As Relíquias da Morte

Emma e Tom são entrevistados pela Accion Cine-Video

Os atores Emma Watson e Tom Felton foram recentemente entrevistados pela revista Accion Cine-Video, onde falam sobre Harry Potter e as Relíquias da Morte, os dez anos imersos na série, os próximos projetos, entre outros assuntos diversos.

Como você acha que Hermione mudou Emma Watson?
Emma:
Tenho certeza de que ela me mudou, mas tenho certeza de que ela fez isso inconscientemente. Na verdade, nós somos tão parecidas na realidade que às vezes é difícil decifrar o que ela influenciou em mim e o que eu influenciei nela.

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EMMA WATSON E TOM FELTON
Entrevista sobre Relíquias da Morte, vida pessoal e próximos projetos

Accion Cine-Video
02 de novembro de 2010
Tradução: Marina Anderi

Como esse filme se compara aos outros? Parece que nesse haverá muito mais ação do que nos anteriores.
Emma:
Foi muito intenso. Foi uma filmagem muito difícil, quase toda cena exigia de uma forma ou de outra, seja por causa da ação ou por que envolvia um momento muito intenso em nível emocional. Foi ótimo, porque o filme realmente me fez me esforçar até o limite e me deu a oportunidade de mostrar o que posso fazer, e eu realmente gostei disso.

Quais momentos você acha que são os mais memoráveis desses dez anos?
Emma:
O Baile de Inverno de Cálice de Fogo foi impressionante. Sempre lembrarei do baile, pelos  trajes e todo o show. É um momento da vida de Hermione em que ela sai de sua concha e torna-se uma jovem mulher. Outro momento seria fazer as audições para o papel de Hermione e falarem-me que eu tinha conseguido o papel. Nós fizemos uma exibição na Radio City Hall, em Nova York, em que 5,000 pessoas apareceram, e eu me lembro de subir no palco e apenas ver todo mundo com flashes, esse foi o momento em que eu soube o quão grandes e importantes os filmes e o que fizemos são. Descobri o quão grande tudo era, então eu me lembro disso muito bem. Digo, há muitos momentos para lembrar… esses são apenas três.

Você só tinha uns dez anos quando de repente se tornou famosa, e você é famosa desde então, mas parece ser pé no chão. Como você gerenciou isso?
Emma:
Acho que continuar a comparecer na escola ajudou-me bastante, porque tenho uma vida e amigos fora da indústria cinematográfica, que é uma indústria em que há muita loucura, para ser honesta. [Risos] E eu não sei, suponho que (ser pé no chão) vem parcialmente de minha educação, parcialmente de meus pais, e parcialmente de minha personalidade. Não sei, acho que foi uma boa coisa nós não termos feito esses filmes em Hollywood. Fizemos os filmes na Inglaterra, em Watford, nos Estúdios Leavesdon, e realmente estivemos em nossa própria bolhinha, então de uma certa forma tivemos uma vida muito normal, o que acho que ajudou.

Desde que você começou a universidade, vindo de um mundo de cinema, você acha que a forma em que você vê a si mesma mudou?
Emma: A universidade é bem interessante, Suponho que de uma certa forma te dá perspectiva do que você faz, o que ajuda. Às vezes quando você está lá, tudo parece um borrão, e para ser capaz de se livrar e olhar para isso com uma certa perspectiva de uma diferente, sinto-me mais pé no chão e com uma melhor perspectiva em minha vida. E sim, é muito bom.

Como é viver nos Estados Unidos? Do que você sente falta da Inglaterra?
Emma:
Por mais engraçado que pareça, o tempo. Sinto falta dos céus cinzas de vez em quando. Na América tenho a sensação de que tenho que usar óculos de sol o tempo todo. [Risos]

E o que você gosta de fazer em seu tempo livre, quando não está atuando ou estudando?
Emma:
Gosto de assistir filmes, ler, dormir. Dormir é ótimo. [Risos] Gosto de praticar esportes, sair com meus amigos, sair para jantar. Eu amo comida e cozinhar.

