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Faz algum tempo que Yuri Rigon e Larissa Almeida não apareciam aqui no Potterish com suas ótimas colunas. Hoje os dois retornam para falar sobre o fim de Harry Potter, a chegada de novos livros e aquilo que fica de cada um! Leia a resenha aqui e comente!

O Harry nosso de cada dia
Por Larissa Almeida

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Ter derramado lágrimas amargas, esboçado sorrisos tristes, ou até mesmo ter permanecido inerte. Independente da reação que se teve, é inquestionável que todo grande fã de Harry Potter compartilhou a mesma sensação ao ler a última página do último livro: um incômodo aperto no peito. Para aqueles que acompanharam Harry até o fim, foi algo extremamente árduo ter a consciência de que não haveria mais aventuras ao lado das personagens com as quais convivemos durante tanto tempo (e às quais aprendemos a amar). Para alguns, a aceitação de que a série havia acabado foi mais difícil que para outros, mas não há dúvidas de que todo verdadeiro fã lamentou esse fim. Mas eis que surge o seguinte questionamento: 21/07/07 foi mesmo o fim? Harry Potter realmente acabou?

Tenho certeza de que para todos aqueles que leram Harry Potter não com os olhos, mas com o coração, a resposta é não. Os leitores que viveram (e ainda vivem) intensamente a magia que J.K Rowling disseminou são os que eu chamo de leitores-coração. Para esses, Harry Potter não é a série literária de fantasia mais bem-sucedida que já existiu. Para os leitores-coração, Harry Potter vai muito além de livros. É algo que simplesmente não tem definição exata. Posso dizer que Harry Potter é algo que mudou a minha vida. Posso dizer que Harry Potter é algo que ajudou a construir grande parte do meu ser. Posso dizer que é o que me faz companhia nos dias solitários. Ou que é algo que transforma tristeza em alegria. Ou até que é uma terapia. Posso dizer que são sorrisos que dei e lágrimas que derramei. Posso dizer que são lições que aprendi e amigos que ganhei. Mas posso, acima de tudo, dizer que é parte de mim e que não tem mais como deixar de ser. E isso você só pode entender se também for um leitor-coração.

Para nós, leitores desse tipo, o lançamento do último livro não implicou o fim de Harry Potter porque Harry Potter ainda permanece em nossas vidas. E isso se manifesta em nosso dia-a-dia. Quando vemos a Lílian que existe em nossas mães e nos damos conta de que elas morreriam por nós. Ou quando vemos a Molly que existe nelas e, apesar dos gritos e broncas, chegamos à conclusão de que temos a melhor mãe do mundo. Quando vemos o Arthur que existe em nossos pais toda vez que eles nos livram de algum castigo que nossas mães nos deram. Quando vemos o Rony ou a Hermione que existem em nossos amigos, e temos a certeza de que eles estarão conosco em todos os momentos. A presença de Harry Potter em nossas vidas também se manifesta em momentos simples e corriqueiros. Quando, ao calçar meias, lembramos de Dobby e sorrimos ao imaginá-lo com pares trocados. Ou, ao pegar numa vassoura, lembramos das aulas de Quadribol e nos imaginamos voando em busca de um pomo, rebatendo balaços ou defendendo goles. Ou quando, ao precisarmos de ajuda em algum dever de casa, pensamos no quanto Harry e Rony eram sortudos por ter Hermione por perto.

E assim Harry Potter se faz presente em nossas vidas. Seja em momentos felizes, que nos fazem recordar as alegrias que Harry já viveu; ou em momentos tristes, que nos fazem lembrar das dificuldades pelas quais ele já passou e de como ele as superou, nos dando forças para seguir em frente. É por isso que eu digo que Harry Potter não acabou. A magia que J.K. trouxe às nossas vidas continua a fazer parte do nosso dia-a-dia, mesmo após o fim literário da saga. Não precisarmos estar lendo os livros para embarcar no mundo de Harry Potter porque Harry se faz presente desde os momentos mais triviais do cotidiano aos momentos mais especiais que vivenciamos. E enquanto o Harry nosso de cada dia se fizer presente, a magia não terá fim.


Leitura e escrita

Por Yuri Rigon

Ano novo, vida nova e, é claro, livros novos. Mas, por mais um ano, creio que muitos já estejam acostumados, Harry Potter não aparece novamente, você não entra em filas quilométricas para comprar o livro nem participa de eventos esperando o bruxo. Nada parece poder substituir isso, é um sentimento que para você (ou melhor, para nós), como qualquer outro, é único. Porém, a questão não está em substituir, apenas em renovar.

Ler outras obras, ceder espaço a novas idéias e autores são formas de renovar sua pequena biblioteca pessoal, além de descobrir, quem sabe, novos best-sellers.Porém, isso não é o mais importante. O prazer da leitura vem da descoberta de novos caminhos para se contar um mundo que, aos nossos olhos, é o mesmo há muito tempo. É aquele detalhe que você nunca imaginou que fizesse tanta diferença, a satisfação que você sente quando descobre o quanto a trama foi bem elaborada e bate palmas para o autor, imaginando, um dia, chegar perto de sua genialidade.

Por gerações e gerações os livros passam, se tornam importantes, são esquecidos e, um pouco depois, voltam à vida novamente. Afinal, quem nunca desenterrou aquele exemplar antigo que seus pais guardam? Livros que eles juram ser ótimos e realmente o são, mesmo que o tempo tenha passado, o autor falecido e ninguém se lembre com exatidão quem o indicou.

O fenômeno criado por J.K. Rowling e por tantos outros autores não é nada mais nada menos que fruto de uma boa leitura e, sem dúvida, um talento próprio, específico. Às vezes, esquecemo-nos de que por trás de uma grande escritora há, antes, e maior ainda, uma leitora que, com o passar do tempo, adquiriu as mesmas habilidades dos escritores de sua época.

Esse talento específico, acompanhado dessas habilidades passadas de escritor para leitor , é o que faz a literatura mundial ser tão diversificada. Daqui há alguns anos, quando esse leitor for um escritor, ele não deixará com que a essência da leitura se perca, e ainda acrescentará um toque especial, pessoal.

Feliz ano novo a todos, muita saúde, paz e livros!