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O livro que espero

Já não é de hoje que boatos sobre um novo livro de J.K.Rowling — um novo livro, aliás, sobre Harry Potter, veja bem — percorrem o mundo. Esse tal “Livro escocês” ainda não tem uma data de lançamento (se é que um dia vai ser lançado), mas, enquanto isso, não custa sonhar, não é?

Para entrar no ritmo natalino de muita imaginação, nossa colunista Mariana Nascimento especula, com propriedade de fã, como Jo deveria fazer o trabalho para ele ficar realmente interessante. Leia o texto e não se esqueça de comentar.

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por Mariana Nascimento

Já correram notícias de que J. K. Rowling está escrevendo algo como uma enciclopédia sobre o mundo em que se passam as histórias de Harry Potter, obra que a autora chamou, em uma brincadeira, de “Livro Escocês”. É claro que um livro com essa proposta escrito por Rowling seria muito bem recebido pelos fãs. Porém, o formato de enciclopédia não me parece o mais animador.

A exemplo do que J. R. R. Tolkien fez com o mundo em que se desenrola a saga de “O Senhor dos Anéis”, mais interessante seria se Rowling não reproduzisse a forma de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, mas adotasse uma parecida com a de “Contos de Beedle, o bardo”. Ou seja: em vez de fazer verbetes sobre elementos do mundo da magia, a autora poderia escrever pequenas histórias e até mesmo outros romances sobre tais elementos.

O motivo para essa escolha é simples: a leitura de histórias costuma ser mais envolvente do que a leitura de fatos e curiosidades. Se o novo livro contiver informações sobre a criação de uma horcrux, como disse Rowling em uma entrevista, seria melhor ler um conto que mostrasse um bruxo de tempos antigos tentando descobrir como fazer esse feitiço e as consequências de sua ambição do que ler um verbete que o explicasse de modo apenas informativo, como um documento histórico.

Infelizmente, de acordo com entrevista traduzida pelo Potterish, parece que esses não são os planos de Rowling. Isso pode ser notado no trecho em que ela emprega o termo “artigo”: “Você tem a página mostrando a história, detalhes extras das personagens, ou um artigo sobre varinhas, mostrando qual era a varinha de cada personagem, e todas essas coisas. Eu acho que também seria interessante ter informações casuais sobre a escrita realmente, e o que eu descartei. Então de um lado seria como se o mundo inteiro fosse real, e lhes dando informações sobre esse mundo real, e do outro lado nós estamos admitindo que é mesmo ficção, e eu mostro tramas descartadas, personagens que não entraram, problemas com o enredo. Eu acho que os dois tipos de informação seriam interessantes, então seria legal uni-los.”

Contudo, independentemente do formato, o que provavelmente mais causa expectativa é o tipo de conteúdo do “Livro Escocês”. Os detalhes do mundo da magia podem render um verdadeiro livro de História, compreendendo a época mais primitiva, a formação do Ministério da Magia, a fundação de Hogwarts, as guerras bruxas mencionadas nas aulas do professor Binns e a primeira tentativa de Voldemort de tomar o poder, por exemplo. Também seriam bem-vindos episódios que nos mostrassem como Lupin foi atacado por um lobisomem, como Lílian e Tiago começaram a viver harmonicamente e o relacionamento de Sirius com sua família, principalmente com o irmão Régulo. Em relação ao passado, ainda haveria as aventuras de Dumbledore, mostrando-nos como ele exercia influência política, como ele descobriu os usos do sangue de dragão, como destruiu o anel-horcrux, como criou o Espelho de Ojesed e como orquestrou toda a operação para proteger a Pedra Filosofal.

Por fim, para aproveitar a brecha deixada pelo epílogo, poderiam ser criadas histórias sobre o futuro da turma de Harry, Rony e Hermione, a respeito do qual Rowling forneceu informações extras em entrevistas, sem transformá-las em literatura. Assim, seriam respondidas de modo definitivo perguntas sobre o que os principais personagens fizeram depois de Hogwarts, tanto no plano pessoal como no profissional. A isso seria possível relacionar episódios que envolvessem a trajetória em Hogwarts dos filhos de Harry e Gina e de Rony e Hermione.

O certo é que há muito a se esperar do “Livro Escocês”, e poderíamos esperar até mesmo mais de um livro. Mas quanto a essa possibilidade, é melhor não alimentarmos esperança, como nos indica a declaração de J. K. Rowling: “A razão de fazer isso, se eu for mesmo fazer, é para fazer o absoluto, definitivo, guia de tudo para as pessoas.”

Mariana Nascimento definitivamente não apoia uma Barsa de Harry Potter.