Filmes e peças ︎◆ Parte 1

[Atualizado] Seis novas críticas brasileiras a Relíquias da Morte parte 1!

Dois sites brasilerios divulgaram suas impressões sobre Harry Potter e as Relíquias da Morte parte 1, somando-se às várias divulgadas hoje. O blog JUDÃO afirma em sua crítica extremamente positiva que o sétimo filme é o melhor da saga.

“É o fim de uma história que não deveria terminar. É o fim de uma história do jeito que ela merece ser terminada. O fim de uma história que a gente fica feliz por ter acompanhado. Mesmo que ainda falte um filme”.

Já o G1 diz que o filme é o mais fiel, mas é “muito longo e até bucólico”:

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“Os fãs mais fervorosos vão elogiar a calmaria proposta pelo diretor David Yates e dizer que a escolha condiz com o clima do último livro, pois a sensação é que nada dele vai ficar de fora dos dois filmes.

Já quem conhece o universo dos bruxos e trouxas apenas pelo cinema irá achar essa nova adaptação tediosa e que a escolha por dividi-la em duas partes não passa de mais um truque mercadológico para lucrar com o bilionário universo de J.K. Rowling”.

Confira os dois textos na íntegra em notícia completa e continue ligado no Ish pois faltam apenas dois dias para a estréia do ano!

Atualização: Quatro novas críticas foram liberadas: R7, Cineclick, Terra e Cinema com Rapadura. Confira todas na extensão.

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE PARTE 1
Crítica do JUDÃO

JUDÃO ~ Thiago Borbolla
16 de novembro de 2010

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1

Não é a primeira vez que digo isso sobre um filme dessa franquia, mas agora é definitivo, é superior, representa tudo: é o melhor FILME. A melhor ADAPTAÇÃO. É o melhor Harry Potter dos cinemas.

Eu não sei dizer o dia exato, mas lembro exatamente de quando em um sábado de Julho de 2007 eu fui até o shopping, numa livraria, comprar o meu exemplar de Harry Potter and the Deathly Hallows. Sim, em inglês, pois no domingo eu viajaria para a Comic-Con e, sinceramente, eu me recusava a tomar spoiler na cabeça. Ainda mais estando lá.
Comecei a ler o livro no avião, continuei lendo durante os dias que antecederam o evento. Depois que começou, eu também lia, mas sabe quando você tem oitocentas e oitenta e oito milhões de coisas na cabeça e nem presta lá muita atenção?

…e essa foi a única vez que eu li o livro.

Assisti recentemente Harry Potter e o Enigma do Príncipe e, dessa vez, não foi tão ruim quanto quando eu vi pela primeira. Ainda é um filme fraco. Me empolgou para Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 o suficiente pra eu ir atrás do livro e tentar lê-lo em três dias.
Nem cheguei perto do livro. E acho que isso foi uma das melhores coisas que eu podia ter feito.

Pra mim, é bem simples: se um filme é uma adaptação, eu tento vê-lo primeiro como filme e depois como adaptação. Uma boa adaptação pra mim é aquela que transforma, no caso, um livro em um filme. Não tentam fazer do livro um filme — como nos dois primeiros, que são péssimos, como filmes. E como adaptação. e como fazer isso?
Bom, eu não sei fazer. Mas David Yates e Steve Kloves conseguiram fazer direitinho.

David Yates fazendo o seu melhor com Ruper Grint, Emma Watson e Daniel Radcliffe
Não há uma só cena que a gente percebe que foi claramente colocada ali só porque tem no livro. Os pontos principais estão lá. E eu sei que estão, pois é basicamente isso que eu me lembro do livro. E ainda com a história tendo um ritmo sensacional, que faz parecer que as 2h26 são na verdade 40mins, sério… Harry Potter e as Relíquias da Morte é o melhor filme AND adaptação da franquia. E veja: eu nem tou falando “Parte 1″. 😉

