Artigos

O novo Harry Potter

Quem de nós, fãs de Harry Potter, não se sentiu orfão depois que a série terminou? E quem não tentou substituir o vazio que Harry deixou, de alguma forma? Por isso muitas novas séries de livros vêm se intitulando os novos Harry Potter e tentando preencher o espaço do bruxinho na cabeça dos leitores – e obviamente na lista de best-seller. Mas qual delas tem realmente essa chance? Igor Silva dá sua opinião nessa coluna, comentando alguns desses títulos e o que ele pensa sobre sua qualidade literária. Leiam e comentem!

Por Igor Silva

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Desde o fim da série Harry Potter , precisamente no dia 21/07/07, muito se especula sobre a possível idéia da nossa querida J. K. Rowling de escrever um 8º livro. Diante das centenas (e por que não milhares?) de negativas partindo da autora, surgem novas séries no mercado editorial mundial que por muito tempo foram “abafadas” pelo nosso bruxinho.

Agora vivemos um outro momento, chamada por mim e por tantos de “depressão pós-HP”, e muitos tentam (muitas vezes em vão) encontrar nas páginas de outros autores, preencherem o vazio que HP causara no seu peito.

Aproveitando do nosso sentimento, milhares de livros vêm se intitulando “O NOVO HARRY POTTER”. Estratégia de marketing? Qualidade literária? Uma forma de atrair a atenção para uma obra e torná-la famosa (ou digna)? Procurarei descrever aqui todos esses “fenômenos” citando os títulos que se auto-proclamam (ou são proclamados pela mídia) como substitutos da obra de Jô, analisando se elas são de fato dignas desse crédito.

Se você chamar uma adolescente de 15, 16 anos agora e perguntar a ela “qual livro você julga ser melhor que Harry Potter?”, ela provavelmente dirá Crepúsculo, se perguntar para uma já mais crescidinha, dirá The House of light, para um rocco-maníaco, Septimus Heap, para a Larissa Almeida (que ela me perdoe), Eragon e por aí vai. São obras muitas vezes lançadas pouco tempo depois de HP e que encabeçaram, durante algumas semanas, a lista de mais vendidos do The New York Times.

Vamos ver o mérito de cada uma.

The House of night: Marcada, Traída, Choosen (Escolhida), Untamed (Indomada) e Hunted (Caçada)

P. C. Cast e Kristin Cast

The House of night é uma série bem peculiar e estranha. Poucas vezes na minha vida me deparei com um livro tão complexo e repleto de adoração à deusa.

Em um mundo paralelo, onde vampiros convivem com seres humanos, Zoey Redbird tem uma vida típica de uma jovem americana: uma amiga fútil, um namorado que dá mais atenção a uma lata de cerveja do que a ela, uma irmã “perfeita” que é cheerleader da escola e uma família que tenta mostrar aos vizinhos o que não é.

Tudo muda na vida de Zoey quando ela é marcada por um vampiro rastreador: uma marca em forma de lua crescente na sua testa que mutará seu corpo nos próximos quatro anos.

Com isso, ela se vê obrigada a se mudar para o colégio de vampiros, a Casa da Noite (daí o nome da série). No caminho, ela bate a cabeça nas pedras e se machuca gravemente, tendo uma EQM, onde se encontra com Nyx, a deusa grega da noite e suposta mãe dos vampiros. Nyx a nomeia “seus olhos e seus ouvidos no mundo humano. A verdadeira filha da noite”. Após esse encontro, sua marca está completamente preenchida, algo impossível para uma recém-marcada, visto que a lua crescente dos vampiros só se completa após a maturidade.

Com o tempo, Zoey descobre ser a única sacerdotisa da história a ter afinidade com os cinco elementos: água, ar, fogo, terra e espírito.

Até esse ponto, tudo bem. O que me incomodou nessa série foi o aparente descaso das autoras para com as suas personagens: uma linguagem fútil, recheada de adjetivos pouco desejosos. E um ponto bem esquisito: Marcada parece não ter clímax. A história se desenrola em uma velocidade anormal e o primeiro livro mais parece um prólogo do que uma obra em si. Simplesmente não vejo como essa obra pode “ganhar” de Harry Potter, tratando-se de qualidade literária. É um bom passatempo (pra quem tem paciência), mas estilo literário… Bem, deixo as conclusões com vocês.