Qual sua especialidade culinária?
Emma:
Feijões cozidos na torrada. Sou muito boa nisso.

Isso é uma especialidade?
Emma:
Não, não de verdade. [Risos] Mas minhas pimentas assadas/grelhadas são muito boas. O que mais posso fazer? Meu patê de cavala também é muito bom.

Você se tornou um ícone fashion. Como você descreveria seu senso de moda?
Emma:
Acho que é bem simples. Não sou uma grande fã de joias e acessórios. Acho que isso é algo muito francês, na verdade. Minha influência francesa provavelmente tem algo a ver com isso. Não é tudo definido, ainda estou experimentando, mas na maioria das vezes gosto de algo clássico.
Eu tento não prestar atenção às tendências na maior parte, e sim me focar no que gosto. Gosto de me mostrar ao invés de seguir muitas tendências, então não sou uma vítima da moda, colocando dessa forma. Não sou uma estrela de rock, então não tento me vestir assim. Simplesmente escolho para mim o que me faz confortável.

Quando você se sente mais bonita?
Emma:
Sinto-me mais bonita quando estou usando algo bastante confortável, que tem um bom corte e parece meio subestimado. Acho que é quando me sinto bonita.

Você fez alguma contribuição para seus trajes em Harry Potter?
Emma:
Olha, eu me dou bem com o [diretor de figurino?], temos uma relação muito extensa e nós dois amamos moda, então trabalhamos juntos. É uma colaboração, e é muito boa.

Deve ter sido incrível para você que as vendas da Burberry explodiram desde que você começou a trabalhar com eles. Como isso te faz sentir?
Emma:
Sim! É um grande elogio! É maravilhoso. Para ser honesta, tem sido uma grande surpresa. [Risos] Estou muito surpresa que as coisas ocorreram dessa forma.

Você tem trabalhado com Dan Radcliffe e Rupert Grint pelos últimos dez anos. Como eles mudaram com o tempo? Quais são as diferenças em relação ao passado?
Emma:
Bem, é engraçado, porque eles foram para direções completamente opostas. Quando começamos, Rupert era muito aberto, muito falante, confiante, enquanto Dan era quieto, o garoto tímido. Lembro-me da primeira entrevista com a imprensa que fizemos, ele estava oprimido por tudo isso, e agora ambos foram para direções opostas; [Risos]
Dan, você não pode fazer ele ficar quieto, ele só quer falar sobre o filme, ele tem essa incrível energia, ele é uma grande bola de… contar piadas toda hora, ele é um cara muito extrovertido. Rupert tornou-se muito quieto. Ele é muito mais reservado agora, o que é engraçado. Eles realmente foram de um extremo ao outro, suponho. Mas os dois ainda são encantadores, e como pessoas não mudaram muito, o que é bom.

Falando sobre eles de novo, o que eles significam para você? Você sente que são amigos, quase família?
Emma:
Penso que somos como família, sim. Penso que somos como irmão e irmã.

Como você acha que Hermione mudou Emma Watson?
Emma
: Tenho certeza de que ela me mudou, mas tenho certeza de que ela fez isso inconscientemente. Na verdade, nós somos tão parecidas na realidade que às vezes é difícil decifrar o que ela influenciou em mim e o que eu influenciei nela.

Nesse último filme, você é meio que essa heroína em ação. Qual foi a coisa mais difícil que você teve de fazer?
Emma:
Há essa cena realmente pequena na qual eu tive que montar numa vassoura. Eu nunca tinha feito isso antes, e é tão desconfortável que eu não tenho ideia de como Dan foi capaz de fazer isso por todos esses anos, não tenho ideia. Eu não sei como alguém pode fazer isso, você termina dolorido. [Risos] É a coisa mais dolorosa e desconfortável que já experimentei em toda a minha vida, então provavelmente foi essa a cena mais difícil que tive de fazer. Mas acho que muita das cenas de perseguição foram difíceis também, correndo de uma cobra ou algo assim, e aprendi durante a filmagem que sempre dou tudo de mim na primeira tomada.

