As Relíquias da Morte ︎◆ Filmes e peças ︎◆ Parte 1

Confira a crítica do trailer internacional de RdM: Parte 1

Na noite de quarta-feira, o mundo virtual foi inundado de comentários sobre o primeiro trailer de Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1. Com uma base de fãs tão ampla e fiel, não poderia ser, de forma alguma, diferente.

Hoje o nosso crítico de cinema Arthur Melo pôde enfim sentar para dedicar seu tempo a escrever sua crítica sobre o novo material. Sendo ao mesmo tempo fã da série da sétima arte, Arthur elabora uma análise profunda sobre os 2 minutos e 25 segundos de projeção, e ainda comenta sobre a (falta de) divulgação do novo longa.

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A trilha sonora está bem distante de causar arrepios como a do teaser e até os efeitos das mensagens de ação (aquelas letrinhas que aparecem dizendo alguma coisa relacionada à promoção do filme) não surtem – e nem utilizam – o mesmo efeito para estalar os olhos. As câmeras panorâmicas que em um impulso aceleram a aproximação é um desperdício de segundos preciosos em um vídeo aguardado como este e não causam a impressão que quem as planejou gostaria. O mesmo pode ser dito de flashbacks dos filmes anteriores, inseridos aqui e ali.

Confira o o texto na íntegra clicando em notícia completa!

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE
Crítica do trailer internacional da Parte 1

Potterish.com ~ Arthur Melo
24 de setembro de 2010

Antes de mais nada, vou esclarecer que irei me restringir apenas ao trailer. Toda essa comoção momentânea que o lançamento de um material do tipo causa em todos os fãs da série eu vou pular. Primeiro, porque já dei uma leve (bem leve) pincelada neste ponto no meu último texto, acerca do teaser trailer das duas partes juntas. Segundo, porque, além de perder o foco, eu perderia também uma excelente pauta para uma ótima publicação para o “pós-lançamento” do filme (ou a Parte 1 ou 2, me decidirei em breve) – porque, lógico, se resumir apenas em redigir a crítica do filme não me fará satisfeito. Quero esclarecer, ainda, que algumas questões mencionadas aqui tratarão do trailer e de sua montagem em si, não do filme; apesar de haver também alguns apontamentos sobre o longa.

De início, me permito ao direito de ganhar ou perder de vez o interesse nesta leitura: o impacto deste trailer, em mim, não foi o mesmo (e pareço ter sido o único – ou um deles). Isto é importante ser esclarecido, pois conduzirá a uma melhor compreensão da linha que seguirei adiante. E, claro, o fato do portador desta publicação ser um fã site me dá o conforto, como fã em uma posição especial (já que, a priori, sou eu que escrevo e vocês que lêem), de me reportar nestes parágrafos iniciais de fã para fã – o que eu não poderia fazer em seja qual for a crítica de qualquer arte em qualquer outro ambiente. A crítica, de fato, se inicia a partir de agora.

O início é familiar. Logo da Warner em tom prata-azulado (podendo variar de acordo com “n” fatores externos) ladeado por nuvens carregas, prontas para descarregar uma centena de imagens que poucos estariam esperando ver, mas não por isso menos ansiosos. E eis que a primeira imagem estabelece uma conexão direta com a prévia lançada ano passado junto ao Blu-Ray norte-americano de Enigma do Príncipe. O aspecto atmosférico tenta, aqui, inserir a minha linha narrativa que o filme irá buscar. O Ministério está tomado, como consequência, a ordem (em minúscula, não confunda) também. Os planos do Lorde das Trevas começam a interferir diretamente na vida de Harry e aqueles que estão próximos, mesmo que não tenha de se fazer presente diante do adolescente. Curiosamente, o vídeo constrói uma estrutura que parece querer dar ao personagem central o bom senso de prestar-se à confiança de seus amigos para que esteja hábil para enfrentar o que estar por vir (uma mensagem clara que Dumbledore deveria ter dado ao Harry no sexto filme – ficou apenas nas páginas da história original). O que se segue, após isso, são flashes intensos e velozes, que só quem já está mergulhado na trama do sétimo livro pode absorver de primeira; um duplo ataque. Além de saciar a sede dos fãs ávidos por inundarem os olhos com imagens que mal conseguem se conter para presenciar na tela, choca o público mais afastado, abastado dos livros, com sequências atraentes, empolgantes e tensas (destaque para a chegada do Patrono à festa de casamento, que só nestes poucos segundos já demonstra carregar uma densidade ideal para a sequência e, em seguida, para o clima da história).

