Artigos

Novos amigos para o Natal

Como o Natal é época de nos unirmos com aqueles que gostamos, vamos comemorar com uma coluna conjunta falando sobre aqueles livros que aliviam a nossa carência de Harry Potter! Nessa coluna Igor Silva, Rodrigo Bruno, Bruna Moreno e eu falaremos sobre os nossos novos Harry – que não ocuparam o lugar do bruxo nos nossos corações, mas que aprendemos a amar também.

Peguem essas dicas aqui e ganhe novos amigos com essas novas histórias!

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

As Crônicas Kane – Rick Riordan
Igor Silva

Desde a morte de sua mãe, Carter e Sadie têm ficado perto de estranhos. Enquanto Sadie tem vivido com os avós, em Londres, seu irmão tem viajado o mundo com seu pai, um brilhante egiptólogo, Dr. Julius Kane.

Uma noite, o Dr. Kane traz os irmãos para uma “experiência de pesquisa” no Museu Britânico, onde ele espera acertar as coisas com sua família. Ao contrário, ele liberta o deus egípcio Set, que o expulsa ao esquecimento e força as crianças a fugir para salvarem suas vidas.
Logo, Sadie e Carter descobrem que os deuses do Egito estão acordando e, o pior deles – Set – tem vigiado os Kanes. Para detê-lo, os irmãos embarcam em uma perigosa viagem ao redor do mundo – uma busca que os traz cada vez mais perto da verdade sobre sua família e seus vínculos com uma ordem secreta que existiu desde o tempo dos faraós.

O fato de Percy Jackson, primeira experiência em literatura seriada do autor, ter sido um sucesso, sendo até adaptada pela Fox, criou uma ótima publicidade e uma ansiedade em torno da próxima série de Rick. Dessa vez focado em mitologia egípcia, o autor pode surpreender, visto que o 1º livro tem previsão de lançamento no dia 04/05/2010 e será publicado um volume por ano. Corre o risco de causar desespero semelhante ao de Deathly Hallows.

Como será o início de uma série consagrada, nós brasileiros poderemos sentir o gostinho de acompanhar livro a livro, assim como Harry Potter, o que pode alavancar as vendas

Eragon – Christopher Paolini
Rodrigo Bruno

Quando fui convidado para colaborar com esta coluna conjunta, indicando qual livro eu consideraria como um “novo Harry Potter”, eu me dei conta que não considero nenhum. Então, fiquei pensado qual dos livros de fantasia que li ficaria em segundo lugar na minha lista, abaixo, logicamente, de Harry. Pois bem, sob tortura e contra vontade, eu resolvi revelar-lhes meu indicado ao posto de “Novo HP”.

Sempre me chamou a atenção o fato de este livro ter começado a ser escrito quando Christopher tinha ainda 15 anos. Tudo se iniciou quando ele resolveu “criar” (já que a principio era apenas um hobby, sem intenção de ser publicado) uma historia que misturasse todas as coisas que ele gostava nos diversos livros de fantasia. Com caderno e caneta na mão, Paolini levou o próximo mês para planejar sua trilogia. Quando chegou a seis páginas, ele notou que aquilo poderia virar um livro… lembrando, ele era apenas um garoto de 15 anos. A partir disso, Christopher passou a escrever incansavelmente, levando cerca de um ano para terminar o primeiro rascunho de Eragon. Depois mais um ano para reescrevê-lo, melhorá-lo. Seus pais, donos de uma pequena editora independente, resolveram publicar o livro do filho. E no terceiro ano depois da idéia inicial, surgiu uma edição com desenhos de dragões e mapas, feitos pelo próprio autor. Então, com sua família, o próximo ano foi passado promovendo o livro. Foram feitas apresentações em livrarias e escolas secundárias pelos EUA; na maioria das apresentações, Paolini vestia-se com a roupa medieval com uma camiseta vermelha, calças de ganga pretas, botas e uma capa negra.

Com isso, uma grande editora comprou o direito de publicar Eragon e os demais livros do “ciclo da herança”, e aos 19 anos Christopher Paolini já figurava a lista dos mais vendidos do The New York Times. Atualmente com mais de 15 milhões de livros vendidos.

Que fique claro que não considero Eragon tão bom e bem escrito quanto Harry Potter, mas ele é meu segundo livro de fantasia, apesar de não ter me agradado o fato de o autor ter se deixado seduzir pelas cifras e decidir, de repente, transformar sua trilogia em uma série com 4 livros. Eu o elegeria não por seu volume de vendas (afinal muitas outras séries venderem mais que essa) ou por ter sido adaptado para o cinema (já que a bilheteria foi baixa e o filme ficou totalmente diferente do livro – para pior, muito pior), mas sim porque ele despertou em mim o mesmo interesse e entusiasmo que senti quando descobri HP há alguns anos atrás.