Harry Potter…

Do primeiro ao último, os livros amadureceram, os filmes amadureceram, os leitores, os espectadores, os atores. As histórias se tornaram “adultas”, o pessoal que ia assistir ao primeiro filme como pré-adolescente hoje são maiores de idade. Mas os atores? Bom, enfim eu posso dizer que temos três atores.
Sim, amigos. Daniel Radcliffe, no último filme, conseguiu ser Harry Potter. O personagem ainda não é aquele dos livros, e agora já é tarde demais pra ser. Mas há humor, há emoção, há motivos suficientes para acreditar na sua interpretação. Há, de fato, um trio dessa vez. Há, de verdade, três melhores amigos capazes de arriscar absolutamente TUDO por essa amizade, em busca de Horcruxes, contra tudo e contra todos.

Rupert Grint melhorou o seu timing pra comédia e deixou de ter aquela cara de bobo, conseguindo usar o corpo pra se expressar também. A Emma Watson… Essa é atriz faz tempo. Tem um bom futuro pela frente. Tou até agora ecoando o choro e os gritos dela na minha cabeça… De verdade. É perturbador. E ela conseguiu.
E é engraçado — e culpa de David Yates, que agora teve MUITO mais tempo para desenvolver uma história tão violenta, tão profunda para esses personagens — que mesmo outros atores, que nunca foram lá muita coisa, tiveram chances de mostrar os motivos, pelo menos, pelos quais passaram nos testes. Até a Bonnie Wright está bem. Ela realmente parece ter tesão pelo Harry, que a beija com mais vontade que Scott beijou Ramona. OU SEJA… 😉

…e as Relíquias da Morte

O sétimo filme de Harry Potter finaliza uma saga que deu muito dinheiro a seus produtores, atores, ao estúdio, à sua criadora, J.K Rowling. Mas é uma saga — livro e filme — que colocou a fantasia de volta na mente de muita gente que nem lembrava mais o que era isso. Ou nem sequer sabia. Uma saga que fez muita gente ler. Sim, porque é isso. Fãs serão fãs sempre, do que for, e serão todos iguais, muitas vezes defendendo e comparando coisas que não precisam de defesa ou são incomparáveis.

Mas Harry Potter e as Relíquias da Morte está aí pra todos. Agradece, contemplando fãs, dos livros, dos filmes, da HISTÓRIA, que jamais conseguiram colocar outros rostos nos personagens principais das suas cabeças, com uma produção visualmente bonita, com uma história que tem tempo de ser contada, e adaptada ao seu tempo.
É o fim de uma história que não deveria terminar. É o fim de uma história do jeito que ela merece ser terminada. O fim de uma história que a gente fica feliz por ter acompanhado. Mesmo que ainda falte um filme. 😉
Agora me dá licença que eu vou lá pegar o livro e devorá-lo…

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE PARTE 1
Crítica do G1

G1 ~ Gustavo Miller
16 de novembro de 2010

G1 já viu: novo ‘Harry Potter’ é o mais fiel da série, para o bem e para o mal

‘Relíquias da morte, parte 1’ agradará fãs por reproduzir clima do último livro.
Porém, filme que estreia nesta sexta-feira (19) é muito longo e até bucólico.

Após ouvir Ron comentar que passou a noite em um pub e assistir a uma cena – de alucinação – em que Harry e Hermione se beijam nus, o sétimo filme com os três aprendizes de bruxos de J.K. Rowling não deixa dúvidas: de infantil, Harry Potter não tem mais nada.

A primeira parte cinematográfica do último livro da saga, “Harry Potter e as relíquias da morte”, estreia nesta sexta-feira (19) no Brasil. Trata-se do longa mais adulto e sombrio até agora e, de todos, também pode ser considerado como o mais “difícil”.

“Harry Potter e as relíquias da morte” tem mais de duas horas de duração e emenda com o final do antecessor, “Harry Potter e o enigma do príncipe”, que termina com a morte de Alvo Dumbledore, o que culmina na guerra entre Harry (Daniel Radcliffe), o escolhido, e Voldemort (Ralph Fiennes), o Lorde das Trevas, que ao lado dos comensais da morte tomará controle do ministério de magia e da própria escola de Hogwarts.

