As Relíquias da Morte ︎◆ Filmes e peças ︎◆ Parte 2

Empire: entrevista de Jason Isaacs e outtakes do photoshoot

A Empire Magazine divulgou a sua entrevista com o ator Jason Isaacs, intérprete do Comensal da Morte Lúcio Malfoy nas adaptações cinematográficas da série, como parte do especial da revista em comemoração ao fim de Harry Potter.

Jason fala sobre as mudanças pelas quais seu personagem passou no decorrer da saga, o fim criado para Lúcio, a influência dele em Draco, como foi terminar a série e muito mais. Confira a tradução do texto na extensão, e um trecho em vídeo aqui.

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Além disso, hoje a fotógrafa Sarah Dunn divulgou online imagens dos bastidores da sessão de fotos para a revista Empire Magazine, que contam com a presença de Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Bonnie Wright, Tom Felton, Jason Isaacs e Timothy Spall. Vejam todas em nossa galeria a partir daqui.

O elenco poderá ser visto em Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2, cuja estreia está prevista para o dia 15 de julho deste ano.

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE: PARTE 2
Entrevista com Jason Isaacs

Empire Magazine ~ Chris Hewitt
30 de maio de 2011
Tradução: Daniel Mählmann e Sylvia Souza

Como você se sente agora que tudo está chegando ao fim?
É difícil de processar porque felizmente eu me mantive trabalhando; se eu paro para pensar sobre isso, torna-se terrivelmente perturbador. Principalmente porque, para mim, foi um processo incrivelmente familiar e agradável. Ir ao Leavesden Studios onde o mesmo grupo de pessoas tem estado por mais de uma década, ver os mesmos rostos na cantina, assistir as pessoas crescerem – não apenas os atores, mas toda a equipe técnica. E então esse privilégio extraordinário de trabalhar com o elenco!

É um privilégio muito extraordinário!
É como uma liga dos sonhos de atores nestas cadeiras de lona, poder ouvir Alan Rickman, Maggie Smith, Bill Nighy, Jim Broadbent, Imelda Staunton, Julie Walters e Mark Williams: a lista não tem fim! É o tipo de coisa que os estudantes norte-americanos pagariam um milhão de libras para fazer durante o verão, e eu tive que fazer isso gratuitamente durante uma década. Então, só como um bônus qualquer, quase que por acaso, eu tenho que interpretar Lúcio Malfoy. Vou sentir falta de conduzi-lo em suas várias batalhas.

Ele é um personagem que mudou bastante.
Ele se tornou mais e mais crível pra mim, por incrível que pareça. Ele conseguiu o castigo que merecia. Ele era este homem que investiu demasiadamente em seu próprio poder e status e esperava que Voldemort retornasse para que pudesse tomar seu lugar de direito ao lado dele. Mas quando Voldemort voltou, viu Lúcio como o vácuo vaidoso, narcisista e louco pelo poder que ele era, e apelou para isso, constantemente humilhando-o. Então você o viu como ele é quando está acuado: ele se viraria e usaria seu filho e sua esposa. Então ele foi enviado para a prisão, e foi violado pelo processo da mesma. Ele voltou e literalmente não sabia seu lugar no mundo. Ele não conseguia nem ocupar seu lugar em sua própria casa como o chefe do lar.

Isso tudo deve tê-lo tornado um personagem bastante interessante de interpretar.
O interessante em primeiro lugar é interpretar toda essa mudança, quando a maioria das pessoas ao meu redor não teve a oportunidade, e então tentar e trabalhar em como fazê-lo pagar pelo que fez. Uma das muitas coisas admiráveis sobre o processo de trabalho que há em assistir os cineastas, os vários diretores – David Yates ultimamente – e David Barron e David Heyman, realmente tomam as rédeas e assumem os filmes não em uma direção diferente da dos livros, mas em uma direção completamente própria como uma experiência cinematográfica.

