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Debaixo da árvore… um presente para cada bruxo

Não é apenas a equipe do Potterish e os seus leitores que merecem belos presentes. Nossos amados personagens ficcionais também! Por isso, as Colunas trazem hoje uma coleção de cartas e histórias nesta véspera natalina.

Nossos colunistas aceitaram o desafio (leia-se: tiveram o prazer) de entregar um presente de Natal a um personagem, o mais querido ou o mais odiado. Os textos — artigos, colunas, cartas e breves prosas ficcionais — e os sonhos natalinos dos escritores você pode conferir na extensão.

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Alguns enviaram carta do mundo dos trouxas. Outros, mais atrevidos, se intrometeram na história, no passado ou no futuro. Houve presentes glamorosos, como banquetes completos, e outros mais simples, como uma mera carta (nada mais do que merecesse o presenteado).

Se você pudesse dar um presente a um personagem, quem escolheria? Nossos colunistas deixaram o coração falar mais alto hoje — afinal, é Natal, e como sempre (porém em especial), a magia está no ar.

De: Bruna Moreno
Para: Alvo Dumbledore
Por que raios não seria real?

Não me perguntem como vim parar aqui. É inusitado, eu sei, e espero que temporário. Vou partir do pressuposto de que os fins justificam os meios e pular direto para a parte de que tenho que entregar meu presente de Natal. Já não vai ser uma tarefa fácil… escolhi a pessoa mais complicada.

Por que digo isso? Bom, primeiro: ele é velho. Era. É. Ou era? —digamos que, em algum momento da vida, ele ultrapassou os 100 anos. É como dar presente para a avó: eventualmente, você vai acabar dando alguma coisa repetida. Ele provavelmente já teve tudo o que qualquer ser humano bruxo desejaria ter: uma fênix, uma espada mágica, uma capa de invisibilidade, a Pedra da Ressurreição, a Varinha das Varinhas.

Convenhamos que deva ser difícil agradar uma pessoa que já foi dona da varinha mais poderosa de todas. Segundo: eu nunca gostei dele, o que sempre foi algo bastante difícil de admitir abertamente. Talvez tenha sido alguma louca influência star warsiana que sempre me levou a crer que era ele o verdadeiro homem-duplo ao lado do Lorde das Trevas, um senador Palpaltine fazendo todos de marionetes. Ele é/era um homem poderoso, influente, com um cargo alto e sabedoria incomensurável — era muito bom para ser verdade.

Que fique bem claro que isso hoje em dia mudou. Demorou; tive de esperar ele deixar este mundo (e enfim chegar onde cá estou) para ver que ele não era, nem se fazia ser, nenhum mago Merlim, plácido, sábio, conselheiro, forte, perfeitinho demais. Ele realmente teve uma vida — uma vida conturbada, diga-se de passagem, que lhe deu uma personalidade compatível, com muitas qualidades, sim, mas também diversos defeitos deploráveis e mesquinhos. Ele realmente teve uma vida — uma vida humana. E foi o que me fez escolhê-lo para receber o presente.

Não vou ser hipócrita para falar que a minha simpatia é das maiores. Seu jeito divertido (aquele sorriso de quem consegue achar graça num feijãozinho-de-todos-os-sabores com gosto de cera de ouvido) continua me irritando. Por isso que estendo o pacote com meu presente dessa maneira displicente e mal o encaro nos olhos.

— Abra antes que derreta.

Embarco no trem de volta para casa sem olhar para trás, para não correr o risco de ver Albus Dumbledore se lambuzando saudosamente com o sorvete de limão.

