As Relíquias da Morte ︎◆ Filmes e peças ︎◆ Parte 2

Lewis fala de HP e aparece nos bastidores de “Syndicate”

A BBC News divulgou um vídeo mostrando os bastidores da mini-série “The Syndicate”, o primeiro projeto do ator Matthew Lewis (Neville Longbottom) após a conclusão da franquia Harry Potter.

O projeto, filmado grande parte na cidade natal de Lewis, conta a história de cinco funcionários de um supermercado que ganham na loteria e como decidem gastar o dinheiro. Confira o vídeo abaixo:

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Além disso, Lewis também falou ao The Telegraph sobre mitos de Potter, o convívio entre o elenco jovem e adulto no início das filmagens, o momento mais memorável de toda a série, e também discorreu um pouco sobre esse seu novo trabalho. Confira a tradução em notícia completa!

The Syndicate” estreia na televisão britânica durante o outono do próximo ano.

MATTHEW LEWIS
Matthew Lewis: crescendo com Harry Potter

The Telegraph ~ Marc Lee
05 de dezembro de 2011
Tradução: Daniel Mählmann

Aos 22 anos, Matt Lewis passou metade de sua vida interpretando Neville Longbottom nos filmes Harry Potter, com uma aparição heróica memorável na parte final.

Agora, enquanto o lançamento do DVD de Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 marca o fim da franquia cinematográfica de maior sucesso de todos os tempos, ele fala sobre crescer nos filmes – e sobre o brilho dos holofotes da mídia.

Como foi fazer o último filme? O nervoso Neville acabou se mostrando meio que um herói, não foi? E de repente as pessoas começaram a perceber que você não se parece com o Neville na vida real…
Foi uma experiência muito assustadora, para ser honesto com você. O filme saiu enquanto eu estava em um voo para a Austrália. Quando aterrissei lá, haviam todas essas notícias sobre os recordes [de bilheteria] sendo quebrados, e vários pedaços das matérias eram sobre mim – todas as manchetes sobre como eu tinha sido “transformado”.

Eu liguei para o Will [seu assessor] e disse: “Não gosto disso”. Foi muito, muito estranho, e de repente eu me senti muito exposto. As pessoas começaram a se focar em minha aparência ao invés de meu trabalho, e me senti desconfortável com isso. Eram coisas muito legais o que eles estavam dizendo, muito lisonjeito e abatedor, mas me senti muito estranho. Eu só queria voltar à [minha cidade natal] Leeds e focar no trabalho.

Você recebeu ofertas para ser modelo?
Não. Mas fui chamado para o Strictly Come Dancing*. Eu recusei porque esse mundo de celebridades não é o mesmo no qual eu estou. Para ser sincero, se eu fosse fazer alguma das temporadas de Strictly, seria a primeira, mas não estou interessado nisso.

Quando você percebeu pela primeira vez que era parte desse grande fenômeno cultural?
A primeira vez em que eu pensei “Isso é grande” foi quando eu cheguei na primeira premiere, em Leicester Square. O filme ainda não tinha sido lançado e, até onde eu sabia, ninguém sabia quem eu era. Mas lá estavam todas aquelas pessoas gritando “Matthew! Matthew!”, eu tinha 11 anos de idade e estava pensando, “Como eles sabem quem eu sou?”. Aquilo realmente me assustou.

Até o último filme, eu tinha sido deixado com as minhas próprias partes em segundo plano, e estava feliz com isso. Então, de repente o personagem se sobressaiu, e eu estava nos Estados Unidos sendo relatado em todas as revistas que eu lia, como o The Hollywood Reporter e Variety. Sempre sonhei em aparecer nelas, e lá estava eu.

O quanto Harry Potter tomou conta de sua vida durante a produção dos oito filmes?
Bastante. Nós filmávamos durante meses e meses. [As duas partes de] Relíquias da Morte foram filmadas juntas. Eu comecei em fevereiro de 2009 e terminei no fim do verão de 2010, quase 18 meses, cinco dias por semana. De vez em quando você podia voltar por duas semanas para a escola. No início da série, eram seis meses de filmagens e seis meses na escola.

A Warner Brothers era realmente muito boa conosco. Eles tinham tantas crianças trabalhando nesses filmes, que tinham um andar inteiro de salas de aula. Nós tínhamos que assistir de três a cinco horas de aula todos os dias.

Como o aumento da sua popularidade afetou as coisas na escola, em Leeds?
Eu tive muita sorte: sei que alguns dos outros [astros de Harry Potter] tiveram problemas. No início, eu mantive em mente que eu tinha amigos antes de Potter, e ainda tenho amizade com eles hoje. Eles me ajudaram a manter meus pés no chão.

