Filmes e peças ︎◆ O Enigma do Príncipe

Roteiro EdP Parte 10: Tradução das cenas 109 ~ 120

Caminhando em direção às últimas edições do nosso período, que visa disponibilizar o roteiro oficial de Harry Potter e o Enigma do Príncipe completamente traduzido, trazemos hoje uma das cenas que os fãs consideraram a mais engraçada de todo o filme.Iniciamos com uma sequência inteiramente nova, que se apresenta logo depois do Harry tomar a Felix Felicis – enquanto anda pelo castelo, ele vê um monitor analisando o próprio bigode, Filch e Madame Nora vigilantes, dois Aurores montando guarda, e até mesmo ajuda um besouro.

Só então ele segue para as estufas e encontra Slughorn mexendo nas plantas da Profª. Sprout. Após o rápido diálogo, os dois seguem para a cabana do Hagrid, onde encontram a Aragogue morta – o Slughorn faz um discurso e os três realizam o enterro do animal.

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Em seguida, estamos na cabana do Hagrid; Horácio conta a história de Francis, o peixe dado pela mãe do Harry. Depois do Hagrid cair no sono, ele finalmente consegue convencer o professor de poções a conceder a memória verdadeira de sua conversa com Tom Riddle.

Vamos, então, ao escritório do Dumbledore, onde assistimos à lembrança, vemos Dumbledore esclarecendo sobre as Horcruxes e convidando o Harry a ajudá-lo a destruir uma recém-descoberta; e aqui há algumas descrições novas e pequenas diferenças no diálogo.

Depois, o trio conversa sobre o Armário Sumidouro durante a ida de Harry à torre de Astronomia; lá, ele encontra Snape discutindo com Dumbledore sobre sua participação. Finalmente, terminamos as cenas de hoje com Harry concordando com as condições de Dumbledore e aparatando com o diretor para a caverna.

Vocês podem conferir a tradução dessas cenas na extensão – onde se encontram links das traduções anteriores -, ou fazer o seu download em pdf clicando aqui!

HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE
Roteiro original ~ Cenas 109 à 120

Warner Brothers
16 de janeiro de 2010
Tradução: Fabianne de Freitas
Revisão: Rodrigo César

Roteiro EdP Parte 1: Tradução das cenas 01 ~ 12
Roteiro EdP Parte 2: Tradução das cenas 13 ~ 24
Roteiro EdP Parte 3: Tradução das cenas 25 ~ 36
Roteiro EdP Parte 4: Tradução das cenas 37 ~ 48
Roteiro EdP Parte 5: Tradução das cenas 49 ~ 60
Roteiro EdP Parte 6: Tradução das cenas 61 ~ 72
Roteiro EdP Parte 7: Tradução das cenas 73 ~ 84
Roteiro EdP Parte 8: Tradução das cenas 85 ~ 96
Roteiro EdP Parte 9: Tradução das cenas 97 ~ 108

109. INTERIOR – CORREDOR – PÔR DO SOL (MOMENTOS DEPOIS)

UM RAPAZ com um DISTINTIVO DE MONITOR patrulha o corredor. Entediado, ele analisa o crescimento de seu RALO BIGODE em um espelho. Harry passa, sem ser visto.

110. INTERIOR – SAGUÃO DE ENTRADA – PÔR DO SOL (MOMENTOS DEPOIS)

Filch caminha, montando guarda, enquanto Madame Nora se senta calmamente perto dele. Um RATO aparece em um elmo ABERTO de um CONJUNTO DE ARMADURA, limpa o seu focinho com as suas patinhas, e então espia Madame Nora – que ASSOBIA. O rato volta rapidamente para dentro da armadura e o ROSTO DE PRATA se fecha com um BARULHO. Enquanto Filch se movimenta, Harry passa despercebido.

111. EXTERIOR – TERRENOS/CASTELO DE HOGWARTS – PÔR DO SOL (MOMENTOS DEPOIS)

DOIS AURORES, com SILHUETAS idênticas, patrulham os terrenos. Harry se aproxima, quase cruzando o caminho deles quando, no último segundo, algo no chão atrai sua atenção. Ele se AJOELHA e vê um BESOURO de barriga para cima, as pernas se agitando impotente. Harry estende seu dedo, deixando o pequeno besouro ganhar equilíbrio, e depois o vira de barriga para baixo…

… enquanto as SOMBRAS dos Aurores vacilam sobre ele e desaparecem. Levantando-se, Harry precipita-se em outra direção, e depois pára, como se fosse compelido por alguma voz interior, e se dirige para o caminho oposto.

