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A importância, o impacto e o “fim” da série Harry Potter

Faltam exatos 12 dias para o lançamento de Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2, e os fãs no mundo inteiro se veem em um turbilhão de sentimentos. Há a ansiedade, mas também, em grande parte, há aquele temor de enfrentar o fim. Morando no Brasil ou no Japão, sendo homem ou mulher, jovem ou idoso, encontramo-nos todos na mesma situação.

Mas por que estamos assim? Nosso crítico de cinema Arthur Melo, que também é fã da série desde o seu início, escreveu uma coluna que descreve com perfeição o porquê dos fãs ficarem tão emotivos com o último filme. Leia um trecho abaixo:

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Com certeza, o que mais machucará será a nostalgia. Quando Alvo Severo entrar no Expresso de Hogwarts dia 15, Um Novo Começo se fará também do lado de fora da tela. Em questão de segundos, uma década inteira voltará às nossas cabeças e perceberemos que ou o tempo passa muito rápido ou nós é que ainda não estamos prontos para dar adeus àquilo que modificou bastante coisa.

Não deixe de conferir o texto completo na extensão; certamente ficará emocionado ao se identificar com várias passagens!

HARRY POTTER
A importância, o impacto e o “fim” da série Harry Potter

Potterish.com ~ Arthur Melo
02 de julho de 2011

Há pelo menos uns três meses, uma grande mentira está sendo disseminada. Segundo a informação duvidosa, em 15 de julho deste ano tudo terminará. Mas “tudo” compreende mais coisas do que as que estão em jogo até os próximos 13 dias. Este mês pontua finalmente esta que foi uma das mais poderosas franquias do Cinema, encerrando uma ordem de grandes lançamentos. Ok, isso é verdade. Mas o desespero que desde já inunda os olhos dos fãs tem um motivo muito mais complexo, robusto e, convenhamos, de uma importância bem maior do que apenas um punhado de filmes.

Mas não vamos desmerecer o trabalho patrocinado pelo Sr. David Heyman. Por maiores que tenham sido as falhas, os cortes e as decepções com o ritmo e método das adaptações, o saldo foi bastante positivo. Observe: qual outra série do cinema se sustentou por uma década com o mesmo elenco se empenhando cada vez mais (recheado dos melhores nomes do teatro e cinema britânicos), com orçamento progressivo, técnica de qualidade sempre aprimorada para manter um nível constante de crescimento, bilheteria monstruosa graças a não evasão do público (esta parte é realmente assustadora) e boa recepção da crítica especializada (é, há quem não goste, quem odeie, mas há o consenso de que a série é boa por si mesma e, se posta ao lado do que Hollywood vem produzindo nos últimos anos, ainda melhor). Devo já ter citado argumentos demais para nem sequer precisarmos tecer comparações com determinada outra franquia – o que certamente os leitores, só dessa vez, não vão fazer nos comentários, ok? – esse texto é fechado; é para nós, apreciadores de longa data.

Visto o currículo com o selo de Hogwarts no Cinema, é mesmo de se esperar que se sinta um aperto quando não houver mais pelo quê esperar. A tristeza pelo fim de Harry Potter nas telas é, na verdade, apenas o resultado de uma tentativa de prolongar desde 2007, quando o último livro foi lançado, uma ansiedade gostosa pela novidade; um vazio que as histórias deixaram. Mas e agora? E a tal ansiedade eterna, o que fazer com ela? Durante anos todos nós passamos horas catando novas informações, contando dias para as estreias, reunindo amigos para maratonas antes de cada lançamento, estudando hipóteses, discutindo arcos problemáticos e dando F5 como desesperados no Potterish, Oclumência ou ScarPotter no dia combinado do lançamento de um novo trailer, indo a um colapso nervoso ao percebermos que os três sites caíram porque o feitiço Engorgio não funciona com a largura de banda na web. Mas encaremos a verdade: era previsto, não é mesmo? Você sabia disso e ainda assim aceitou a proposta. Lide com isso.

