Filmes e peças ︎◆ O Enigma do Príncipe

Roteiro EdP Parte 11: Tradução das cenas 121 ~ 132

Chegamos hoje ao penúltimo periódico que vem publicando todo sábado doze cenas traduzidas do roteiro original de Harry Potter e o Enigma do Príncipe. Agora, trazemos a vocês possivelmente as cenas mais fortes e ansiadas do sexto longametragem.Começamos com o Harry e Dumbledore aparatando na rocha do lado de fora da caverna. Toda essa sequência no lugar é repleta de diálogos maiores, que a deixam, por um lado, bem mais fiel à que pode ser encontrada no livro, mas por outro, também podemos encontrar alguns acréscimos.

Por exemplo, o Harry tenta pegar a Horcrux com um feitiço convocatório, mas também pergunta ao diretor se ele já tomou a Felix Felicis. Quando chegam à ilha, o diretor explica sobre o que o Harry terá que fazer, e então o aluno assume a tarefa de dar a poção ao Dumbledore.

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A súplica do diretor soa um pouco diferente aqui, porque além do que já foi mostrado no filme, no roteiro ele tenta convencer o Harry a matá-lo como uma forma de cobrar a palavra que o aluno deu sobre atender qualquer ordem que lhe fosse dada na missão. Quando a poção acaba e Harry pega a água do lago, é puxado pelos Inferi para baixo d’água. Temos uma descrição bem completa, até ele finalmente ser salvo por Dumbledore. Os dois deixam a caverna.

Enquanto isso, em Hogwarts, temos aquela cena completa do coral presente nas cenas deletadas, e vemos a dupla aparatando na Torre de Astronomia. Aqui há uma fala realmente inesperada; quando vê Dumbledore murmurando e gesticulando, Harry pergunta se o diretor está rezando. Então, ele explica que está apenas fechando a abertura que eles usaram para aparatar.

Draco sobe para a torre e o diretor tenta convencê-lo a não sujar suas mãos com um diálogo bem mais convincente. Os Comensais aparecem, e logo depois vem Snape. Antes de dar a sua palavra final, Severo tem uma fala inédita e ambígua, mas que foi cortada na edição final da película.

Após lançar a Maldição Imperdoável, todos fogem; Snape leva Malfoy, Belatriz fica enlouquecida destruindo o Salão Principal, Rony e Hermione aparecem correndo, vidros atingem Filch, cortando-lhe o rosto. E por fim, terminamos as cenas de hoje com os Comensais se aproximando da cabana do Hagrid.

Vocês podem conferir a tradução dessas cenas na extensão – onde se encontram links das traduções anteriores -, ou fazer o seu download em pdf clicando aqui!

HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE
Roteiro original ~ Cenas 121 à 132

Warner Brothers
23 de janeiro de 2010
Tradução: Isadora Moraes
Revisão: Larissa França

Roteiro EdP Parte 1: Tradução das cenas 01 ~ 12
Roteiro EdP Parte 2: Tradução das cenas 13 ~ 24
Roteiro EdP Parte 3: Tradução das cenas 25 ~ 36
Roteiro EdP Parte 4: Tradução das cenas 37 ~ 48
Roteiro EdP Parte 5: Tradução das cenas 49 ~ 60
Roteiro EdP Parte 6: Tradução das cenas 61 ~ 72
Roteiro EdP Parte 7: Tradução das cenas 73 ~ 84
Roteiro EdP Parte 8: Tradução das cenas 85 ~ 96
Roteiro EdP Parte 9: Tradução das cenas 97 ~ 108
Roteiro EdP Parte 10: Tradução das cenas 109 ~ 120

121. EXTERIOR – OCEANO – CREPÚSCULO (MOMENTOS DEPOIS)

ESCURIDÃO. Ondulações. O som de ONDAS. Nós DIMINUIMOS A VELOCIDADE, saindo do oceano. Uma ONDA GIGANTE se choca com a camada superior de uma pedra pontiaguda. Quando o BORRIFO D’ÁGUA desaparece… Dumbledore e Harry são revelados. Dumbledore observa as COSTAS DE UM ENORME PENHASCO, a CAVERNA.

