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Equipe técnica discorre sobre a série Harry Potter

Como parte do programa Century of Cinema, hoje foi ao ar na BBC Radio 2 uma entrevista com o produtor David Heyman, o diretor de arte Stuart Craig e o criador de efeitos visuais Nick Dudman conduzida no set de filmagens de Harry Potter e as Relíquias da Morte.[meio-2]

Heyman conta que no início de tudo, ele não sabia que ia fazer uma franquia, revela que vê a saga como uma grande história dividida em várias partes, e diz que não encara Harry Potter como uma marca, ao contrário de muitas mídias a verem assim.

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Stuart Craig diz que se no início tivessem lhe falado que ele iria trabalhar nisso por 10 anos, teria recusado o trabalho. No entanto, depois de todo esse tempo, os filmes não se tornaram cansativos por receberem sangue novo a cada produção, declarando ter realmente desfrutado de tudo.

Nick Dudman acha que a autora JK Rowling realmente levou o gênero da fantasia ao alcance de crianças e adultos, tornando-o acessível a todos, e a bilheteria dos filmes mostra como o público adora esse gênero. Para finalizar, ele diz estar muito orgulhoso por ter feito parte dessa franquia única, e comenta que “é como colocar um carimbo no cinema britânico“.

A transcrição da entrevista pode ser lida em notícia completa!

HARRY POTTER
Entrevista com equipe técnica

BBC Radio 2
23 de fevereiro de 2010
Tradução: Daniel Mählmann

David Heyman diz que quando JK Rowling disse que ia escrever 7 livros, nunca lhe ocorreu que ele faria o segundo depois do primeiro, ou seja, ele não tinha percebido que faria uma franquia. Heyman diz que quando você faz um filme, você quer que ele seja autosuficiente, mas olhando para trás, ele espera que faça sentido como uma única história. Ele também diz que algo muito bom foi ter o mesmo elenco, Dan, Rupert e Emma, entre muitos outros que estão com eles desde o início.

Stuart Craig diz que, no início, se parte do negócio fosse trabalhar nisso por 10 anos, ele provavelmente teria dito não. Mas, milagrosamente, eles fizeram um filme Harry Potter atrás do outro, e apareceram novos talentos em todos eles, toda vez que eles começam um novo filme há novo sangue no elenco. E para sua grande surpresa, ele está aqui 10 anos depois tendo desfrutado de tudo.

Nick Dudman: JK Rowling tomou o gênero fantasia e o tornou aceitável a todos. A quantia de fantasia para crianças e adultos é muito grande em comparação ao número que havia antes de Potter. Os números da bilheteria contam o grande número de pessoas que adoram esses filmes. E o fato dos estúdios estarem procurando por franquias nesse gênero para substituir Potter ou colocar lado a lado com Potter diz muita coisa. Isso acontece desde Senhor dos Anéis, eu acho que, cinematicamente, ele mudou a aceitação do público por esse mundo novo.

David Heyman: Quando Jo Rowling escreveu o primeiro livro, ela sabia qual era o fim. Foi incrível quando eu a encontrei pela primeira vez depois dela ter publicado toda a história. Para ela, essa era uma única saga em sete partes, e para mim é uma saga em oito partes, e temos assistido jovens crianças virando adultos, e assistido a história que começa com um garoto sendo deixado numa soleira de Privet Drive e termina com ele derrotando o Lorde das Trevas e depois, alguns anos depois, com seus próprios filhos, sua própria família, enviando a próxima geração para Hogwarts. É uma saga sobre Harry Potter e os seus amigos crescendo com as experiências que tiveram. Eu realmente acho que é uma única história contada em várias partes.

Entrevistador David Puttnam: É um verdadeiro fenômeno. Eu gosto da ideia da JK Rowling sentada num café escrevendo uma história que depois é publicada em livro e depois, 15 anos depois, aqui estamos. É uma história tão mágica. É um mito, porque é uma história que mantém esperança eterna. Hoje tem pessoas sentadas em cafés de Londres, California ou Paris escrevendo algo que elas esperam encontrar mercado. Elas continuam fazendo isso por causa do sucesso de Jo e do sucesso de várias outras pessoas. É muito, muito importante que esses fenômenos aconteçam porque dão esperança e são eternos.

David Heyman: Quando li pela primeira vez Harry Potter, os livros que haviam sido publicados, eu certamente não tinha ideia de que se tornaria um fenômeno e que os sete livros virariam um sucesso, o que eu acho que providenciou a fundação para o sucesso dos filmes. Jo Rowling criou personagens tão vívidos em tais histórias maravilhosas com temas que são atribuídos universalmente. Fala sobre intrusos, sobre crueldade e o mal; Jo Rowling criou grandes histórias com grandes personagens, e é isso que está no centro da trama.

David Heyman, sobre Harry Potter ter se tornado uma marca: Sob meu ponto de vista, como cineasta, estou interessado principalmente em fazer a melhor adaptação dos livros de Jo. Toda vez contamos a história da melhor maneira que podemos. Essa é a chave e o fundamento, porque se fizermos um filme ruim fica tudo sem sentido. O orçamento aumentou, de fato, apenas porque recebemos mais pessoas conforme os filmes progridem; sim, agora nós temos discussões sobre o parque temático e tal, começamos a falar sobre a vida depois que os filmes terminarem, o que faremos com os DVDs, as Edições Definitivas, etc. Mas, para mim, a o foco principal sempre foi fazer o melhor filme possível.

David Heyman, sobre a continuidade da série: O primeiro filme continua sendo a melhor bilheteria, talvez por ser a primeira experiência com o mundo. As pessoas queriam ver o começo. Mas quando fizemos o primeiro filme, eu sabia que íamos fazer o segundo, nos comprometemos com a Warner Brothers a fazer dois filmes. Quando começamos a fazer o segundo, eu sabia que íamos fazer o terceiro, mas na época que fazíamos o terceiro, eu tinha uma breve noção de que íamos fazer o seguinte, sentia-me confiante sobre isso. Mas sobre o parque temático e as Edições Definitivas, nós não tínhamos discutido sobre isso até estarmos fazendo o quinto filme.

Nick Dudman: Acho que neste momento, conforme Potter chega ao fim, eu me sinto muito orgulhoso por trabalhar em algo que acho ser histórico no que se diz ao cinema britânico. É completamente único. Eu ficaria muito surpreso se isso acontecesse novamente, nunca aconteceu antes. É colocar um carimbo no cinema britânico. Essa década em particular, quando você olha para trás, o efeito de Harry Potter na indústria foi colossal, e isso carrega o mesmo dinheiro que os filmes de James Bond nos anos 60. Tenho muito orgulho de ser parte disso.