112. EXTERIOR – ESTUFA – PÔR DO SOL (MOMENTOS DEPOIS)

Harry MURMURA placidamente. Mais à frente, uma FIGURA ondula além das vidraças esfumaçadas da Estufa. É Slughorn, debruçado sobre uma PLANTA cujos GALHOS enrolam-se assustadoramente, prendendo a sua atenção. Fip! Ele arranca um ramo furtivamente, olha para cima e PULA.

SLUGHORN
Pelas barbas de Merlin, Harry!

HARRY
Desculpe, senhor. Eu devia ter me anunciado.
Limpado a garganta. Tossido. O senhor provavelmente
temia que fosse a Profª. Sprout.

SLUGHORN
Bem, sim, na verdade –
(paranóico)
Por que você pensaria isso?

HARRY
Só pelo seu comportamento, senhor. Esgueirando-se
pelos cantos. O sobressalto quando me viu. Por
falar nisso, aquelas folhas de Tentáculos – elas são
bem valiosas, não são?

SLUGHORN
Dez galeões a folha para o comprador certo – não
que eu esteja familiarizado com estas transações
ilegais. Apenas ouço os rumores. Meus interesses
são puramente acadêmicos, é claro.

HARRY
Pessoalmente, essas plantas sempre meio
que me assustaram.

Harry ESTREMECE levemente os ombros, e sorri. Slughorn empertiga-se, estuda o garoto estranhamente.

SLUGHORN
Exatamente como você conseguiu sair
do castelo, Harry?

HARRY
Pela porta da frente, senhor. Veja bem, estou indo
ver o Hagrid. Ele é um amigo muito querido e senti
que lhe devia uma visita. Então, se o senhor
não se importa, eu vou indo.

SLUGHORN
Harry!

HARRY
Senhor?

SLUGHORN
Está quase anoitecendo. Certamente você sabe que não posso
permitir que fique andando pelos terrenos da escola sozinho.

HARRY
Bem, então, se for por isso, me acompanhe, senhor.

113. EXTERIOR – CABANA DO HAGRID – PÔR DO SOL (MOMENTOS DEPOIS)

Harry aparece em um terreno elevado, caminhando feliz junto com… quando Slughorn aparece, suado e esforçando-se para acompanhá-lo.

SLUGHORN
Harry, eu devo insistir para que você me acompanhe
de volta ao castelo imediatamente!

HARRY
Isso seria contraproducente, senhor.

SLUGHORN
E o que o faz dizer isso?

HARRY
Não faço idéia.

Slughorn franze a testa, impaciente – e depois pára, piscando.

SLUGHORN
Pelas barbas de Merlin…

Mais à frente, Hagrid está sentado, desconsolado, em um toco de árvore. Perto dele, o enorme cadáver de Aragogue pode ser visto, com as pernas para cima.

SLUGHORN
Isso é uma Acromântula de verdade?

HARRY
Uma morta, eu acho, senhor.

NOVO ÂNGULO – SEGUNDOS DEPOIS

Harry e Slughorn se aproximam de um Hagrid taciturno.

HAGRID
‘Arry. ‘Orácio.

SLUGHORN
Meu Deus, homem. Como você
conseguiu matá-lo?

HAGRID
Matá-lo! Ele era meu amigo mais antigo!

SLUGHORN
Desculpe-me, eu… (não sabia)

Slughorn vacila, impotente. Hagrid agita a mão.

HAGRID
Ah, não se preocupe. Você não é o único.
São criaturas muito mal-compreendidas –
as aranhas. São os olhos, eu admito.
Deixam as pessoas nervosas.

HARRY
Para não mencionar as pinças.

Harry faz um movimento com as mãos como se tivesse garras, enquanto imita o som de duas pinças chocando-se. Hagrid olha curiosamente para Harry.

