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Potterish entrevista os dubladores da série Potter!

Depois do sucesso com a entrevista de Alfred Enoch, o Potterish agora entrevista, com exclusividade para os fãs, os dubladores de Harry Potter, Gina Weasley, Rony Weasley e Hermione Granger nas adaptações da série para o cinema.
Os jovens Caio Cesar, Indiane Christine, Charles Emmanuel e Luisa Palomanes toparam bater um papo com a nossa equipe nos estúdios da Delart, a responsável pela dublagem dos filmes no Brasil.

Sempre muito simpáticos e receptivos, os atores falaram sobre a profissão, os desafios de dublar um grande projeto como Harry Potter, e as críticas ruins que recebem de alguns fãs. Eles também mostram o caminho a ser seguido por aqueles que querem fazer dublagem e comentam trabalhos anteriores de sucesso.

Agradecemos à Delart e à Warner por nos permitir fazer esta entrevista, e ao George Luis por se disponibilizar a nos ajudar.

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A entrevista, em áudio, você pode ouvir e baixar acessando este link!

As fotos já encontram-se na nossa galeria e podem ser vistas aqui. A matéria baseada na entrevista e a própria transcrita você confere na extensão!

Entrevista com os dubladores de Harry Potter
Relato: Lorena de Assis
Junho de 2009

Há dois meses, Mike Alvares, o Mike do Ish, o Mike editor, o Mike dos Pottercasts, entrou em contato comigo. Fiquei feliz, adoro conhecer a galera que trabalha no site, pois antes de entrar para a equipe, eu era a fã nº 1 do Potterish, daquelas que entrava todo dia, clicava nos banners publicitários para ajudar, enviava notícias, críticas e sugestões por e-mail e, claro, ouvia todos os podcasts repetidamente. Até o momento, eu só havia tido contato com outros newsposters e a Patricia Abreu, que é tradutora. Conhecer o responsável pelo pedacinho do Ish que me fazia dar risadas e me fazia sentir mais próxima da equipe quando apenas fã – já que era como se estivessem conversando comigo – foi uma felicidade e tanto! O assunto que ele tinha a tratar comigo me deixou ainda mais animada! Ele contou que havia conseguido autorização da Warner para entrevistar alguns dubladores da série Potter e queria a minha ajuda. Qualquer um ficaria empolgado com essa notícia, mas ele não sabia o quanto aquilo era ainda mais especial para mim, pois sempre quis ser dubladora!

Queríamos que a entrevista fosse feita da melhor forma possível, então tentamos buscar ajuda com alguns parceiros, mas, a poucas semanas do prazo final que tínhamos, precisamos agir sozinhos. Resolvemos então fazer do jeito que o Mike sabe melhor – através de podcast! A princípio, a Paty também iria conosco. Ela estava tentando negociar as parcerias que queríamos, deu ideias, mas como não havia possibilidade de a entrevista ser feita em um fim de semana, ela não poderia ir, por causa do trabalho. Escrevemos as perguntas, marcamos a data e fomos então para mais uma exclusiva do Potterish. Cheguei à Delart com meu namorado (que não é do fandom e ainda assim topou nos ajudar) a 10 minutos do horário marcado, nervosa e ansiosa. Conheci enfim o Mike pessoalmente e ele me mostrou o banner que havia feito para a sessão de fotos. E então veio mais um problema: não havia um sala disponível onde pudessemos fazer a entrevista. Fizemos nos fundos, em uma mesa que havia no local, com poucas cadeiras e um ruído de ar-condicionado e carros passando. Não era o melhor lugar para se fazer uma entrevista em áudio, mas era o que tínhamos. Nos apresentamos à representante da Warner, que estaria lá para garantir que os entrevistados não revelassem detalhes do filme, e percebi que ela carregava um pôster do sexto filme, na intenção de colocar atrás das fotos, mas não foi preciso, já que tínhamos um banner. Eu logo fiquei de olho no pôster oficial e disse à moça que depois conversaríamos sobre ele 😉

O Mike foi atrás de mais cadeiras para pôr na mesa. Minutos depois, Charles Emmanuel aparece com uma cadeira na mão e diz:

– Olá, eu sou o ajudante e vim trazer mais cadeiras!