Porém, antes da batalha final, Harry precisa destruir a imortalidade de Voldemort com a captura das horcruxes, uma lista de objetos em que ele depositou sua alma com o passar dos anos. Durante essa busca, sempre escorado por Ron (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson), ele conhece um esquecido conto que, caso se torne verdadeiro, dará ainda mais poderes a Voldemort.

Trata-se da boa e velha dialética entre e o bem e o mal, mas com os ricos detalhes da história criada por Rowling, cujos filmes anteriores arrecadaram US$ 5,4 bilhões em todo o mundo.

Comparar aliás “Relíquias da morte” com seus antecessores é ver a clara evolução que a série ganhou desde 1999. A trama, assim como os personagens, amadureceu e isso é refletido dentro do filme, não apenas superior aos outros esteticamente, mas também de roteiro e atuações. Nunca o trio de amigos esteve tão confortável em seus papéis e Radcliffe chega a ser engolido em alguns momentos por Emma e Grint, cujo romance velado rende momentos divertidíssimos.

Também é de se elogiar os efeitos especiais e as cenas de ação, principalmente a presente nos elétricos 15 minutos iniciais do filme. Para despistar os comensais, que estão atrás de Harry, vários de seus aliados tomam uma poção mágica desenvolvida por Hermione e se transformam em clones do bruxinho.

As cópias sobem em suas vassouras, enquanto o verdadeiro divide uma moto modelo sidecar com Hagrid (Robbie Coltrane). A perseguição que começa no céu e depois termina em uma via expressa é alucinante – é praticamente um “’Matrix’ juvenil”.

Uma pena que toda essa adrenalina visual dure poucos minutos. O que impera depois são momentos bucólicos com o trio principal, com cenas sempre de belíssima fotografia e que ficam muito tempo presas a um certo assunto sem desenvolvê-lo rapidamente.

Os fãs mais fervorosos vão elogiar a calmaria proposta pelo diretor David Yates e dizer que a escolha condiz com o clima do último livro, pois a sensação é que nada dele vai ficar de fora dos dois filmes.

Já quem conhece o universo dos bruxos e trouxas apenas pelo cinema irá achar essa nova adaptação tediosa e que a escolha por dividi-la em duas partes não passa de mais um truque mercadológico para lucrar com o bilionário universo de J.K. Rowling.

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE PARTE 1
Crítica do R7

R7 ~ Beatriz Cioffi
16 de novembro de 2010

Em sua reta final, Harry Potter não é mais uma série sobre as aventuras de um adolescente eleito, um herói escolhido pelo destino. Se é que algum dia foi somente isso.

No filme que chega aos cinemas de todo o mundo nesta sexta-feira (19), Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1, o bruxinho deixa o posto de protagonista para colocar seus sentimentos no centro da trama. Aliás, não apenas os seus, mas também os de seus inseparáveis amigos, Hermione e Rony.

O trio de adolescentes, interpretados por Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint, está em busca das horcruxes – objetos especiais que guardam parte da alma do senhor das trevas e que podem estar escondidos em qualquer lugar… do planeta!

O mundo está dominado pelo mal, os três têm uma tarefa deste tamanho para cumprir, o mestre que poderia guiar essa missão está morto e não explicou o que exatamente precisa ser feito.

Como se não bastasse, os amigos não podem contar para ninguém sobre a tarefa que receberam – sob risco colocar ainda mais gente na mira dos temidos Comensais da Morte.

E se tudo isso não lhe parecer suficiente, eles ainda têm que cuidar da própria segurança – já que uma porção de vilões estão fazendo de tudo para capturar (e matar, torturar, humilhar) os três.

Em um beco sem saída deste porte, só resta ao trio sumir por aí, na caça aos objetos amaldiçoados, torcendo para acertar o rumo da missão e permanecer vivo… pelo máximo de tempo possível.

Nesta situação, você não se sentiria desesperado? Eles se sentem.

Ainda mais quando sabem que qualquer passo em falso pode levá-los a armadilhas brutais e assustadoras – como a casa da senhora Batilda Bagshot, a historiadora que… bem, não está tão viva como parece e dá medo em uma das cenas tensas do longa-metragem.

