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Sirius e Oldman: combinação perfeita?

Muitos atores britânicos sensacionais passaram por “Harry Potter”. Enquanto víamos Dan, Rupert e Emma crescendo, havia experientes profissionais também segurando a barra em personagens vitais para a série. Um deles é Gary Oldman, intérprete de Sirius Black.

Um personagem com uma história obscura, muitas cicatrizes e com dificuldade de voltar à vida normal depois de tanto tempo preso merecia um ator capaz de fazer um trabalho denso. Na coluna desta semana, confira o que Débora Jacintho tem a falar sobre a combinação Sirius/Oldman!

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por Débora Jacintho

Gary Oldman estreou no cinema em 1981, mas só em 1983, com “Sid e Nancy – O amor mata”, ganhou um papel de destaque e chamou a atenção da crítica. Oldman é conhecido por ser um ator bastante versátil, conseguindo mudar aparência, voz e sotaque a cada personagem que interpreta. Consegue ser simplesmente irreconhecível, nos diferentes papéis: quem diria que Sirius Black e o Tenente Gordon (Batman Begins e Batman – O Cavaleiro das Trevas) são a mesma pessoa?

Conta-se que Oldman aceitou o papel de Sirius Black porque estava sem fazer filmes há um tempo, mas, em uma entrevista, o ator afirmou sempre ser “fanático por magia”. Ele não havia lido os livros antes de aceitar o trabalho, mas afirma que hoje os acha fantásticos.

Talvez tenha faltado um quê de galã na interpretação de Sirius Black. Oldman (e a direção) apostou no lado Sirius-pós-prisão, com todas as tatuagens, jeito um pouco sombrio e misterioso. Mas faltou o lado Sirius mais brincalhão, irreverente e irresistível. Ele ficou um pouco mais sério do que se esperava (ou que pelo menos eu esperava…), mas agradou mesmo assim.

Esse lado um pouco sombrio tem marcado bastante a carreira do próprio Gary Oldman. O site Moviefone publicou, em fevereiro de 2010, uma lista com os “10 Atores Mais Perversos de Hollywood”, na qual Oldman apareceu em nono lugar. Coloca-se a sua atuação como o vampiro Drácula como principal destaque na lista de personagens maléficos da carreira de Oldman. O site também comentou o fato de que até seus personagens vistos como “bons” tem um lado obscuro, como é o caso do nosso Sirius, assim como do Tenente Gordon.

A participação de Gary Oldman como Sirius nos filmes foi pouco explorada, podendo ter sido bem mais, especialmente no Cálice de Fogo, no qual Oldman mal aparece. O Sirius do Cálice tem uma grande importância: Harry acabou de descobrir que tem um padrinho, e este passa a ser sua família, finalmente. O padrinho lhe dá permissão para ir a Hogsmeade, ajuda-o com questões do Torneio Tribruxo, lhe dá conselhos e alertas, enfim, torna-se o suporte familiar e emocional de Harry. O encontro em Hogsmeade poderia ter sido mostrado, complementando a cena em que Sirius aparece na lareira.

Atuações à parte, Sirius Black é um dos personagens (pelo menos para mim) mais fascinantes da saga, mesmo aparecendo tão pouco nos livros. A sua construção psicológica é muito bem feita, sendo bastante explorada principalmente no Prisioneiro de Azkaban, quando descobrimos toda a sua história, e na Ordem da Fênix, quando nos aprofundamos na sua história, especialmente em relação à sua família. Um homem que passou treze anos da sua vida em Azkaban, sabendo ser inocente, não sai de lá do mesmo jeito que entrou. Existe toda uma carga sombria acumulada, e uma vontade de ser absolutamente livre que é frustrada (na sua condição de fugitivo).

Sirius se apega a Harry tanto quanto o afilhado se apega a ele. Do mesmo jeito, é sua referência de família. E, ao mesmo tempo em que existe essa relação de paternidade entre padrinho e afilhado, Sirius cultiva uma relação de amizade profunda, como tivera com Tiago Potter (várias vezes repetindo o quanto Harry é parecido com o pai). Percebemos, às vezes, conflitos entre esses dois modos de Sirius ver a sua relação com o afilhado, algo que Molly Weasley aponta, na Ordem da Fênix. Mostra-se um pouco desse relacionamento, nos filmes. Uma cena bem interessante é a dos dois olhando a árvore genealógica dos Black; Sirius mostra sua família, com desgosto, e aponta para o seu nome queimado. Sirius não tem família, assim como Harry, ou pelo menos não se sente parte da família que possui. É a cena que mais mostra a aproximação que existe entre os dois, e o suporte emocional que Sirius proporciona a Harry, ao ouvir seu desabafo sobre os conflitos na sua cabeça.

Não dá pra negar que Gary Oldman é um excelente ator e que, no fim das contas, ele caiu bem no papel de Sirius Black. Mesmo com alguns defeitos (afinal, é impossível conseguir atender a todas as expectativas de milhares de fãs…), o ator consegue passar o espírito de Black, apesar das poucas aparições nos filmes. A busca de Oldman de sempre fazer os personagens originais (conseguindo mudar sua aparência e voz) ajudou consideravelmente na construção de Sirius, e percebe-se que o ator buscou compreendê-lo, para interpretá-lo. O trabalho foi bem sucedido, na minha modesta opinião, e não consigo enxergar, agora, outro Sirius Black nas telas que não seja Gary Oldman. Mas, como não sou dona da verdade, espero ver muitos comentários acerca desse assunto!

Débora Jacintho inveja Daniel Radcliffe porque ele tocou baixo com Oldman.