Presente: sorvete de limão

De: Brunna Cassales
Para: Rúbeo Hagrid
Para o guardião, o que guardo dele

Retribuir de alguma forma o que um personagem querido proporcionou aos leitores ao longo de sua trajetória seria, sem dúvida, uma honra. Se eu a tivesse, gostaria de presentear alguém que, à primeira vista, se destaca pelo grande porte, mas que, conforme cativa o leitor, se torna marcante pelo coração — cujo tamanho é ainda maior do que ele mesmo. Rúbeo Hagrid é merecedor de algo que reconheça tudo o que ele significa. Nada mais justo do que recompensar aquele que apresentou o mundo mágico a Harry e, conseqüentemente, a nós.

Quando estou imersa no clima natalino, é natural me lembrar da figura de Hagrid levando consigo as doze árvores de Natal que decoram todo ano o Salão Principal. A lealdade, a coragem, a bondade e a generosidade — extensível aos animais e criaturas mágicas — do Guardião das Chaves e dos Terrenos de Hogwarts são indiscutíveis, já que sempre estiveram presentes nas situações mais difíceis. Hagrid nunca deixou aflorar o instinto atroz que poderia vir à tona por ser meio-gigante, muito pelo contrário: o que ele herdou foi o melhor da humanidade de seu pai. Hagrid nunca se deixou corromper, nem mesmo quando foi acusado injustamente. Hagrid sempre foi o protetor de Harry. Amizade, fraternidade e união são alguns dentre os valores que Hagrid transmite e que estão vinculados ao espírito natalino. Portanto, um dos personagens que mais remete a esta época do ano é o meio-gigante mais meigo que existe.

Mas o que seria simbólico o suficiente para presenteá-lo? Se eu fosse bruxa, poderia dar-lhe um aquário com um Feitiço Indetectável de Extensão para o caso dele querer um peixe com proporções gigantescas; poderia dar-lhe uma nova varinha se ele assim desejasse ou até mesmo aparatar com ele na Romênia para fazer uma visita à Norberta. Como ainda não recebi minha carta — o que talvez seja culpa de Errol —, eu encomendaria uma pintura repleta de ornamentos, na qual haveria um menino muito maior do que o pai com ele ao seu lado, ambos sorrindo no centro, e um filhote de dragão fêmeo norueguês, um cachorro preto, enorme e covarde, um cão de três cabeças, uma acromântula e um hipogrifo ao redor. Junto ao quadro, colocaria um cartão de Natal convidando Hagrid a vir ao Brasil conhecer a nossa fauna e tomar chá na casa dessa fã que muito o admira.

Presente: Pintura

De: Débora Jacintho
Para: Molly Weasley
Natal quentinho

Naquele Natal, todos os filhos do Sr. e da Sra. Weasley já estavam morando fora de casa e construindo suas próprias famílias. Molly Weasley, a mamãe-agora-vovó Weasley, estava sentada, pensativa, na poltrona defronte à lareira, na Toca. Pensava o quanto seus filhos – bebês – haviam crescido rápido. Agora já eram adultos, veja só! Dava um aperto ao pensar que ela não mais tinha que cuidar deles, mas também ficava feliz por estarem caminhando sozinhos.

Mas o que sentia mais falta, nesta época de Natal, era ver a casa cheia e barulhenta, com os garotos que estavam no recesso de Hogwarts. Pensava também nos suéteres que dava a todos os seus filhos em todos os anos (e também a seus filhos “postiços”, Harry e Hermione). Lembrava de tricotá-los à mão, com todo o carinho – queria que eles representassem (quentinhos!) proteção, conforto e aconchego. Daqui a pouco, então, teria que tricotar suéteres para seus netos!

Ouviu um barulho ao longe, despertando-a de suas nostalgias. Será que seriam seus filhos, chegando para a ceia? Levantou-se e foi até a porta da cozinha. De fato, todos eles haviam chegado ao mesmo tempo. Visualizou Carlinhos, Gui, Percy, Jorge, Rony e Gina, seus filhos amados, e também Harry e Hermione, que não eram seus filhos, mas que faziam parte da família há tempos. Ela reparou que todos eles carregavam um pacote meio grande e fofo. Já estava se perguntando o que seria, quando Jorge puxou o coro de “Surpresa!”. E todos correram para abraçar a mãe e entregar os presentes. Ela abriu os pacotes, e não é que todos haviam presenteado-a com um suéter diferente?

