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Harry Potter é o nosso Peter Pan, afirma NY Times

O jornal NY Times publicou um artigo abordando a geração fã de Harry Potter que se encontra hoje, em sua maioria com mais de 20 anos, indo ao cinema para assistir às adaptações cinematográficas dos livros que marcaram suas infâncias e adolescência.
Ele diz que a nostalgia da Geração Y – que compreende às pessoas nascidas entre 1980 e 2003 – está batendo à porta; mas dessa vez, não é a a música que os deixam saudosos, como nas gerações anteriores, e sim a cultura do fim dos anos 90 e começo dos anos 00.

Eu associo ‘Harry Potter’ com minha infância,” disse Becca Cadoff, 21, uma veterana da Universidade de Northwestern. “Eu mal podia esperar para os livros serem lançados. Nós íamos para as festas da meia-noite em nossa livraria em Nova Jersey.” Agora, ela disse, todas as suas colegas de quarto possuem todos os filmes de Potter em DVD. “É um alívio depois de todos os trabalhos de faculdade.

O texto continua citando ícones dessa época, como Britney Spears, Eminem, Blink 182, Limp Bizkit e Creed, e associa a precoce nostalgia dessa geração ao amadurecimento natural proeminente dos ataques do dia 11 de setembro.

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O artigo pode ser lido na íntegra em notícia completa!

HARRY POTTER
Harry Potter é o Peter Pan deles

New York Times ~ David Browne
22 de julho de 2009
Tradução: Isadora Moraes

Qualquer um que tenha assistido ao fenômeno de bilheterias “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” deve ter notado que os personagens principais do filme cresceram. Pode-se dizer o mesmo de sua audiência: a maior parte da multidão que está indo aos cinemas está na faixa dos 20 anos.

O sexto filme da série foi lançado quase doze anos depois que o livro que deu início a tudo isso: “Harry Potter e a Pedra Filosofal”.

A geração que acendeu a Pottermania como leitores pré-adolescentes está aproximando-se da formatura da faculdade ou entrando no mercado de trabalho, e eles mantiveram acesa essa chama do começo de sua adolescência.

Bandas de indie rock motivaram-se por essa obsessão, com nomes como Harry and the Potters, Half-Bloods e Voldie and the Wiz Kidz, tocando músicas inspiradas pelo conhecimento em Potter.

No último outono, times de Princeton, Vassar, Universidade de Boston e uma dúzia de outras universidades competiram na Copa Mundial de Quadribol, na qual estudantes jogaram uma versão real do esporte um pouco parecido com futebol dos livros e filmes. (Eles não podem voar, mas ainda competem com vassouras no meio das pernas.)

A contínua influência de todas as coisas que representam Potter é o testemunho do domínio duradouro da franquia. Mas também parece ser algo mais: a chegada da nostalgia da Geração Y.

“Eu associo ‘Harry Potter’ com minha infância,” disse Becca Cadoff, 21, uma veterana da Universidade de Northwestern. “Eu mal podia esperar para os livros serem lançados. Nós íamos para as festas da meia-noite em nossa livraria em Nova Jersey.”

Agora, ela disse, todas as suas colegas de quarto possuem todos os filmes de Potter em DVD. “É um alívio depois de todos os trabalhos de faculdade,” ela disse.

Segundo uma pesquisa feita pelo serviço de venda de ingressos online Fandango, das 4000 pessoas que compraram ingressos para o novo filme de “Potter”, 45% tinham entre 18 e 30 anos, comparadas com 15% com menos de 17.

Deixe os boomers¹ comemorarem o aniversário de 40 anos de Woodstock. Deixe a Geração X comemorar os 15 anos do suicídio de Kurt Cobain. Para a Geração Y – grosseiramente, aqueles que nasceram entre 1980 e 2003 – é a cultura do fim dos anos 90 e começo dos anos 00 que os deixam saudosos.

A música pop está lucrando bastante este verão com os primeiros lampejos da tendência. Atos que dominaram as paradas uma década atrás mas depois desapareceram estão de volta. O álbum de retorno de Eminem, “Relapse”, vendeu 1,2 milhões de cópias (um número impressionante na atualmente anêmica indústria musical), enquanto que três das maiores bandas do período – Blink-182, Limp Bizkit e Creed – se juntaram novamente para turnês de verão.