HARRY
Está lá, não está?

122. EXTERIOR – CAVERNA – MESMA HORA – CREPÚSCULO

Harry e Dumbledore se materializam. Aqui está assustadoramente silencioso, e o som das ondas é apenas uma trovoada distante. Enquanto Harry olha de relance para o lugar, Dumbledore vai em direção a uma arcada, passa adiante. Harry o segue, encontra Dumbledore em pé debaixo de uma enorme cúpula de pedras, sondando seus mistérios com a luz da varinha.

DUMBLEDORE
É este o lugar. Ah, sim, este lugar tem
magia conhecida.
(fechando os olhos)
No lugar em que você está agora, Harry,
Tom Riddle já esteve muitos anos atrás,
quando ele era apenas um pobre menino
órfão com uma queda por crueldade…

A varinha de Dumbledore pára brevemente em sua volta e seu rosto expressa dor, como se tivesse detectado algo desagradável. Ele começa a PERCORRER a superfície da pedra com SEUS DEDOS.

DUMBLEDORE
Em uma tarde de inverno, ele atraiu dois
colegas de classe mais novos para esta
caverna. Não se sabe o que aconteceu.
O que se sabe é que algo de ruim foi
feito àquelas crianças.

Dumbledore começa a MURMURAR um SUSSURRO ESTRANHO enquanto seus dedos percorrem a pedra… então pára. Seus olhos se abrem. Ele tira uma adaga das vestes e passa a lâmina pelo seu antebraço, salpicando a superfície da pedra com gotas escarlate.

HARRY
Senhor!

A superfície da pedra CHIA como ácido e começa a desintegrar-se, formando uma abertura estreita.

DUMBLEDORE
Para que possamos seguir caminho, é
necessário um pequeno pagamento, cuja
intenção é a de enfraquecer qualquer intruso.

HARRY
Devia ter me deixado fazê-lo, senhor.

DUMBLEDORE
Ah, não, Harry. Seu sangue é muito
mais precioso que o meu.

123. EXTERIOR – ARCADA/LAGO SUBTERRÂNEO – NOITE (MOMENTOS DEPOIS)

Dumbledore e Harry emergem na orla de um VASTO LAGO coberto por uma NÉVOA. Há um clima de suspense no ar.

DUMBLEDORE
Cuidado com a água.

Harry espia o lago. É preto como tinta.

NOVO ÂNGULO – MOMENTOS DEPOIS

Harry segue Dumbledore pela orla do lago. No centro, uma LUZ VERDE INTENSA brilha em meio à névoa.

DUMBLEDORE
Está lá. A pergunta é: como chegamos?

HARRY
Não poderíamos simplesmente tentar
um Feitiço Convocatório, senhor?

Dumbledore sorri, e faz sinal: fique à vontade. Harry ergue sua varinha.

HARRY
Accio Horcrux!

Há uma EXPLOSÃO e algo PÁLIDO irrompe da água. Harry fica aterrorizado. Dumbledore observa calmamente a coisa DESAPARECER debaixo da superfície.

DUMBLEDORE
Talvez não.

NOVO ÂNGULO – MOMENTOS DEPOIS

Dumbledore guia Harry. Pára. Dá um passo para trás. Ele FECHA OS OLHOS e, para horror de Harry, caminha bem em direção à margem do lago. Com a água negra refletindo a ponta de seus sapatos, Dumbledore PASSA A MÃO vagarosamente pelo ar, e então a fecha… como se estivesse segurando alguma coisa invisível. Pegando sua varinha, ele dá uma LEVE BATIDA em seu PULSO CERRADO e uma CORRENTE grossa verde-cobre aparece do nada, extendendo-se da água até a mão de Dumbledore.