Septimus Heap – Magya, Flyte (Voar), Phisk, Quest e Syren

Angie Sage

Taí uma série que vale a pena ler, especialmente para quem gosta de Harry Potter. Septimus Heap tem a mesma aura mágica em torno de seus personagens, o mesmo mistério passado por Rowling, mas engana-se quem acha que é mera cópia de HP. Não… Septimus vai além de fórmulas pré-concebidas e é, sobretudo, uma história para se empolgar.

Septimus é o sétimo filho do sétimo filho da família Heap, é seqüestrado após nascer e é dado como morto. Na noite do seqüestro, Silas Heap adota uma menina de olhos violeta, recém-nascida e jogada na neve. Entretanto, Dom Daniel, um mago muito poderoso, se entrega à magia negra e mata a rainha (mãe de Septimus) por vingança, mas deixa escapar a misteriosa menina, herdeira do trono.

Os destinos dessas duas crianças se cruzarão e juntos, terão de derrotar Dom Daniel, ao passo que tentam descobrir mais sobre seus respectivos passados.

Essa série tem de tudo um pouco: magia, suspense e muito humor. É daqueles livros que você lê a primeira página sem compromisso e simplesmente não consegue largar pra ver o que acontece.

Tem grandes possibilidades de superar as vendas de Harry Potter, não só pela mesma temática, mas pelo fato dos direitos de filmagem também terem sido comprados pela Warner Bros. E ser apontada como possível sucessora da franquia HP, que como todos nós sabemos, é um dos carros chefes da companhia.


Southern Vampire Mysteries – “Morto até o anoitecer” e “Morto e vivendo em Dalas”.

Charlaine Harris

Outra série interessante, mas que não fará tanto sucesso devido a Twilight. Em Southern Vampire Mysteries, conhecemos Sookie, uma garçonete extremamente simpática (e bem menos enfadonha do que Bella Swan) que não sonha com um príncipe encantado, mas sim com um vampiro encantado.

Assim como em The House of night, os vampiros transitam livremente entre os humanos, com a diferença de que aqui, eles conquistaram esse direito comprometendo-se a beber apenas sangue sintético (uma espécie de sangue fabricado em laboratório e que vem em garrafinhas).

Sookie procura tanto que acaba encontrando Bill Compton e se apaixona por ele. Juntos, eles vão se envolver em uma paixão curiosa (e divertida) ao passo que tentam desvendar uma série de assassinatos inexplicáveis.

Infelizmente, o livro segue o mesmo padrão de uma mortal que se apaixona por um vampiro, sendo por vezes comparado a Twilight. Apesar de ser muito mais bem escrito que o anterior, creio que não conseguirá superar HP, o que é uma pena, visto que é uma série impecável.

Artemis Fowl – “O menino prodígio do crime”, “Uma aventura no Ártico”, “O Código Eterno”, “A Vingança de Opala”, “A colônia perdida”, ”O paradoxo do tempo”, “Arquivo Artemis Fowl”.

Eoin Coifer

Bem vindos a essa série fantástica. Artemis Fowl é, sem sombra de dúvidas, uma das obras primas do cenário internacional.

Enquanto Harry é leal e corajoso, Artemis é extremamente esperto (e criminoso). Esse garoto é descendente de um clã de ladrões, seqüestradores, golpistas e todo tipo de corja que se possa imaginar.

Quando seu pai se perde em uma negociação com a máfia russa e sua mãe perde sua sanidade mental, Artemis se vê na obrigação de recuperar a fortuna dos Fowl. Para isso, ele monta um engenhoso plano para seqüestrar uma fada e assim roubar o ouro que fica no final do arco-íris. O que ele não contava era que a aparente fadinha indefesa era Holly Short, oficial da LEPrecon, a polícia das fadas.

