As Relíquias da Morte ︎◆ Filmes e peças ︎◆ Parte 2

Imagens inéditas de HP7.2 em scans da Empire Magazine!

Nessa quinta-feira a Empire Magazine trará um volume especial da revista abordando a série Harry Potter e a sua proximidade com o fim. Hoje, porém, o site Just-Dan divulgou alguns scans da matéria presente na revista normal, e outros do especial.

A matéria da edição comum tem sete páginas e traz o elenco e a equipe técnica comentando sobre as dificuldades em adaptar e filmar diversas cenas – uma leitura realmente interessante! Já os scans do material especial nos brinda com novas fotos do elenco discorrendo acerca de seus personagens e o amadurecimento pessoal e profissional pelo qual passaram durante o desenvolvimento da série.

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Além disso, há algumas novas imagens de Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2, incluindo o Harry ferido deitado no chão, Rony e Hermione descendo as escadas de Hogwarts, e duas imagens dos bastidores; David Yates conversando com Matthew Lewis (Neville) com diversos atores logo atrás, e o diretor com o ator Ralph Fiennes (Voldemort) ladeado pelos Comensais. Confira todos os scans aqui e aqui!

A nossa equipe está traduzindo o conteúdo e o divulgará muito em breve totalmente traduzido. E claro, conforme outros scans forem caindo na internet nós os divulgaremos e acrescentaremos a tradução nessa notícia, portanto fique de olho!

Atualizado: Confira a tradução da matéria completa da edição comum e parte da edição de celebração em notícia completa!

HARRY POTTER
Edição de celebração

Empire Magazine
23 de maio de 2011
Tradução: Antonio Kleber A. Gomes Jr. e Marina Anderi

O CÉREBRO
Emma Watson, Hermione Granger

‘Emma é verdadeiramente brilhante’, diz Steve Kloves, roteirista de sete dos oito filmes Potter. ‘Emma sempre foi aquela que, pensamos, poderia sair, e eu sempre disse que se ela saísse eu sairia’. Certamente que ela foi uma escolha acautelada para o elenco. Quem poderia prever que a Emma Watson de dez anos se desenvolveria de uma forma que se assemelhasse tanto à sua personagem? Admita-se, ela tem um cabelo melhor do que a heroína estudiosa e seu senso de moda é vastamente superior, mas Watson tem a mesma inteligência e continua, mesmo dentro dos mundos inebriantes da alta moda e de Hollywood, memoravelmente sensível. Enquanto outras estrelas ascendentes perdem o rumo ou são pressionadas pelo interminável assédio dos paparazzi (e Watson o enfrentou muito mais do que seus colegas protagonistas nesse quesito), ela cresceu e se tornou uma mulher equilibrada e mesmo, se a palavra não soa tão grandiosa, sábia.

Watson mesma diz: ‘Eu consegui o papel quando era tão nova. Você sabe, não era algo pelo qual eu estivesse procurando, ele me achou. Então há momentos em que eu me questiono, ‘Eu sou pelo menos boa? É isso mesmo que eu deveria estar fazendo?’ Fazer teatro na universidade realmente ajudou: eu não sabia se eu seria capaz de fazê-lo, se as pessoas me permitiriam, se eu me sentiria confortável o bastante, e eu totalmente me sinto, o que é o melhor dos sentimentos. E eu realmente amo Hermione. Ela ainda continua sendo estudiosa, com os pés no chão, mas agora ela é muito mais ciente. Ter estado ao lado dos garotos definitivamente a mudou. Ela afrouxou um pouco. Ela é uma mulher agora, ou está se tornando uma mulher.’

O INIMIGO
Tom Felton e Jason Isaacs, Draco e Lúcio Malfoy

É desconcertante encontrar Tom Felton e Jason Isaacs pessoalmente. Na tela, eles incorporam tanto os desagradáveis, coniventes Draco e Lúcio Malfoy que é positivamente disorientador achá-los tão encantadores. ‘Lúcio é um personagem delicioso; eu poderia interpretá-lo para sempre.’ ri Isaacs. ‘Havia tantas camadas a serem dissecadas. Tom tem que evoluir também – você o vê tentando se desvencilhar do homem no qual eu tentei transformá-lo o que é bem inspirador.’

