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Só Harry Potter é Harry Potter

Você leu “Harry Potter” há muitos anos e ainda gosta. De vez em quando, tira um volume da estante e volta a ler sua passagem preferida, ou, quem sabe, o livro todo. Não é tão fã dos filmes, mas já os viu no cinema mais de uma vez. Garanto que muitos se identificaram, não é?

O que será que há na na saga que a torna tão envolvente e especial? Luiz Guilherme Boneto faz um ensaio sério à altura dos livros. Leia e deixe seu feedback para o autor – ele é muito importante para nós!


Por Luiz Guilherme Boneto

Há dois anos e meio, foi lançado o último volume da mundialmente aclamada série “Harry Potter”. Desde a publicação de “A Pedra Filosofal”, em 1997, a saga do bruxinho britânico alcançou patamares elevadíssimos através de prêmios literários, recorde de vendas e reconhecimento internacional. Contabilizar os números da série seria uma tarefa muito difícil. Alguém conhece, por exemplo, a proporção aproximada da quantidade de crianças, das mais diversas culturas e línguas, que se tornaram leitoras vorazes após devorar um livro da saga?

Quais são, afinal de contas, as verdadeiras razões para que “Harry Potter” tenha se tornado este sucesso retumbante? Por que tanto escritores ao redor do planeta tentaram repetir o feito de J.K. Rowling e ninguém conseguiu? Qual será o motivo para que, a cada instante, uma pessoa comece a ler um livro da série em algum lugar do mundo?

Não se trata de um encantamento poderoso, destes que apenas Alvo Dumbledore em pessoa poderia produzir. J.K. Rowling, única como ela só, conseguiu reunir em seus livros um conjunto de fatores, capaz de atrair qualquer leitor: a começar pelos personagens deliciosos, passando pela descrição das cenas, os diálogos, os cenários, além do enredo de cada volume em si e o de todos em geral.

Falar dos personagens de J.K. Rowling, no entanto, é sempre uma grande covardia. Eles são inúmeros, e todos aqueles que passaram do grau de “figurante” tiveram relativa importância para o andamento da história. Os livros de Harry Potter possuem a interessante peculiaridade de despertar sentimentos em seus leitores. Severo Snape, por exemplo, é a figura que mais recebe doses equivalentes de amor e ódio por parte dos fãs. Sua declarada rejeição pelo protagonista o torna alvo de raiva, mas a ironia e a perspicácia de Snape colecionam fãs para o personagem que é, possivelmente, o mais complexo criado por J.K. Rowling. Hermione Granger, a principal peça feminina da saga, mostrou-se fundamental e surpreendente nas mais variadas ocasiões. Sua inteligência foi o gancho para que Harry descobrisse como chegar à Câmara Secreta, por exemplo, ou para que o trio desvendasse o segredo das Relíquias da Morte. Estas duas figuras são, unicamente, dois grandes exemplos de como os personagens possuem importância fundamental na série “Harry Potter”, mais até do que em outros livros, e citar um por um ficaria muito difícil. Há ainda outros de participação fundamental, como Rony, Hagrid, Dumbledore, McGonagall, os Weasley, os Malfoy e todos os outros que, com suas características únicas, ficarão para sempre marcados na mente de cada fã da saga.

Além destas fantásticas figuram que povoam a série, “Harry Potter” tem ainda outros fatores responsáveis pelo sucesso. J.K. Rowling consegue dar aos seus livros uma capacidade interessante de prender seus leitores. Ela escreve de um modo fascinante que, de repente, nos leva a constatar que aquele volume da saga acabou, e já é hora de iniciar o próximo. A maneira como Jo descreve as cenas e situações, com maestria e criatividade, torna o folhear de cada página um ato despercebido. As batalhas do Departamento de Mistérios, em “A Ordem da Fênix”, e de Hogwarts, em “As Relíquias da Morte”, cheias de detalhes e passagens surpreendentes, são dois fortes exemplos, possivelmente os maiores da série, de como a escrita de J.K. Rowling é capaz de prender.

É claro que seria impossível enumerar as infinitas razões do sucesso da série “Harry Potter”. A principal delas, no entanto, já torna a saga um fenômeno impossível de se copiar: a inteligência de J.K. Rowling. Quem tenta fazer algo parecido com a série não pode ser classificado como “burro”, longe disso. Mas a mente de cada pessoa é única e infinitamente diferente de qualquer outra. Outros livros, muito bons por sinal, conseguiram fazer sucesso e se tornaram fenômenos literários. Mas não tem jeito. Ninguém consegue ser como “Harry Potter”, porque só “Harry Potter” é “Harry Potter”. E como ele, não haverá outro.

Só Luiz Guilherme Boneto é Luiz Guilherme Boneto.