Filmes e peças ︎◆ O Enigma do Príncipe

Roteiro EdP Parte 9: Tradução das cenas 97 ~ 108

Chegamos à nona edição do nosso período de traduções do roteiro oficial de Harry Potter e o Enigma do Príncipe ultrapassando a centésima cena, e trazendo a vocês as mais românticas deste sexto filme, bem como o esperado duelo entre Harry e Draco.Dando continuidade ao sábado passado, hoje iniciamos o texto vendo o Harry levando um Rony sob o efeito da poção de amor ao escritório do Prof. Slughorn. Enquanto o professor prepara um antídoto, Harry observa o ambiente, e aqui há uma descrição que não foi exibida no filme.

Enquanto ele anda, Harry passa pela “prateleira” e vê, bem no centro, uma FOTO sua com Slughorn – a que foi tirada na festa de Natal. Bem no fundo há uma foto de Snape, um jovem estudante, segurando com firmeza seu LIVRO DE POÇÕES.

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Os dois conversam sobre Voldemort, e Rony bebe o antídoto. O jovem cai no chão envenenado, Slughorn fica sem ação alguma, e Harry, desesperado, consegue salvar o amigo com um bezoar. Vamos então à enfermaria, onde todos conversam sobre o hidromel envenenado, quando a Lilá invade o ambiente e discute com Hermione. Rony põe um fim à briga ao murmurar o nome da amiga, e todos saem do local, deixando o garoto aos cuidados dela.

Depois, o trio está no Salão Principal quando a Cátia Bell chega. Harry vai falar com ela e repara que Draco está fugindo. Resolve, então, segui-lo, indo parar no banheiro feminino. Ao reparar que foi visto, Draco se irrita e ataca, e aqui a cena é bem menor do que a vista no filme; logo vemos o Draco ensanguentado no chão, e Snape aparece para salvá-lo.

No Salão Comunal, Harry parece abalado com o que fez, mas por pouco tempo; Gina o leva para esconder o livro do Príncipe Mestiço na Sala Precisa, e aqui finalmente acontece o beijo dos dois. Logo depois, Harry encontra Rony pelos corredores e tem a ideia de usar a poção Felix Felicis para conseguir a memória verdadeira de Slughorn. Harry bebe a poção mas, repentinamente – e contra a vontade dos amigos – decide ir visitar o Hagrid.

Vocês podem conferir a tradução dessas cenas na extensão – onde se encontram links das traduções anteriores -, ou fazer o seu download em pdf clicando aqui!

HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE
Roteiro original ~ Cenas 97 à 108

Warner Brothers
09 de janeiro de 2010
Tradução: Isadora T. Moraes
Revisão: Larissa França

Roteiro EdP Parte 1: Tradução das cenas 01 ~ 12
Roteiro EdP Parte 2: Tradução das cenas 13 ~ 24
Roteiro EdP Parte 3: Tradução das cenas 25 ~ 36
Roteiro EdP Parte 4: Tradução das cenas 37 ~ 48
Roteiro EdP Parte 5: Tradução das cenas 49 ~ 60
Roteiro EdP Parte 6: Tradução das cenas 61 ~ 72
Roteiro EdP Parte 7: Tradução das cenas 73 ~ 84
Roteiro EdP Parte 8: Tradução das cenas 85 ~ 96

97. INTERIOR – CORREDOR – NOITE (MOMENTOS DEPOIS)

Harry conduz Rony, ainda de pijamas, em direção a uma porta.

RONY
Que tal estou?

HARRY
Bonitão.

Harry BATE na porta. PASSOS – seguidos de um ALTO ESTRONDO.

SLUGHORN (FORA DE QUADRO)
Mas que droga!

A porta se ABRE. Slughorn está usando VESTES DE VELUDO VERDES com uma TOUCA DE DORMIR combinando, parecendo estar com a vista embaçada e irritado. Há FUMAÇA no chão atrás dele – o ABAJUR DE PÉ que ele havia feito cambalear na noite da festa.