HAGRID
Deve ser isso, também… Como você
conseguiu sair do castelo, aliás?

HARRY
Pela porta da frente.

SLUGHORN
Hagrid. Não quero ser indelicado, mas o veneno
de Acromântula é extraordinariamente raro e,
bem, se você não se importasse de eu extrair
um frasco ou dois – somente para fins acadêmicos…

HAGRID
Não, acho que ele não vai mais precisar, não é?

SLUGHORN
Exatamente o que pensei! Sempre levo umas
ampolas de reserva comigo para ocasiões como esta.
Um hábito de um velho Professor de Poções, você sabe…

Slughorn procura em seus bolsos, tira algumas AMPOLAS PEQUENAS – todas vazias, exceto por uma que contém um VERME PELUDO – e depois dirige-se para perto de Aragogue. Harry e Hagrid observam.

HAGRID
Gostaria que você pudesse vê-lo em sua juventude.
Magnífico, ele era. Simplesmente magnífico…

Hagrid PISCA vigorosamente, depois apanha um lenço e ASSOA RUIDOSAMENTE o nariz nele. Slughorn olha para cima, estuda a expressão triste de Hagrid com empatia e se afasta.

SLUGHORN
Quer que eu diga algumas palavras?
Ele tinha família?

HARRY
Ah, sim.

SLUGHORN
(pigarreando)
Adeus…

Slughorn franze a testa.

HAGRID
Aragogue.

SLUGHORN
(um aceno de cabeça)
Adeus, Aragogue, rei dos aracnídeos.
Mesmo que seu corpo deteriore, o seu espírito
descansa nas teias silenciosas de seu lar, a Floresta.
Que os seus descendentes de muitos olhos continuem
crescendo e que seus amigos humanos encontrem
consolo pela perda que sofreram.

HAGRID
Isso foi… isso foi… lindo.

Hagrid seca os olhos, e então se levanta. Ele anda até Aragogue, estuda-o com afeição, e depois coloca um ombro no enorme corpo da criatura… e o deposita na sepultura recém-cavada com um BARULHO REPULSIVO.

HAGRID/SLUGHORN (FORA DE QUADRO)
(cantando)
E Odo, o herói, foi levado para casa…

114. INTERIOR – CABANA DO HAGRID – NOITE (HORAS DEPOIS)

Harry, Hagrid e Slughorn sentam-se à enorme mesa da cozinha, que está coberta por GARRAFAS VAZIAS DE VINHO. Hagrid e Slughorn parecem estar anestesiados, enquanto Harry parece alerta, concentrado.

HAGRID/SLUGHORN
Para o lugar que jovem conhecera,
e sepultado com o chapéu pelo avesso,
e a varinha partida ao meio, que tristeza…

Após terminar a canção, ambos RIEM. Hagrid pára e enche a caneca de todos com mais vinho. Harry leva a caneca até o colo… então despeja furtivamente em um balde aos seus pés.

HAGRID
Eu cuidei dele desde que estava no ovo, entende.
Era uma coisa pequenininha quando nasceu.
Não maior do que um pequinês.

SLUGHORN
Que lindo. Eu tive um peixe, uma vez.
Francis. Uma coisinha adorável. Um dia
fui até o andar de baixo e ele tinha sumido.
Puf!

HAGRID
Que estranho.

SLUGHORN
Não é? É a vida, eu suponho. Vai seguindo
até que… Puf!

HAGRID
Puf!

HARRY
Puf!

Eles todos acenam com a cabeça sobriamente. Os olhos de Slughorn focam-se no teto.

SLUGHORN
Isso não poderia ser pêlo de unicórnio, Hagrid?

Hagrid olha para cima, cambaleia um pouco. Faz que sim com a cabeça.

SLUGHORN
Mas, meu querido amigo, você sabe
o quanto isso vale?

HAGRID
Não faço idéia… não faço a mínima idéia…

Tum! A enorme cabeça emaranhada de Hagrid bate na mesa. Instantaneamente, ele está RONCANDO, tão PROFUNDAMENTE que a CANECA dele trepida sobre a mesa. Slughorn sorri, olha para Harry, que apenas devolve o olhar. Slughorn desvia o olhar. Repentinamente nervoso. Um VENTO sopra do lado de fora, as vidraças chacoalham.