Reconheci de imediato a voz de Rony Weasley… logo os outros chegaram e pudemos começar. Enquanto Mike explicava o que era o Potterish e seu reconhecimento, eu tentava em meu laptop entrar na página do Ish. Confesso que foi engraçado sentar ao lado de Luisa Palomanes, pois de todos, a voz dela é a mais fácil de reconhecer. Então quando eu estava tentando acessar a página e apenas ouvia o que ela dizia, sem olhar para ela, parecia mesmo que Hermione Granger estava do meu lado direito! A voz de Indiane, a mais nova do grupo, também era fácil de identificar como a de Gina… a do Caio nem tanto, pelo forte sotaque carioca. O Harry dos cinemas não arrasta tanto o “s”. A voz de Charles me fazia lembrar mais do Mutano de Jovens Titãs (eu era viciada nesse desenho), apesar de também não ser difícil de identificar como Rony. No meio da entrevista, Mike já havia parado de tremer e parecia que nos conhecíamos há muito tempo, e não há meia hora. Todos foram muito simpáticos com a gente, do início ao fim. Demos muitas risadas e nos divertimos demais naquela tarde.

No final, eu, Mike, George, Charles e a representante da Warner ficamos um bom tempo conversando sobre o Ish, o fandom, os fãs e as estreias com pessoas vestidas de cosplay… Ela topou em me dar o pôster, porém depois tive que dá-lo ao Charles, por causa de um favor que ele fez ao Potterish que em breve vocês terão conhecimento. Depois disso, fui para casa parecendo uma criança que acabara de sair da Disney! Uma pena não ter conhecido os estúdios… quem sabe da próxima vez?

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Entrevista Transcrita com os Dubladores de Harry Potter no Brasil.

Mike Alvares: Editor Potterish
Lorena de Assis: Newsposter Potterish
George Luis: Membro honorário do Potterish
Caio Cesar: Harry Potter
Luisa Palomanes: Hermione Granger
Charles Emmanuel: Rony Weasley
Indiane Christine: Gina Weasley

Olá galera do Potterish. Aqui quem fala é o Mike. Normalmente, eu começo o PodCast do Potterish assim. Mas hoje é um dia especial. Primeiro que eu não estou no meu computador e segundo, o Daniel não está aqui comigo, no lugar dele, está a Lorena, Newsposter do Ish. Tudo bem Lorena? (Lorena – Oi, gente) Bom, você deve estar se perguntando, onde estamos então? Bom, estamos na DELART, no Rio de Janeiro para entrevistar, acredite, os dubladores da série Harry Potter no Brasil. À minha esquerda está Charles Emmanuel, dublador de Rony Weasley, tudo bem, Charles? (Charles Emmanuel – E aí galera?!) seguindo a sequência, está o Caio Cesar, Dublador de Harry Potter (Caio Cesar – Opa, e aí gente, tudo bom?), também está aqui com agente Indiane Christine, Dubladora de Gina Waeasley (Indiane Christine – Oi, Oi) e por ultimo mas não menos importante, Luisa Palomanes, dubladora de Hermione Granger (Luisa Palomanes – Oi).

Antes da gente começar, gostaria de agradecer a DELART por abrir suas portas para gente. E também gostaria de agradecer a Warner Brasil, que nos permitiu realizar essa entrevista.
Bom, galera, vamos começar? a primeira pergunta é a seguinte:

Mike: Como é feita a seleção dos atores para cada personagem?
Luisa: É feito o teste, eles escolhem mais ou menos 3 pessoas que eles acham que a voz vai bater. Aí, vai da distribuidora do filme aprovar ou não. No caso de Harry Potter, eu fiz (o teste) sem imagem, foi totalmente no escuro, na época eu nem sabia o que era Harry Potter.
Charles: É, eu também, foi uma página inteira de falas.
Indiane: A gente dubla o filme desde 2001, acho, desde o início.
Caio: Às vezes, eles fazem o seguinte: se você ja dublou um ator em outro filme, eles tem essa preferência (Luisa: Graças a Deus!). Só que como Harry Potter é um filme que tomou uma proporção muito grande devido ao livro também, eles pediram testes para todos os personagens.
Indiane: Em relação aos diretores também… em relação às vozes dos personagens, no exemplo de nós quatro aqui, nós dublamos desde pequenos, desde muito novos, e eles sabem o profissionalismo de cada um e tudo o mais…
Caio: Já têm ideia…
Indiane: É, já têm ideia… a voz, como o Caio disse, já sabe o tom da voz se vai sair legal para aquele personagem ou não.
Caio: É um meio em que todo mundo se conhece.