E assim eu gostaria de desejar um Feliz Natal à Sra. Weasley, mãe super cuidadosa e apegada à sua família. Queria presenteá-la com nada menos do que suéteres bem quentinhos, que a farão se sentir sempre bem próxima de seus filhos. Acredito que a principal idéia de Molly Weasley ao tricotar suéteres para sua família era para que eles sempre sentissem que a mamãe estaria cuidando deles, mesmo estando longe; para que sempre sentissem o aconchego e o colo da Sra. Weasley. E que todos neste Natal se sintam amados, como todos os Weasley se sentem!

Presente: suéteres

De: Igor Silva
Para: Dobby
Carta de (não) despedida

Querido Dobby,

Eu comecei esta carta algumas vezes, mas não sei se nenhuma das tentativas anteriores ficou boa o suficiente. Não sei se esta tentativa foi o suficiente. Mas decidi tentar: por você e, sobretudo, por mim.

Dizem que Natal é a época em que deixamos aflorar em nossos corações os instintos mais fraternos. É quando nos revestimos de uma superficialidade, ainda que passageira, benéfica. A família, por alguma razão que talvez sua inocência não compreenda, passa a ter um significado maior e as relações de amizade se estreitam. Eu digo que não preciso do Natal para me sentir assim. Você me fez sentir assim o ano todo.

De uma forma muito injusta, só foi permitido que eu adentrasse o seu mundo e não o contrário. Ao longo de todos esses anos, em que cresci, amadureci (na medida do possível) e me tornei alguém melhor. Você foi parte essencial na minha vida. Eu estava lá quando você tentou salvar o Harry das atrocidades cometidas por Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado. Estava lá no Torneio Tribruxo, nas cozinhas de Hogwarts e na busca da Sala Precisa. Infelizmente, também estava lá quando algo horrível aconteceu. Algo que o futuro lhe reserva.

Daqui, desse mundo onde sou tão inutilmente impotente, vi o coração de trouxas e bruxos serem corrompidos pelo poder e pela constante necessidade de grandeza. Vi milhares de pessoas morrerem e, a outras, acontecer algo pior que a morte: a carência de ideal. Travei junto com o seu Senhor Potter uma guerra onde estava em jogo muito mais que a liberdade de uma sociedade, mas um conflito de morais divergentes.

Infelizmente, não mentirei a você e direi que isso terminou. Haverá novos desafios, um novo vilão a ser combatido e outro depois desse. O mal só muda sua face. Mas nós vencemos uma vez, querido Dobby, e poderemos vencer quantas vezes for necessário se ainda restar um olhar brilhante e um coração cheio de esperança como o seu. Eu quero que se lembre disso.

E já que é época de trocarmos presentes, não lhe darei o clichê das meias. Às vezes, meu amigo, a liberdade pode ser mais perigosa que a escravidão a qual é submetido. Da mesma forma não lhe darei livros (como Hermione certamente faria) e nem trapaças divertidas da Gemialidades Weasley (o presente do Rony). Não, eu farei mais por você: vou lhe dar um propósito.

A informação com a qual lhe presenteio é que você não está sozinho. Existem 400 milhões de aspirantes a bruxos que lutarão ao seu lado; que iluminarão com seus sorrisos quando o caminho for trevoso demais; que o tomarão em seu colo quando a confiança se esvair e só restar a tristeza; que correrão contigo e estarão junto a ti quando o momento derradeiro, onde sua coragem será posta a prova, chegar.

Porque é nisso que consiste viver, Dobby: ter alguém por quem vale a pena lutar.