DUMBLEDORE
Se você puder fazer a gentileza, Harry…

Harry rapidamente agarra o fim da corrente e os dois puxam-na juntos, até que a PROA de um PEQUENO BARCO vai surgindo da superfície, verde por causa das algas.

NOVO ÂNGULO – MOMENTOS DEPOIS

Em um silêncio tétrico, o barco abre caminho pela água, transportando Harry e Dumbledore em direção à INTENSA LUZ VERDE.

HARRY
Senhor… o senhor já tomou Felix Felicis?

DUMBLEDORE
Apenas para me divertir. Sabe, acredito
que temos que criar nossa própria sorte.

Harry olha para a água, observa um ROSTO deslizando abaixo da superfície.

HARRY
Professor… há corpos neste lago.

DUMBLEDORE
Sim.

NOVO ÂNGULO (PEQUENA ILHA) – MOMENTOS DEPOIS

Aqui a INTENSA LUZ VERDE é ainda mais forte. Quando o barco chega, Dumbledore sai.

DUMBLEDORE
Lembre-se… a água.

Harry balança afirmativamente a cabeça, sai cuidadosamente e se junta a Dumbledore na fonte do BRILHO – uma BACIA cheia de um LÍQUIDO FOSFORESCENTE. Dumbledore estende as pontas de seus negros dedos em direção à bacia, mas não consegue tocar no líquido.

HARRY
O senhor acha que a Horcrux está aí dentro?

DUMBLEDORE
Ah, sim.

Dumbledore se afasta, reflete sobre a bacia. Percebe o CÁLICE DE CRISTAL situado do lado dela. Sorri pesarosamente.

DUMBLEDORE
Isto terá que ser bebido.
(ao que Harry reage)
Você se lembra da condição pela qual
eu o trouxe comigo?

Harry começa a responder. Pára. Concorda.

DUMBLEDORE
Esta poção pode paralisar-me. Talvez me
faça esquecer por que estou aqui. Talvez
crie tanta dor que eu implore pelo alívio.
Você não deve atender a esses pedidos,
Harry. Você deve se assegurar que eu
continue bebendo esta poção mesmo que
tenha que forçar-me a isso. Entendeu?

HARRY
Por que eu não posso bebê-la, senhor?

DUMBLEDORE
Porque sou muito mais velho, mais sábio…
e muito menos valioso.
(pegando o cálice)
À sua saúde, Harry.

Dumbledore mergulha o cálice no líquido brilhante e leva-o a seus lábios. Bebe com vontade. Fecha os olhos.

HARRY
Professor?

Dumbledore balança a cabeça, silenciando Harry, então mergulha o cálice novamente. Ele bebe mais duas vezes. Sua mão TREME e ele agarra a lateral da bacia.

HARRY
Professor? O senhor pode me ouvir?

Dumbledore não diz nada. Os cantos de seus olhos SE CONTRAEM. Sua mão TREME, dessa vez ferozmente, e ele quase derruba o cálice. Harry o segura, estabiliza sua mão.

DUMBLEDORE
Não… não me faça…

Olhando para o rosto angustiado de Dumbledore, Harry enrijece sua fisionomia.

HARRY
Você… você não pode parar, Professor.
Tem que continuar bebendo. Como
você mesmo disse. Lembra-se?

DUMBLEDORE
Nããããoooo!!!

Harry hesita com a primitiva súplica de Dumbledore. O braço de Dumbledore fica frouxo e o cálice retine fracamente contra a lateral bacia. Harry respira fundo, se aproxima, coloca sua mão na de Dumbledore, levanta a taça.

DUMBLEDORE
Faça parar… por favor… faça parar.

HARRY
Vai parar, senhor. Vai parar. Mas só se
você beber…

Harry, sua própria mão TREMENDO agora, leva o cálice aos lábios de Dumbledore.

DUMBLEDORE
Minha culpa. É tudo minha culpa.

Harry leva o cálice mais uma vez. Dumbledore bebe.

DUMBLEDORE
É demais… não consigo… aguentar…
quero… morrer… mate… mate-me…
MATE-ME, HARRY!