Mike: Quantos dias aproximadamente, vocês demoraram para dublar Harry Potter?
Caio: O filme é dublado por partes.
Luisa: Em EdP, eu demorei três horas para dublar a Hermione
Mike: 3 horas?!
Luisa: Ela entrou pouquinho! (…) Ela sempre fala pouco.
Mike: Mas ela tem uma importância muito grande…
Luisa: Mas ela fica muda! (risos)
Indiane: Eu demorei 1 hora e meia.
Caio: O Harry eu demorei 7 horas e meia, oito horas, por aí.
Charles: Comigo foi 3 horas.

Mike: Quando o filme costuma chegar a vocês?
Luisa: Acho que uns 2 meses antes da estreia do filme, né? Foi em maio que o filme chegou, não foi?
Caio: Bom, o trailer vem primeiro.
Luisa: Aah, verdade, primeiro vem o trailer
Charles: Foi em dezembro, né? Que a gente fez o trailer…
Luisa: É, nossa, faz tempo a beça.

Mike: Como é feita a preparação para compôr o personagem?
Luisa: Depende do diretor, às vezes ele dá uma dica, mas assim, a gente tem que ver a cara do personagem e ver mais ou menos como ele é.
Caio: Porque tem que ver a cara dele também, às vezes é um cara mais descolado, um mais tímido.
Luisa: No nosso caso, a gente não teve acesso a nenhuma imagem.
Charles: É, na época, o Pádua (Diretor de Dublagem) explicou mais ou menos como era os personagens.
Luisa: E eu nem sabia o que era Harry Potter, tanto que eu saí de lá dizendo que tinha feito teste para o “Reporter”. (risos) Eu falei para o meu pai, ‘tomara que eu passe’.

Mike: Qual a maior dificuldade da dublagem em geral?
Caio: Eu acho que é você passar a emoção toda do ator só pela fala, porque em televisão você tem os gestos, às vezes você não precisa falar nada. E pela voz, você passar toda a emoção do personagem, eu acho que essa é a parte mais difícil.

Mike: E de dublar um projeto grande como Harry Potter?
Charles: Tentar agradar os fãs.
Todos: (risos) Pois é…
Caio: Harry Potter é um filme muito visado, que teve uma repercussão muito grande, então o pessoal fica em cima, né. Indiane: Como os filmes estão fazendo grande sucesso, já se criou uma grande responsabilidade em relação ao filme. O filme tem que ir para o cinema praticamente perfeito, todas as reações e… O filme é revisado várias vezes… Às vezes uma reação que você faz, e eles olharem e verem que não bateu com a reação, a cena volta e a gente faz de novo.
Luisa: Ainda mais cinema.
Caio: É, para o cinema tem toda uma atenção especial.

Lorena: Tem muita diferença em dublar um filme em que já existe uma sequência, como Harry Potter, ou um filme que não faz parte de uma série?
Caio : Eu acho que a diferença é mais a atenção mesmo, porque quando é um filme para cinema, existe uma atenção maior. Mas não é por estarmos fazendo um filme isolado que a gente faz de qualquer jeito, não.
Luisa : Eu acho mais difícil filme isolado, porque se for um ator que eu nunca peguei é mais dificil porque você nao sabe de nada. A Hermione, eu já sei como ela fala, como é o jeito dela… Mas você começa a ficar bom só na metade do filme, quando você se acostuma com o ator.
Caio: Chega uma hora que você entra realmente no filme e começa a interagir com o personagem.

Mike: Qual a semelhança entre vocês e o personagem que vocês dublam?
Indiane: Ai meus Deus!
Caio: Eu acho que o Harry é muito calculista. Ele não tem nada a ver comigo…
Luisa: Ah bom! (risos)
Caio: Porque ele é tímido para caramba. Mas eu acho que a parte que ele pensa muito antes de tomar as atitudes, ele não é uma pessoa que age por impulso, ele pensa muito bem antes de fazer as coisas. E eu acho que isso aí é um pouco parecido comigo, e só!
Indiane: Eu acho que a atenção que a Gina dá para as coisas que acontecem no filme com todos os personagens, ela se preocupa muito com os irmãos e… aah, eu não sei dizer, é mais essa coisa da atenção mesmo…
Charles: Ai, eu não sei… Vou falar a mesma coisa que falei há uns 10 anos atrás… Ah, sei lá, medo de aranhas.
(risos)
Luisa: Eu também não sei, ele que disse que sabe.
Caio: Eu acho que ela é super amiga e tal.
Luisa: Ai, obrigada!
(risos)
Caio: A Luisa é o tipo de pessoa que se você estiver meio assim, ela chega e pergunta, “o que foi?”, “você está bem?”…
Luisa: É, eu sou fofoqueira mesmo… Tô brincando gente, isso vai para o site… Corta essa parte!