Feliz Natal
Daquele que não te abandonará jamais
Igor

Presente: alguém por quem valha a pena lutar

De: Luiz Guilherme Boneto
Para: Hermione Granger Weasley
Futuro Natal

A iluminação da árvore de Natal, graças às velas enfeitiçadas, era previsível, mas algo ainda mais luminoso fez Hermione parar de chofre ao passar pela sala. No chão, um objeto brilhava, numa luz prateada e muito chamativa. Uma caixa de tamanho médio resplandecia sob a árvore. Sem sombra de dúvida, um presente, e pelo brilho que continha, mágico.

“Ora”, pensou Hermione. “Há quanto tempo não colocamos mais presentes embaixo da árvore para as crianças? Deve ser coisa do Rony”.

Ali dizia: “Para a Sra. Hermione Weasley”, num bilhetinho pendurado.

Curiosa, ela desfez o embrulho e abriu a caixa. Imediatamente o brilho parou, revelando um livro de capa de couro azul, cujas medidas horizontais eram mais amplas que as verticais. Lembrava muito um álbum de fotos. Hermione retirou-o da caixa e abriu-o. Realmente era um álbum, contendo inúmeras fotos grandes, do tamanho de folhas de papel deitadas, de passagens de sua vida em Hogwarts. Parecia aquele que, certa vez, Hagrid dera de presente a Harry. Como de praxe, os retratados se mexiam e, sorrindo, acenavam. Ela não se lembrava, em momento algum, de ter posado para aquelas fotografias, mas gostou de folhear o álbum. As primeiras fotos mostravam-na em companhia de Harry e Rony andando pelos jardins de Hogwarts, depois, uma outra do trio junto a Hagrid e seu cachorro, Canino, tendo por fundo a cabana do guarda-caça.

Cada foto parecia suceder a anterior também no tempo, e em todas elas a garota estava em companhia de amigos, alguns dos quais ainda hoje faziam parte de sua vida. Ali estavam também Gina, Fred e Jorge Weasley, Dobby, Dumbledore, Sirius, Minerva McGonagall, Molly e Arthur Weasley, Kingsley Shacklebolt, Tonks, Lupin, Olho-Tonto Moody, o elfo-doméstico Monstro, entre outros. Eram todos pessoas e criaturas que, havia tão pouco tempo, haviam ajudado a derrotar Voldemort e as forças das trevas, alguns dos quais chegaram a pagar com a própria vida, conforme ela bem lembrava. Hermione demorou alguns minutos para notar que estava chorando. Quem lhe mandaria um presente como aquele?

Mas no fundo da caixa, havia um cartão.

“Cara Hermione,
Hoje, como se sabe, você é uma mãe de família, com uma bela carreira profissional e um próspero futuro diante de si. Mas achei que, neste Natal, você merecia ganhar algo que lhe fizesse relembrar passagens importantes de sua vida. Não pressupus que você as esqueceu, longe disso; creio que teria sido impossível. Mas em meio à tribulação e à rotina em que cada vez mais caem os nossos dias, achei que talvez você gostasse de algo material para lembrar de cada um destes rostos maravilhosos que passaram pela sua vida. Acima de tudo, com este álbum tão especial, que produzi com todo carinho, espero que você se lembre de que estas pessoas, assim como você, serão lembradas pelos bruxos, e até por alguns trouxas, para todo o sempre.

Obrigado Hermione, por lutar e por trazer a felicidade a milhões de trouxas.

Com amor,

Do seu amigo oculto”.

Presente: Álbum de fotografias

De: Mariana Elesbão
Para: Luna Lovegood
Em busca dos últimos Bufadores de Chifre Enrugado

Luna Lovegood caminhava por um corredor com um pedaço de pergaminho velho em uma mão e a varinha acesa na outra. Ela poderia pegar uma semana de detenção por estar fora da cama; porém, o único que prestaria atenção nela era o Pirraça e ela achava algumas de suas músicas levemente divertidas.
Em frente à sala do Prof. Snape ela ouviu uma leve respiração à direita, que denunciou alguém invisível atrás da estátua de Wilfred, O Explodido.