SLUGHORN
Sim???!!!!
(cautelosamente)
Ah. Potter. É você. Receio estar
ocupado no momento –

Ele começa a fechar a porta. Harry o impede com o pé.

HARRY
Senhor. Desculpe-me. Eu não o
incomodaria se não fosse absolutamente –

RONY
Onde está Romilda?

Por cima dos ombros de Harry, Slughorn olha Rony de esguelha, que faz precisamente o mesmo.

SLUGHORN
O que há de errado com Wenby?

Harry inclina-se, SUSSURRA no ouvido de Slughorn. Ele franze as sobrancelhas.

SLUGHORN
Ah. Tudo bem. Traga-o para dentro.

98. INTERIOR – ESCRITÓRIO DE SLUGHORN – NOITE (MOMENTOS DEPOIS)

Slughorn, com uma hábil facilidade, prepara uma mistura de pós e poções em um cálice, enquanto Rony espia sua imagem em um espelho. Enquanto ele anda, Harry passa pela “prateleira” e vê, bem no centro, uma FOTO sua com Slughorn – a que foi tirada na festa de Natal. Bem no fundo há uma foto de Snape, um jovem estudante, segurando com firmeza seu LIVRO DE POÇÕES.

SLUGHORN
Penso que você poderia fazer um antídoto
para isso rapidinho, Harry – um mestre em
poções como você.

HARRY
Imaginei que para esta situação fosse
necessário alguém mais experiente, senhor.

RONY
Olá, querida. Aceita uma bebida?

Slughorn e Harry se viram, observam Rony PISCAR para o espelho.

SLUGHORN
Hmm. Talvez você tenha razão.

Enquanto Slughorn volta a preparar a poção, Harry o olha furtivamente.

HARRY
Desculpe-me, senhor. Pelo outro dia.
Pelo nosso… desentendimento.

Slughorn olha rapidamente para Harry, depois desvia o olhar.

SLUGHORN
Sim, bem, são águas passadas, como dizem, certo?

HARRY
Quero dizer, tenho certeza de que o senhor está cansado
disso, depois de todos esses anos. Das perguntas. Sobre… Voldemort.

A mão com que Slughorn estava mexendo a poção vacila instantaneamente.

SLUGHORN
Peço que não diga este nome.

O olhar de Slughorn é feroz. Finalmente, ele se vira, com o cálice nas mãos, e sorri, com uma voz animada.

HARRY
Sim, senhor. É que, bem, Dumbledore uma vez disse
que o medo de um nome só faz aumentar o medo da
coisa em si. Parecia bastante sensato.

SLUGHORN
Com todo o respeito, Dumbledore às vezes esquece que
a maioria de nós não possui poderes tão grandiosos que
permitam arriscar ofender um dos mais perigosos bruxos
das trevas que já existiu.

O olhar de Slughorn é feroz, tão feroz quanto o de Dumbledore para Harry. Finalmente, ele se vira.

SLUGHORN
Pronto, meu rapaz! Um brinde!

RONY
O que é isso?

SLUGHORN
Tônico para os nervos.

Rony bebe. Sorri brevemente. Então seu sorriso se desfaz.

RONY
O que aconteceu comigo?

HARRY
Poção do amor.

SLUGHORN
E essa era uma bem forte.

RONY
Sinto-me muito… mal.

SLUGHORN
Um tônico é do que você precisa, meu rapaz.
(olhando para Harry de novo)
Irá fazer bem a todos nós, eu acho. Tenho cerveja
amanteigada, vinho – ah – e um delicioso hidromel
em barril de carvalho envelhecido. Pretendia fazer
outro uso disso, mas devido às circunstâncias…

Slughorn pega uma GARRAFA GRANDE e enche um copo para Rony. Enquanto Rony TOMA PEQUENOS GOLES, Slughorn enche os copos para ele e Harry.