Lorena: Vocês já leram os livros de Harry Potter? Ou vocês conhecem os personagens só dos filmes?
*Apreensão Geral*
Charles: Olha, eu li a metade do primeiro livro, mas aí… desisti.

Mike – Vocês dublam Harry Potter desde o começo, como foi a questão da mudança de voz com a idade dos personagens?
Caio: A mudança foi natural…

Mike: E como é quando vocês veem os primeiros filmes de novo?
Charles: É super diferente.
Indiane: Ontem mesmo, eu estava trocando de canal na televisão de casa, aí eu vejo escrito Harry Potter… Aí eu paro e fico vendo. Eu fico pensando, principalmente nele [Caio]: “caraca, a voz mudou muito!”

Mike: Ok galera, agora vamos partir para as perguntas pessoais.(Luisa: Ai meu Deus) Da série, qual foi o filme mais marcante para vocês?
Charles: Eu gostei mais do primeiro porque foi mais apresentação dos personagens.
Indiane: Eu gostei mais de A Câmara Secreta.
Caio: É, eu também, porque tem bastante cena de ação.
Luisa: Eu gostei do terceiro. Eu lembro de umas cenas meio vagamente. E a minha falava mais, eu acho, nesse filme.
(risos)
Indiane: Eu também gosto mais do segundo porque a minha falava mais! Ela que foi levada, né…
Caio: É engraçado que quando chega na hora de dar uma entrevista, eu nunca lembro de nada. “Ah fala uma frase do filme!” Eu não lembro nenhuma! (risos)
Luisa: Eu também.

Mike: Vocês já tiveram algum contato com o elenco do filme ou com Rowling? Gostariam de ter?
Charles: Quem dera.
Luisa: Pô… Com ela, eu teria foto no orkut.
(risos)

Mike: Com quem vocês gostariam de ter contato?
Charles: Com o proprio Rupert, né. No meu caso.
Luisa: Eu queria ter uma foto da Hermione, eu tentei fazer uma montagem, ficou até legal, mas a cor ficou diferente, ainda vou passar para preto-e-branco.

Mike: Vocês são amigos fora dos estúdios?
Luisa: Eu odeio todo mundo… Brincadeira.
Indiane: Que horror!
(risos)
Caio: A gente cresceu juntos, né.
Charles: A gente se enconta mais quando vai dublar.
Indiane: Ah, mas a amizade existe.

Mike: Mas fora daqui vocês não tem nenhuma relação?
Luisa: Bom, a não ser quando a gente vai para São Paulo, para o Oscar da Dublagem, aí todo mundo se encontra.
Indiane: Na última vez eu não pude ir, eu estava na Argentina.
Luisa: Olha! A gente em São Paulo e ela na Argentina.

Mike: Só tem que tomar cuidado com a gripe suina né.
Indiane: Mas já faz muito tempo que eu fui.

Mike: Bom, ok, falem um pouco sobre seus projetos fora de HP.
Caio: Eu quero terminar minha faculdade.

Mike: Você faz faculdade de que?
Caio: Direito.
Luisa: Tudo a ver com Harry Potter, com dublagem…

Mike: E você pretende seguir carreira?
Caio: Pô, eu pretendo, a gente que trabalha com dublagem, não pode ficar preso a isso para o resto da vida.
Indiane: A dublagem para mim é como se fosse um hobby, tem que ter um trabalho por fora.

Mike: Ok… Qual foi seu filme favorito para dublar? Sem ser Harry Potter.
Caio: Para mim foi Rocket Power, é um desenho super agitado, o garoto era skatista, pegava onda, chamado Otto.
Indiane: Eu gostei do Grinch, eu dublava a Cindy Loo, uma menininha loirinha.
Charles: Eu gosto do Ben 10. (risos)
Luisa: As meninas super poderosas, eu dublava a Docinho.