‘Eu espero que no fim de tudo você se sinta bem mal pelo garoto,’ diz Felton. ‘Daniel e eu conversamos tão frequentemente sobre sermos dois lados de uma moeda: Harry com todas as grandes influências e Draco tentando lutar para que seus pais não fossem uma influência pior do que eram, isso sem contar com a titia Belatriz. ‘ Mas como é sua família desequilibrada na vida real? ‘Ele tem sido bem literalmente um pai,’ sorri Felton. ‘Ele me colocou debaixo de suas asas desde que eu era bem novo, ele me ensinou mais do que provavelmente qualquer pessoa no set.’ Isaacs, enquanto isso, não tem nada mais que elogios para o seu filho artístico. ‘Tom já é um ator magnífico, mas ele sempre quer aprender e discutir o que está fazendo – assim como eu, por sinal. Eu o tenho assistido amadurecer em um contador de histórias realmente sofisticado. Tem sido maravilhoso.’

OS AMIGOS
Bonnie Wright, James Phelps, Matthew Lewis, Oliver Phelps e Evanna Lynch
Gina Weasley, Fred Wesley, Neville Longbottom, Jorge Weasley e Luna Lovegood

Há muito mais na saga do que Harry, Rony e Hermione. De fato, é a rede de amigos e famílias deles que fazem com que eles se sintam como estudantes – e cada um destes parentes e apoiadores tem seu momento de brilhar. ‘Na última parte não havia muitas risadas de Fred e Jorge,’ diz Oliver Phelps. ‘Acho que é a primeira vez que você os vê assustados.’ Lynch, também, viu sua personagem se desenvolver. ‘Há muito mais em Luna do que apenas alívio cômico. Ela é uma pessoa muito espiritual. Harry precisa de um pouco disso’. Neville, enquanto isso, se transforma num herói daqueles. ‘Eu empunho a espada de Grifinória, o que foi um ás!’ Bonnie Wright era, do círculo principal, a atriz mais jovem quando começou com apenas nove anos. ‘Gina é como eu: ela era muito tímida no início. Agora não acho que ela é necessariamente destemida, mas ela está lá para Harry. Eu aspiro ser corajosa assim.’ James Phelps, entretanto, tem coisas mais importantes em mente do que falar do sempre divertido Fred Weasley, como a jornada para reivindicar adereços do set de filmagem. ‘Eles tinham uma segurança forte ali! Não conseguimos nossas varinhas porque elas tinham que ir para a exposição. Mas consegui umas coisinhas. Truques de trocas e tudo mais… ‘

A ROCHA
Rupert Grint, Rony Weasley

‘Rupert foi incrível desde o primeiro teste – e ele tinha estado somente em peças da escola, antes disso’, diz Chris Columbus, diretor dos dois primeiros filmes. ‘Então a chave foi quando colocamos Rupert, Emma e Dan juntos: havia um tremendo monte de química e charme.’ Grint chegou a Rony Weasley depois de mandar um vídeo de si mesmo vestido como sua professora de teatro cantando em rap o porquê de merecer o papel. Vindo ele mesmo de uma família grande, e o mais quieto e talvez o mais constante dos três protagonistas, está claro que este foi outro caso em que a arte e a vida estavam conectadas. ‘Sempre senti uma cone≈ão com Rony,’ diz Grint. ‘Não sei se por ser ruivo. Talvez eu tenha adquirido algumas das características dele’.

Dos três protagonistas, foi Grint quem se comprometeu em carregar a graça da série, mas ele é capaz de humores mais sombrios, como notou David Yates em Relíquias da Morte. ‘Quando você vê Parte 1 e Parte 2, a interpretação de Rupert caminha sobre uma linha emotiva muito rígida, o que é intrigante porque você está tão acostumado com ele fazendo as piadas. Minha expectativa é que o público pensará ‘Meu Deus, eu não sabia que ele era capaz de fazer isso’.’ O desafio agora para o famoso lacônico será provar-se fora de Potter, um processo que Grint já começou em filmes como Cherrybomb e Wild Target. ‘É meio como um jogo longo. Potter estará definitivamente sempre comigo porque naturalmente é algo bem grande. É provavelmente a maior coisa na qual estarei. Mas vou caminhando do jeito que for pra ser, mesmo’.