E é nesse desespero que afloram nos três alguns sentimentos, que até então estavam disfarçados.

O ciúme que Rony sente de Harry e Hermione vira astro em algumas das tomadas tocantes. A segurança que uma amizade verdadeira pode oferecer é a estrela da cena mais gracinha deste filme: quando Harry e Hermione dançam ao som de O’Child, de Nick Cave, completamente perdidos na missão que precisam cumprir, mas cientes do carinho de irmãos que sentem um pelo outro.

É para fazer os fãs chorarem, claro.

Aliás, Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 é claramente um filme feito para os fãs. Ele não tem muita ação visível. É um filme lento, cujos maiores conflitos são mesmo emocionais – e, talvez, perceptíveis apenas para quem acompanha fielmente a saga do bruxo. Quem não acompanha ou não vai entender ou vai achar chato.

E com tudo isso, ao contrário do que declarou Daniel Radcliffe à imprensa, esse início do episódio final não decepciona quem acompanha fielmente a saga. Ao contrário. Mesmo sem um fim, a primeira parte deixa tanta coisa para o espectador digerir, que provavelmente não restaria forças para encarar o final de fato, que chega aos cinemas em 2011.

São mais de duas horas de filme. Para quem assistiu (ou leu) à saga desde o início, ver esta primeira parte é como curtir os últimos momentos com um grande amigo que está prestes a partir. A cada abraço que Harry, Hermione e Rony trocam, quem está na poltrona sente mesmo vontade de chorar.
Harry Potter cresceu.

A saga cinematográfica e o personagem.

O jogo de câmeras em estilo documentário, usado em algumas tomadas, dá realidade a cenas de pânico – que neste filme, existem mesmo. Os atores que vivem os três bruxos protagonistas estão muito mais convincentes, com menos reações teatrais e mais… sentimento.

E para os personages, não se trata mais de matar bruxos das trevas, apenas. Agora a questão é saber o peso que é matar alguém e o quão assustador isso pode ser.

Em se tratando de um blockbuster, cujo público-alvo são os jovens acima dos 12 anos, está muito além do que se podia esperar. Mas só quem se envolveu com a aventura desde o início vai perceber.

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE PARTE 1
Crítica do Cineclick

Cineclick ~ Celso Sabadin
16 de novembro de 2010
Nota: 3/5

O filme se chama Harry Potter. Mas devia se chamar Hermione Granger. Afinal, é a garota interpretada pela ótima Emma Watson quem salva a pátria, resolve tudo, planeja as coisas com antecedência, é rápida de raciocínio, tem os feitiços certos na hora certa e rouba a cena. Como diz o próprio Ron Weasley a Harry Potter: “Ir embora sem a Hermione? Você está louco? Não sobreviveríamos dois dias sem ela”.

De qualquer maneira, prestes a chegar ao seu final, a saga Harry Potter parecer perder o fôlego. Pelo menos no cinema. O sétimo e penúltimo longa-metragem de uma das mais bem sucedidas franquias da história sofre de um mal comum a outras sagas épicas contemporâneas: apoia-se no verbal, usa e abusa das palavras para sustentar a narrativa, desenvolve-se de maneira episódica e utiliza as imagens muito mais como uma rasa sedução espetacular que propriamente como o corpo da estrutura fílmica.

Percebe-se que o roteirista Steve Kloves (que roteirizou praticamente todos os episódios da série) deve ter tido um árduo trabalho em alinhavar todos os personagens necessários à continuidade da trama (que não são poucos), desenvolvê-los cinematograficamente, e ainda tomar o cuidado de relembrar a função de cada um deles, para quem não se recorda precisamente dos filmes anteriores. Não é tarefa fácil. Não são poucos os momentos de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I que passam a impressão de o filme ter sido feito somente para quem já leu os livros.