HARRY
O quê?

DUMBLEDORE
Sua palavra, Harry! Sua palavra!

HARRY
Não…

DUMBLEDORE
MATE-ME! É O ÚNICO JEITO!

Harry fica paralisado, sem saber o que fazer. Então… Dumbledore cai, se joga de costas. Harry se aproxima rapidamente, mergulha o cálice na bacia e se ajoelha ao lado de Dumbledore.

HARRY
Mais uma. Só mais uma. E depois –
eu prometo… farei o que me pede.

Dumbledore, mandíbula cerrada, olha para Harry.

HARRY
Eu prometo.

A mandíbula de Dumbledore relaxa e Harry abre sua boca, entornando o líquido. Uma onda de dor passa pelo rosto de Dumbledore. Ele tenta falar, Harry observando-o apreensivo, temendo o que ele possa pedir. Dumbledore debate-se mais e mais e então… seus olhos… abrem-se. Encontram Harry.

DUMBLEDORE
Água.

Uma onda de alívio invade Harry. Sorrindo, ele pula em direção à bacia. Agora há um MEDALHÃO DOURADO no fundo. Harry o pega.

DUMBLEDORE
Água…

HARRY
Aguamenti.

Instantaneamente ÁGUA GELADA E LIMPA surge na bacia.

HARRY
Você conseguiu, senhor. Veja –

Harry franze as sobrancelhas. O cálice está vazio.

DUMBLEDORE
Água!

Harry mergulha o cálice na bacia novamente, leva-o aos lábios de Dumbledore… mas de novo ele está vazio. Dumbledore tenta falar, mas seus lábios estão RACHADOS, sua língua seca como AREIA. Ele ENGOLE SECAMENTE por ar.

HARRY
Estou tentando, senhor. Estou –

Harry pára. Está tudo silencioso… exceto pelo FRACO REMEXER do lago. Ele considera as FORMAS FANTASMAGÓRICAS deslizando logo abaixo da superfície. Decidindo-se, ele mergulha o cálice na água negra. Instantaneamente, o lago começa a AGITAR-SE VIOLENTAMENTE. Harry se afasta, o cálice chapinhando em sua mão. ROSTOS, pálidos e assombrosos, tremem na água agitada.

Harry entorna a água na boca de Dumbledore. Ele pisca. Lambe os lábios. Harry retorna para a margem do lago, hesita, e mergulha o cálice de novo. Instantaneamente, uma MÃO MAGRA E BRANCA agarra seu pulso e Harry é puxado para baixo. O cálice cai na superfície.

NOVO ÂNGULO – DEBAIXO D’ÁGUA

Silêncio total. Harry se revira loucamente enquanto MÃOS tentam pegá-lo, virando-o deste ou de outro jeito. ROSTOS ASSOMBROSOS pairam por perto.

NOVO ÂNGULO – A SUPERFÍCIE

Harry reaparece na superfície, OFEGANDO, piscando, pegando o vislumbre de Dumbledore caído contra a bacia enquanto ele é…

NOVO ÂNGULO – DEBAIXO D’ÁGUA

… Puxado para baixo novamente, para o SILÊNCIO total de braços tentando agarrá-lo. Ele tenta se livrar várias e várias vezes, mas há muitas mãos, muitos rostos assombrosos. Nós FICAMOS SUBMERSOS por um longo tempo, sentimos seus pulmões queimarem. Seus olhos perdem o foco e ficam vazios. Um rastro de bolhas sai de sua boca enquanto seu rosto fica sem vida. Ele afunda ainda mais, em queda livre, olha uma última vez para a SUPERFÍCIE BRILHANTE ACIMA, a última coisa que verá… até que uma SOMBRA TREME vagamente e…

… A SUPERFÍCIE CHIA com LUZ VERMELHA como sangue, e então se torna TRANSPARENTE, revelando DUMBLEDORE, varinha apontada diretamente para a água.

