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Abraço entre irmãos, sim senhor!

Começando o festival de “Marianas” da nova equipe do Potterish.com, temos a coluna de Mariana Rezende, nossa quinta colunista nova do site! Falando do suposto romance entre Lupin e Sirius, assunto que está entre os mais polêmicos da saga Potter, a autora traz à tona uma discussão a qual sempre rendeu muito entre os fãs: a guerra dos shippers. Leia a coluna completa aqui e acompanhe a linha de raciocínio de Mariana, que não aprova muito a razoavelmente aclamada teoria de homossexualidade e romance entre os dois Marotos.

Por Mariana Rezende

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Abraço entre irmãos, sim senhor!

A suposta relação amorosa entre Remus Lupin e Sirius Black não é novidade, tampouco fruto da mente de poucas mentes criativas. Quem acompanha a série desde os dez, onze anos – como esta que vos escreve – sabe que esse casal só não é Canon por que a J.K. não quis: incontáveis são as fanfics abordando o tema, até mesmo em âmbito internacional, assim como são inúmeras as discussões, suposições e análises espalhadas por aí em fóruns, comunidades e acalorados debates pelo MSN.

Tenho uma antiga – e escancarada – adoração por Remus Lupin, o que me levou a querer estudar e entender absolutamente tudo envolvendo a vida dele. Então é com pesar que informo a falta de imparcialidade desta coluna. Não acredito que Lupin possa ter tido, em qualquer momento, algum envolvimento homossexual com Sirius Black – nem com ninguém. Abraço entre irmãos, sim senhor!

Os principais argumentos dos defensores do casal são baseados na cena do terceiro filme (Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban) quando Lupin e Black se abraçam na Casa dos Gritos; durante o primeiro encontro (palavra usada aqui sem conotações românticas, devo enfatizar) dos dois após a morte de James e Lily. No livro, a frase exata é: “O professor foi até Black, apanhou a varinha dele, levantou-o de modo que Bichento caiu no chão e abraçou Black como a um irmão” (PdA, p. 277). Mas, em sua versão cinematográfica dirigida por Alfonso Cuarón, o abraço denota uma intensidade carinhosa que só dois irmãos acusados de incesto poderiam ter. Outros argumentos defendem, ainda, a presença do romance nas entrelinhas da história sempre que Lupin e Black aparecem juntos, o fato de Remus ser aparentemente o único capaz de controlar o temperamento impulsivo de Sirius e ainda a suposta insinuação de Sirius ao dizer para Harry – depois da “pior lembrança de Snape”, no quinto livro – que durante a juventude todos os Marotos agiam como idiotas, exceto Remus. Há ainda, dentre outras, a acusação de Remus não ter sido feliz ao lado de Tonks, pois não a amava de verdade. Ou, pior, que só teria se casado devido a morte de Sirius.

O que me incomoda nesses argumentos é a falta de compatibilidade com a personalidade do nosso amado lobinho. Sabemos que ele é justo, corajoso, leal, gentil e que sofreu muito desde pequeno com o preconceito contra lobisomens disseminado pela sociedade bruxa. James, Sirius e Peter foram seus primeiros amigos, os quais enxergaram por trás de sua máscara e permaneceram ao lado dele mesmo assim. Some isso ao fardo de viver em uma época povoada por guerras, mortes e desespero, e então será possível começar a entender o tipo de laço forte de uma amizade como esta. Eles eram soldados, afinal de contas, prontos para sacrificar suas vidas em nome dos outros. Supor que os dois nutrissem relações românticas é quase insinuar que não pode haver uma amizade verdadeira entre homens. Que eles não possam se amar como irmãos sem segundas intenções ocultas.

Além disso, J.K. deixou claro em uma entrevista (depois de divulgada a notícia bombástica sobre as opções sexuais de Dumbledore) que o grande problema para um bruxo seria ter o sangue impuro, a árvore genealógica manchada por parentes trouxas ou abortos. O preconceito não residia na homossexualidade. Remus e Sirius poderiam – e teriam, aliás – assumido um envolvimento caso existisse. E, mesmo com todas as dificuldades para aceitar quem realmente é, Remus jamais casaria nem teria filhos com Tonks se não a amasse verdadeiramente. Ele não é esse tipo de cara. Porque, se fosse dessa forma, James e Sirius poderiam ter se envolvido, não? Sirius afirmou para Harry que não passava um dia sem pensar em James. Isso não é suspeito?

Não tenho a intenção de desrespeitar a opinião de ninguém, muito menos julgar que a minha é a mais importante ou a mais correta. Sei como o assunto é polêmico, mas o objetivo é incitar a discussão civilizada, a exposição de dados e até mesmo incentivar pessoas que nunca haviam parado para pensar nessas teorias a vasculhar os livros em busca de pistas. Vamos usar e abusar do maravilhoso universo que J.K. Rowling nos deixou como legado, cheio de magia e histórias incompletas para preenchermos à vontade.

Mariana Rezende foi amiga íntima de Remus Lupin e garante que de homossexual o lobo não tem nada.