Com certeza, o que mais machucará será a nostalgia. Quando Alvo Severo entrar no Expresso de Hogwarts dia 15, Um Novo Começo se fará também do lado de fora da tela. Em questão de segundos, uma década inteira voltará às nossas cabeças e perceberemos que ou o tempo passa muito rápido ou nós é que ainda não estamos prontos para dar adeus àquilo que modificou bastante coisa. É engraçado, mas ainda assim aceitável, que muitos dos que não compartilham disso não entendam. “Meu Deus, o que tem de tão absurdo nesses filmes que vocês ficam malucos e começam a chorar?” ou “Por que todo esse desânimo?”. Bom, nós poderíamos estar correndo, gritando, quebrando portas e nossas representantes femininas berrando por músculos (finja que eu não “quase” comparei algo aqui), mas não. E sabe o que é mais incrível nisso tudo? O real e verdadeiro companheirismo que se forma.

Não querendo ser excludente, mas o público potteriano que começou a ler os primeiros livros antes do lançamento de Pedra Filosofal nos cinemas, com mais ou menos 10, 12, 13 ou 14 anos, tem uma dor “cronologicamente” maior. Afinal, ler Harry Potter é um jogo bastante interessante. A impressão que temos é que a mágica que se dá no livro é refletida do lado de fora. A dimensão daquele universo e, principalmente, dos personagens, é tão desproporcional ao costumeiro que ficamos sedentos por estabelecer laços no mundo real tão firmes quanto aqueles entre Harry, Rony e Hermione. E, olhem para os seus amigos hoje: Conseguimos! A mágica existe. E o que é melhor de tudo: ela se espalha. Segundo dados concretos coletados pelo serviço de pesquisa do Tumblr (risos), existem quatro milhões de “bruxos” só na comunidade virtual. O que significa que há pelo menos mais quatro milhões de randoms que, caso você encontre na rua e por um acaso chegue ao conhecimento mútuo de que ambos apreciam Harry Potter, fatalmente haverá uma troca de aperto de mão e uma conversa de duração mínima de quinze minutos. Isso é um fato comprovado. Não importa o ambiente, o momento ou quem: compartilham a série, compartilharão ideias. E essas ideias vão atrair outras e outras que puxarão em corrente um outro assunto. Quando perceberem, já estão dividindo gostos diversos em meio a um papo de amigos de infância. Normal. Quando isso se estende por dias, semanas e meses, descobrimos que criamos amigos em fontes jamais esperadas e em um momento qualquer nos deparamos com o fato de que não é porque gostamos de Harry Potter que estamos próximos, é por conta de Harry Potter que tivemos a oportunidade de nos encontrarmos e firmar um vínculo eterno e consistente que vai resistir a outros tantos quinzes de julho que ainda enfrentaremos pela frente. Isso não acabará. E isso, sim, é que é tudo.

Já há bastante tempo que vocês nos lêem. Já há um grande percurso que vocês, leitores, percorreram conosco. Hoje já não importa se você matou sua sede de informações através do Potterish, do Oclumência, do ScarPotter, do Clube do Slugue ou em qualquer outro site. O que importa é que a partir desse momento, nós, que trabalhamos arduamente em todos estes sites fazendo o impossível para dividir com vocês todas as informações que conseguíamos, estamos com a agradável sensação de missão cumprida. E só porque fomos a sua fonte de conhecimento sobre a série, estando mais perto das notícias e fatos até secretos, não quer dizer que sentimos menos. Sentimos tanto quanto, porque será a última vez que veremos pela primeira vez diante dos nossos olhos aquela história que tanto temos que agradecer não por ser divertida, legal, boa, instigante. Mas por existir e nos ter aproximado de figuras tão importantes. Eu sei que, assim como eu, você está neste exato momento se lembrando de alguém. E se esse alguém ler isto, lembrará de você.

Este texto é dedicado a
sete* pessoas: a Amanda,
a Breno, a Daniel, a Érika,
a Ralph, a Thiego,

e a você, que acompanhou
a gente até o fim.

Faça dos comentários o seu espaço para dedicar este texto, se é que ele traduz algum sentimento seu, a alguém.

*Os primeiros que chegaram até mim por vassouras.