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Uma mente dividida

As Colunas do Potterish estão de volta! E com uma análise sobre um dos personagens mais interessantes e dúbios da série, Draco Malfoy. Inicialmente, parecia apenas um menino mimado que praticava bullying nos alunos da Grifinória, mas acabou fazendo parte de um grande plano de Voldemort.

O curioso é que quanto mais sério ficava o papel de Draco na trama, mais o seu lado covarde e, por que não, bondoso, vinha à tona. Confira a coluna de Bianca Farias e diga o que você acha do filho de Lucius e Narcisa!

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por Bianca Farias

Uma vez um amigo meu, que não é um grande conhecedor de Harry Potter, me perguntou se Draco Malfoy era bom ou mau. Eu, que sempre fui sua fã, respondi que ele é bom. Disse ao meu amigo que ele apenas agia como malvado porque seus pais são, e ele sentia que precisava ser como eles.

Isso é o que eu penso até hoje. Desde que comecei a ler os livros, sempre tive a absoluta certeza de que Draco na verdade é um garoto bom, mas é extremamente pressionado, tanto pelos amigos quanto pela família, para parecer mau. E não precisa ser uma pressão direta, mas de algum modo ele sentia esse peso sobre os ombros.

Afinal de contas, Malfoy cresceu com seu pai sendo um dos maiores Comensais da Morte. Sentia a necessidade de honrar a família tornando-se um também. Sentia também que precisava entrar para a Sonserina, já que seus pais foram alunos desta Casa. Isso tudo o fez transformar-se por fora em um “valentão”, enquanto por dentro era apenas um menino inseguro.

Em “O enigma do Príncipe” isso é possível de se confirmar. Draco precisava matar Dumbledore, por ordem do próprio Lord das Trevas, mas sabia que não conseguiria. É aí que conseguimos vê-lo como alguém inseguro, pressionado, que tudo o que quer é a aprovação dos pais e de todos. E Dumbledore vê isso nele, o que o deixa furioso.

“ – Entendo – disse Dumbledore bondosamente, quando viu que Malfoy não se mexia nem falava. – Você tem medo de agir até que eles cheguem.
– Não tenho medo! – vociferou Malfoy, embora não fizesse movimento para atacar Dumbledore. – O senhor é quem deveria estar com medo.
– Mas por quê? Acho que você não vai me matar, Draco. Matar não é tão fácil quanto crêem os inocentes…”

Como Dumbledore diz, Draco sente medo. Medo de não conseguir, medo de decepcionar a todos. Ele tenta não demonstrar isso, mas pode-se claramente ver que é o que sente.

“- Ninguém pode me ajudar – respondeu Malfoy. Todo o seu corpo tremia. – Não posso fazer isso… não posso… não vai dar certo… e se eu não fizer logo… ele diz que vai me matar…
E Harry percebeu, com um choque tão colossal que pareceu pregá-lo no chão, que o garoto estava chorando, realmente chorando, as lágrimas escorriam do seu rosto pálido para a pia encardida.”

Eu sou daquele tipo que sonhou com uma cena em que ele e Harry fazem as pazes e tornam-se amigos. Confesso até que fiquei meio decepcionada ao não encontrar isso em “Relíquias da Morte”! Draco é orgulhoso demais para pedir desculpas a alguém a quem fez tanto mal, mas se quisesse poderia mudar. Na verdade, ele poderia pedir desculpas a Hermione por chamá-la de sangue ruim, a Rony por xingá-lo de pobre tantas vezes e a Neville por tantas pegadinhas.

Acho que Draco é um dos personagens mais complexos da saga. Tenho certeza de que, se dez pessoas respondessem à pergunta de meu amigo, teríamos umas oito respostas diferentes para uma pergunta tão simples. É que todos possuem uma opinião sobre ele, alguns concordam comigo, outros pensam exatamente o oposto. Muita gente o considera arrogante e covarde (e tem ocasiões em que ele realmente é, eu admito).

Como ele é um personagem com uma mente tão dividida, dependendo do ponto de vista podemos tirar diferentes conclusões ao seu respeito. E esse é o principal motivo de eu gostar tanto dele.

Bianca Farias jura que não chamou os colegas de ‘sangue-ruins’ no colégio.