o sétimo livro, em que ela veio para o set e viu o Ministério da Magia. Ela disse que foi uma experiência um tanto surreal, porque lá estava ela escrevendo alguma coisa e lá estava à sua frente. E ela sempre foi extremamente favorável e amava os os sets que Stuart construía, e amava o que fazíamos com os filmes. Ela era incrivelmente favorável, mas nem uma única vez, eu acho, foi afetada pelo que estávamos fazendo. Os dois [Jo e Stuart Craig] estavam bem separados e ela sempre tinha uma noção muito clara do que era dela e o que ele iria fazer.

Você já viram o tour? E o que vocês acharam dele?

David Heyman: Eu acho que o tour é fantástico. Ele nos enche, eu suponho, de grande orgulho. Quem teria pensado, certamente, que quando eu optei por um livo em 1997, quinze anos mais tarde haveria uma turnê? Quero dizer, vamos lá. Eu não acho que jamais voltarei a fazer um filme que tenha um tour, um parque temático ou nada disso. Você anda por aí e é muito emocionante. É bastante comovente. É emocionante, e é um lembrete, número um, da qualidade e dos detalhes do trabalho feito, e da paixão e cuidado que todos que trabalharam nesses filmes tiveram para torná-los o que são.

David Barron: É surpreendente – é recompensador. Nós estivemos envolvidos no planejamento do tour, e então não havia nada que nós já não soubéssemos com adiantamento. Mas na verdade é realmente recompensador ver tudo isso em seu esplendor e detalhes. Isto é o testamente da qualidade dos artesões e artesãs que fizeram todo este conjunto.

David Heyman: E eu creio que cada set, cada pilar, está cheio de memórias. Nós andamos através deste tour e é como uma viagem pela estrada da memória, e estas memórias são boas memórias. Então é mesmo um prazer estar aqui. É estranho ver isso tão formalizado como uma atração para visitantes – como diz o termo – mas é realmente encantador. E é belíssimo, também, saber que nós estaremos compartilhando isso, de certo modo, com as pessoas, e o público será capaz de ver o nível de detalhe que foi criado na medida que os artistas passaram por aqui para criar este mundo. Porque quando você assiste aos filmes você tem uma noção de que você quase certamente não vê o nível disso. Há uma mesa, apenas uma mesa de escola comum, e os atores desenharam uma vassoura e um pequeno passarinho.

David Barron: O que também foi interessante nisso é que uma parte dos figurantes, os estudantes de Hogwarts, costumam fazer isso eles mesmo. Longe de ser desencorajado, como você, normalmente é um set de filmagem, a não arranhar os móveis, eles foram encorajados. Era um comportamento das personagens.

Como foi ter tanto em termos de recursos? Não apenas financeiramente, mas também em termos de suporte vindo da Warner Bros., que lhes deu a liberdade de fazer os filmes?

David Heyman: Eles nos deram liberdade de várias formas, e apoio. Eles foram incrivelmente pouco intrusivos. Isso é chocante visto o nível dos filmes – o orçamento e o significado dos filmes para seus negícios -, e eles nos deixaram sozinhos para fazer o filme do modo que eles fizeram, e lá havia suporte quando precisávamos. Eles nos deram muito dinheiro, mas, como acontece com qualquer filme, sua ambição sempre excede o orçamento que você tem, e por isso nós inevitavelmente tivemos que fazer concessões. Algumas vezes esses compromissos nos levaram a grandes coisas criativas. Muitas boas decisões vieram por não termos as coisas.

Você pode pensar em um exemplo de improviso?

David Heyman: Claro. Por exemplo, no terceiro filme, na cena no Salão Comunal da Grifinória em que eles estão comendo doces e se “transformando” em animais, originalmente nós pensamos em fazer com efeitos visuais, onde cada um dos atores iria se transformar fisicamente em um leão ou algo assim. E isso deveria ser engraçado, mas na verdade ver o ator fazer “Roar!” e ver suas faces fez com que ficasse muito mais envolvente e muito mais divertido.

David Barron: É um momento dirigido pela personagem, na verdade,ao invés de um efeito especial divorciado.