SLUGHORN
Aqui está, Potter. À vida!

CRASH! – O copo de Rony cai no chão e ele cai de joelhos, depois desmorona completamente no tapete, tendo ESPASMOS horríveis, ESPUMA escorrendo lentamente de seus lábios. Harry corre para perto dele.

HARRY
Rony! Rony!!! Professor, ajude-o!

SLUGHORN
Eu n-não entendo –

HARRY
Professor! Faça alguma coisa!!

Slughorn procura em sua bolsa, sem sorte, RESMUNGANDO, perdido. Harry se volta para Rony – sua pele está ficando AZUL.

HARRY
Ele está engasgando!!

Harry olha de relance, pula, e começa a esvaziar as gavetas do estoque de poções freneticamente, procurando por alguma coisa, qualquer coisa. Uma caixa é derrubada, algo cai: várias pedras espalhadas, não sendo maiores que um ovo de pintarroxo, murchos e secos. Agarrando uma bruscamente, ele abre a boca de Rony e a EMPURRA dentro da GARGANTA dele. Instantaneamente, Rony pára de se mexer, e fica paralisado. O recinto fica silencioso de repente. Ele não está respirando. Harry coloca as duas mãos na parte de trás da cabeça de Rony e a BALANÇA. Mais uma vez.

HARRY
Respire! Vamos, Rony, não seja um idiota!
Respire! RESPIRE!

Harry o sacode várias e várias vezes… e então pára. A cabeça de Rony rola frouxamente de suas mãos. Slughorn observa, com a boca escancarada. Inútil. Então… UMA TOSSIDA, UMA TOSSIDA engasgada – como um nadador que quase se afogou – e Rony está de volta. Respirando.

RONY
Essas garotas vão acabar me matando, Harry.

Harry sorri. Então os olhos de Rony se fecham. Desmaiou. Mas está respirando.

99. INTERIOR – ALA HOSPITALAR – MANHÃ CEDINHO (MAIS TARDE)

Harry, Dumbledore, Snape, McGonagall, Gina e uma Hermione bastante melancólica estão em volta da cama de Rony, enquanto MADAME POMFREY cuida dele. Slughorn está mais afastado, em uma cadeira, com um olhar aturdido.

DUMBLEDORE
Você foi bastante ágil, Harry. Usar um
bezoar. Deve estar bastante orgulhoso
de seu aluno, não é mesmo, Horácio?

SLUGHORN
Hm? Ah. Sim… Muito orgulhoso.

PROFESSORA MCGONAGALL
Acho que todos concordamos que as ações
do Sr. Potter foram heróicas. A questão é:
por que foram necessárias?

DUMBLEDORE
Sim, por que mesmo?

Dumbledore pega a garrafa de hidromel, já pela metade, ainda com rasgos da EMBALAGEM PARA PRESENTE.

DUMBLEDORE
Isto parece ser um presente, Horácio.
Você, por um acaso, não se lembra quem lhe
deu esta garrafa, lembra – que, por falar nisso,
possui traços muito sutis de alçacuz e cereja,
quando não poluído pelo veneno.

SLUGHORN
Na verdade, eu pretendia dá-la de presente eu mesmo.

DUMBLEDORE
Para quem, eu poderia saber?

SLUGHORN
Para você, diretor.

Neste momento – a PORTA É ESCANCARADA: Lilá Brown.

LILÁ BROWN
Onde ele está? Onde está meu Uon-Uon?
Ele tem perguntado por mim?
(parando; olhar fulminante)
O que ela está fazendo aqui?

HERMIONE
Eu poderia perguntar a mesma coisa.

LILÁ BROWN
Acontece que eu sou a namorada dele.

HERMIONE
Acontece que eu sou a… amiga dele.

LILÁ BROWN
Não me faça rir. Vocês não se falam há semanas.
Suponho que você queira fazer as pazes com ele
agora que ele se tornou tão interessante.

