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Aqui jaz… quem?

São quase inumeráveis as mortes que acontecem nos livros de Potter. Desde o primeiro livro, quando somos apresentados ao pequeno bruxo, já sabemos que seus pais morreram. E a morte persegue o herói, por vezes partindo o seu coração, por vezes partindo o nosso, em outras partindo o de todo mundo. Nessa coluna eu, Pâmela Lima, falo sobre o fim de alguns personagens secundários, que ficaram esquecidos em meio a tantas perdas e que, aparentemente, morreram por pura crueldade de Rowling. Confira aqui a análise e comente!

Por Pâmela Lima

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Uma das maiores tristeza do sétimo livro da saga Harry Potter é que muitos personagens morrem. Eu costumo brincar que a cada capítulo tem uma morte (não parei para contar, mas deve ser mesmo proporcional). E não só no sétimo livro: toda a obra de JK Rowling trata da morte, fazendo com que Harry sempre tenha que crescer e aprender a suportar a dor. Aliás, Harry e nós, porque tenho certeza que muitos tiveram crises de choro na morte de Dumbledore, se desesperaram quando Sirius caiu no véu, fecharam o livro para não marcar de lágrimas as páginas quando Fred deu seu último sorriso. Mas além dessas passagens mais trágicas, com a despedida de personagens tão queridos, houve as mortes daqueles que não foram desenvolvidos o suficiente ou que sua morte não foi tão bem explorada para podermos nos chocar diante da imagem de seus corpos estendidos.

O mais forte dos guerreiros

Moody tem uma participação relativamente pequena na série, em que ele só faz lutar, defender e reclamar, exigindo vigilância constante o tempo todo. Partindo disso, não conseguimos ficar tristes quando Bill Weasley aterrisa no quintal da Toca e avisa, em um só suspiro, que Alastor está morto. Para entender o quão chocante essa perda foi para a Ordem da Fênix, devemos lembrar quem era o auror. Ele foi aquele que prendeu metade dos bruxos das trevas em Azkaban, e colocava a sua profissão acima de todo o resto, chegando a gerar boatos de que estava enlouquecendo. Moody era tão corajoso e impetuoso que o fato de ser um dos primeiros a cair quando a guerra começa gera insegurança em todos: o maior de todos os guerreiros da Ordem não poderia mais ajudar.

O chiclete cor-de-rosa

Concordo que muitos entristeceram quando Harry viu o corpo de Tonks entre os muitos em Hogwarts, principalmente porque pareceu uma morte sem sentido. Mas todos devem se lembrar do primeiro capítulo de Relíquias da Morte, na Mansão Malfoy, em que sendo atiçada por Voldemort, Bellatrix Black promete que dará um fim na vida da sobrinha assim que puder. Tonks era o ramo podre da árvore dos Blacks, e sua morte representa o fim do trabalho de Bellatrix (que primeiro matou Sirius e, depois, a metamorfomaga). Além disso, deve-se lembrar que Tonks tinha tanta fé em suas ações que deixou o filho em casa para fazer o que sabia melhor: lutar.

O maroto comensal

Quando finalmente vai pagar sua antiga dívida com Harry, parando por um momento para considerar sobre levá-lo ou não ao Lorde das Trevas, a mão prateada que este deu a Peter começa a agir por conta própria e enforca seu dono. O menor – no sentido da altura – dos Marotos tem seu último ato de coragem e bondade antes de sua morte. Isso prova que sim, havia um bom motivo para que James, Sirius e Remus confiassem nele para ser o Fiel do Segredo. Apesar de ter entregado os pais de Harry, de ter sido por anos seguidor de Voldemort, Peter tinha uma dívida a pagar e realmente queria fazer isso, mas não teve tempo. Com a morte de Remus, na batalha final, os quatro Marotos estão novamente juntos (e não posso deixar de pensar que Snape está com eles).

O popular, a grande companheira e um fã

Deixei um mesmo tópico para Cedric, Edwiges e Colin Creevey porque acredito que todos signifiquem a mesma coisa; perda de inocência. Cedric era, ainda que um adversário de Harry no torneio Tribruxo e na disputa pelo coração de Cho Chang, um menino bom. Era justo e leal como todos de sua casa, um bom aluno e amigo. A morte dele fez com que Harry confrontasse a realidade: a guerra que Voldemort travaria com ele traria conseqüências sérias na vida de todos, e acabaria com muitas vidas inocentes.

Já a morte de Edwiges (que compete com a morte de Dobby como a mais desumana dos livros, em minha opinião) fez com que Harry se desprendesse definitivamente do seu contanto com a infância mágica. A coruja era o símbolo da ligação de Harry com o mundo bruxo, a segurança maior de Potter quando passava as férias com os tios. Lembrando, também, que Edwiges é o nome da santa padroeira dos orfãos.

A morte de Colin Creevey é uma das menos notadas em meio às várias mortes da batalha final, mas penso que deve ser uma das mais dolorida. Pois Harry está entendendo o quanto as pessoas se sacrificam por ele (afinal, quando vê Colin ele está caminhando ao sacrifício). O aluno menor não devia estar na batalha, mas está porque admira Harry e quer ser tão corajoso e heróico quanto ele.

A fiel seguidora

A mais fiel Comensal de Voldemort cair por terra já é algo assombroso, que marca a chegada do fim da batalha. Porém o mais assombroso foi como isso aconteceu: sua assassina foi a doce, preocupada, dedicada dona-de-casa Molly Weasley. Mais uma vez, Rowling fala sobre como o amor pode ser maior que todos os outros poderes afinal a treinada, sangue-puro e poderosa Bellatrix não pode conter a fúria de uma mãe que, tendo perdido um filho, não admitiria perder outro.

Além dessas mortes tivemos o fim de Ted Tonks, que deixou sua esposa sozinha com seu neto e seus ideais; Charity Burbage, professora de Estudos dos Trouxas, que por ensinar aos bruxos que devem aceitar aqueles que não tem magia é assassinada pelas mãos de Voldemort; e Grindewald, selando o final do trabalho que Dumbledore começou em 1945.

Dissertei sobre poucas mortes secundárias, que fizeram diferença para Harry e sua história mesmo que não façam diferença para os fãs. Claro que o motivo principal dessas mortes (e de todas as outras) é evidente: mostrar que as pessoas morrem, e às vezes não podemos fazer nada para impedir. Mesmo que sejam pessoas boas, caridosas, amigas, em uma guerra até os inocentes vão ao chão. Espero ter conseguido tirar a imagem de “assassina sem causa” de JK Rowling, e que agora todos possam se entristecer, como eu me entristeci, pelo fim dos personagens-cenários da saga.

Pâmela Lima vai processar Joanne pela morte de Edwiges.