Resultado: em pouco tempo, Artemis se vê em meio a um exército de fadas, gnomos, duendes, elfos e trolls, com armas muito mais avançadas que as dos humanos. Aliando cenas de ação ao melhor estilo James Bond, lendas celtas, seres encantados nada adoráveis e um charmoso anti-herói, Artemis Fowl é diversão garantida para leitores de todas as idades. Não me arriscaria a dizer que ele superará Harry Potter, mas com certeza se tornará um best-seller maior do que já é, visto que os direitos de filmagem também foram comprados pela Warner. Se você quer saber mais sobre essa série, leia a resenha de Bruna Moreno clicando aqui.


A mediadora (A Terra das Sombras (Shadowland), O Arcano Nove (Ninth Key), Reunião (Reunion), Hora Mais Sombria (Darkest Hour), Assombrado (Haunted) e Crepúsculo (Twilight))

Meg Cabot

Uma interessante série, mas já toda escrita e publicada. Suze nasceu com um dom incomum: ela pode ver os espíritos dos mortos. Com isso, ela desde pequena se torna uma mediadora entre o mundo dos vivos e o além.

Usando seus “poderes”, Suze tem de ajudar os que ainda sofrem com sua nova condição extra-corpórea, ao mesmo tempo em que tenta ter uma vida (quase) normal.

São nessas intermediações que Suze conhece Jesse e se apaixona por ele. Só existe um pequeno problema que os separa: Jesse está morto.

No mais autêntico estilo Meg de escrever, A mediadora se encaixa no tipo raro de livro que não se encaixa em nenhum parâmetro: é um pouco de terror, de fantasia, de romance e mistério. Agradará, sobretudo, àqueles que gostaram de Harry Potter, mas acharam que o romance não foi explorado na obra.

A Mediadora pode não superar Harry Potter pela data em que foi lançada (enquanto a febre HP estava no ápice) e por falta de publicidade, portanto não é nem de longe um novo Harry Potter.



“Eragon – A herança”, “Eldest – O legado”, “Brisingr – O ciclo da herança”.


Christopher Paolini

Só existem duas palavras capazes de definir essa série: obra prima. Não se via um livro tão bem escrito desde O Senhor dos anéis. Quando digo isso, não quero inferiorizar HP, mas a saga de Tolkien é tão rica em detalhes (cada raça tem seu idioma, um calendário próprio e Tolkien ainda teve o cuidado de criar um epílogo gigante, em suma, um mundo completo) que fica difícil comparar. Eragon segue o mesmo padrão.

Paolini também criou linguagem própria para seus personagens, ao passo que moldou uma história bem amarrada, rica em detalhes e fantasticamente perfeita.

Eragon, um jovem fazendeiro de 15 anos, é surpreendido quando uma pedra azul polida aparece diante dele nos arredores das montanhas conhecidas como A Espinha. Mais tarde, a pedra se quebra e revela um bebê dragão. Quando Eragon o toca, uma marca prateada aparece em sua palma, e uma ligação irrevogável é formada entre suas mentes, fazendo de Eragon um dos lendários Cavaleiros de Dragões. Ele chama o dragão de Saphira, depois de ouvir o nome de um dragão mencionado pelo contador de histórias do vilarejo, Brom.

Os Cavaleiros de Dragões foram criados há milhares de anos em conseqüência da devastação da guerra entre elfos e dragões, em ordem de prevenir que ambas as raças lutassem entre si novamente.

Eles se tornaram os pacificadores, educadores, curandeiros, filósofos naturais, e os maiores de todos os magos, porque a junção com um dragão tornava-os magos.

Alguns meses depois de Saphira nascer, dois estranhos seres parecidos com besouros chamados Ra’zac chegam a Carvahall, procurando pela pedra que era o ovo de Saphira. Eragon e Saphira fogem deles, mas eles destroem a casa de Eragon e matam Garrow. O menino então resolve ir a seu encalço para matar os Ra’zac.

Tomado pelo desejo de vingança, Eragon parte por uma jornada repleta de fantasia e aventura.

Essa série só não se tornará um sucesso estrondoso de vendas (como deveria ser) devido ao descaso da Fox, que comprou seus direitos e fez um filme péssimo. Na tentativa de fazer um longa “infanto-juvenil”, acessível a todo tipo de público, a produtora criou uma atmosfera falsa, infantil e idiota. Resultado: uma péssima arrecadação.