NOVO ÂNGULO – A SUPERFÍCIE

Harry volta à superfície, CUSPINDO ÁGUA, OFEGANDO. Dumbledore cambaleia, cai contra a bacia novamente, enfraquecido por seu esforço. Harry arrasta-se, ajuda-o a se estabilizar e o lago EXPLODE COM FOGO. Harry se vira, observa os corpos no lago se revirarem de dor.

DUMBLEDORE
Ir…

Harry se vira, confuso. A mão de Dumbledore encontra seu rosto.

DUMBLEDORE
Temos… que ir.

Harry olha para o barco. Chamas lambem a proa, escurecendo a madeira, mas não o destróem. Ele balança a cabeça afirmativamente.

124. EXTERIOR – CAVERNA – ENTRADA

Harry e Dumbledore emergem da caverna. Dumbledore, pálido e fraco, examina cuidadosamente as estrelas, exausto, se apóia pesadamente em Harry.

HARRY
Não se preocupe senhor. Estamos quase lá.

DUMBLEDORE
Não estou preocupado, Harry. Estou com você.

UM CORAL CANTANDO A PLENOS PULMÕES SE ELEVA NO AR e nós –

CORTAMOS PARA:

125. INTERIOR – SALÃO PRINCIPAL – MESMA HORA – NOITE

Nós PARAMOS no vidro gótico da janela principal. Luz ambiente, agourenta e calma, tremeluz em sua superfície brilhante. Flitwick, braços fluindo graciosamente, conduz um grupo de QUINTANISTAS, olha acima em direção à janela, observa a luz pulsante.

126. EXTERIOR – PÁTIO – MESMA HORA – NOITE

McGonagall está no pátio enquanto a música do CORAL PERDE-SE LENTAMENTE no ar noturno. Ela olha para o céu, uma expressão curiosa em seu rosto, então espia um par de primeiranistas vagando pelo pátio.

PROFESSORA MCGONAGALL
Para suas Casas. Nada de ficar vagando por aí.

Enquanto eles saem apressadamente, McGonagall olha novamente para o céu. Um VÓRTEX de NUVENS gira intensamente em torno de si mesmo. Nós RECUAMOS PARA…

127. INTERIOR – CASTELO – JANELA – MESMA HORA – NOITE

… O exterior de uma janela, seu vidro reluzindo a luz ambiente, e encontramos Snape em pé em silêncio, fitando a tempestade que se acumula, sua expressão obscura. O coral é apenas um murmúrio.

128. INTERIOR – SALÃO COMUNAL – MESMA HORA – NOITE

Está mais escuro que o normal. O fogo está apagado. Rony e Hermione estão sentados juntos. Em silêncio. Olham de relance para a janela, para o céu além.

129. INTERIOR – ALA HOSPITALAR – MESMA HORA – NOITE

O rosto de Draco, sua pele brilhando com a luz, que se move lentamente no teto acima dele. Ele a fita, sem piscar, e sai da cama. Os pés descalços de Draco encostam-se ao azulejo.

130. INTERIOR – CORREDOR – NOITE (MOMENTOS DEPOIS)

A música do coral ecoa tetricamente. SEXTANISTAS, não mais que SOMBRAS, se divertem juntos, dando risadinhas em cantos escuros. Malfoy move-se por perto silenciosamente, descalço. Sem ser notado. Um fantasma.

131. INTERIOR – SALA PRECISA – NOITE (MOMENTOS DEPOIS)

Densa com sombras. Estranhos cortes de luz. Malfoy, uma sombra entre as sombras, puxa a tapeçaria do Armário Sumidouro, se afasta…

Ele fita a estrutura monolítica em sua frente, ergue sua varinha e começa a CANTAR de maneira assustadora. A superfície do armário brilha fracamente, reluzindo a luz ambiente. Quase viva. Então ele pára. Olhando para trás, seus olhos assombrosos, ele sai furtivamente.