Você estava nervosa antes da cena de amor com Ron?
Emma:
É, eu estava um pouco nervosa. O negócio é que eu acho que David Heyman não queria que nós estivéssemos muito nervosos, então ele nos contou apenas um dia antes que iríamos gravar o beijo. Ele meio que só jogou isso em nós, então não tivemos muito tempo para pensar nisso, o que ajudou de uma certa forma, mas também causou algum pânico. Mas acho que tudo deu certo no final.

Agora que a saga está terminando, como você vê seu futuro como atriz?
Emma:
Suponho que só quero continuar a participar de filmes que estejam no mesmo nível e possuam a mesma qualidade que Harry Potter. Eles não têm de ter o mesmo orçamento ou o mesmo número de fãs, mas se eu os fizer, gostaria de fazer filmes que possuem as mesmas normas, a mesma qualidade, e eu acho que em si é um enorme desafio.

Que tipo de filmes você gosta de assistir?
Emma:
Bem, o negócio é que quando estou filmando, especialmente quando estive filmando esses filmes, acho emocionalmente desgastante, então a última coisa que quero fazer no fim do dia é ir para casa e assistir a um filme que é emocional e intelectualmente exigente. Então, quando quero relaxar, assisto Sex and the City, para ser bem honesta. [Risos] Ou comédias românticas, ou Gossip Girl de vez em quando. Quer dizer, eu assisto toneladas de filmes e obviamente assisto também os que são intelectualmente estimulantes, só que não todo tempo.

Você é um grande modelo para as jovens. Como se sente quanto a isso?
Emma:
Seria extremamente lisonjeiro se eu fosse. Não penso muito sobre isso. Estou apenas sendo quem eu sou, e sendo honesta comigo mesma, e se isso é algo que as pessoas admiram, isso é maravilhoso e lisonjeador, mas não estou tentando conscientemente ser um modelo.

Dez anos, é o fim de uma era, correto?
Tom
: É, realmente é. Passou-se um longo tempo desde que eles entraram em contato conosco quando éramos crianças. É muito estranho, porque eu tinha doze, treze anos quando me escolheram para o papel, e agora tenho vinte e dois. Eu não sinto que acabou, porém, não até os últimos dois filmes serem lançados ao público. Mas sim, é muito triste dizer adeus.

Dando a vida a um dos vilões da saga, você acha que ainda resta algo de bom em Draco, algo que merece ser salvo?
Tom
: Sim, sim, acho que sim, definitivamente. Ele é na verdade um cara bom, só teve algumas influências terríveis e é uma vítima de circunstâncias impressionantes. Penso que, dada uma oportunidade diferente ele seria uma pessoa completamente diferente, mas, infelizmente, dado quem ele é e quem seus pais são, ele é forçado a seguir uma longa jornada de mão única. Eu não acho que ele seja completamente malvado por dentro.

Como você viu a personagem evoluir de um valentão da escola para um dos maiores vilões dos filmes?
Tom:
Foi ótimo. Todo ano ele é tomado com mais e mais intensidade, e seu papel como valentão vai tornando-se mais e mais malvado. E no sexto filme eles jogaram tudo nele e vimos uma vulnerabilidade que nunca tínhamos visto antes na personagem e uma explicação para suas ações. Você entende o que está acontecendo de errado em casa, com seus pais, que não fazem as coisas particularmente fáceis para ele. É bom ter um arco de desenvolvimento que nem esse em uma personagem, onde você não tem que interpretar apenas um registro. Eu acho que ele tem uma transformação completa ao decorrer dos últimos filmes, onde parece que ele quer se tornar um vilão, embora bem lá no fundo ele não queira muito.

No sexto filme nós, na verdade, vemos Draco duvidando do que tinha que fazer.
Tom:
Completamente, ele não sabia se queria fazer isso ou não. E eu acho que, no fundo, a resposta é não. Não está na natureza dele ser um vilão. E eu acho que ele nunca vai ser completamente um vilão.