David Heyman: Nós não poderíamos bancar os efeitos visuais – o que seria muito caro. Mas eu acho que foi melhor, o que Alfonso também achou.

Agora vocês estão fora do jogo da família das franquias? Ou vocês continuam juntos, ou separados, ou continuam procurando?

David Barron: É tudo sobre o material, na verdade. Se este é o material certo poderá ser um único filme ou uma série de filmes retornável. Mas é tudo sobre o material, na verdade.

Há parcelas de agentas dizendo “Ei, este é o seu novo Potter”?

David Barron: Bem, este é o Santo Graal. Nós todos gostaríamos de encontrar o novo Potter, bem como que pequeno drama romântico e adorável que está em uma prateleira em algum lugar, mas eu certamente não tem nenhum escrúpulo em fazer outro se tal coisa acontecesse. Mas um raio não acerta duas vezes.

David Heyman: Para mim, quando eu li o primeiro livro,eu não tinha ideia de que haveriam oito filmes. Foi um livro que eu gostei. Eu pensei que seria uma boa, um filme de tamanho médio britânico. Eu não tinha uma dica. Eu apenas gostei. E eu acho que esta é a única aproximação que pode se fazer do material. Na verdade eu não quero achar o próximo Potter porque o próximo Potter não existe. Eu quero achar algo que é verdadeiro a si mesmo. Eu não acho que Jogos Vorazes é o próximo Potter, ou o próximo Crepúsculo. Sim, é um fenômeno, mas não é o mesmo que estas duas séries.

Tendo feito Potter, você não gostaria de fazer Potter de novo.

David Heyman: Isso não é verdade. Eu acho que coisas como tentar ser “o próximo” nunca é tão bom quanto o original. E então, para mim, eu estou, como você, procurando pelo próximo que me toque de alguma forma. Eu me conectei com Harry, Rony e Hermione. Eu sabia que pessoas gostariam deles e gostaria de estar numa escola de magia. Este é um mundo com o qual eu me relacionei de uma forma ou de outra, e é o que ultimamente me atrai, e eu imagino que atrai David – histórias que você tem algum tipo de conexão. Não necessariamente o pensamento “Esta é a próxima grande coisa.”

Quando a série tornou-se tão popular, como aconteceu, isso afetou o modo como você se aproximava dos filmes?

David Heyman: Certamente não. É uma pergunta muito justa. Não. Nós nos aproximamos de cada filme como um filme individual, e todo mundo trabalhando no filme estava incrivelmente ambicioso por aquele filme – determinado a fazer cada filme melhor do que anterior.

David Barron: Nosso trabalho era apenas fazer o melhor filme que fôssemos capaz de fazer com os livros de Jo. Alguém mais teria feito um trabalho melhor, quem sabe? Mas tudo que nós pudemos fazer foi acordar todo dia e dizer “Isso é o que nós temos que fazer. Como nós podemos fazer disto o melhor?”

Mesmo os dois últimos foram individuais? Eles vieram do mesmo livro.

David Barron: Bem, eles são filmes muito diferentes. Sete parte um foi o primeiro filme no qual você não vai para Hogwarts, e era um pouco mais como um road movie pela Europa. E então o segundo filme foi a culminação de tudo o que havia acontecido antes dele. Então, mesmo que eles sejam duas partes de um livro, eles são filmes muito diferentes.

David Heyman: E eu suponho que o último foi ligeiramente diferente porque havia uma consciência de que você estava tazendo isso para uma conclusão, e isso muito certamente estava em nossas mentes. Mas tudo o que estivemos fazendo foi tentar fazer a melhor conclusão que pudéssemos. Isso foi tudo. Não era um senso de nada  além disso, porque senão você se perde.

Quando o filme ficou mais obscuro lá pelo terceiro filme, houve uma decisão ou foi algo orgânico?

David Heyman: Orgânico – baseado no material de Jo, baseado no diretor, na aproximação de Alfonso Cuarón pelo material. Foi simples assim. Eles tornaram-se adolescentes. Quando você tem 13 anos de idade, tornando-se um adolescente, você passa a ter interesses diferentes, pensamentos diferentes. É mais complicado do que quando você tem 13 anos, e eu acho que isso refletiu-se na natureza do mundo da filmagem.