OS MENTORES
MICHAEL GAMBON & ROBBIE COLTRANE
Alvo Dumbledore & Rúbeo Hagrid

Aqui há um conto de duas diferentes chamadas para o elenco. Robbie Coltrane foi a escolha de J.K. Rowling para o papel do gigante Hagrid, um dos poucos casos em que ela tinha uma clara preferência de elenco. “Jo ficou falando quatro horas comigo no telefone antes do primeiro filme, contando-me tudo sobre Hagrid. Ela simplesmente sabia tudo sobre ele. Ela disse, ‘Hagrid é o tipo de pessoa que vai para um pub dirigindo uma grande e maciça Harley-Davidson, abre a porta com tudo e todo mundo sai de seu caminho. Então ele senta e conversa sobre como o jardim está crescendo. Ele não é nem um pouco macho.’ Eu amei isso. Eu sempre pensei que quando ele se movesse teria de ser bem devagar. Se você pensar bem, Hagrid é muito alto, e se ele se mover rapidamente e as crianças vierem à sua cintura, ele irá derrubá-las.”

Michael Gambon, no entanto, entrou para a franquia após a triste morte do ótimo Richard Harris, que era Dumbledore nos dois primeiros filmes. Alfonso Cuarón, que escolheu Gambon, explica, “Richard Harris era um herói meu, mas não tive a honra de conhecê-lo. Quando ele faleceu, um milhão de pessoas estava especulando quem seria o próximo Dumbledore e eu me lembro de Heyman falando, ‘Nós não vamos falar sobre isso por um longo tempo’. Foi como um período de luto. Mas, sabe, o filme continuou, então tivemos de resolver o assunto.” Gambon diz, “Eles me telefonaram e eu imediatamente disse sim. Para te falar a verdade, eu só me interpretei. Sou irlandês e Richard era irlandês. Então apenas usei meu sotaque irlandês. Parece muito simplista, mas parece funcionar.”

O NÊMESIS
RALPH FIENNES, Lord Voldemort

Ele é um vilão tão aterrorizante que a simples menção de seu nome pode ser a sua ruína, uma presença tão maligna que ele ofusca até filmes em que não aparece na tela. Lord Voldemort é o malevolente yang do yin de Harry, o grande mal eminente sobre a série toda, então quando foi hora de ele aparecer, os cineastas precisavam de alguém que pudesse personificar toda essa ameaça. É por isso que ele ganha vida em um genuíno e inquietante desempenho de Ralph Fiennes. O roteirista Steve Kloves diz, “Eu adaptei o papel para Ralph, porque a forma com que ele interpreta Voldermort é tão corajosa. Há uma ligeira qualidade peralta em Voldemort e Ralph sabe exatamente como alcançar essas notas, dá a ele uma auto indulgência e um auto envolvimento, que são sua ruína. Ele é enervante porque acerta notas que não são esperadas. É divertido escrever para Ralph, pois você pode pintar com todas as cores à sua disposição e você sabe que há esse incrível cara talentoso que as colocará na tela.”

O próprio Fiennes tem simpatia pelo diabo que vem interpretando há tantos anos. “Eu não sabia mesmo o quão icônico o papel seria quando o peguei. Assim como os vilões com quem você passa muito tempo junto, eu acho que quando eles são finalmente confrontados com sua morte, há um pouco de você que, por nenhum motivo que se possa racionalizar, sente pena. Há uma vulnerabilidade nele. Enquanto as Horcruxes são destruídas, partes de seu poder são aniquiladas, e você vê um completo espanto quando ele percebe que seu poder está sendo tirado dele.

O PRÓPRIO
DANIEL RADCLIFFE, Harry Potter

Como Harry Potter, Daniel Radcliffe é inevitavelmente o foco dessa franquia. Mas ele também é o coração dela, indefinidamente energético e impossivelmente sensato, levando em consideração a pressão em seus ombros. “Esse filmes contam onze anos de minha vida,” ele diz, “portanto é realmente muito estranho tê-los finalmente terminado. Potter te dá uma rede segura, então se você se desligar no meio, você sempre sabe que voltará para Potter. De repente isso será tomado, então num nível profissional também é um pouco assustador.”

Considerando que ele no momento está cantando e dançando uma tempestade na Broadway em How To Succeed Business Without Really Trying – ele passou cada tempo livre durante a maratona de filmagem de Relíquias da Morte treinando para o papel -, não achamos que ele terá de se preocupar com as oportunidades profissionais sumindo em breve. Mas O Menino Que Interpretou O Menino Que Sobreviveu caminha sobre uma fina linha: em uma mão, um dos rostos mais reconhecidos do mundo; na outra, um sério jovem rapaz que sente que está apenas começando. E todos os sinais até agora são de que é apenas uma questão de decidir no que ele vai focar.