No mês passado eu acendi as luzes de natal em Ilkley [no lugar do Sir Jimmy Savile, que morreu pouco antes]. Estava sendo fotografado rapidamente na igreja e centenas de garotas, assim como rapazes, invadiram o lugar: foi algo como o [filme de zumbi] “Extermínio” – aterrorizante. No final, a polícia teve que aparecer. Havia quatro policiais me protegendo, levando-me em um círculo tumultuado, e então um comboio policial me tirou de lá. Foi insano.

Várias vezes eu não posso ir ao [supermercado] Morrisons local por causa da escola ao lado. Outra semana eu cometi o erro de ir até lá durante o recreio da escola e não consegui fazer as compras direito. Eles meio que o seguem por aí, e toda vez que você entra em uma nova seção, o número de crianças se multiplicou.

Ao interpretar o Neville você teve que usar dentes ruins falsos, colocava orelhas de abano, tinha que vestir um colete de enchimento. O quão difícil foi estar com essa aparência enquanto você passava pela adolescência?
Quando eu tinha 15 ou 16 anos, odiava. Eu achava que isso era o que o resto do mundo pensava sobre mim, que eu realmente era assim. Estava tão de saco cheio do colete de enchimento que usava, que o tirava assim que saía do set, mesmo que fosse por apenas 20 minutos.

Então eu comecei a apreciar sobre o que isso se tratava. Tornar-me um personagem foi importante, e no final eu tive uma nova e completa apreciação por ele. Aquele colete de enchimento e a maquiagem me ajudaram a entrar no papel. Estou contente em ter ficado com ele.

Quais são os mitos populares sobre estar nos filmes Potter?
No fim de semana passado, uma estudante veio até mim, em Leeds, com um olhar de desgosto em seu gosto e disse, “O que você está fazendo aqui?”, “Bem, eu moro aqui”, eu disse. Há essa ideia de que todos nós devemos morar em mansões em Beverly Hills ou algo assim.

As pessoas supõem que se você já esteve em um filme como esse, você se transformou no Brad Pitt com uma comitiva que vai acompanhá-lo por toda parte. A única coisa que eu insisto quando me convidam para algum trabalho é: eu posso levar um amigo? Então, se eu estou em Nova Iorque dando uma entrevista para o USA Today ou qualquer coisa assim, é legal poder olhar pelo local e ver meu amigo Nick, de Otley. Isso me mantém com os pés no chão.

Será que todo mundo assume que você e o resto do elenco são todos amigos na vida real?
Se ele assumem que todos nós saímos juntos todas as noites, vivendo juntos, ou eles assumem que todos nós odiamos uns aos outros e que havia briga interna o tempo todo. Não é nem um nem outro, na verdade. Eu sou amigo de todos eles, obviamente. E, é claro, quando você trabalha junto por 10 anos, há ocasionais discussões. Mas nunca houve quaisquer argumentos importantes ou pessoas se recusando a falar umas com as outras.

Nos filmes, houve uma divisão entre as crianças e os atores mais velhos?
Nos primeiros dias, definitivamente. Nós estávamos brincando feito crianças sobre atuar – escrevendo cartas de amor uns aos outros, todo tipo de absurdo; e eles eram atores sérios vindo fazer um trabalho. Então, conforme todos nós começamos a ficar mais velhos, por volta dos 18 ou 19 anos, tudo isso mudou.

No último filme, a filmagem da cena no grande pátio com Ralph Fiennes e Jason Isaacs e todos os outros caras foi simplesmente um nivelamento. Isso não quer dizer que eu estou no mesmo nível de Ralph Fiennes, porque não estou, mas senti como se estivéssemos todos fazendo um trabalho juntos.

Nós não recebemos qualquer aconselhamento de carreira formal [do estúdio], mas ouvimos conselhos dos membros mais velhos do elenco. Alan Rickman me disse para fazer alguma peça, e eu estou feliz em tê-lo feito.

Qual foi o momento mais memorável em toda a experiência Harry Potter?
Na premiere do primeiro filme, quando os créditos rolaram, começou a tocar a música de John Williams e todos se levantaram e aplaudiram, eu só tinha esse sentimento, “Uau, eu fiz um filme que é incrível”. Você se sente parte de algo muito especial. Eu pensei que poderia ter outro filme, mas nunca pensei que estaria aqui 10 anos depois, ainda falando sobre isso.

Você acabou de ficar seis meses em turnê para a peça Verdict, de Agatha Christie. O que vem a seguir para você?
Eu estou gravando um novo seriado da BBC chamado “The Syndicate”, de Kay Mellor, sobre um grupo de trabalhadores de um supermercado que ganha na loteria. Eu interpreto Jamie, que é um dos cinco que ganham a loteria e que não é muito legal.

* O objetivo do programa é reunir celebridades para aprenderem a dançar juntamente com profissionais altamente qualificados em dança esportiva.