SLUGHORN
Foi uma aluna que me deu o Francis.
Em uma tarde de primavera, eu vi um
aquário sobre a minha mesa com alguns
centímetros de água cristalina. Lá se
encontrava uma pétala de flor flutuando
na superfície. Enquanto eu olhava, a pétala
afundou, mas um pouco antes de tocar o fundo…
se transformou. Em um peixinho. Foi uma magia
linda, incrível de se ver. A pétala era de lírio (lily).

Ao ouvir lírio (lily), Harry olha para cima. Slughorn acena com a cabeça.

SLUGHORN
Sua mãe. O dia que desci as escadas,
o dia que encontrei o aquário vazio…
foi o dia que ela…

Slughorn hesita, a dor estampada em seu rosto.

SLUGHORN
Eu sei o que você quer. Mas não posso entregar
para você. Isso me arruinaria…

Harry observa a Slughorn por um momento, pensando, e então fala.

HARRY
O senhor sabe por que eu sobrevivi?
Na noite que ganhei isso.

Slughorn olha para cima, vê Harry apontando para a cicatriz.

HARRY
Foi por causa dela. Porque ela se sacrificou.
Porque ela se recusou a sair da minha frente.
Porque o amor dela foi mais poderoso do que Voldemort.

SLUGHORN
Por favor, não diga o –

HARRY
Eu não tenho medo do nome,
Professor. E não tenho medo dele. E o
senhor não devia ter também. Ela não
morreu só por mim naquela noite. Morreu
pelo senhor também. Morreu por todos os que
já acordaram no meio da noite assustados
porque um Comensal da Morte podia estar na
porta de suas casas.

Slughorn olha para a vela pingando cera à sua frente.

HARRY
Professor, eu vou lhe contar uma coisa,
uma coisa que os outros apenas imaginam.
É verdade. Eu sou O Eleito.

Slughorn olha para cima. Harry acena com a cabeça.

HARRY
Só eu posso matá-lo. Mas para fazer
isso, eu preciso saber o que Tom Riddle
perguntou ao senhor naquela noite
em seu escritório, anos atrás. E eu preciso
saber o que o senhor contou para ele.

Os olhos de Slughorn se enchem de lágrimas, suas mãos tremem.

HARRY
Seja corajoso, professor. Seja corajoso como
a minha mãe. Se não, o senhor a terá
destruído. Se não, ela terá morrido em vão.
Se não, o aquário ficará vazio para sempre.

Slughorn balança a cabeça, olhando fixamente para a vela. Finalmente, devagar, ele apanha a varinha.

SLUGHORN
Não pense tão mal de mim depois que ver
isso. Você não sabe como ele era…
mesmo naquela época.

Slughorn apanha uma pequena ampola – a que continha o VERME – mas suas mãos tremem tão violentamente, que Harry tem que ajudá-lo. Lentamente, Slughorn levanta a sua varinha até tocar sua têmpora e retira um FIO LONGO E PRATEADO. Harry oferece a ampola e… ele deposita o fio dentro do objeto.

115. INTERIOR – ESCRITÓRIO DO DUMBLEDORE – NOITE

Dumbledore segura a ampola maravilhado. O verme permanece assustadoramente suspenso.

DUMBLEDORE
Como ele está? Horácio?

Harry encolhe os ombros. Dumbledore assente, e então inclina a sua mão. Um LONGO fio fica suspenso no ar. Forma-se uma pérola… e conforme ela se sustenta no ar… Harry desvia o olhar, notando um DESENHO sobre a mesa de Dumbledore, um dos desenhos de Tom Riddle vistos no orfanato, da CAVERNA e do nítido AFLORAMENTO. E depois… a pérola cai.

116. FLASHBACK – INTERIOR – ESCRITÓRIO DO SLUGHORN – NOITE (ANOS ATRÁS)

Como antes. As LABAREDAS CREPITANTES do FOGO. Slughorn, um círculo de seis. Riddle comandando a sala.

TOM RIDDLE
Senhor, é verdade que a Profª.
Merrythought está se aposentando?

Slughorn ri, balançando um dedo coberto de açúcar na direção de Riddle.