David Barron Nos dois primeiros filmes, na verdade, Chris Columbus foi um real herói anônimo, porque eles eram filmes muito mais infantis. Mesmo que fosse o início da abordagem de todos esses temas universais, você estava lidando com crianças. Chris teve de regravar a maior parte do som nos dois primeiros filmes porque ele tinha que falar com eles enquanto a câmera estava rodando. “Olhos abertos!” “Você está aterrorizado!”

David Heyman: “Queixo para cima!”

Ambos Davids em unísono: “Pare de rir!”

David Barron: Então eles foram filmes muito, muito diferentes. Com o tempo eles tinham 12, 13, 14 anos, eles tornaram-se capazes de dar diferentes atuações de si mesmos. E no livro também há o crescimento. Eles são adolescentes nos livros, e isso pede um tipo diferente de aproximação.

David Heyman: E na verdade Alfonso se beneficiou dos dois anos em que eles trabalharam com Chris, e Mike Newell se beneficiou de Alfonso e Chris, e David Yates se beneficiou de todos que vieram antes dele. Então a própria história tornou-se obscura. Foi uma evolução natural se você olhar nos livros – é o que acontece.

David Barron: Além disso, as crianças pararam de ser crianças e começar a ter experiências na vida. Nos intervalos entre – e as vezes durante – o processo de criação dos filmes, eles começaram a ter experiências de vida que eles puderam trazer para a sua atuação, para a personagem. E simplesmente abordar coisas mais amadurecidas, de maneira mais informada. Isso foi tudo orgânico. Isso acontece nos livros, e apenas acontece também na vida real. Então um alimentou o outro.

Vocês consideram o filme de Alfonso Cuarón o ponto da virada da série? David Yates disse que é seu filme favorito na série.

David Heyman: Eu acho que foi o ponto de virada de várias formas. Chris Columbus realmente apoiou e ajudou nessa mudança. Mas sim, absolutamente. Tudo mudou com Alfonso. Até mesmo os figurinos mudaram. Foi uma mudança sutil, mas eles mudaram. Cada uniforme em particular foi refeito, o que foi bastante…

David Barron: … contencioso.

David Heyman: Muito contencioso. Mas de certa forma não foi, na verdade. Haviam mudanças, mas foi um pouquinho como ir para a direita ou para a esquerda. Eu acho que a mudança de Alfonso realmente ajudou a evolução da série, e nos permitiu fazer os filmes como dizemos – nos permitiu chegar até o fim.

Então era mais como fazer a ponte entre a metade da luz e da escuridão? Não foi uma grande mudança, mas uma ponte entre os dois?

David Heyman: Absolutamente.

David Barron: Foi assim, é.

David Heyman: E ainda Alfonso foi o primeiro a reconhecer que ele não poderia ter feito o aquilo sem Chris Columbus. Então essas coisas aconteceram por uma razão. Não é como se fosse um grande plano de mestre. Foi o que aconteceu, mas funcionou.

Vocês sabem dos planos da Warner em termos de relançamento? Será como a Disney, que relança seus grandes sucessos a cada sete anos ou algo assim?

David Heyman: Eu não tenho ideia.

David Barron: Eu não sei. Honestamente, a coisa mais importante para nós foi fazer os filmes que fizemos. O que a Warner ultimamente faz com relançamentos e suas Ultimate Collector Edition e Super-Ultimate Collector Editions e Super-Super não é algo do qual temos controle. Ultimamente o que nós fazemos é dar suporte em termos de fornecer materiais e ideias, e olhar os materiais que eles geram.

Relativo disso, há supostamente grande e final lançamento dos DVDs de todos os oito filmes chegando neste ano. Vocês acham que haverá muito material novo com isso?

David Barron: Assim, haverá.

David Heyman: Sim, com certeza. Nele haverá muitas coisas incluídas. Você poderá ter adereços extras. Essa é uma incrível e bem decumentada série de filmes. Nós tivemos uma ou duas, ou as vezes três, equipes por trás do departamento de DVD. Nós tivemos uma equipe de documentário. Há diferentes estágios em que trabalhamos para documentar isso.