“Dan pode fazer comédia muito bem,” diz David Yates, “mas ele é puxado para as coisas mais obscuras, mais intensas. Eu acho que ele achou Enigma do Príncipe um pouco leve demais. Eu me lembro que muito cedo, ele veio ao meu escritório e disse, ‘David, apenas acho que isso está um pouco bobo, não é?’ Eu disse, ‘Não, não, Dan. Temos muitas coisas obscuras a caminho; vamos aproveitar a diversão.’ E ele pode fazer isso brilhantemente. Está evoluindo o todo tempo.” Então esqueçam O Que Harry Fez Na Escola. Agora é hora de ver O Que Harry Fez Depois.

PARA A EMPIRE MAGAZINE
26 de abril de 2011

Acabei de retornar do estúdio de dublagem onde falei em um microfone como Severo Snape pela absoluta última vez. Na tela houve alguns flashbacks de Daniel, Emma e Rupert de dez anos atrás. Eles tinham 12 anos. Eu também recentemente retornei de Nova York, e enquanto estava lá, vi Daniel cantando e dançando (brilhantemente) na Broadway. Uma vida inteira parece ter passado em minutos.

Três crianças tornaram-se adultas desde uma ligação em que Jo Rowling, contando uma pequena pista, convenceu-me de que havia mais em Snape do que um traje nunca alterado, e que mesmo com apenas três livros lançados na época, ela tinha toda a massiva mas delicada narrativa nas mais seguras mãos.

É uma necessidade antiga a de se ouvir histórias. Mas a história precisa de um grande contador. Obrigado por tudo isso, Jo.

ALAN RICKMAN

HARRY POTTER
Edição normal

Empire Magazine
23 de maio de 2011
Tradução: Jenifer Cestari e Isadora Moraes

O CONFLITO FINAL
Como você conclui uma franquia incrivelmente popular de dez anos e deixa todo mundo feliz? Com um grande estrondo. A Batalha de Hogwarts tem sido o maior desafio da série, sendo quase um Campo do Pelennor. A Empire revela o interior da história do final épico de Harry Potter.

Compondo a maior parte da segunda metade de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2, a Batalha de Hogwarts verá o caos mágico em uma escala que anteriormente havia sido apenas insinuado pela série. Aqui, seguindo visitas ao set e entrevista com todo o elenco e equipe principais, nós reconstruímos a batalha, pancada por pancada. Revelações, para aqueles que não leram os livros, estão em abundância, então, prossiga com cuidado…

O DESAFIO

STEVE KLOVES, ROTEIRISTA: A coisa mais difícil para mim no início foi que eu deixei de ter duas horas e meia (para a adaptação do ultimo livro) e comecei a ter cinco. No início pensei “Isso vai ser ótimo”, mas cuidado com o que deseja, porque você percebe que os trechos fáceis de cortar não existem mais. Quando você tinha uma tela de duas horas e meia você sabia que coisas seriam deixadas para trás quase imediatamente, mas isso não aconteceu nesse filme. Então eu demorei um pouco para pegar o ritmo.

STUART CRAIG, DIRETOR DE ARTE: Todo filme da série tem as exigências de sua própria história e exigências de sets e locações. Então você faz qualquer expediente para conseguir fazer esse filme. Isso queria dizer que, quando chegamos na Parte 2, as coisas não estavam como necessário. Não tinha exatamente uma arena, um campo de batalha. O pátio que encerra a entrada principal não estava lá até o quarto filme. Mas era extremamente inadequado para a batalha, então o desafio era reinventar o panorama ao redor do ponto principal do ataque para os Comensais da Morte.

JOHN RICHARDSON, SUPERVISOR DE EFEITOS ESPECIAIS: Foi um longo processo conseguir as informações sobre o que queríamos exatamente porque, constantemente, algumas coisas entram, outras não, depois voltam. Esse lado levou mais tempo que o normal, o que no final tornou nosso trabalho um pouco mais difícil porque cortou o tempo que tínhamos para nos preparar. Mas como sempre nos filmes, você chega lá de alguma forma.

KLOVES: A batalha, como batalha, não me interessou particularmente. Eu sabia que (o diretor) David Yates e seu time viriam com a força do espetáculo, mas David e eu conversamos, e concordamos que queríamos amarrar personagens e sentimentos a tudo que acontecesse. Então não foi algo como “Nossa, veja aquela explosão!” Queríamos Neville envolvido, ou Simas. Essa não foi a parte mais difícil. Eu passei literalmente três meses trabalhando na sequência da batalha, indo e voltando com David Yates, colocando diálogos e dando ritmo à luta.