— Olá, Harry.
Harry tirou a capa da invisibilidade chocado.
— O que faz aqui, Luna? — Ele parecia ter fugido de zonzóbulos.
— Bela noite para explorar, não?
A garota lhe deu um sorriso e Harry não pôde deixar de retribuir. Gostava muito de Luna.
— O que você tem aí? — Perguntou Harry, querendo tirar a atenção do fato de ele estar à porta de Snape.
— Eu acordei com uma ave batendo na minha janela. Ela me entregou uma pista que levou a outra, que levou a outra, que levou a outra…
— Er… Certo.
— Tenho seguido pistas pelo castelo. Ela disse que eu encontraria algo surpreendente e eu espero que não seja um aquário de dilátex vorazes.
Não querendo ouvir os motivos para não criar dilátex em casa, Harry logo emendou:
— Quanto falta?
— Acabou. Está no travesseiro do Prof. Snape.
Luna viu o sorriso de Harry despencar.
— Luna, você sabe que isso provavelmente é a idéia que alguém faz de uma brincadeira? — Aquilo parecia deixá-lo revoltado.
— Tenho certeza de que aquele maravilhoso espécime foi sincero.
Luna percebeu que Harry se segurava para não perguntar como uma ave poderia afirmar qualquer coisa. O menino a olhou e pareceu decidir que não conseguiria a convencer.
— Certo, vou com você.
— Não, precisa, o prof. Snape já o trata como um monte de larvas aquovirantes.
Harry riu, cobriu a ambos com a capa e disse:
— Você enfrentou coisas muito piores comigo e eu não posso enfrentar um professor maquiavélico com você?
— Isso é realmente doce, Harry.
No dia seguinte, Luna se sentou à mesa da Grifinória e abriu um grande pergaminho amarelado, retirado de dentro do travesseiro gorduroso de Snape.
— Traduzi! É um mapa para localizar os últimos Bufadores de Chifre Enrugado — Disse, para espanto de Rony e Hermione.
— Como você sabe que é verdadeiro?
Luna apontou para a assinatura no canto: Potterish, como se garantisse a autenticidade do mapa.
— Estão em Shangri-La!
Luna perguntou casualmente para Rony e Hermione:
— O que farão nas férias?
— Seu pai vai ter que visitar os Dursley — Disse Harry, rindo.

Luna achou que nunca tinha se sentido tão feliz. Precisava correr para chamar Neville e Gina.

Presentes: mapa para encontrar os Bufadores de Chifre Enrugado e uma prova de amizade verdadeira

De: Mariana Nascimento
Para: Neville Longbottom
De pai para filho

Em Hogwarts, antes da resistência contra Voldemort, Neville não era valorizado por ninguém. Sua avó o oprimia, Snape o perseguia durante as aulas e, no dormitório da Grifinória, era ele quem sobrava, já que Harry era mais próximo de Rony e Dino era mais próximo de Simas.

Sem nenhuma confiança em si mesmo, sem nenhum grande amigo e com os pais internados por terem enlouquecido sob tortura, ele se destacou, ao tomar posições firmes em momentos críticos e por sua habilidade com plantas.
Segundo a profecia de Sibila, Neville poderia ter sido o herói que derrotaria Voldemort, mas as escolhas deste conferiram tal papel a Harry. Contudo, Neville também foi responsável pela queda de Voldemort ao destruir uma das Horcruxes.

Por todos esses motivos é que Neville merece um bom presente de Natal, em reconhecimento do seu valor. No prólogo de “Relíquias da Morte”, descobrimos que ele se torna professor de Hogwarts. E é ali, nos terrenos da escola, que está o melhor presente de Natal que ele poderia imaginar.