Entretanto, a montagem não foi das melhores. A trilha sonora está bem distante de causar arrepios como a do teaser e até os efeitos das mensagens de ação (aquelas letrinhas que aparecem dizendo alguma coisa relacionada à promoção do filme) não surtem – e nem utilizam – o mesmo efeito para estalar os olhos. As câmeras panorâmicas que em um impulso aceleram a aproximação é um desperdício de segundos preciosos em um vídeo aguardado como este e não causam a impressão que quem as planejou gostaria. O mesmo pode ser dito de flashbacks dos filmes anteriores, inseridos aqui e ali. Ainda, o trailer sofre com a carência de uma guinada nos segundos finais, faltando-lhe aquela dinâmica acelerada, preferindo separar suas cenas de ação de forma balanceada pela minutagem. Ao menos, é suficientemente claro em denotar o quanto Relíquias da Morte – Parte I está ainda mais distante do que os longas de Harry Potter já foram em seu princípio. As evoluções técnica e artística já estão tão claras que por vezes nos pegamos pensando se os dois primeiros longas de fato pertencem à franquia.

Receios como a qualidade da fotografia vieram abaixo, provando que muitas das fotos vazadas ou liberadas anteriormente não refletiam o filme como deveriam (diferente do marketing de Enigma do Príncipe). Mas, em caminho contrário, Dobby é assustador. É incrível como em oito anos de diferença entre Câmara Secreta e Relíquias da Morte, com inúmeros e absurdos avanços tecnológicos e um orçamento quase 3 vezes maior, o elfo consiga aparentar estar tecnicamente pior do que no segundo filme. Mesmo em uma fração de segundos, é notável a falta de textura e senso de realidade em um ser digital tão “limpo”. Deve-se crer que este tenha sido um uso de uma cena não finalizada pela computação gráfica, uma vez que o material para a confecção do trailer teve de ser liberado pela produção à equipe de marketing há meses e, também, porque não houve uma reclamação sobre os efeitos visuais de Dobby no test-screening de Chicago, pelo contrário. Fora as declarações do produtor David Heyman, que disse estar impressionado com a qualidade que o elfo tomou neste filme graças à equipe de CGI.

Uma coisa é certa. Este não é o único trailer da primeira parte. Um novo (e melhor, lógico) deve sair em breve (em breve mesmo, já que restam pouco mais de 50 dias para a estreia). E, como adendo, bato palmas para o sujeito que imaginou aquela animação final com o logotipo do filme, que conseguiu superar a do trailer anterior.

Agora, por favor, vamos pensar em pôsteres. É assustador, incrível e muito, muito esquisito pensar que a superprodução mais aguardada do ano, com menos de dois meses para a sua estreia, não tenha um pôster sequer (o do castelo não conta). Está começando a ficar realmente difícil para quem trabalha com cinema e precisa do material de divulgação de Harry Potter seguir adiante com uma cobertura mais interessante visualmente. Nunca vi algo parecido. Vamos enxergar Tron – O Legado: o filme estreia um mês após Harry Potter e já tem pôsteres e banners sendo divulgados desde fevereiro. Entendo que o Sr. Potter é o Sr. Potter. Mas dois trailers não surtem tanto efeito comercial assim. Ainda mais considerando a concorrência por salas em 3D ao final do ano. E, sim, há muitos filmes também em 3D que virão depois de Relíquias da Morte – Parte I (o próprio Tron e Crônicas de Nárnia 3 são exemplos perigosos – não os subestime) e, se não estamos enganados, é sempre o 3D mais recente que tem o direito de ficar com as chaves da sala de projeção, correto? Nesse caso, Harry e Voldemort têm apenas um mês para trocarem farpas em 3D antes de literalmente perderem o posto. Pois é. Já passou da hora da Warner entender que concorrência é sempre concorrência.