CRAIG: Nós todos vimos cenas de batalha em que não entendemos quem está do nosso lado, e vira uma verdadeira bagunça. Estávamos determinados a deixar claro para o espectador onde todos estavam, então nos estabelecemos numa encosta rochosa que fica no lado oposto à entrada da escola onde Voldemort estava, com o foco de seu ataque na entrada principal para o Salão Principal. O pátio onde os defensores se reuniriam também não era grande o bastante, então respondendo a um pedido de David Yates eu o fiz muito, muito maior.

GRAG POWELL, COORDENADOR DE DUBLÊS: David Yates teve essa visão de como a batalha seria e falou para nós muito sobre o que ele sentia sobre isso. Com o tempo, tivemos dezenas de encontros. Saíamos e ensaiávamos algo e mostrávamos pra ele, e ele comentava “Olha, gostei disso” ou “Mudem isso.” Fizemos isso durante meses, então enquanto eles filmavam alguma coisa, preparávamos outra.

CRAIG: Tivemos que criar alguns sets do começo. O livro, e o roteiro de Steve Kloves, falavam sobre muros de defesa, então devíamos decidir o que seriam, onde estariam, e como seriam se olhados de cima. Encontramos um lugar dentro da geografia já existente, quando negligenciamos o pátio, podiamos ver a torre de Dumbledore. Depois inventamos um espaço interior e exterior imensos, um sótão com as ameias ao lado. Serviu a narrativa; era um lugar para um dos confrontos entre Voldemort e Harry. Eles se prenderam nessa luta de vida ou morte e aparatam juntos até o pátio, e sua batalha pessoal continua ali. Sendo interior e exterior, tornou o processo ainda mais interessante e divertido – o que era nossa razão por fazer as coisas.

RICHARDSON: Nick Dudman fez as criaturas. Eu fiz tudo que era físico e Tim (Burke) fez tudo que era visual, e depois no fim o pessoal do CGI veio com uma lista de elementos que eles precisavam. Por exemplo, em uma cena na Sala Precisa na Parte 2 eu passei duas semanas nos fundos fazendo pilhas de móveis em chamas desmoronando, brincando com os lançachamas e explosões. Então filmamos tudo isso e depois entregamos para o pessoal do CGI para adicionar efeitos à cena.

DANIEL RADCLIFFE, HARRY POTTER: A Batalha de Hogwarts é basicamente a segunda metade do filme. A cavalaria coletiva de personagens de sete filmes está de volta. Você vê todos que conhece: Jim Broadbent (Horácio Slughorn) está lá cuidando de David Bradley (Argo Filch). É ótimo, mas emocionante porque o mundo que você conheceu aos poucos está todo em um lugar.

MATTHEW LEWIS, NEVILLE LONGBOTTOM: O livro é focado fortemente em Harry Potter, mas o filme continua voltado aos alunos e professores. David se recusou a ocultar esse fato e mostra que as pessoas estão morrendo. Neville é meio líder entre tudo isso. Ele não queria ser, sinceramente, mas Harry não estava lá e alguém tinha que assumir. Teve um pouco de humor leve no começo, uma resistência francesa. Mas então a guerra arranca e as pessoas morrem ao nosso redor.

CALMO ATÉ A MORTE
Não é só sobre a batalha: As Relíquias da Morte – Parte II será definido por seus momentos calmos, como Steve Kloves e Daniel Radcliffe revelam.

No meio de toda a confusão, uma cena estranha acontece quando Harry tem um vislumbre da vida após a morte. O menino bruxo vai até Voldemort voluntariamente, sabendo que provavelmente irá morrer nesse encontro. “Jo (Rowling) criou algo muito interessante: Harry está disposto a se entregar à morte, o que é algo incrível de se po na literatura popular,” diz o escritor de roteiros Kloves. “É emocionalmente muito complicado. Harry percebe que pessoas estão morrendo por ele em Hogwarts, e isso é de cortar o coração. Voldemort usa esse truque na manga de maneira brilhante. Ele diz para Harry, ‘Você deixará mais pessoas morrerem por você.’ É esse o truque que definitivamente funciona e convence Harry a ir encontrá-lo. Uma coisa sobre Voldemort e algo que é ótimo em relação ao que Ralph faz com ele é que ele se acha inteligente. De fato, se ele acessasse mais sua inteligência ao invés do seu ego, provavelmente seria bem-sucedido.”