HERMIONE
Ele foi envenenado, sua idiota! E, se você quer saber,
eu sempre o achei interessante.

Hermione franze as sobrancelhas, um pouco envergonhada. Rony RONCA, mexendo-se.

LILÁ BROWN
Rá! Viu? Ele sente a minha presença.
Estou aqui, Uon-Uon. Estou aqui –

RONY
Her… Mi… O… Ne… Her! Mi! O! Ne!

Rony, vagamente, estende sua mão ao ar. Corando, Hermione a segura. Instantaneamente, ele fica insconsciente de novo. Lilá, tremendo de raiva, sai. Dumbledore sorri.

DUMBLEDORE
Ah, ser jovem e sentir as aflições do
primeiro amor. Venham, todos, acho
que o Sr. Weasley está bem cuidado.

Enquanto Dumbledore conduz os outros, Harry o observa. Gina passa, seu rosto bem próximo, SUSSURRANDO ao indicar Rony e Hermione.

GINA
Já estava na hora, não acha?

Harry a observa ir embora, desesperançosamente apaixonado, vê que Slughorn parou na porta.

SLUGHORN
Eu sempre estimei meus alunos.
Eles são a minha vida…

Então ele sai também. Harry se vira, observa Hermione, cuja mão está envolta na de Rony. Ela encontra seu olhar, vê seu fraco sorriso.

HERMIONE
Ah, cale a boca.

100. INTERIOR – SALÃO PRINCIPAL – DIA

Harry toma uma colherada de sopa enquanto lê cuidadosamente o livro de Poções do Príncipe Mestiço, seus olhos se demorando, como antes, no FEITIÇO SECTUMSEMPRA: “Para inimigos”. Rony gira sua varinha distraído, enquanto disfarçadamente olha para Lilá. Hermione franze as sobrancelhas lendo o Profeta quando… Um floco de neve cai em seu nariz.

HERMIONE
Rony. Pare. Você está fazendo nevar.

RONY
Hein?

Rony olha para cima, vê que está NEVANDO exclusivamente no trio. Hermione coloca sua mão em cima da varinha dele e ele pisca, como se o gesto despertasse alguma memória perdida.

RONY
Conte-me de novo como eu terminei com a Lilá.

Harry pára de tomar sua sopa, troca um olhar com Hermione, que cuidadosamente retira sua mão da de Rony.

HERMIONE
Hm, bem, ela veio te visitar na Ala Hospitalar,
sabe, e vocês conversaram – não acredito que
tenha sido uma conversa muito longa –

RONY
Não me entenda mal. Estou animadíssimo por ter
me livrado dela. É só que ela parece meio… confusa.

Ao mesmo tempo, os três olham de relance para Lilá e recebem um olhar letal de volta.

HERMIONE
Ela parece, não é mesmo? E você diz que não
se lembra de nada daquela noite? Nada mesmo?

RONY
Bom… há… algo.
(Hermione espera)
Não. Não pode ser. Além do mais, eu
estava completamente tonto, não é?

HERMIONE
É. Tonto…

Hermione afunda em sua cadeira, franzindo as sobrancelhas. Harry sorri, se divertindo. Nesse momento, um PEQUENO TUMULTO chama sua atenção. No fundo do Salão, um grupo de garotas cerca alguém que acabou de chegar.

HERMIONE
Aquela é Cátia. Cátia Bell.

Cátia Bell, pálida, mas sorrindo, cumprimenta as outras garotas. Após um momento, ela levanta o olhar. Encontra Harry em pé na sua frente.

HARRY
Como você está, Cátia?

CÁTIA BELL
Só um momento, garotas.

As garotas se afastam. Harry observa elas irem, curiosas, então:

CÁTIA BELL
Sei o que você irá perguntar, Harry.
Mas eu não sei quem me enfeitiçou.
Tenho tentado me lembrar. De verdade.
Mas… simplesmente… não consigo…

Os olhos de Cátia mudam de direção. Ela fica lívida. Harry se vira, segue o olhar dela e encontra… Malfoy, encarando-a. Cátia recua, indo na direção das outras garotas. Harry observa ela ir embora, então olha para trás. Pega Malfoy fugindo do Salão.

