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Os antigos Harry Potter

Nós já falamos demais sobre aqueles que poderiam tomar o lugar de Harry nas prateleiras de infanto-juvenil ou na cabeça dos jovens. Para estrear 2010, Rodrigo Bruno comenta sobre obras que já foram a febre da época, e que continuam famosas hoje: os clássicos.

Leia a coluna completa aqui e comente! Feliz 2010 para todos!

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Por Rodrigo Bruno

Como todos vocês estão carecas de saber, de tempos em tempos a mídia sempre aparece com um “novo Harry Potter” que do dia para a noite começa a figurar nas mais diversas listas de best-seller do mundo à fora: Túneis, Crepúsculo, Percy Jackson, Marcada, Eragon…. e por aí vai. O simples fato de um livro receber esse rótulo de “novo Harry Potter” desencadeia um processo de vendas que lhe garante um lugar nas listas de mais vendidos, já não importando mais a qualidade (ou falta dela) desse novo aspirante ao sucesso.

É pouco provável, mas talvez apareça algum livro que tenha o mesmo desempenho comercial de HP, embora nenhum consegua alcançar a função social que esse exerceu. Os livros de Harry Potter influenciaram milhões de crianças, jovens e adultos no mundo inteiro. Eles trouxeram um número incalculável de pessoas para a literatura. Pessoas que antes nunca sequer tinham aberto um livro passaram a descobrir os prazeres da boa escrita com Harry e sua turma. O lado negativo disto, se é que existe um, é que essas pessoas acabaram viciando-se nos chamados best-seller. Como um drogado, elas agora aguardam ávidas os lançamentos das infinitas seqüências das incontáveis séries. É incrível como todo o livro publicado atualmente tem que vir obrigatoriamente com uma continuação. Quase não se vê mais no mercado editorial aquele bom e objetivo volume único, onde a história começa e termina no mesmo livro. Pelo contrário, agora somos obrigados a comprar 4 ou 5 livros caso desejemos saber o desfecho de uma trama, trama esta que poderia perfeitamente ser contado em apenas 1 livro, se bem administrado esse “espaço”. Claro que nem todos se encaixam nesse perfil, mas em alguns livros fica tão claro a “encheção de lingüiça” para poder vendar mais exemplares, que chega a ser irritante. Pouquíssimos autores conseguem manter a qualidade de uma história que não acaba no primeiro livro, e J. K. Rowling é uma das que consegue executar com maestria tal façanha.

Talvez fosse o caso desses jovens leitores pararem de correr atrás de “novos Harry Potter”, e tentarem redescobrir os clássicos da literatura mundial. Clássicos esses que a própria J.K lia, e de onde até mesmo buscou inspiração (na forma de escrever) para criar seu primeiro livro. Eu mesmo posso citar vários autores e obras clássicas aqui que deveriam, obrigatoriamente, ser lidas por todos aqueles que se dizem apaixonados por literatura. Exemplo: Orgulho e preconceito – Jane Austen, Dom Quixote – Miguel de Cervantes, Suave é a noite – F. Scott F, Paraíso Perdido – John Milton, O Morro dos Ventos Uivantes – Emily Brontë (esse aqui está tendo uma grande procura atualmente, pelo fato de ter sido citado em Crepúsculo, um dos “novos Harry Potter), Primeiro Amor – Ivan Turguêniev, Guerra e Paz – Liev Tolstoi, Rei Lear – William Shakespeare, No Caminho de Swann – Marcel Proust; ou os brasileiros: Encontro Marcado – Fernando Sabino, Crônica da casa Assassinada – Lucio Cardoso, O vampiro de Curitiba – Dalton Trevisan, … Pra quem quer histórias do gênero fantasia temos os sempre lembrados O Senhor dos Anéis – J.R.R. Tolkien e As Crônicas de Nárnia – C.S. Lewis, entre muitos outros do mundo inteiro. Acho que já está na hora de os fãs de HP descobrirem quantos livros bons já existiam antes de seu herói bruxo ser criado. E essa pequena lista que eu fiz acima é um ótimo começo. Quem realmente se interessar pode pedir indicações, pois minha lista de clássicos é gigantesca; sendo que o livro não precisa necessariamente ter vendido milhões e milhões de cópias para entrar nela, basta ser bem escrito e influente de alguma forma, mesmo que seja somente para mim.

Mas voltando as publicações novas, o fato é que Harry Potter é único e insubstituível. Sinceramente acredito que nenhum livro conseguirá alcançar o seu posto e êxito – tanto editorial quanto social. É claro que sempre aparecerão novos livros e autores, sendo que muitos desses provavelmente sejam bons, mas a verdade é que nenhum poderá realmente ser igualado a HP, nenhum é realmente bom o suficiente para ganhar o titulo de “Novo Harry Potter”, e não falo isso como incondicional amante da série e sim como um “projeto de crítico literário”. Em vez de procurar incansavelmente “novos Harry”, eu prefiro recorrer aos “Antigos” que sempre tem boas histórias esperando por mim. E se essa coluna conseguiu despertar em você ao menos uma fagulha de curiosidade em relação aos Clássicos, então leia-os, tenho certeza que você ira se surpreender…

Rodrigo Bruno é um grande leitor.