Harry, pós-morte, encontra-se em um tipo de King’s Cross fantasmagórica, onde ele tem a chance de conversar novamente com o falecido professor Dumbledore. “Eu adorei aquela cena porque foi tão estranha,” diz Kloves. “Vai ser tão diferente de outros filmes que terão soldados gerados por computador marchando por uma planície, porque daqui a 20 anos isso parecerá besta. Mas acho que, daqui a 20 anos, Michael Gambon e Daniel Radcliffe conversando um com o outro ainda chamará a atenção.”

A cena mostra Harry frente a uma escolha: seguir em frente ou retornar para a batalha ao lado de seus amigos. “O ponto principal da cena, para mim,” diz Radcliffe, “é que Harry não quer voltar, agora que morreu. Harry sente que sua vida inteira o levou a sua morte – então o fato de que ele está morto é quase um alívio. Quando Dumbledore diz, ‘Você pode ir em frente ou voltar para os seus amigos,’ essa é a grande decisão que Harry faz no filme. Ele fica entre aceitar a morte ou voltar para o mundo dos vivos.”

A GRAVAÇÃO

POWELL: Bem, foi formidável. Tínhamos centenas de pessoas e montes de dublês lutando um contra o outro, e fazíamos séries recorrentes de atos a 5, 10 metros de distância uns dos outros. Você colocava as pessoas em pares nas batalhas. Eles começavam juntos fazendo uma luta de espadas, davam cinco passos para trás e faziam a mesma luta – mas os movimentos ficavam maiores quanto mais para trás você fosse. Haviam centenas fazendo isso. Tínhamos que treinar os atores: Helena Bonham Carter, Alan Rickman, todos eles. Todos eles tinham rotinas. Todos atuavam naquela última batalha épica, era incrível. Estava em toda Hogwarts.

ROBBIE COLTRANE, HAGRID: Eu lembro que tínhamos 238 figurantes e 45 maqueadores. Eles tinham uma tela verde de mais ou menos 800 metros e trouxeram um trem para o set. Parecia a MGM nos anos 40! Uma locomotiva a vapor real de 85 toneladas direto dos anos 1930. Eles colocaram trilho! Estava ligada. Foram dias alegres.

POWELL: Gravar a batalha provavelmente durou meses. Ensaiamos por muito tempo, e falamos sobre ela por mais ou menos um ano. Fazíamos alguns trabalhos com fogo, alguns pousos de Comensais da Morte, mas eu não sabia se manteríamos aquelas cenas devido à classificação etária.

DAVID HEYMAN, PRODUTOR: Não vamos forçar a classificação. Não é algo gráfico. Nada como Cães de Aluguel.

DAVID BARRON, PRODUTOR: Gostamos de forçar o envelope, mas não tanto assim.

CLÉMENCE POÉSY, FLEUR DELACOUR: Eu realmente não sei quanto tempo ficamos lá porque houve um problema com os sets, depois neve, e depois caíam tempestades por dias seguidos. Ficamos lá muito tempo.

HEYMAN: Por causa da natureza das filmagens, às vezes a Emma (Watson), por exemplo, estava na universidade, por isso filmamos uma parte antes dela ir embora e tivemos que filmar outra parte depois. Nós construímos e destruímos o set, depois tivemos que construí-lo e destruí-lo mais uma vez.

BARRON: Estávamos indo e voltando mais rápido do que conseguíamos acompanhar, às vezes.

LEWIS: Nós não ensaiamos tão frequentemente. Sabe, fazemos uns testes, mas o David (Yates) gosta de ir de uma vez e conseguir uma atuação tão crua quanto possível. Invariavelmente, as primeiras tomadas são as que ele usa.

BONNIE WRIGHT, GINA WEASLEY: Lembro-me de passar várias manhãs geladas naquela batalha. E a tensão, com Ralph Fiennes fazendo esse grandioso discurso quando ele pensa que conseguiu tudo, é de dar calafrios.

KLOVES: Eu mexi um pouco no discurso de Voldemort, mas a essência dele continua sendo a da Jo. Eu também o fiz por medida para Ralph, de certa maneira. Ralph interpreta Voldemort de um jeito tão corajoso porque há uma qualidade um pouco vaidosa nele e Ralph simplesmente sabe como chegar a isso. Há uma auto indulgência que provoca sua ruína, de diversas maneiras. Então eu imaginei que ele aproveitaria o momento um pouco demais. Mas Ralph é enervante por mexer com emoções inesperadas.