Neste penúltimo capítulo, as forças do Mal, lideradas por Voldemort (Ralph Fiennes), estão mais perto do que nunca. Agora fora dos muros de Hogwarts e sem a proteção do falecido Dumbledore, Harry (Daniel Radcliffe), Ron (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson) estão praticamente sozinhos na missão de encontrar e destruir as Horcruxes. Piorando a situação, a galera do Mal tomou posse também do Ministério da Magia, abrindo uma era de terror com vários elementos que remetem ao nazismo. Seria irônico dizer que, a exemplo de Hitler, McCarthy ou Bush – cada um na sua época – Voldemort implanta uma “caça às bruxas” no Ministério. Mas na verdade é uma caça aos não-bruxos, ou no linguajar da saga, aos Trouxas.

Coerente com a história que conta, trata-se de um dos filmes mais soturnos, densos e menos lúdicos de toda a série. Com tantos nomes a relembrar e tantas situações a desenvolver para pavimentar o caminho ao tão esperado epílogo, este Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I traz problemas de ritmo e não raro derrapa em seus longos 146 minutos de projeção.

Porém, dois dos aspectos mais positivos da franquia permanecem com altíssima qualidade: a impecável direção de arte que nos faz embarcar em toda a fantasia do filme, por mais inacreditável que ela possa ser (há cenas em que quase se sente o cheiro dos ambientes, tamanho o profissionalismo do desenho de produção), e a química do trio central de atores, que não perdeu o frescor e o carisma mesmo depois de quase 10 anos do primeiro episódio.

Para quem não se importar em ver hoje um filme que só vai terminar em 15 de julho de 2011, Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I é um caldeirão cheio.

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE PARTE 1
Crítica do Terra

Terra ~ Bruna Carolina Carvalho
16 de novembro de 2010

Após seis filmes e nove anos de espera, os fãs de Harry Potter poderão conferir o começo do fim da saga em Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1. Agora, fora dos muros de Hogwarts e sem a guarda de Alvo Dumbledore, Harry (Daniel Radcliffe), junto com seus amigos, Rony Weasley (Rupert Grint) e Hermione Granger (Emma Watson), vai em busca das horcruxes de Voldemort – pedaços da alma do vilão das trevas alojados em objetos valiosos.

Apesar dos 146 minutos de filme, as cenas de ação mais eletrizantes deixam o espectador entretido na maior parte do tempo e, salvo alguns momentos, não chegam a cansar. Mais sombrio e com mais combates, a sétima parte da série é mais aterrorizante e fiel ao livro de J.K Rowling, em comparação às suas antecessoras.

Mesmo com os cuidados do roteirista Steve Kloves e do diretor David Yates em fazer uma correspondência quase matemática com a história original, os mais atentos sentirão falta de alguns detalhes, como o fato de Harry não estar disfarçado durante o casamento de Gui Weasley e Fleur Delacour, a ausência da capa de invisibilidade e, talvez, o mais importante: a superficialidade com que é tratada a biografia de Dumbledore. A luta do ex-diretor de Hogwarts com Grindelwald e alguns pormenores da família do poderoso bruxo foram deixados de lado na versão das telonas.

Amadurecidos, os três personagens centrais são mais complexos e foram melhor interpretados por Daniel Radcliffe e Emma Watson, em comparação aos outros filmes. Mas o destaque vai para Rupert Grint. Ainda responsável pelas piadas previsíveis e por deixar as cenas menos tensas, o Rony Weasley do sétimo filme sente ciúmes e raiva. Grint se saiu bem quando lhe foi exigida maior dramaticidade, principalmente na cena em que briga com Harry Potter e vai embora, deixando seu melhor amigo para trás com Hermione Granger.

O diretor também explorou cenas de suspense e sustos, comuns em thrillers de terror. Algumas delas fizeram com que os espectadores – até os mais adultos – pulassem de suas cadeiras no cinema. Há mais efeitos especiais neste novo filme do que nos outros, mas eles não chegam a poluir e sobrepor-se nem à história, nem à belíssima fotografia. Quando Hermione lê o conto dos três irmãos, que revela o que são as relíquias da morte, os efeitos gráficos utilizados são de muito bom gosto e se encaixam de maneira satisfatória na narrativa.