SLUGHORN
Agora, Tom, eu não poderia contar
mesmo se soubesse, certo? Eu devo dizer,
meu garoto, gostaria de saber onde você
consegue suas informações. Você é mais
informado que metade dos funcionários.
(os outros garotos riem)
Falando nisso, obrigado pelo abacaxi –
você está certo, é meu preferido – como sabia?

TOM RIDDLE
Intuição.

SLUGHORN
(ri nervosamente)
Meu Deus, já é tão tarde? Vamos indo,
garotos, ou o Prof. Dippet colocará todos
nós em detenção. Lestrange, Avery,
não se esqueçam de seus deveres de casa…

Os outros saem, quando – PLIM! – Slughorn se vira, olha para a ampulheta, e vê que Tom Riddle ainda está lá.

SLUGHORN
Ande logo, Tom. Você não quer ser pego fora
da cama depois do horário…

TOM RIDDLE
Eu conheço uma ou duas passagens secretas.

SLUGHORN
Sim, eu imagino que você conheça.
Algo na sua mente, Tom?

TOM RIDDLE
Sim, senhor. Eu não pude pensar em outra pessoa
para perguntar. Os outros professores, bem, eles
não são como o senhor. Eles podem… entender mal.

SLUGHORN
Prossiga.

TOM RIDDLE
Eu estava na biblioteca noite passada, na
Seção Restrita, e li algo bem estranho sobre
um tipo de magia rara e pensei que talvez o
senhor pudesse me explicar. É chamado,
pelo o que eu entendi… de Horcrux.

O fraco sorriso de Slughorn desaparece.

SLUGHORN
Como?

TOM RIDDLE
Horcrux. Eu me deparei com o termo quando
estava lendo e não entendi muito bem.

SLUGHORN
Não sei o que você tem lido, Tom, mas isso
é magia muito Negra, magia Negra de verdade.

TOM RIDDLE
Sim, senhor. E é por isso que perguntei ao senhor.
Quero dizer, não quero ser desrespeitoso com os demais
professores, mas pensei que se alguém poderia me explicar…
seria o senhor.

Slughorn franze a testa, visivelmente perturbado, e então fala baixo.

SLUGHORN
Uma Horcrux é um objeto no qual uma pessoa
guardou parte de sua alma.

TOM RIDDLE
Sim, pensei que seria algo do tipo. Mas não
entendo como funciona, senhor.

SLUGHORN
A pessoa divide a alma e esconde uma parte dela
no objeto. Ao fazer isso, você está protegido no
caso de ser atacado e ter o corpo destruído.

TOM RIDDLE
Protegido?

SLUGHORN
A parte de sua alma que está escondida continua
vivendo. Em outras palavras, você não morre.

Riddle acena com a cabeça e SE VIRA, encarando a si mesmo no espelho da parede oposta. Um vestígio de brilho VERMELHO em seus olhos.

TOM RIDDLE
Como se faz para dividir a alma, senhor?

SLUGHORN
Eu acho que você pode adivinhar a resposta
correta, Tom.

TOM RIDDLE
Assassinato.

SLUGHORN
Sim. Matar mutila a alma. É uma violação da natureza.
Depois disso, ninguém é mais o mesmo.

TOM RIDDLE
Só por curiosidade, senhor – só se pode dividir a alma
uma vez? Por exemplo, não seria sete o número
mágico mais poderoso –

SLUGHORN
Sete! Pelas barbas de Merlin, Tom!
Não é ruim o suficiente pensar em matar uma pessoa?
Dividir a alma em sete partes…
(parando; preocupado)
Isso é tudo hipotético, não é, Tom?
Para fins acadêmicos…

TOM RIDDLE
É claro, senhor. E eu prometo que não falarei
sobre a nossa conversa. Será o nosso segredinho…

Riddle estende a mão e então aperta a CHAMA de uma vela, apagando-a. Conforme a FUMAÇA SOBE, nós –

(DISSOLVEMOS PARA)

117. INTERIOR – ESCRITÓRIO DO DUMBLEDORE – MESMA HORA – NOITE (PRESENTE)

… a superfície da Penseira, onde Riddle estremece. Nós MUDAMOS O FOCO e o rosto preocupado de Dumbledore se sobrepõe ao de Riddle.