No tempo que sobra de sua dedicação às aulas, Neville se aventura na Floresta Proibida para pesquisar toda a sua diversidade de plantas. Até que um dia ele encontra uma planta muito rara, cujas propriedades haviam sido pouco exploradas pelos pesquisadores bruxos. Depois de muitos estudos e troca de corujas com o Departamento de Mistérios (com interesse voltado especificamente para a sala dos cérebros), ele descobre que, acrescentando essa planta a certa poção, é possível obter uma mistura capaz de gerar longos momentos de lucidez em uma mente bruxa devastada por feitiços.

Com essa descoberta, Neville não só é reconhecido por toda a sociedade bruxa, como conquista a possibilidade de curar seus pais – algo que para ele é mais importante do que qualquer outra coisa.
Com doses semanais do medicamento, a mente de seus pais se desfaz de todo o caos causado pela tortura, tornando-se clara como uma mente sã. Nesses momentos, Neville se torna a pessoa mais feliz do mundo.

Para aproveitar cada segundo ao lado dos seus pais, ele os leva a longos passeios por jardins botânicos; conta-lhes como foi sua infância e seus anos em Hogwarts; ouve com prazer as histórias que os dois narram sobre quando ele era bebê, sobre os tempos em que eram estudantes de Hogwarts e sobre a luta contra Voldemort; e atende aos repetidos pedidos deles para explicar com detalhes a revolta que ele organizou em Hogwarts, enchendo os pais de orgulho por ter continuado o trabalho que eles começaram.

Presente: planta da cura

De: Mariana Rezende
Para: Remo Lupin
Esqueça seu pequeno problema peludo

24 de dezembro de 1970

Querido Remus,

Foi um alívio receber a notícia de que você, finalmente, teve alta do St. Mungus; todos na minha casa estavam muito preocupados. Sinto muito pelo tratamento não ter dado certo, eu sei o quanto você queria ficar livre dessa doença. Mas eu te conheço o suficiente para saber, além disso, o principal motivo por trás da sua constante disposição para se submeter aos testes dolorosos, e para tomar as poções nojentas que sempre prometem milagres: o medo de decepcionar os seus pais. Então, quero registrar aqui a minha certeza (na esperança de te convencer) de que seus pais nunca vão se decepcionar. A busca exaustiva por uma cura não está baseada em temor ou repulsa. Eles procuram por uma cura porque te amam e querem te ver feliz de novo; acredite, este pequeno detalhe faz toda a diferença.

Me magoa ver você se isolando desse jeito, transformando em diário um sofrimento mensal. Não se esqueça, Remus, que cada um de nós também possui máscaras, e grandes abismos por trás delas. Todos nós carregamos cicatrizes. Por mais que te corroa por dentro, a sua maldição (palavra que você tanto gosta de frisar) jamais espalhou dor para as pessoas que te cercam. Pelo contrário, ela realça toda a sua força, coragem e – não menos importante – teimosia, que ajudam a compor quem você é. A lua não tem controle sobre a sua alma, não dê a ela esse poder. Não afaste as pessoas nem se feche para novas amizades, aposto que você vai se surpreender quando descobrir que existe gente por aí quase tão legal quanto nós dois.

De qualquer forma, eu não estou enviando essa carta apenas para puxar a sua orelha. Quero aproveitar para dizer que encontrei o seu presente de Natal. É um castelo. O Castelo. Talvez você tenha ouvido falar do Professor Dumbledore, o novo diretor de Hogwarts. Um dia, depois da aula, eu conversei com ele sobre o seu caso e ele prometeu que vai entrar em contato com os seus pais! Incrível, não?! Você sempre sonhou em embarcar na locomotiva vermelha, então não consegui pensar num presente mais apropriado. Espere só até você conhecer o Salão Comunal da Grifinória, é fantástico.

Feliz Natal.

Da sua amiga,
Mariana.