101. INTERIOR – CORREDOR – DIA (MOMENTOS DEPOIS)

Malfoy anda rapidamente, testa brilhando de suor, passa FORA DE QUADRO. Segundos depois, Harry aparece, seguindo-o. Enquanto ele passa pela gaiola de pássaros… nós CONCENTRAMOS NESTA IMAGEM. A gaiola agora está VAZIA.

102. OMITIDA

103. INTERIOR – BANHEIRO – MESMA HORA – DIA

Malfoy cambaleia até o espelho, equilibra-se contra a pia. Então, com um forte arrepio, começa a… CHORAR.

No ESPELHO, vemos a PORTA do banheiro sendo aberta devagar: Harry. Ele pára, aturdido. Os olhos de Malfoy mudam de direção. Aterrorizado por ter sido visto. Ele se vira, aponta sua varinha. VOOSH! A LÂMPADA perto da cabeça de Harry É ESTILHAÇADA. LABAREDAS sobem pelo teto.

Harry pega sua própria varinha, contra-ataca. A CAIXA D’ÁGUA atrás de Malfoy EXPLODE e ÁGUA espirra pelo teto, escorre. Malfoy URRA de RAIVA. Harry se prepara.

MALFOY
Cruci –

HARRY
SECTUMSEMPRA!

SANGUE JORRA do rosto de Malfoy e CORTES ESCARLATES ESCOAM através do branco de sua camisa. Ele cambaleia, UIVA novamente e CAI. Harry olha ferozmente para sua varinha, horrorizado, e atravessa a água, que está escorrendo vermelha com o sangue de Malfoy.

MALFOY
Não toque em mim! Não se atreva a
encostar em mim!

Harry pára totalmente… Hipnotizado pelo FLASH de ALGO ESCURO aparecendo pelo tecido molhado da manga da camisa de Malfoy. Então… Snape IRROMPE PELA PORTA. Ao ver Malfoy – e a natureza de seus ferimentos – ele olha para Harry com uma curiosidade mordaz. Ajoelhando-se, ele segue, com a PONTA de sua VARINHA, os contornos dos cortes de Malfoy, MURMURANDO um ENCANTAMENTO SOMBRIO. Instantaneamente, a pele começa a se unir. Harry recua, o antigo ENCANTAMENTO de Snape ressoando em seus ouvidos, sangue flutuando como flores carmesim no chão, ele recua até chegar à porta…

104. INTERIOR – SALÃO COMUNAL – DIA

Harry está sentado, entorpecido, o livro de Poções pendendo frouxamente em sua mão. Hermione, Rony e Gina estão sentados juntos, um pouco afastados, mantendo meio que uma vigília. Finalmente, Gina se levanta e vai à direção dele.

GINA
Você tem que se livrar disso. Hoje.

105. INTERIOR – CORREDOR DO SÉTIMO ANDAR – DIA (MAIS TARDE)

Harry, com o livro de Poções em mãos, segue Gina, passando pela gaiola de pássaros vazia e pelo corredor, até que ela pára, se vira para a parede e fecha os olhos.

GINA
Segure minha mão.

106. INTERIOR – SALA PRECISA – DIA (SEGUNDOS DEPOIS)

Gina e Harry se materializam.

HARRY
A Sala Precisa…

Gina balança a cabeça afirmativamente, se vira. Harry a segue.

NOVO ÂNGULO – SEGUNDOS DEPOIS

Harry olha para as prateleiras que se estendem acima de sua cabeça e as coisas estranhas que elas possuem: uma PEQUENA JAULA contendo o ESQUELETO de uma criatura morta há muito tempo. Uma JARRA com GLOBOS OCULARES ESTREMECEDORES que o seguem enquanto ele passa.