HARRY
Senhor –

Dumbledore levanta a sua mão machucada, silenciando-o, e se vira. Harry estuda o diretor, esperando, o silêncio palpável.

DUMBLEDORE
(assombrado)
Isso vai além de tudo o que imaginei.
Em minha vida, vi coisas inimaginavelmente horríveis.
Agora eu sei… você verá piores.

Dumbledore desvia o olhar, com uma expressão distante. Harry o assiste com atenção, assim como os DIRETORES nos quadros acima. Finalmente, como uma tentativa, Harry fala.

HARRY
Quer dizer que ele conseguiu, senhor?
Fazer uma Horcrux?

DUMBLEDORE
Ah, ele conseguiu. E não apenas uma vez.
Pense, Harry. Ele acabou de nos contar.

HARRY
Sete. Ele fez sete – o número mágico mais poderoso.
Mas… o que elas são, exatamente?

DUMBLEDORE
Elas podem ser qualquer coisa. Os objetos
mais comuns. Um anel, por exemplo. Ou um livro…

Dumbledore abre uma gaveta, tira o ANEL e o DIÁRIO destruído de Tom Riddle.

HARRY
O diário de Tom Riddle –

DUMBLEDORE
É uma Horcrux, sim. Há quatro anos, quando você
salvou a vida de Gina Weasley na Câmara Secreta,
quando você me trouxe isso
(segurando o diário)
Eu soube. Este era um tipo diferente de magia.
Muito negra. Muito poderosa. Mas até esta noite,
eu não tinha idéia do quão poderosa…

HARRY
E o anel… ?

DUMBLEDORE
Pertenceu à mãe de Voldemort.
Foi difícil de encontrar e…
(levantando a mão machucada)
… ainda mais difícil de destruir.

HARRY
Mas se você pudesse encontrar todas elas.
Se você destruísse cada Horcrux…

DUMBLEDORE
Poderia matar Voldemort.

Harry começa a estender a mão para o anel…

HARRY
Mas como você as encontraria? Elas podem
estar escondidas em qualquer lugar, não podem…

DUMBLEDORE
É verdade. Mas magia, especialmente a magia Negra…

Somente então, no momento que os dedos de Harry fazem contato com o anel, IMAGENS LAMPEJAM em uma sucessão VERTIGINOSA: o ROSTO de VOLDEMORT, retorcido pela dor. Uma CASA ABANDONADA, no fundo de uma clareira assombrada. Uma TAÇA ANTIGA, brilhando conforme cai das mãos de uma mulher idosa. Uma COBRA (NAGINI) rastejando pela grama úmida. Dumbledore colocando o anel no dedo, contraindo-se conforme a sua pele cai…

DUMBLEDORE
… deixa rastros.

A mão fechada de Harry TREME, e se ABRE. O anel corre pela mesa de Dumbledore e Harry leva uma das mãos ao peito, um olhar de assombro no rosto. Dumbledore vê o anel girar, e depois olha para Harry e lentamente estende a própria mão, tocando levemente o centro do peito de Harry com as pontas dos dedos cinzentos, como se estivesse lendo em Braille, como se pudesse, de alguma forma, “ver” dentro do coração do garoto. Trepidação – e entendimento – passam pelo seu rosto.

HARRY
Era para onde o senhor estava indo, não é?
Quando se ausentava da escola.

Os olhos de Harry se dirigem novamente para o desenho sobre a mesa. Dumbledore recolhe a mão, assente com a cabeça, ainda estudando Harry estranhamente, e sua voz, quando ele fala, parece distante.

DUMBLEDORE
Sim. E acho… que talvez… eu possa ter
encontrado outra. Mas dessa vez, não
posso esperar destruí-la sozinho.

Harry olha nos olhos do diretor. Dumbledore acena com a cabeça.

DUMBLEDORE
Mais uma vez, devo pedir muito de você.

118. INTERIOR / EXTERIOR – CORREDOR DO GÁRGULA – MAIS TARDE

Harry está de pé frente a uma janela, olhando para fora. Ele leva os dedos ao peito mais uma vez, quando… Hermione aparece atrás dele.

HERMIONE
Harry. Está na hora.