A luz brinca na superfície do armário. Movimento. Sombras vacilam, se unem. Nós diminuimos a velocidade, revelando…

Belatriz. Greyback. E alguns amigos. Belatriz sai das sombras. Olha de relance em volta. Sorri.

132. EXTERIOR – TORRE DE ASTRONOMIA – NOITE (MOMENTOS DEPOIS)

Harry e Dumbledore se materializam no telhado. Dumbledore olha de relance para cima, percebe as nuvens.

HARRY
Temos que levá-lo para a Ala Hospitalar,
senhor, para Madame Pomfrey –

DUMBLEDORE
Não. Severo… Severo é de quem preciso… vá
e acorde-o… conte-lhe o que aconteceu…
Não fale com mais ninguém… eu…
eu esperarei aqui…

HARRY
Certo. Tudo bem.

Harry gentilmente se solta de Dumbledore, deixa-o encostado nas ameias. Ele dispara em direção à porta que leva à escada e, olhando para trás, vê Dumbledore MURMURANDO ENFADONHAMENTE enquanto GESTICULA com sua mão enegrecida.

HARRY
Senhor, o senhor está… rezando?

DUMBLEDORE
(sorrindo fracamente)
Não, Harry. Eu não rezo. Estava apenas fechando
uma janela – a que permitiu que nós aparatássemos.

Harry balança a cabeça, começa a abrir a porta quando o som de PASSOS é ouvido. Pega sua varinha. Dumbledore inclina a cabeça, ouvindo. Estremecendo, ele fica reto, como se para mascarar sua fraqueza.

DUMBLEDORE
Esconda-se ali embaixo. E não fale nem saia sem
minha permissão. Não importa o que aconteça.

Harry olha para baixo, através da TRELIÇA sob seus pés, até a fileira mais embaixo. Os PASSOS SE APROXIMAM.

DUMBLEDORE
Faça o que eu digo, Harry.

Harry hesita. Os olhos de Dumbledore brilham…

DUMBLEDORE
Confie em mim.

O olhar de Harry encontra o de Dumbledore, ele então guarda sua varinha e desce furtivamente as escadas. Quando ele alcança o nível inferior, a PORTA acima é ABERTA BRUSCAMENTE. Harry espia através da grade, vê Malfoy ENTRAR NO CAMPO DE VISÃO.

DUMBLEDORE
Boa noite, Draco. O que o traz aqui em uma
noite primaveril tão bela? Ou será verão?

Draco mantém a postura, varinha em mãos, olhos disparando em volta.

MALFOY
Quem mais está aqui? Ouvi você falando.

DUMBLEDORE
Eu sempre converso comigo mesmo em voz alta.
Acho extraordinariamente útil. Aquilo que soa
normal quando sussurrado pode soar loucura
total quando dito para o mundo ouvir. Você não
esteve sussurrando para si mesmo, esteve, Draco?

Draco olha para Dumbledore, incerto.

DUMBLEDORE
Você não é um assassino, Draco.

DRACO
Como pode saber? Fiz coisas que o
deixariam chocado.

DUMBLEDORE
Como enfeitiçar Cátia Bell e esperar que ela, em troca,
carregasse um colar enfeitiçado para mim? Como
trocar a garrafa de hidromel por uma cheia de veneno?
Perdoe-me, Draco, mas essas tentativas foram tão débeis
que me pergunto se você realmente se esforçou nelas.
Estou curioso. Quando Voldemort lhe deu esta tarefa, quando
ele pediu para você me matar, ele o fez em sussurros?

MALFOY
Ele confia em mim! Eu fui escolhido!

Malfoy mostra seu braço, puxa a manga e revela a MARCA NEGRA. Dumbledore mal olha para ela.

DUMBLEDORE
Então devo tornar isso fácil para você.

Vagarosamente e sem intenção nenhuma, Dumbledore pega sua varinha. Instantaneamente Malfoy ergue sua própria.

MALFOY
Expelliarmus!