Talvez, o maior deslize de Yates foi ter se prolongado um pouco além do necessário nas cenas em que Harry e Hermione estiveram sozinhos. Apesar de, no livro, essa ser uma parte da história com ausência de conflitos, na versão cinematográfica, a passagem com falta de ação se tornou um pouco mais cansativa do que poderia ter sido.

O momento em que a história é cortada foi bem escolhido. Não permitiu que na primeira parte nada acontecesse e conseguiu deixar um suspense para julho de 2011, quando chega aos cinemas a segunda e derradeira parte. Aos que só acompanharam a história através das telonas, um aviso: todas as resoluções foram deixadas para o ano que vem.

O maniqueísmo excessivo da série de livros é bem marcado: quem é mal, é muito mal. Aparece em lugares escuros, com figurino horripilante e é debochado a todo o instante – destaques ao sanguinário Voldemort (Ralph Fiennes) e a obcecada Belatriz Lestrange (Helena Bonham Carter). Assim como em histórias infantis, quem é bom, é bom até demais. Não mata e é sempre complacente. Até aí, nada diferente do que a história de Harry Potter proporciona. No que lhe é exigido, o blockbuster atende e até supera as expectativas.

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE PARTE 1
Crítica do Cinema com Rapadura

Cinema com Rapadura ~ Lais Cattassini
16 de novembro de 2010

A primeira parte do último capítulo da saga de Harry Potter cria a atmosfera de guerra para a maior das batalhas do pequeno bruxo. “Harry Potter e as Relíquias da Morte” é um excelente filme de guerra, que mostra o amadurecimento de uma história que cresceu com os fãs e ganhou vida com os atores, também mais maduros e experientes.

“Harry Potter e as Relíquias da Morte” é um excelente filme de guerra. Isso mesmo. Filme de guerra. Inúmeras serão as críticas e artigos que avisarão que este é o longa mais sombrio da série. Os jornalistas não estão enganados, porém não podiam ser mais óbvios. O adjetivo “sombrio” é usado para descrever a série desde “O Prisioneiro de Azkaban”. À medida que Harry foi crescendo, os perigos e as perdas que enfrentou também foram se tornando maiores. Voldemort, o vilão eterno, ganhou força e, nesse sétimo capítulo, se tornou um mal mais do que ameaçador.

Claro, os filmes da saga foram se tornando cada vez mais sombrios. Nada, entretanto, se compara a esse. Nessa aventura, Harry, Ron e Hermione se tornam heróis plenos, responsáveis não apenas por salvar a escola de magia e bruxaria de Hogwarts, mas por salvar o mundo.

O grande mérito, não apenas de J.K. Rowling, que construiu a história até esse ponto, mas também de todos os cineastas responsáveis por levar os livros à tela, é fazer com que os espectadores acompanhem os sete anos da vida desses pequenos bruxos. Vimos Harry sofrer vivendo com os tios, descobrir a magia dentro de si, fazer amigos, aprender feitiços, se apaixonar, perder entes queridos… Foram sete episódios com muita história que prepararam leitores e audiência para o grande final. A apresentação dos personagens e o desenrolar de suas vidas é essencial para emocionar nessa primeira parte do encerramento da série.

Em seu último ano em Hogwarts, Harry decide não voltar à escola, mas partir para encontrar as sete horcruxes, pedaços de alma de Voldemort. É sua função encontrar todos os objetos que ainda faltam (quatro) e destruí-los. Só assim o lorde das trevas será derrotado. Claro que Harry não vai sozinho. Ron e Hermione são parte fundamental da aventura. O cenário para a jornada do trio não poderia ser pior. Nenhum dos três tem ideia de por onde começar e, enquanto isso, família e amigos correm riscos.

As primeiras cenas desse longa metragem mostram Hermione apagando a memória dos pais. Para garantir que eles sobreviverão à guerra, a feiticeira apaga seu rosto em cada uma das fotos de sua casa. Emma Watson faz a cena brilhantemente. Se antes a atriz abusava das caretas, nesse filme ela está fantástica. Sua atuação é sutil e, nos pequenos gestos no decorrer do filme, ela demonstra o pesar de quem abandonou a família e não sabe ao certo se terá um futuro com Ron.