DOMHNALL GLEESON, GUI WEASLEY: Havia um monte de crianças no set e ele as estava assustando até. Foi brilhante.

OLIVER PHELPS, JORGE WEASLEY: Eu mesmo estava lá, mas por sorte Rupert estava na minha frente então eu ficava empurrando-o.

RICHARDSON: Íamos de explosões em um corredor para explosões no pátio, para cenas na Sala Precisa, para o tesouro se multiplicando no Banco de Gringotes. Era uma enorme mistura de tudo acontecendo ao mesmo tempo. Mantendo em mente que havia duas unidades filmando, íamos de lá para cá para conseguir fazer tudo.

TOM FELTON, DRACO MALFOY: Grande parte da minha batalha acontece na Sala Precisa, onde tudo está em chamas, e é meio que destruído. Crabbe morre, o que não afeta muito Draco emocionalmente, para ser honesto. Escalamos montanhas de cadeiras e mesas velhas, tentando nos abrigar do inferno. Estava bastante quente lá, para dizer o mínimo! Eu estava usando um traje por baixo, arreios e depois as vestes pretas de Draco. Não sei por que ele usaria tudo aquilo para guerrear. Parece algo muito estranho para se usar durante uma guerra, mas ele está bem arrumado.

LEWIS: Por Neville ser o líder ele está sempre nas frentes de batalha. Há uma cena, e realmente espero que apareça no filme, em que um garoto foi morto e Neville está carregando-o de volta para o Salão Principal. É um garoto bem pequeno; um rapaz veio para interpretar o corpo. Não tenho ideia de como é, nunca vi o corpo de uma pessoa morta na minha vida, sabe, imagine então um sendo carregado em uma batalha. Mas realmente espero que mantenham essa cena porque mostra Neville no seu melhor, de verdade. Há também o outro lado da moeda, um pouco de diversão – eu empunho a Espada da Grifinória!

RUPERT GRINT, RONY WEASLEY: Tornou-se um pouco um filme de guerra. Todos nós formamos um exército; o castelo estava pegando fogo com escombros e corpos jogados por todo lado. É realmente chocante, havia corpos de crianças também!

EVANNA LYNCH, LUNA LOVEGOOD: Havia um grupo de extras no set chamados de Crianças Mortas. Simplesmente pessoas maquiadas para parecerem mortas. Era realmente estranho.

COLTRANE: Quando você é tão jovem e atlético como eu sou, cenas de batalha são parte do dia a dia de trabalho, é claro. Digamos que eu mantive todos os meus dublês bem atarefados.

A EXPLOSÃO

RICHARDSON: Meu dia preferido foi o que explodimos o pátio. Eu chamei o David Yates e disse, “Onde você quer as câmeras? O que você quer que aconteça? E te direi o que posso fazer com isso.” Isso significou que tive que fazer vários testes para mostrar ao David o que estava planejando. Para nós isso significou, pelo menos, três ou quatro semanas de trabalho; a preparação, a instalação dos fios, e arrumar tudo para a grande batalha.

LYNCH: Quando Hogwarts está destruída é tipo “Nossa, a guerra realmente aconteceu. E nenhum lugar é seguro.”

RICHARDSON: Foi apenas uma tomada. Explodimos buracos enormes nas paredes, explodimos os telhados dos claustros, e também usamos bolas de fogo. Tínhamos provavelmente meia tonelada de madeira de balsa indo pelos ares. Foi só uma tomada, mas não foi a pressão que me pegou. Você tem crianças e pessoas em todo lugar – tem que garantir que estão seguros. Se você se encosta e relaxa, aí sim algo dá errado.

EMMA WATSON, HERMIONE GRANGER: Eles colocaram tampões nas nossas orelhas para protejer nossos tímpanos, mas ainda dava para ouvir tudo por estarmos tão perto das explosões. Tem uma cena que eles detonaram esse monte de bombas bem do nosso lado. Eu estava absoluta e genuinamente aterrorizada.

RICHARDSON: Se vamos explodir alguma coisa perto de alguém, temos que saber onde eles podem e não podem estar. Greg trabalhou nas reações das pessoas para quando as explosões ocorreriam.