Percy Jackson e os Olimpianos – Rick Riordan
Pâmela Lima

Segundo livro do Rick nessa coluna, e seu livro de estréia também. Percy Jackson é um garoto de 12 anos com déficit de atenção e dislexia que sempre arranja problemas nas escolas em que estuda. Seu pai sumiu – não morreu – quando ele ainda era um bebê e sua mãe vive agora com um homem mostruoso e fedorento. O único amigo de Percy, Grover, é o bode expiatório da escola. E então um passeio escolar a um museu de História Antiga revela que sua mãe tem um motivo para estar casada com aquele homem, seu amigo é muito mais bode que expiatório, sua dislexia indica adaptação natural ao grego antigo, seu déficit de atenção é puro reflexo de campos de batalha e seu pai é um deus do Olimpo!

No Acampamento Meio-Sangue, onde os filhos de deuses vão para passar as férias e aprender a enfrentar monstros, Percy ganha novos amigos, novos inimigos, conselhos valiosos e missões, além de ficar frente è frente com todos aqueles seres, heróis e deuses que nós só conhecemos pelas aulas de história.

Percy é meu novo Harry, definitivamente. Não sei se vai marcar época como Harry marcou, mas sei que é um sucessor à altura. Assim como na nossa saga preferida, nessa é muito fácil se envolver com os personaagens e se emocionar com a história. Algumas semelhanças com Harry? Sim. Possível plágio? Não. Até porque Percy Jackson tem outra narrativa, outro tempo e outro ponto de vista. É mais engraçado, mais leve e, quando se trata de não ser leve, tem mais batalhas.

O filme será lançado em fevereiro e, apesar das milhões de mudanças, já promete ser um sucesso. Porque fã que é fã, como nós somos de Harry, sabe que mesmo que o filme seja ruim nós sempre lotamos as salas de cinema!

Fahrenheit 451 – Ray Bradbury
Bruna Moreno

Ainda que imaginário e alternativo, o futuro retratado por esta obra de Bradbury é absurdamente contemporâneo. Nele, a sociedade é alienada e censurada não por um regime totalitário, mas pelos próprios meios midiáticos: todo cômodo de toda cada é infestado por televisões, cuja programação é preparada a fim de atender o gosto de cada um, e cada personagem de propaganda é tratado praticamente como um membro da família. Neste cenário, os bombeiros exercem um papel fundamental ─ não como extintores do fogo, mas como seus indutores: sua tarefa é queimar todo e qualquer livro, a fim de se evitar que o conhecimento seja acessível, e manter a preguiça geral adversa ao pensamento.

O leitor perpassa esta história sob a perspectiva de Montag, um bombeiro que, assim como todos os outros cidadãos, simplesmente existe, sem de fato viver. Seus esforços são em prol de sua esposa, Mildred, que se entorpece com pílulas durante a noite e com televisão durante o dia. Um dia, porém, sua vida vazia é transformada ao conhecer Clarisse, sua vizinha “adolescente e louca”, como ela própria se diz. Sua loucura? Ela passa o dia observando e questionando tudo ao seu redor.

Clarisse é o gatilho que impulsiona a crise ideológica de Montag, e quando ela misteriosamente desaparece, o bombeiro resolve finalmente se rebelar contra sua função e contra a ordem estabelecida.
Montag pode não ser o herói puro como Harry Potter ─ isto é, ele não é alguém que nunca se moldou à sociedade, e que nunca mudou, ou precisou mudar, seus valores ─, mas é o herói da causa, do que é certo, do bem maior, ainda tanto quanto Harry. Seu não aceitar não é mera rebeldia, é o desgosto pelo errado e pelo injusto, é o entendimento do prejudicial.

A guerra que trava contra a sociedade e o regime midiático é guiada por Clarisse, sua representação do ideal (algo como poderiam ser James e Lily para Harry), e orientada por Faber, um velhinho a quem Montag atribui a detenção de toda a verdade (um Dumbledore, podemos dizer). Faber, no entanto, assim como nosso querido diretor, conduz o herói somente por parte do caminho; o resto, e o mais difícil, sobretudo, deve ser realizado pelas mãos jovens e solitárias.

Chega a ser quase uma piada interna potteriana o fato de que um dos últimos aliados de Montag, ao final, tem o sobrenome Granger ─ aliás, líder intelectual, inteligentíssimo, que sabe de cor páginas e páginas das grandes obras literárias (talvez até de “Hogwarts, uma história”).
Mas por que “novo” Harry Potter? Embora tenha sido escrito em 1953, “Fahrenheit 451” é uma perfeita paródia do mundo pós-moderno, em sua pior acepção, em que vivemos. E Montag, mesmo sem poderes mágicos, científicos ou sobrenaturais, tem os dois maiores poderes de todos: a certeza e a vontade.

Por isso digo que este livro não é só “novo”, mas “nobilíssimo”.

A Equipe de Colunistas do Potterish deseja um Feliz Natal para todos.