Harry observa, horrorizado, a varinha de Dumbledore voar livremente, fazendo barulho ao bater na grade superior. Malfoy observa ela cair até parar, uma curiosa mistura de medo e admiração pelas suas ações. Dumbledore olha para a varinha, e em seguida para Draco.

DUMBLEDORE
Muito bem, Draco. Mas devo avisá-lo logo.
Matar não é assim tão fácil.

Malfoy olha dentro dos olhos de Dumbledore, então para o céu, para as nuvens que se juntam, revirando-se sombriamente, e depois olha de relance para a escada. Dumbledore percebe.

DUMBLEDORE
Você não está sozinho, está? Há outros. Como?

Um sorriso de escárnio aparece nos lábios de Malfoy.

MALFOY
O Armário Sumidouro da Sala Precisa.

DUMBLEDORE
Esse armário está quebrado há anos.

MALFOY
Eu o consertei.

DUMBLEDORE
Tão simples. Deixe-me adivinhar. Ele possui uma irmã. Gêmea.

MALFOY
Na Borgin & Burkes. Eles formam –

DUMBLEDORE
Uma passagem, sim. Muito bom.
(olhos mudam de direção)
Eu conheci um garoto anos atrás que fez todas
as escolhas erradas. Deixe-me ajudá-lo, Draco.

MALFOY
Não quero sua ajuda! Você não vê?
Tenho que fazer isso! Tenho!
(sussurrando)
Tenho que matar você ou ele me matará.

DUMBLEDORE
Diga isso novamente Draco. Mas em
voz alta desta vez.

Draco olha profundamente dentro dos olhos de Dumbledore. Sua mão treme. Paralisado, Harry os observa das sombras. Vagarosamente, Malfoy começa a ABAIXAR SUA VARINHA… quando o ECO DE PASSOS é ouvido. A porta é ABERTA BRUSCAMENTE: Belatriz, Greyback, e os outros.

BELATRIZ
Veja só o que temos aqui. Dumbledore.
Sem varinha e sozinho.
Encurralado em seu próprio castelo. Muito bem, Draco.

Harry espia, um lampejo de raiva passando por seus olhos ao som da voz de Belatriz. Devagar, ele pega sua varinha.

DUMBLEDORE
Boa noite, Belatriz. Poderia fazer as devidas apresentações?

BELATRIZ
Adoraria, Alvo. Mas temo que estejamos
com um pouco de pressa.
(para Malfoy)
Mate-o.

A varinha de Malfoy é erguida mais uma vez. Harry ergue sua própria, mirando através da grade, em posição. Então, uma SOMBRA aparece pelas colunas à sua direita. Ele olha, encontra Snape, quieto como um fantasma, espiando acima. Cuidadosamente, Snape pega sua varinha, se vira para Harry, um dedo entre os lábios: shhh. Então ele sobe. Silêncio. Um fantasma novamente.

GREYBACK
Ele não tem coragem. Como o pai. Deixe-me
acabar com ele. À minha própria maneira.

BELATRIZ
Não! O Lorde das Trevas foi claro. O garoto tem
que fazê-lo. Vá em frente, Draco. Agora!

Novamente Draco ergue sua varinha, sua mão tremendo. O braço de Harry está rígido, decidido. A veia em sua mão pulsa…

SNAPE (FORA DE QUADRO)
Não.

Harry observa Snape APARECER NO QUADRO DE VISÃO.

DUMBLEDORE
Severo…

BELATRIZ
Ora, vejam quem está aqui. O próprio Professor de
Defesa Contra as Artes das Trevas de Hogwarts. Veio
ver a matança?

DUMBLEDORE
Severo… Por favor.

SNAPE
Eu dei minha palavra. Fiz um voto…

Os olhos de Harry se movem freneticamente de um para outro, tentando entender a cena acima. Snape ergue o braço.

SNAPE
Avada Kedavra!

Um JATO de LUZ VERDE atinge Dumbledore diretamente no peito. Por um segundo ele pende, suspenso nas ameias, e então… é engolido pela noite.