MARK WILLIAMS, ARTHUR WEASLEY: Quando o pátio é destruído, isso ocorre num set de tamanho real. Você observa pessoas à distância, cercadas de pilhas de escombros, nos quais encontram-se coisas como pés de gigantes, aquela aranha gigante estranha, e é simplesmente monumental.

A BOMBA-B

JULIE WALTERS, MOLLY WEASLEY: As Relíquias da Morte – Parte II é o grande momento da Sra. Weasley. Ela está bem no meio da Batalha de Hogwarts. A batalha é imensa, dolorosa e heróica para ela. Antes nós a vimos como uma doce mãe e uma presença pé-no-chão, apesar dela ser uma bruxa. Mas aqui você vê um outro lado dela. Dessa vez é um papel muito mais físico. E ela tem uma das mais famosas falas dos livros. Todos a escreveram para mim e disseram, “ESPERO que NÃO tirem ESSA parte, né?!”

RADCLIFFE: Sempre fui muito contra qualquer tipo de xingamento nesses filmes e não sei por que, mas xingo muito mais do que deveria na vida real. Mas se a fala “A minha filha não, sua vaca!” está no livro, então tudo bem. Quero dizer, Belatriz está prestes a matar a filha dela.

HELENA BONHAM CARTER, BELATRIZ LESTRANGE: É preciso se aquecer antes de guerrear com varinhas; foi isso que eu e Julie Walters descobrimos quando duelamos uma contra a outra. Ficamos praticamente aleijadas depois daquela cena. Duelar caminhando para trás em uma mesa sem cair é bem complicado. E foi o que eu fiz, é claro! Eu disse, “Será que alguém pode ficar aqui atrás de olho em mim?” Mas havia várias pessoas atrás e nenhuma delas me avisou.

WILLIAMS: Eles poderiam ter vendido ingressos para as filmagens daquela cena. E é claro que [Julie e Helena] se dão muito bem, então foi engraçado. Uma hora elas estavam conversando e, na outra, tentando acabar uma com a outra. Foi brilhante! Acho que é um tributo para Helena, de verdade, por sua falta de controle. Quando ela realmente consegue você já não aguenta mais ela.

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE – PARTE 2
LANÇAMENTO: 15 de julho

DIRETOR: David Yates

ELENCO: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Ralph Fiennes, Alan Rickman, Robbie Coltrane

ENREDO: Agora em posse da Varinha das Varinhas, Voldemort (Fiennes) se considera invencível e marcha em direção a Hogwarts com os Comensais da Morte. Enquanto isso, Harry e amigos correm contra o tempo para achar e destruir as horcruxes que faltam.

O RESULTADO

RADCLIFFE: Há algo em relação ao pátio, porque há essa enorme pilha de escombros e é tudo cinza e gótico. Todos nós só queríamos que tanques Panzer* passassem pelas pilhas de escombros. Parecia o filme perfeito da II Guerra, um pouco como O Resgate do Soldado Ryan.

WILLIAMS: Tenho bastante respeito pelos Weasley. Quero dizer, nunca é discutido que eles vão mandar toda sua prole para batalhar até a morte. E eles fazem o sacrifício final ao perder um de seus filhos, o que, como pai, eu não posso nem imaginar. Isso foi um pouco difícil para mim e para Julie. Tivemos que passar uns dias chorando a morte de uma pessoa amada e não foi uma das coisas mais legais que tivemos que interpretar.

DAVID YATES, DIRETOR: Estou muito feliz por podermos ver o que acontece com Voldemort e o que acontece com Harry e seus amigos. Fica bastante completo e conclusivo. E temos uma música final que realmente gostei. Há algo um tanto emocionante sobre ela. Então para mim, parece que, sabe, tem tudo… Tem ação e espetáculo, mas também é um tanto emocionante e daí acaba! E há algo profundamente satisfatório nisso.

HEYMAN: É bem dramática a maneira como David Yates descreve o filme e a sensação que ele tentava alcançar. É engraçado ver tudo em ruínas. Partes da escola que nós crescemos conhecendo e amando foram tratadas muito brutalmente. É catártico e traumático. Embora eu nunca tenha desejado destruir Hogwarts. Eu não sinto nada além de afeição por essas construções e esses sets.

BARRON: É uma combinação de ação muito mágica, mas realmente enraizada e uma narrativa clássica. Quando estávamos destruindo o mundo de Hogwarts, havia partes de mim que estavam muito, muito tristes, mas eu estava animado, simplesmente porque era o fim.

Nota do tradutor:
* tanques criados pelos alemães e usados na II Guerra