As Relíquias da Morte ︎◆ Parte 2

Lembrol: Faltam 03 dias para Relíquias da Morte parte 2!

Eu estava na fila do self-service com minha irmã. A fila era longa, de modo que estávamos aguardando já na frente da vitrine da livraria ao lado. Era dezembro e o shopping estava todo enfeitado pro Natal. Olhando a decoração eu dividi com a minha irmã a vontade de ganhar um livro de presente. Mas não qualquer livro. Um livro realmente interessante, que me fizesse gostar ainda mais de ler. Ela virou de frente para a vitrine e falou de imediato: “Olha, esse parece bom. Harry Potter e a pedra filosofal”. Cheguei mais perto e vi o livro. Parecia mais que interessante. Sorri satisfeita, havia encontrado o meu presente.

Naquele momento eu não sabia, sequer tinha ideia, da dimensão da minha escolha. A leitura começou intrigante: um gato olhando um mapa; pessoas usando capas de cores berrantes; um menino fadado a levar uma vida triste e vazia. Até que as cartas misteriosas surgem, trazidas por corujas estranhamente adestradas. E então, o gigante entra pela porta e tudo, tudo muda.

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Meu coração infla ao lembrar as inúmeras sensações que dividi com Harry. Talvez ele seja um dos responsáveis por eu ter desenvolvido taquicardia na adolescência, mas sem querer parecer fã inconseqüente: se foi por causa dele, valeu à pena. Durante os 10 anos em que ele esteve comigo, além de crescermos juntos, as lições dos livros contribuíram para a formação do meu caráter (e o de milhares de pessoas, certamente), sendo fator multiplicador da minha vontade de percorrer o caminho certo (e não o fácil. Sábio Dumbledore…). Entendi o quão valioso é ter um amigo leal como o Rony, tentei ser tão esperta como a Hermione e por que não confessar que eu sempre fui esquisita como a Luna? Afinal, aos 23 anos, uso meu vira-tempo como amuleto, tenho uma Firebolt de enfeite no quarto e guardo a varinha do Harry ao lado da minha cama. Para os que não compreendem, isso é bastante esquisito… Mas eu sei que não estou só.

O acaso fez com que a pessoa que me mostrou a Pedra Filosofal fosse também a que me presenteou com o final. Minha irmã trouxe as Relíquias da Morte de presente, poucos dias depois da estréia nos EUA, levando-me a estar em dívida eterna para com ela, por ter sido a responsável pela minha felicidade literária. Ao me aproximar do final, minhas lágrimas eram incontáveis, meu coração se desfez. “Finally, the truth”. Não consigo expressar em palavras o que senti.

Apesar de tanta devoção à história, pouco participei de fóruns de discussão e escrevi duas fanfics inacabadas (quiçá publicadas), por achar pretensioso demais inventar um futuro para personagens tão amados, sabendo que em breve a minha mentira seria esquecida pela sua própria autora, haja vista os livros que seriam publicados chamarem muito mais a minha atenção do que uma história medíocre criada por mim. Enfim, preferi ser mais leitora-fã que fã-leitora. Tive uma relação de amor e ódio com os filmes, tendo o penúltimo se salvado. Não vejo como este fim possa ser menos que genial. Ai, o fim…

Não esqueço uma cena do primeiro livro que muito me marcou: quando Harry, já a bordo do Expresso de Hogwarts, observa Gina, meio sorrindo, meio chorosa, acenando para os irmãos, correndo para acompanhar o trem até onde conseguisse, para depois continuar acenando enquanto ficava cada vez mais distante. Foi uma descrição linda, que me fez verdadeiramente achar que aquela garotinha era especial (um excelente palpite, diga-se de passagem).

Parando para pensar um pouco, é assim que eu me sinto. Aproveitando os últimos momentos da forma mais intensa possível. Tal como a pequena Gina acenando para o trem, meio risonha, meio chorosa, correndo para alcançá-lo até não poder mais, eu vejo o instante em que Harry Potter chega à curva, rumando para o fim definitivo. Meio risonha, meio chorosa, meu aceno de adeus será infinito, pois a admiração e a gratidão que eu sinto são imensuráveis. E eu sei que não sou a única a sentir isso, razão pela qual concluo minha história com duas certezas: Jo Rowling mudou grande parte do mundo; e essa parte, na qual me incluo com orgulho, amará Harry Potter para sempre. Eis a minha profecia.

Rebeca Tosta Reis, 23 anos, Manaus – AM.