HARRY GRITA de RAIVA. Belatriz ergue sua varinha para o céu e uma RAJADA ENSURDECEDORA faz o castelo tremer, escondendo o grito de Harry. As NUVENS EXPLODEM com uma LUZ VERDE, se transformando em uma CAVEIRA. Enquanto os Comensais da Morte saem apressados, o braço de Snape cai frouxamente ao seu lado.

SNAPE
Você não pode mais ficar aqui.

Draco, aturdido, fita o local vazio em que Dumbledore esteve momentos antes. Snape o pega pela nuca, força-o pela porta, então o segue.

Harry sobe as escadas e move-se atrapalhadamente até as ameias, BANHADAS PELA LUZ VERDE vinda de cima. Ele olha para baixo. Agonia passa pelo rosto de Harry e ele tem que se endireitar. Ele olha de esguelha para a caveira acima. Seus olhos se enchem de raiva.

132A. EXTERIOR – TORRE DE ASTRONOMIA – MESMA HORA – NOITE

Snape guia Malfoy e Belatriz pela escadaria em espiral.

132B. INTERIOR – CORREDOR DE SLUGHORN – NOITE

Snape continua liderando, seu rosto uma máscara enquanto ele rodeia uma esquina. ESTUDANTES em pijamas e robes espiam o céu esmeralda, então se viram, fitando curiosamente o professor e seus acompanhantes. Snape passa sem falar nada. Draco desvia dos olhares dos alunos. Belatriz olha maliciosamente para um PEQUENO PRIMEIRANISTA, se inclina na direção dele:

BELATRIZ
Bu.

132C. INTERIOR – PARTE EXTERNA DO SALÃO PRINCIPAL – NOITE

Ouvindo PASSOS, um AUROR se vira, e é ATIRADO no ar quando Snape e os outros aparecem. Belatriz fica para trás, então vai em direção às ENORMES PORTAS do Salão, espiando acima, para além das VELAS FLUTUANTES até o teto abobadado, solene como uma igreja. Erguendo sua varinha, ela manda um JATO DE FOGO em direção à GRANDIOSA JANELA oposta. Enquanto esta EXPLODE, uma RAJADA de VENTO FRIO varre o local, APAGANDO AS VELAS. Snape se vira, olha para trás. Belatriz simplesmente SORRI, uma criança louca.

132D. INTERIOR – CORREDOR – MESMA HORA – NOITE

Ao ouvir o ECO da RAJADA de Belatriz, Rony e Hermione – correndo lado a lado em roupas normais – olham de relance um para o outro, continuam a correr.

132E. EXTERIOR – CASTELO – MESMA HORA – NOITE

Filch, de vigia, olha para cima, observa FRAGMENTOS DE VIDRO caindo da janela como jóias, e permance paralisado até que os fragmentos cortam seu rosto, derramando sangue.

132F. INTERIOR – CORREDOR – MESMA HORA – NOITE

Harry continua correndo, olha de relance para uma janela e vê Snape e os outros correndo por um pátio inferior.

132G. EXTERIOR – PÁTIO INFERIOR – MESMA HORA – NOITE

Malfoy diminui a velocidade, olha de relance para cima, observa os estudantes aparecerem nas janelas para espiar o céu esmeralda. Eles parecem fantasmas em suas roupas de dormir.

BELATRIZ
Draco! Draco!
(enquanto ele se vira)
Eles te matarão se você ficar.

132H. INTERIOR – CORREDOR – MESMA HORA – NOITE

Hermione e Rony abrem caminho pelos outros estudantes, que estão confusos, chorando. McGonagall aparece, encontra o olhar de Rony e Hermione, continua.

132I. EXTERIOR – CABANA DE HAGRID/TERRENOS – MESMA HORA – NOITE

Aqui está silencioso. Uma VISÃO do castelo. Nós nos MANTEMOS nela. Vagarosamente FIGURAS aparecem no horizonte. Os Comensais da Morte. Greyback. Belatriz, Draco. E Snape.