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Para sempre

Quando nossa querida Jo Rowling surgiu como escritora, quase ninguém lhe deu a confiança que merecia. O impacto de seu livro desacreditado, no entanto, foi o que realmente surpreendeu diversos leitores por todo o mundo – e, felizmente, continua surpreendendo por meio dos filmes nas telonas. Luiz Guilherme Boneto, com verdadeira paixão pelo que move todo fã de Harry Potter, mostra aqui como nosso globo é bem mais potteriano que terrestre. Não se esqueça de deixar seu comentário sobre essa que é a nossa sexta postagem dentre as 7 colunas-teste de nossos novos colunistas!

Como vocês puderam perceber, não é a mais a Isadora Cecatto quem escreve. Ela pede licença para se retirar do posto de editora e ficar somente como colunista. A partir de agora, Sheila Vieira e Bruna Moreno se revezam neste cargo cobiçado, que é editoria das Colunas. Quem posta é a Bruna, por meio do login da Sheila, para mostrar desde o começo que nossa parceria certamente será indissolúvel.

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Por Luiz Guilherme Boneto

Há dezenove anos, a Inglaterra despercebia o nascimento de um gigante em seu seio. Mas não um gigante qualquer, destes que atingem vários metros de altura e esmagam os humanos desavisados com seus porretes. Era infinitamente maior, de proporções difíceis de medir. Um gigante que fluía de uma cabeça ruiva e genial, visto por trás de um par de olhos azuis durante uma monótona viagem de trem, algo que até então o mundo desconhecia, mas que acabou por fazer uma diferença crucial na vida de milhões de pessoas.

O gigante não se limitou às fronteiras inglesas. Quando um certo agente literário disse sim à cabeça ruiva e deu asas àquilo que vários outros simplesmente ignoraram, o mundo todo começou a reparar num estranho fenômeno. As crianças estavam lendo! Sim, e não só liam aquele livro como pareciam aguardar ansiosamente pela sua sequência! Mas quem conseguiria escrever uma coisa capaz de agradar crianças e adolescentes, numa época em que computadores e videogames ofereciam-se como uma forma de lazer muito mais tentadora? Como aquele menino bruxo, seus amigos e sua escola conseguiram atrair milhões de pessoas, de culturas absolutamente distintas, para uma mesma série de livros que acabou por conquistar o planeta?

A cabeça ruiva, mais conhecida por J.K. Rowling, hoje adota um penteado louro. Mas sua inteligência continua intacta por baixo dos cabelos bem cuidados. A história que ela criou sozinha levou o hábito da leitura a milhões de pessoas, que antes sequer conheciam o prazer que um livro pode proporcionar. Harry Potter alcançou lugares que publicações mais prestigiadas jamais conseguiram atingir. A série recebeu inúmeros prêmios ao longo de cada novo lançamento, e dois anos após o seu fim, ainda é lembrada nos quatro cantos do mundo pela sua abrangência e sua importância para o mercado de livros. Os sete volumes de Harry Potter representam um dos maiores fenômenos literários da história da humanidade. Vendeu mais de 400 milhões de exemplares ao redor do planeta, em pouco mais de uma década. É uma estatística arrasadora; se os livros vendidos formassem a população de um país, este seria o terceiro maior do mundo.

O sucesso, como não poderia deixar de ser, rompeu o limite das prateleiras e chegou ao cinema. Em 2001, Harry Potter e a Pedra Filosofal conquistou a vice-liderança entre os grandes sucessos de bilheteria, atrás apenas do clássico Titanic. Seus sucessores, é verdade, não conseguiram atingir patamares superiores, mas o impacto de cada novo filme é sempre muito sentido e divulgado. Restam, agora, apenas duas adaptações para completar a série também no cinema, já que o sétimo volume foi dividido em duas sequências. Para muitos, o cinema é o único fator que mantém Harry Potter vivo, e segundo o que comentam estas pessoas, a série acabará definitivamente após o lançamento do último filme. É perfeitamente plausível, no entanto, discordar deste argumento.

Harry Potter estará sempre vivo. Ao redor do mundo, sempre haverá alguém pronto a ler e reler um dos livros da série, porque uma magia como esta perdeu a simples capacidade de morrer. Harry Potter correu o planeta nestes doze anos de publicação, e com seus feitiços e passes de mágica, encantou milhões de pessoas. Somos os potterianos, uma nação pensante e formada por devoradores de livros. E acima de tudo, somos gratos a este bruxinho de óculos redondos e à cabeça ruiva que nos deu este presente tão maravilhoso. Assim como a nossa gratidão, Harry Potter é gigantesco. E em nossos corações, continuará morando. Para sempre.

Se Luiz Guilherme Boneto viu mais longe, foi porque esteve apoiado sobre ombros de gigantes.