Então quando chegamos ao último livro, todos eles tinham a sensação de que tinham que entregar algo que fosse muito cinematográfico e tinham que mostrar o que eles sentiram que o público precisava ver, mesmo se os livros não estivessem interessados naquelas áreas. Alguns dos personagens se desenvolveram ao longo da série de formas ligeiramente diferentes. Então quando chegou a vez de Lúcio, houve essa discussão constante no set entre mim e David Yates quando estávamos começando as filmagens das últimas cenas: qual deveria ser o último momento? Deveria haver um último momento? Ele deveria morrer? Ele deveria ser encontrado escondido atrás de uma cortina? Ele deveria ficar atrás de Draco?

Eu não tenho nenhuma ideia de como vai ficar na edição final, se é que vai ter alguma coisa. Muitas vezes você passa por esse processo tortuoso e termina com literalmente nada no filme. Mas tentar descobrir o espaço em um filme onde há essa sequência de ação gigantesca e essa obrigação de corresponder às expectativas da espera de tudo isso, E satisfazer os desejos do público em dizer adeus a todos os personagens foi complicado. Aparecemos com um momento muito breve o qual eu acho que foi perfeito para o que Lúcio faria, mas, novamente, pode ser que esteja nos extras do DVD, então fico um pouco envergonhado em falar sobre isso.

Você pode nos dizer algo sobre isso?
Nós filmamos um pedaço, um pequeno pedaço. O que acontece nos filmes de Harry Potter é que, como eles ficaram mais e mais lotados, você precisa correr e aproveitar o cenário pelos 3 segundos em que está disponível. Mas é triste dizer adeus porque pra mim ele era um personagem interessante e complicado. A câmera adora segredos e vidas secretas, e certamente com Lúcio havia várias camadas ao mesmo tempo. Havia o quanto ele queria que o mundo o visse; o que ele conseguiu mostrar, o que não era o que ele queria que o mundo visse; e havia o que realmente estava acontecendo, que é este homem covarde e egocêntrico. E racista, terrivelmente racista! Ele foi deixado à beira do caminho e constantemente anseia voltar para um tempo que achava ser melhor.

Você disse que o personagem se tornou mais crível ao longo do tempo…
Não mais crível, mas acho que havia mais fragilidade nele. Ninguém iria GOSTAR de Lúcio, mas era mais fácil compreendê-lo conforme o tempo passava. Todos sabem como é, querer acabar com o valentão e o valentão te intimidando ainda mais por isso. O feitiço vira contra o feiticeiro. Eu acho que qualquer um pode reconhecer – não em seu próprio comportamento – o que é ser um mau pai e o que pode acontecer quando a personalidade está fora de controle, o que é narcisismo descontrolado, e como racismo é medo e ignorância. Acho que você pode ver todas estas cores em Lúcio; ao menos é o que tentei passar.

É também um relacionamento fascinante entre Lúcio e Draco, com ele envenenando seu filho.
Tom também teve que interpretar mudanças; foi ótimo para ambos, eu acho. Eu sempre que estava lá não necessariamente como um enfeite para ele, mas para que entendessem quem ele era. Quando eu apareci pela primeira vez, era um tipo monstruoso e insensível de valentão, tipo esse que Draco viria a ser. Então você vê Draco sendo um imbecil no primeiro filme, daí você conhece o pai dele e pensa “Entendi, agora sei porque ele é assim!”. Há uma cadeia de mau parentesco por sabe-se lá quanto tempo!

Quando você chega aos dois últimos filmes, você vê Draco saindo da sombra de seu pai porque ele finalmente enxerga quem este é. Há estes momentos principais: quando todos estão acuados e as coisas estão realmente perigosas, eu passaria por ele para chegar até a saída. Eu o usaria para recuperar meu nome, e não para seu próprio bem. Há um momento no último filme onde, rapidamente, na minha própria cabeça, estou tentando escolher entre ser um bom pai e ser um general fiel. Deve ser apenas um quadro no filme, mas para mim este é um momento grandioso para o Lúcio, e acho que é um grande momento para Draco. As pessoas que lêem os livros sabem do que estou falando, mas para mim ele se torna extremamente heróico.