Lorena: Ben 10 e Docinho são personagens que fazem sucesso, atualmente. Na rua, as crianças reconhecem a voz de vocês?
Charles: Só quando a minha mãe fala. “Meu filho dubla o Ben 10” depois disso eu já tô a 10 metros de distância da minha mãe. Luisa – As crianças nunca acreditam em mim, porque criança não sabe o que é dublagem. Teve uma vez que eu fui fazer a voz da docinho para a criança pelo telefone, ela não acreditou. E assim, eu falei mal do Macaco-Loco porque normalmente é assim que ela fala. Só que a criança era fã do Macaco-Loco. Foi uma derrota, depois disso nunca mais quis… eu sempre fujo das crianças, quando vem gente com celular para gravar a voz eu fujo…. porque a Hermione é mais fácil, a Hermione é minha voz, só que a Docinho muda um pouco.
(risos)
Indiane: Eu passei por uma situação, porque um outro desenho que eu fiz foi Digimon, eu fazia a Kari que é a irmã do personagem principal. Aí… eu tenho um amigo que era muito fã e a irmãzinha dele também gostava muito e era aniversário dela na época, então meu amigo disse:‘Pelo amor de Deus, você tem que ir no aniversário, minha irmã adora você’. Eu falei: ‘Não, ela adora o personagem!’ Mas enfim, cheguei lá, a irmãzinha ficou perto de mim o tempo todo, perguntando tudo sobre o filme. E eu, para fazer voz, tenho uma vergonha…
Charles: Mas eles só pedem quando sabem também.
Luisa: Tem que falar da novela que a gente está fazendo agora.
Charles: Isa TKM
Luisa: Eu faço a Isa e o Charles faz o Miki, que é amigo do Alex.
Charles: Que gosta da Isa.

Mike: Ok, ok, eu perguntei o personagem que vocês mais gostaram de dublar, agora quero saber quem vocês sempre quiseram dublar?
Luisa: Ai, é tanta coisa… A Chiquinha do Chaves… (risos) ai, cara, eu queria dublar Chaves… Carrosel, Cavaleiro do Zodíaco.
Charles: Ah, queria tanto dublar Cavaleiro do Zodiaco!
Luisa: Desenho japonês, eu sou muito frustrada porque nunca fiz um…
Charles: Mas também não vem muito para cá… Eu realizei um ‘sonho’, que eu fiz o Near, do Death Note. Eu falei “Pô, finalmente dublei um Anime!”

Mike: Tem alguma diferença dublar Anime?
Charles: É porque o pessoal gosta mais, sabe? E dão, entre aspas, mais valor
Luisa: É mais dificil também, por ser japonês.
Charles: Mas quando eu dublei, ja estava em inglês.

Mike: Quando vocês recebem o projeto, ele já vem traduzido, ou vocês recebem em inglês?
Charles: A gente recebe em português, vem tudo traduzido na hora.

Lorena: Vocês falaram sobre a dublagem de desenhos japonês. Qual é a maior dificuldade dependendo da nacionalidade? A rapidez com que eles falam?
Charles: Assim, ele pode falar algo que no idioma dele pode significar muita coisa uma fala de duas palavras, e a gente tem que falar umas “100” palavras na boca para encaixar, aí não fica legal. No mexicano também, porque eles abrem muito a boca, então a gente tem que falar mascando chiclete.
Luisa: E as pessoas têm mania de falar que fica mal dublado, só que assim, a gente não faz milagre porque eles abrem muito a boca. Inglês, como falam normal, qualquer coisa que a gente ponha, fica tranquilo. Agora, em Espanhol, a gente tem que falar as mesmas vogais juntas para não ficar uma coisa mal feita. Aí vai muito do tradutor e do diretor.

Mike: Como vocês se sentem sabendo que podem ver o filme antes de todos os fãs?
Luisa: Na verdade, nós não somos os primeiros, o primeiro é o diretor e o tradutor.
Charles: E a gente só vê a nossa parte, em Harry Potter, eu por exemplo só vejo as partes que o Rony fala. Nada mais. Então, eu não sei o que aconteceu no resto do filme.
Luisa: Isso que eu falo, como a gente não leu o livro, a gente fica perdido.