O romance entre os dois, aliás, é algo que finalmente transparece. Nos filmes anteriores, Harry, por ser o heroi da saga, sempre ganhava a atenção de Hermione. Aqui é visível o interesse dela em Ron, assim como o ciúme dele por Harry, um mérito de Rupert Grint.

Todos os três astros de “Harry Potter e as Relíquias da Morte” amadureceram. É impressionante vê-los carregando toda essa dor ao longo do filme. Uma dor que, com certeza, foi acumulada após cada uma das perdas narradas no decorrer da aventura. A grande atuação dos três, entretanto, ganha ainda mais peso com o elenco de apoio. Além dos já conhecidos personagens, que voltam para proporcionar alívio cômico e dar ainda mais vida à realidade mágica, conhecemos outras figuras, como Mundungus Fletcher. Se o mundo mágico tivesse jogo do bicho, Mundungus seria bicheiro. As correntes de ouro, a careca mal cuidada, a vaidade cafona. O personagem transparece a charlatanice até no jeito de falar.

Xenófilo Lovegood, pai de Luna, é outro achado. Tão perdido quanto a filha, o personagem, interpretado muito bem por Rhys Ifans, mistura a comédia e o drama em uma única cena. É irresistível assistir à construção da cena e do personagem. Há tantos momentos fantásticos de atuação que é difícil comentar cada um deles. Jason Isaacs como Lúcio Malfoy, James e Oliver Phelps como os irmãos gêmeos de Ron e Julie Walters como Molly Weasley são alguns dos nomes que com certeza arrancarão soluços. Se não nessa primeira parte de “Relíquias da Morte”, com certeza na segunda.

Uma decepção, entretanto, é a atuação de Helena Bonham Carter como Bellatrix Lestrange. Se a atriz já estava insuportável nos filmes anteriores, agora ela destoa de toda calma e sutileza do resto do elenco. Ao dividir a cena com Emma Watson, por exemplo, que demonstra uma Hermione madura e sábia, a atriz parece uma criança. Não há nada ali de natural. Ela é caricata, exagerada e, francamente, patética.

Os dramas e interações entre os personagens são tão bem construídos que não dá para esquecer por um minuto o que aqueles momentos significam. Há tensão ali. A tensão de uma guerra iminente. As cenas de ação fazem jus à atmosfera construída. O texto, convenhamos, não era lá dos mais ricos nesse aspecto. No livro, Harry, Ron e Hermione ficam mais tempo acampados e decidindo o que fazer do que com a mão na massa de fato. A falta de ação na história fez com que os fãs ganhassem ainda mais com a divisão da trama em dois filmes. Essa é, com toda a certeza, a mais fiel das adaptações. Com mais tempo, roteirista e diretor puderam trabalhar em cada um dos detalhes da trama.

O diretor David Yates fez um trabalho fantástico. Ele foi responsável pelo amadurecimento não apenas dos atores, mas também da trama. Compare o primeiro filme da série, dirigido por Cris Columbus, e esse último. São completamente diferentes. Uma obra que vai da ingenuidade ao pesar. Pesar combina mais com a história triste de Harry Potter. Desde que assumiu a saga, Yates tem conduzido o drama com qualidade. A cada filme o diretor colocava Harry Potter um passo a frente para alcançar os grandes épicos.

A prova do desafio enfrentado por Yates foi dividir a última parte da saga em dois. O diretor conseguiu incluir, no ponto de corte, drama e ação. O final dessa primeira parte não é nada brusco. Faz sentido e nos deixa com vontade de mais.

Não tenho dúvidas de que “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, partes 1 e 2, estarão entre os filmes mais marcantes da história do cinema, seja pela contribuição de Harry Potter na formação da cultura pop, pela qualidade dramática do longa metragem ou pelas excitantes cenas de ação. Assistimos ao desenrolar dessa guerra, que ainda não terminou e que, com certeza, renderá momentos ainda mais marcantes em sua segunda parte.