119. INTERIOR / EXTERIOR – JARDINS – MAIS TARDE (MOMENTOS DEPOIS)

Harry, Hermione e Rony caminham.

HARRY
Hermione, a Sala Precisa é impossível
de ser mapeada?

HERMIONE
Se quiserem que ela seja. Por que?

HARRY
Isso explicaria o por quê que pensei que Malfoy
estava saindo do castelo quando ele desaparecia do mapa.

HARRY
Ele estava indo para a Sala Precisa.

HERMIONE
É claro, e isso explica o Armário Sumidouro também!

RONY
Não. Recebi uma coruja do papai esta manhã.
Aquele na Borgin & Burkes? Ainda está lá.

HARRY
Mas eu estou dizendo. Eu vi

Nessa hora, os gêmeos aparecem e passam. Harry os acompanha com o olhar, um pensamento se formando.

HARRY
E se houver dois? Armários Sumidouros.

HERMIONE
E se houver?

HARRY
Não sei…

Harry vê os gêmeos virarem o corredor e desaparecerem.

RONY
Boa sorte, cara.

Harry se vira para Rony e Hermione, nenhum dos dois capazes de entender completamente a preocupação dele. Ele sorri, confiante, e continua.

HARRY
Não preciso de sorte. Estarei com Dumbledore.

120. EXTERIOR – TORRE DE ASTRONOMIA – PÔR DO SOL (MAIS TARDE)

Conforme Harry sobe as escadas em espiral, ele ouve VOZES virem da parte mais alta da torre e pára, olhando para cima através do chão gradeado: Dumbledore e Snape.

SNAPE
Você já considerou que você me pede demais?
Que espera demais de mim?
Já passou pela sua mente brilhante que não
quero mais fazer isso?

DUMBLEDORE
Se já pensei ou não é irrelevante. Não negociarei
isso com você, Severo. Você aceitou. Não há mais
nada para discutir.

Harry fica parado, olhando para cima, onde Dumbledore assiste, com os olhos semicerrados, ao sol se pôr e Snape olha para as costas do diretor. Finalmente, Snape sai e – antes que Harry possa se mover – desce as escadas. Vendo Harry, Snape hesita brevemente, e depois continua o seu caminho em silêncio. Conforme o som de seus passos desaparecem, Harry sobe para o topo da torre. Dumbledore se vira. Sorri.

DUMBLEDORE
Harry. Você precisa se barbear, meu amigo.

Harry passa a mão no rosto.

DUMBLEDORE
Às vezes, esqueço o quanto você cresceu.
Às vezes, ainda vejo o garotinho do armário sob
as escadas.
(sorrindo)
Desculpe a minha pieguice, Harry. Eu
sou um homem velho.

HARRY
O senhor parece o mesmo para mim, senhor.

DUMBLEDORE
Como a sua mãe, você é extremamente gentil.
Uma característica que as pessoas insistem
em subestimar, infelizmente.

Dumbledore se vira, então, olhando o céu vermelho novamente.

DUMBLEDORE
O lugar para onde iremos esta noite é extremamente
perigoso, Harry. Eu prometi que você poderia me
acompanhar e cumprirei a promessa. Mas há
uma condição: você deve obedecer a qualquer
ordem que eu lhe der – sem questionar.

HARRY
Sim, senhor.

DUMBLEDORE
Entenda o que estou dizendo. Se eu disser
para você se esconder, você deverá se esconder.

Harry assente.

DUMBLEDORE
Se eu disser para você correr, você corre.

Harry assente.

DUMBLEDORE
E se eu lhe disser para me abandonar e se salvar…

Harry levanta os olhos, encontra os de Dumbledore.

DUMBLEDORE
Você fará.

Harry hesita.

DUMBLEDORE
Prometa-me, Harry.

Harry debate sobre isso internamente, e então, finalmente, concorda.

HARRY
Eu prometo.

DUMBLEDORE
Segure meu braço.

HARRY
Senhor, pensei que não se podia Aparatar
nos terrenos de Hogwarts.

DUMBLEDORE
Ser eu tem suas vantagens.

O VENTO RUGE e Harry estende a mão. A CAPA de Dumbledore BALANÇA e nós somos JOGADOS NA…