Qual sua opinião sobre o sétimo filme?
Tom:
Estou sinceramente ansioso para os últimos dois filmes, porque acho que eles serão os melhores da franquia, por causa da história e por causa da ideia. Acho que Jô realmente salvou o melhor para o final. Tem crescido muito e não há nada de infantil sobre o conteúdo do que acontece. Há um monte de mortes, como você sabe, e também a morte como um conceito. É muito interessante, as batalhas, morte, amor, romance. Eu acho que vai revelar-se bastante interessante para um novo público, bem como para aqueles que já eram seguidores.

Qual é a sua cena favorita da primeira parte?
Tom:
Bem, há um bom material, então é difícil escolher apenas uma cena, e eu não vi os filmes, então não sei o que está em um filme e o que está noutro. Ou o que foi cortado. Mas, com sorte, há uma cena fantástica na Mansão Malfoy e vemos a casa e seus residentes pela primeira vez e todos os caras maus em um cômodo, com Voldemort, Belatriz, os Malfoy… muito intenso.

Você fez suas próprias cenas de dublê?
Tom:
Sempre que possível. Há muita ação em ambos os filmes, muitas explosões, muitas coisas em chamas. Não é algo com o qual estamos acostumados e a equipe de especialistas fez um bom trabalho. Suponho que posso dizer que fiz algumas cenas de dublê, se é que posso chamá-las assim, onde eles te prendem num cabo e erguem-te, ou fugindo do fogo.

E como foi filmar dois grandes filmes de uma vez?
Tom:
Eu acho que é bastante corajoso/desafiante filmas dois filmes de uma vez. Foi um trabalho difícil, especialmente para Daniel Radcliffe e David Yates, que estavam lá todo dia. Foi menos difícil para mim, porque eu ia e vinha durante as filmagens, por isso não foi tão cansativo. Mas acho que foi excepcional para ambos ou qualquer um que esteve lá todo dia. Um feito incrível. Em todo caso, eu não acho que o filme funcionaria como apenas um, não acho que ficaria bom se eles tivessem tentado colocar tudo em um só filme.

Foi difícil crescer cercado por toda essa pressão? Os fãs, as pessoas, a imprensa…
Tom:
Às vezes, foi. Mas fui incrivelmente sortudo e tive uma infância normal. Eu ia para a escola entre os filmes, nunca deixei a escola, o que é muito importante para mim. Sempre tive os mesmos amigos. Nunca estive numa situação em que os fãs me atacaram, quem nem quando fomos para premieres ou algo do tipo. Ando por Londres todo dia, e ninguém me diz nada. O cabelo, a mudança de cor dele tem feito tudo isso. Quando eu o tingia para os filmes, pessoas me reconheciam, mas sem tingir…

Você começou uma gravadora musical, e um de seus colegas de Harry Potter, Matthew Lewis, tem uma banda e vai trabalhar com você. Essa é uma das razões de ter sua própria gravadora, para ser capaz de trabalhar com pessoas que você tem passado tanto tempo com?
Tom:
A verdade é: é sim. Matt tem uma banda, e uma vez que comecei a trabalhar com a ideia de fazer uma gravadora musical, nós falamos, “Temos que trabalhar juntos.” Acho que estamos em uma posição privilegiada em que podemos estrelar coisas, criá-las. Não temo que esperar. Quer sejam músicas, roteiros ou ideias, podemos fazê-los acontecer. Então penso que devemos tomar vantagem dessa situação e fazer acontecer enquanto podemos. E é sempre bom ficar em contato com todo mundo, e Matt é um cara legal.

E sobre Rise of the Apes, o que você pode nos falar? É um dos melhores projetos de filme de ficção cientifica para o próximo ano.
Tom:
Sim, eu sei. É maravilhoso. É um dos melhores que roteiros já li em minha vida. Estou muito animado com o projeto, sério. Venho gravando por quatro semanas e voltei para Londres ontem. O que posso lhe dizer? [Risos] Tudo que posso dizer é que é um filme que vem antes do original, não é um remake, é um roteiro completamente diferente. Minha personagem trabalha em um centro de investigação, e nem preciso te falar que ele não é particularmente um dos caras mais legais do mundo. Ele é muito diferente de Draco, mas ainda assim ele não é uma companhia muito agradável.