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Ainda choro a morte de Dobby

Pense na sua personagem favorita de Harry Potter. Imagine o porquê você gosta de acompanhar sua jornada, o que identifica nela de especial e o que fizeram com ela que o deixou mais triste. Enfim, quem o guiou na jornada de Harry Potter, além do protagonista.

Esse é o exercício que Igor Silva faz em relação a Dobby na nossa nova coluna do Potterish. O que você acha do elfo doméstico que era dos Malfoy e foi libertado por Harry? Leia e comente!


Por Igor Silva

Nunca escondi de ninguém a minha paixão por Dobby. Sempre deixei claro o meu desgosto todas as vezes em que a Warner cortava o elfo dos folhetins dos filmes.

O meu primeiro contato com o elfo dos Malfoy, ainda me lembro bem do dia, foi em 08 de Setembro de 2005, numa Quinta-feira chuvosa, no meu terceiro horário (por volta das 15h00min), logo que iniciei a leitura do 2ª livro da série. Na época com tenros 12 anos de idade, era pottermaníaco recente e, talvez por ingenuidade ou falta de “experiência mágica”, não conseguia ver a simpática criaturinha com maus olhos.

Conforme a trama da “Câmara Secreta” foi se desenrolando, fui me apegando de tal forma ele, me divertindo com suas tentativas (atrapalhadas) de salvar Harry, que aos poucos meu apreço era tamanho que, para mim, o elfo era quase real.

É impossível não se emocionar com aquela vozinha esganiçada e aqueles olhões em formato de bolas de golfe brilhando de excitação por poder ajudar. Impossível não o comparar a Monstro (por quem nutro certo desprezo desde a morte de Sirius) que é um elfo áspero e arrogante.

O que mais me emociona em Dobby não é o fato de sua aparência ser excepcionalmente excêntrica nem a sua (notável) alegria, mas sim a sua solidariedade para com todos. Dobby não julgava as pessoas pela origem de seu sangue e não se importava de ficar uma semana sem dormir ou passar sua mão a ferro, desde que suas atitudes fossem para ajudar alguém.

Ele é exemplo de amigo fiel. Winky, a elfo de Bartô Crouch, o reprimiu e o desprezou por ser livre, mas nem por isso deixou de ajudá-la quando a mesma recebeu roupas. Podia se vingar, humilhar Winky na mesma moeda, mas preferiu pagar a repugnância com amor e dedicação.

Dobby nos mostra que, indiferente ao dinheiro, a sensação de dever cumprido é sempre mais gratificante que o acovardamento frente ao medo da punição. Ele não se importava de ser diferente dos seus, gostava de ser útil, mesmo livre. Este, talvez, seja uma das suas tão singulares nobrezas que o faziam tão especial.

A lealdade presente nesse elfo vai além dos padrões que bruxos como Voldemort podem imaginar. O valor que Dobby tem para mim ultrapassa o meu (evidente) amor pela série ou qualquer personagem nela incluso.

Qualquer pessoa que se aventure a pegar o meu exemplar de “Relíquias da Morte” certamente encontrará, na página 370, copiosas manchas provenientes de meu pranto ao ler o trecho “[…] seus olhos eram apenas grandes globos vítreos salpicados com a luz das estrelas que eles já não podiam ver…”. Arrisco-me a dizer que estava mais temeroso quanto ao destino do elfo que a possibilidade da morte de Harry e fiquei decepcionado com o fim. Eu não sei explicar, foi como ter perdido um amigo próximo… Um amigo cuja vida confiei a Hermione Granger e o seu movimento de caráter social F.A.L.E.

Vale aqui o parêntese: Será mesmo que precisamos do F.A.L.E. para extinguir as injustiças praticadas contra milhares de Dobbys espalhados pelo mundo?

Ele se foi, mas deixou uma mensagem que é meu mantra: A mais valiosa magia não é aquela resultante do movimento de uma varinha e sim, a produzida pela grande capacidade que o coração tem de amar…

Entro agora em uma fase pré-luto na qual me preparo emocionalmente para despedir-me dele no segundo longa-metragem de RdM e já vou avisando: a não ser que você queira levar um banho de lágrimas em 2011, não sente na minha frente quando for ver o filme no cinema.

O pequeno elfo doméstico pode ter partido, mas aquele seu olho grande e excitado será sempre uma lua cheia que guiará meus passos nessa tortuosa e escura trilha chamada vida.

Igor Silva foi um elfo doméstico em outra vida.