Mike: Mas vocês podem ficar no estúdio vendo, não é?
Luisa: Só se a gente ficar assistindo depois do nosso horário.
Caio: Também, o filme não vem completo para a gente, vem em pedaços.
Charles: E também não vem com muito efeito especial, teve um filme que não veio com nenhum efeito especial. Tipo, dava pra ver o cabo e tal.
Luisa: Eu já ouvi falar que é para não piratearem, mas eu não sei se é verdade.

Mike: E como é a pressão dos amigos perguntando coisas sobre o filme?
Charles: Ah, eles sempre querem saber: “E aí, já dublou e tal?”
Indiane: “Sabe quando vai estrear?”
Charles: “Você aparece muito?”
Charles: “Me conta como é o filme.”
Caio: “O Harry pegou alguém? É nesse filme que ele vai beijar a Hermione?” (risos)
Luisa: Eu queria que a Hermione terminasse com o Harry

Mike: Olha, há uma guerra no fandom potteriano sobre isso. No nosso fórum existe uma área só para falar sobre isso. Hermione e Rony, Hermione e Harry, Harry e Gina, tem todo tipo de casal lá. Tem até uma brincadeira que eles fazem, que é o Snape com o Dumbledore.
Caio: Adorei, Snape e Draco.
Charles: Mas o Dumbledore é meio alegre.

Lorena: Tem um que eu gosto muito que é o Draco com Snape, Harry com Draco é muito bom. Mas essas são as engraçadas, uma que eu acho que é boa pra ler é Hermione e Snape, é lindo, lindo.
Indiane – Isso é pedofilia! (risos)

Lorena: Nem é, porque em Harry Potter, as pessoas atingem a maioridade com 17 anos, e essa Fanfic conta a história depois que a Hermione se forma e tal, daí ela encontra o Snape fora. É muito legal.

Mike: A próxima pergunta vocês ja responderam: em que ponto a dublagem de Harry Potter e o Enigma do Príncipe está?
Luisa: É, já acabamos.

Lorena: Nesse filme, em especial, qual foi a maior dificuldade para dublar?
Caio: Acho que as cenas de mais ação são mais difíceis, porque tem que respirar, falar junto, às vezes ele está reagindo, as cenas de mais ação, na minha opinião, são mais difíceis. Indiane: Eu concordo também.

Mike: Para o Caio deve ser mais difícil, né, porque é o que mais participa das cenas de ação.
Lorena: Mas dessa vez tem quadribol pra você, não é (referindo-se ao Charles). Tem alguma dificuldade por ser no quadribol? Isso é chato? É mais legal?

Charles: Pô, é normal. Sei lá, para mim tava normal as cenas de quadribol. (risos)

Mike: Sem entregar nada do filme, qual foi a cena mais difícil de dublar em EdP?
Indiane: Essa que eu falei que tem mais ação! (risos)
Luisa: Eu sei que gostei do final, mas assim, eu não lembro.
Charles: Eu gosto do começo!
Caio: Eu gosto do, assim, do meio. (risos)

Mike: Para a Hermione rola muito a questão do ciúme e tal, para a Gina também, rola um pouco de ciúme em relação ao Harry… para o Rony também… esse é o filme mais apaixonado que tem.
Luisa: É.
Indiane: Acho que assim, é a fase de descobrir os sentimentos, até por causa da idade deles, isso é normal

Mike: Qual é a fala que vocês mais gostaram?
Luisa: Aquela do final.
Charles: Ai meu Deus, é aquela que entrega tudo, né?
Luisa: É, mas eu não posso falar.
Indiane: Eu gostei quando era uma cena em que tava só a Gina e o Harry.
Mike e Lorena: Ah, a gente sabe qual é….

Mike: Eu queria que vocês explicassem para o público do Potterish o que a pessoa tem que fazer para se iniciar no mundo da dublagem. Ela tem que fazer algum curso?
Caio: Bom, a dublagem é como se fosse uma especialização do ator, né. Igual o médico, primeiro você faz faculdade de medicina e depois você escolhe em qual área você vai se especializar. Para você trabalhar com dublagem, primeiro você já tem que ser ator, tem que fazer 2 anos de teatro, tirar o registro de ator, aí depois você procura um curso de dublagem, e é assim que funciona.