Presente: Convite para Hogwarts

De: Rodrigo Bruno
Para: Tom Riddle / Lorde Voldemort
Yin e Yang

Desde criança sempre ouvi falar que em todo o mal existe um lado bom, mesmo que ele seja pequeno e oprimido. É a antiga filosofia chinesa da dualidade do Yin e Yang. Às vezes, esse lado bom se perde em meio à maior quantidade de maldade e perversidade, mas ele não é apagado, apenas se perde.

Nesta época do ano, com o clima natalino contagiando a todos, é normal as pessoas pensarem em coisas positivas e tentarem enxergar o lado bom das outras, suas qualidades e virtudes; e eu, também contagiado com essa energia, lembrei de você, Tom. Como muitas crianças trouxas, você não teve uma infância das mais fáceis. É uma vida bastante conturbada e triste para uma criança, ser abandonada pelo pai, perder a mãe e o convívio com familiares e ainda sofrer na mão de estranhos. Considerando tudo isso, até posso entender o rancor e o sentimento de vingança que foram se formando naquele pequeno coração de menino que você tinha.

Bom, mas como você deve lembrar, para a sua felicidade aos onze anos de idade você foi “salvo” de tudo isso pelo diretor da escola de magia e bruxaria de Hogwarts que lhe concedeu uma vaga permanente na escola. Seu lado “bom” estava em destaque nessa fase e, talvez, como forma de agradecimento pela vaga você foi o mais brilhante aluno que Hogwarts já acolheu. Notas e educação acima da média. Você queria se destacar no que fazia, queria ser lembrado como alguém importante, alguém “especial” e foi aí que a balança começou a pender mais para seu lado mau, que de certa forma, com seus altos e baixos, sempre esteve sob controle.

Seu primeiro ato de crueldade foi acusar Hagrid de ter aberto a Câmara Secreta e vê-lo pagar por isso quando na verdade foi você. A partir daí o garoto Tom deixou-se dominar pela ambição, pela inveja e pela maldade e não mais existiu, dando lugar agora para o temido e perverso Lord Voldemort que logo surgiria.

Infelizmente seu ego te levou por caminhos errados e sem volta, e nada do que fez, então, é justificado. Mas é Natal, época de paz e calmaria, e, como eu já disse, nessa época tendemos a enxergar o lado bom das pessoas. Eu enxergo o seu. Por isso, enderecei essa carta a Tom Riddle e não a Voldemort — mesmo que na teoria, e somente nela, vocês dois sejam a mesma pessoa. Tom era uma pessoa boa; ainda que praticasse algumas maldades, não era alguém cruel; apenas refletia a pouca sorte que a vida lhe oferecera antes mesmo de nascer. Já Voldemort não sabe o que é bondade, amor…

Tom Servolo Riddle, gostaria de dizer que te admiro. Admiro a sua força de suportar todos os problemas e a falta de amor que a infância lhe ofereceu. Admiro sua capacidade de raciocínio e sua constante disponibilidade para aprender e se superar como aluno. Admiro sua educação e sua esperteza para usar a sua inteligência em proveito dos seus interesses… É uma pena que esses interesses não foram honestos, juntos e bonitos. É uma pena que você, garoto Tom, tenha se tornado Voldemort, do qual eu não tenha nada de bom a lembrar ou dizer, mesmo sendo Natal.

Presente: carta

De: Sheila Vieira
Para: Rony Weasley
Ó, Merlim, que presente dar?

Eu estava um pouco nervosa para saber o que dar de presente a ele. Afinal, não era só uma lembrança de Natal, mas também de casamento. Em poucas semanas, ele finalmente seria o marido da mulher pela qual se apaixonou quando era apenas um adolescente. O que será que Rony Weasley gostaria de ganhar num momento como esse?