GINA
Através dos anos, se alguém tivesse um
segredo, algo que precisasse ser escondido,
recorria a este lugar. Algumas dessas coisas
são quase tão antigas quanto o próprio castelo.

HARRY
Quem te trouxe aqui? Pela primeira vez?

GINA
Fred e Jorge. No primeiro ano. Foi onde
escondi o diário de Tom Riddle, por um
tempo. Gostaria de tê-lo deixado aqui…

Enquanto Gina se perde na memória, Harry a observa, então se escuta um SOM DE FRICÇÃO perto. Eles se viram, observam.

GINA/HARRY
(ao mesmo tempo)
O que foi isso?

Eles se viram, olhando-se. Gina sorri. Então:

NOVO ÂNGULO – ATRÁS DO ARMÁRIO SUMIDOURO

Harry e Gina se aproximam. O BARULHO DE FRICÇÃO FICA MAIS ALTO. Harry estende a mão, puxa a tapeçaria. Reage. A porta do armário VIBRA. Lentamente, ele a abre e…

… o PÁSSARO PRETO voa livre em um BATER de asas apressado.

GINA
Viu? Nunca se sabe o que se pode encontrar aqui.

Harry balança a cabeça, concordando, olha de novo para o armário, perplexo.

GINA
Certo. Feche os olhos. Desse modo,
você não ficará tentado.

Gina pega o livro da mão de Harry e começa a recuar. Ela diz: Feche… seus… olhos. Enquanto ela se afasta DE CENA, A CÂMERA FOCA LENTAMENTE EM Harry. Pára. Espera. Por um longo momento, há apenas silêncio. Então, uma sombra gentilmente encobre o rosto de Harry.

GINA
Há outra coisa. Outro tipo de segredo.
Um segredo meu…

Gina se inclina e encosta sua boca na de Harry.

GINA
Isso também pode ficar escondido aqui, se você quiser.

Harry abre os olhos, observa Gina recuar e desaparecer pelo canto. Ele encara o ar vazio, piscando, depois vê o pássaro preto batendo as asas acima da sua cabeça.

107. INTERIOR – CORREDOR – FIM DA TARDE (MAIS TARDE)

Harry, com um olhar um tanto aturdido, caminha sem rumo.

RONY (FORA DE CENA)
Então. Você e Gina fizeram isso?

Harry pula, vê Rony aparecer.

HARRY
O quê?

RONY
Você sabe. Esconderam o livro.

HARRY
Ah. Sim.

Nesse momento, Slughorn aparece no fim do corredor e – espiando Harry – faz um “Opa” no estilo Oliver Hardy e recua.

RONY
Nenhuma sorte com Slughorn ainda, imagino?

Harry balança a cabeça – então pára, encara o espaço vazio em que Slughorn estivera momentos antes.

HARRY
Diga isso de novo.

108. INTERIOR – SALÃO COMUNAL – ANOITECER

O pequeno FRASCO de FELIX FELICIS brilha na palma da mão de Harry enquanto ele, Rony e Hermione aconchegam-se no dormitório vazio. Eles trocam olhares, Harry traz o frasco aos lábios.

HERMIONE
Então? Como se sente?

HARRY
Excelente. Realmente excelente.

HERMIONE
Agora, lembre-se. Slughorn geralmente janta
cedo, dá uma pequena caminhada e depois
retorna ao seu escritório.

HARRY
Certo. Vou para a casa de Hagrid.

HERMIONE
O quê? Não, Harry – você tem que encontrar
Slughorn. Nós temos um plano –

HARRY
Não. Tenho um bom pressentimento quanto a
ir para a casa de Hagrid. Sinto que é o lugar certo
para estar esta noite, sabem o que quero dizer?

HERMIONE/RONY
Não.

HARRY
Acreditem em mim. Sei o que estou fazendo.
Ou, pelo menos, a Felix sabe.