Lorena: Quando criança também?
Indiane: Bom, quando eu era pequena, quando comecei com 7 anos, não teve esse negocio de ter que fazer registro de ator, não.
Charles: Eu também não fiz, não.
Indiane: Eu fiz direto o curso de dublagem…
Luisa: É porque até 13 ou 14 anos, e com os “papeizinhos” falando que você trabalhou “faz tempo” você consegue tirar o registro. Sem a obrigação de fazer teatro. Mas aí depois de uma certa idade…

Mike: Quem é maior tem que ter o teatro?
Luisa: Não é nem maior, acho que é 14 ou 15 anos.
Charles: É, por aí.
Caio: Aqui a gente começou muito pequeno mesmo, e o que que acontece, a gente com os comprovantes de trabalhos que a gente tinha realizado, com 14 anos a gente deu entrada no registro, e a história é essa aí. Eu fiz teatro também…
Luisa: É, eu também já fiz.

George: Como foi a primeira dublagem de vocês?
Luisa: Ai, traumática.
Indiante: Eu lembro, mas não foi dublagem, dublagem… foi um teste para eu ver se eu queria ser dubladora.
Charles: É, comigo também.
Luisa: Foi a… eu não lembro o nome, mas foi aquele desenho com 3 patinhos, DuckTales, eu dublava a menininha, era fofinho, eu achei tão bonitinho.
Luisa: Comigo foi uma ponta no Robin Hood, porque sempre começa com pontinha, né. Só que foi traumático

Mike: Por que?
Luisa: Bom, eu não vou entrar em detalhes porque o diretor já é falecido, enfim, vou respeitar os mortos, mas, uma das coisas era que meu casaco fazia barulho e eu sentia muito frio e eu não podia ficar dublando com o casaco fazendo barulho e o frio me atrapalhava a dublar foi um dos estresses da hora.
Caio: O meu primeiro foi em Luluzinha, eu fazia o Alvinho
Luisa: Ah é, que fofo!
Caio: Eu tinha de 10 para 8 anos.
Luisa: “Caraca” tú é velho, você dublou isso há “mó” tempão.
Caio: Eu fiz um teste, tinha acabado de terminar o curso, aí abriu o teste pra fazer o Alvinho, aí minha mãe me levo pra fazer o teste, eu fiz e passei, foi o meu primeiro personagem
Luisa: Olha, já começou por cima.

Mike: Mas você já tinha feito o curso, né?
Caio: Sim, já tinha
Luisa: Fez comigo, né?
Caio: Foi.

Mike: Quanto tempo dura o curso?
Luisa: Hoje em dia demora mais.
Caio: o nosso demorou 4 meses, né?
Charles: É, por aí.
Indiane: Eu não completei o curso, não. Com 3 meses eu já comecei.

Mike: Bom, eu sei que é chato e que vocês não gostam, mas eu queria que por favooor….
Luisa: Aaa, não!! Não! Não! (risos)
Indiane: Vou responder igual eu respondo para todo mundo, “é com a minha própria voz”.
Charles: Boa, boa.
Luisa: Eu até falo, mas assim tem que me dar a fala, porque eu não lembro nada. Não tem nenhuma fala que vocês lembrem que ja foi ao ar? Porque a unica fala que eu lembro, que eu tô traumatizada também, foi quando uma menina falou: “Fala aquela magia dela lá…”. E eu não decorava. Aí eu…
Charles: Vingardium Leviosa.
Luisa: É, Vingardium Leviosa é o único que eu lembro.

Mike: Ok, ok, vamos lá, cada um fala seu nome e o nome do personagem que dubla.
Charles: E aí galera, aqui é Charles Emmanuel, Rony Weasley.
Caio: Aqui é Caio Cesar, Harry Potter.
Indiane: Aqui é Indiane, a Gina.
Luisa: Aqui é a Luisa Palomanes, Hermione.
Todos: E tá todo mundo no POTTERISH.

Mike: Então galera, gostaria de agradecer vocês pela oportunidade, queria agradecer primeiramente à Delart por ter aberto as portas para gente. E agora… vamos começar mesmo, porque isso foi só um teste, agora que vai começar a entrevista mesmo. (risos) Queria agradecer à Warner que nos permitiu fazer essa entrevista. E é isso aí, galera, até mais.
Luisa: Até mais.
Charles: Valeu.
Indiane: Tchau.

Lorena: Só queria avisar a vocês que não estava gravando… isso foi só um teste…

(risos)