Para não errar, decidi pesquisar o que ele já tinha ganhado antes, principalmente nos anos que ele estava na escola. Rony sempre dizia que aqueles foram os melhores anos de sua vida, passando as tardes em Hogwarts com Harry e Hermione e deixando para fazer a lição de casa em outro momento. Houve muitos momentos de tensão, claro, mas agora tudo era apenas uma doce lembrança de tempos conturbados.

Descobri que sua mãe, a cuidadosa Molly Weasley, sempre lhe dava suéteres no Natal, especialmente com a letra “R” bem grande no meio. Era uma forma de diferenciá-lo do resto dos seus irmãos. Mas agora cada um dos Weasley vivia a sua própria vida e isso não era mais necessário. Portanto, cogitei dar a ele um terno bem bonito, para que ele usasse no casamento.

Mas depois pensei melhor e mudei de ideia. Afinal, Rony era um homem alto e eu fiquei com medo de errar seu tamanho. Ainda mais, sua futura esposa era muito perfeccionista, provavelmente ela vai querer escolher a vestimenta dele. Então eu perguntei a Hermione qual foi o primeiro presente de Natal que ela deu ao noivo.
Hermione se lembrava de um “planejador de lições de casa” que ela havia dado no quinto ano de Hogwarts.
Mas isso não seria muito útil agora, não é? Por sua vez, Harry me disse que o presente de Natal que Rony mais gostou foi um chapéu do Chudley Cannons. Então o meu presente escolhido foi um ingresso que dava direito a ver todos os jogos do time na temporada!

Mas eu decidi dar mais um presente a ele, esse mais imediato. Chamei os elfos mais competentes do mundo para fazer um banquete de Natal inesquecível: um enorme peru assado, um ganso assado, um monte de batatas assadas, molho de cranberry e salsichas pequenas embaladas em bacon. Para a sobremesa, um tradicional pudim britânico cheio de frutas. Ficou tão gostoso que até a Hermione deixou de lado a dieta para entrar no vestido de noiva. Com a boca lambuzada de tanto comer, Rony me agradeceu e sentou no sofá, sentindo a mais pura felicidade. Como se estivesse de volta a Hogwarts.

Presentes: ingresso de partida de quadribol e banquete natalino

De: Yuri Rigon
Para: Severo Snape
Sem arrependimentos

É difícil dar presentes. Aliás, é fácil dar presentes, o difícil mesmo é agradar pessoas. Principalmente quando se trata de Severo Snape. Quando criança não teria sido um a escrever cartas ao Papai Noel, suas aspirações deveriam ser grandes demais para que pudessem ser atendidas pelo bom velhinho.

Quando jovem, ao que parece, foi sempre tímido e contraído, dando-se ao luxo de conversar com Lílian, seu único e grande amor. Quando não fazia isso, estava, na certa, escrevendo nos livros, se preocupado em ser o Príncipe Mestiço e deixar a alguém o conhecimento que absorvera nos anos em que passou em Hogwarts.

Ao se tornar adulto, Severo só era visto vestindo a capa preta e andando pelos corredores de Hogwarts sempre pronto a interpelar algum aluno que estivesse fazendo algo errado, principalmente se este fosse Harry Potter. Esse seria o maior presente que a ele poderíamos dar. Além disso, o professor tinha ambição de ocupar o cargo de Defesa Contra As Artes Das Trevas, o que conseguiu somente após muito tempo de tentativas. Chegando a ser, mais tarde, até diretor de Hogwarts.

Porém, nada disso chegava perto do que Severo realmente almejava. Por isso, este ano, por Severo Snape, voltaremos um pouquinho ao passado usando o Vira-Tempo de Hermione e daremos a ele, com muito gosto, um Natal ao lado de Lílian, sem que Tiago possa chegar, de repente, e pendurá-lo na árvore como enfeite.

Presente: volta no tempo

Depois de quatro anos de operação, mais de 150 textos e um atual staff de 10 colunistas e duas editoras, a equipe de colunistas Ish fecha este ano de 2010 com uma maravilhosa sensação de dever cumprido.