Com isso, milhares de pessoas ficaram com uma imagem negativa de Eragon.

Não superará Harry, não por falta de qualidade literária e sim pelo péssimo marketing que o filme ocasionou.

Percy Jackson e os olimpianos – “O ladrão de raios”, “O mar de monstros”, “The Titan Curse” (A maldição do Titã), “The Battle of the labyrinth” (A Batalha do labirinto) e “The Last Olimpian” (O último olimpiano).

Rick Riordan

Eu nunca pensei que fosse encontrar um livro que superasse Harry Potter em meu coração, mas eu o encontrei e seu nome é Percy Jackson e os Olimpianos. Esse livro combina tudo o que eu mais amo: mitologia, humor, aventura, suspense, mistério, magia…

Percy é um garoto com dislexia, déficit de atenção e hiperatividade que nunca conheceu o pai. Ele fora expulso de seis colégios em seis anos, por causas inerentes à sua vontade.

Tudo muda quando ele entra para a Academia Yancy, conhece o Srº. Brunner e Grover e se vê perseguido por uma fúria (um monstro de Hades). Então, ele descobre ser meio-sangue: filho de um deus grego com uma mortal.

Assim, juntamente com Grover (um sátiro) e o Srº Brunner (cujo nome verdadeiro é Quíron, um centauro que instruiu Hércules), ele parte para o Acampamento Meio-Sangue, um lugar onde garotos (as) filhos (as) de deuses são preparados (as) para serem heróis/heroínas (e na maioria das vezes, morrem antes de chegarem à vida adulta).

Lá, toma conhecimento de um pacto dos Três Grandes Deuses após a segunda guerra mundial (que na verdade, fora uma luta entre os filhos de Zeus e Poseidon contra os filhos de Hades): Hades, Zeus e Poseidon, filhos do Titã Cronos, prometeram não terem mais filhos mortais, uma vez que esses eram mais poderosos que os outros meio-sangues (e tinham uma tendência a causar problemas).

Adivinha só: Percy é filho de Poseidon e a ele é reservada a mesma sorte que a filha de Zeus, Thalia, que morreu para ajudar seus amigos e fora transformada em uma árvore que protegia as barreiras do Acampamento contra mortais.

Juntamente com Annabeth, uma filha de Atena, e Grover, o sátiro que sonha em encontrar o deus dos selvagens Pan, Percy parte em missões arriscadas contra monstros da Grécia Antiga, tentando escapar de uma profecia da qual ele pode fazer parte…

Eu simplesmente AMO a série porque Percy tem um humor irônico e inteligente, é um herói com H maiúsculo e é simplesmente cativante.

Se o seu filme (com estréia prevista para 2010) não for destruído pelos roteiristas, eu não tenho absolutamente nenhuma dúvida que se tornará um best-seller absoluto, podendo até superar Harry Potter.

Enfim, essas são as principais séries citadas como “possíveis sucessoras” do sucesso estrondoso que é HP. Não falei de todas porque seria necessário um livro para tal.

Preferi não falar de Crepúsculo, uma vez que já escrevi uma coluna sobre o assunto que você pode conferir aqui. Também não quis falar de “Desventuras em série”, “Jack Farrel” e “As fronteiras do universo”, uma vez que ainda não finalizei a leitura dos respectivos livros e não tenho propriedade para falar sobre eles.

Com essa coluna, meu propósito não é disseminar preconceitos, pelo contrário. Quis mostrar que outras coisas além de Harry Potter estão sendo feitas e nós, que aprendemos a gostar de ler com a saga de Rowling, temos sim outras opções. O que terminantemente não concordo é o fato de publicitários mal intencionados se valerem do sucesso de HP para promover suas obras, quando na verdade, muitas não tem cacife para tal.

Não quero, porém, que deixem de ler. O universo dos livros é tão extenso que, tenho certeza, assim como eu conheci a série Percy Jackson e me apaixonei, vocês encontrarão algo que substitua, com igual maestria, o vazio que HP deixou em nossos corações.

E será assim: enfrentando dragões, lançando feitiços e mordendo pescoços alheios que conquistaremos o grandioso país dos livros.

Igor Silva adora acompanhar boas séries.