Seth Matlins, chefe executivo de marketing da Live Nation, que promove shows, refere-se a isso como “rock clássico para a próxima geração.”

A turnê mais lucrativa do ano, até agora, não é de Bruce Springsteen ou AC/DC, mas Britney Spears, ícone da Geração Y, que ganhou $61 milhões de dólares, até agora, em sua primeira turnê em cinco anos.

“Poderia ser por causa de seus antigos fãs que voltaram para um retorno nostálgico,” disse Gary Bongiovanni da Pollstar, que segue as vendas de shows. “É como o tour da New Kids on the Block, que levou mulheres nos seus vinte e tantos a reverem sua juventude.”

Outro sinal prévio de aviso é o repentino desejo de um reencontro do elenco da novela de colegial “Galera do Barulho”, que saiu do ar em 1993 mas que era adorada por aqueles cursando o colégio, na época. Jimmy Fallon, no talk show do seu site na Internet, reuniu quase 80.000 petições pedindo o reencontro do elenco.

Assim como aconteceu com eles, o murro demográfico da Geração Y (agora com idades entre 6 e 28 anos) atrai bastante os negociantes.

“O epicentro da indústria de show são aqueles entre 20 e 30 anos” disse o Sr. Matlins.

Embora a nostalgia atinja todas as gerações, parece cedo demais para que aqueles com 28 anos resolvam olhar para trás. Uma explicação possível, dizem escritores que focam em identidade de gerações, é o impacto dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. O clima político e econômico do final da década de 90 tem sido tão tranqüilizante quando uma balada dos Backstreet Boys: nada de guerras, índice de desemprego abaixo dos 4% e um superávit de $120 bilhões de dólares.

Neil Howe, autor de vários livros sobre o que ele chama de Mileniais (outro termo para a Geração Y), traça um paralelo entre essa onda nostálgica e aquela em que boomers abraçaram com o filme “Loucuras de Verão” em 1973. O filme ilustrou o passado recente, o começo da década de 60, que parecia ter desaparecido para sempre.

“É nostalgia instantânea antes de uma grande mudança no humor da nação,” disse Sr. Howe. “’Loucuras de Verão’ foi a nostalgia dos boomers de um mundo antes de tudo mudar com o assassinato de JFK.

“Mileniais vêem o mundo antes de 11 de setembro como um período de inocência. Nossa maior preocupação foi o vírus Y2K. Isso parece a um mundo de distância agora.”

Jeff Gordinier, o autor de “X Salva o Mundo,” um livro do ano passado que relembra os anos de formação da Geração X no começo dos anos 90, disse “Não devia ser uma surpresa que a Geração Y está se escondendo em nostalgia no meio de uma recessão severa.

“A nostalgia reconforta as pessoas e os Mileniais estão, provavelmente, desejando um pouco de conforto agora.”

Jeff Taylor, um analista da mídia de 24 anos de Arlington, Virgínia, concordou.

“11 de setembro foi um momento em que nossa geração parou um pouco para pensar,” ele disse. “Nós amadurecemos mais rápido por causa disso.”

Sr. Taylor, que era um aluno do segundo ano do Ensino Médio naquela época, vê o atrativo da turnê de retorno do Blink-182 (“parte do que chamava atenção em Blink era sua natureza despreocupada”), e ele se sente, pessoalmente, nostálgico de CD players portáteis. “Foi uma grande coisa comprar meu primeiro Discman,” ele disse, “para a criançada hoje em dia, é o mesmo que ganhar um iPod.”

Outros membros mais antigos da Geração Y mostraram desejos similares pela cultura popular do fim dos anos 90, como buddy lists e discos compactos – os uma vez dominantes veículos da música agora entram em decadência.

Enquanto boomers ou aqueles pertencentes à Geração X podem não ter idéia de tudo que a frase “Nickelodeon clássico” sugere, para qualquer um em seus 20 anos significa shows adolescentes de TV carinhosamente lembrados, como “All That” e “Clarissa Sabe Tudo” (cuja estrela, Melissa Joan Hart, mostrou recentemente sua perda de peso na capa da revista People).

“Eu tinha uma enorme queda por ela,” disse Josh Meyer, um agente imobiliário de 28 anos de Portland, Oregon.

Aaron Eisenberg, um especialista em teatro da Universidade de Northwestern de 20 anos, carinhosamente relembra sua fantasia de Dia das Bruxas de Austin Powers, o dia em que comprou o álbum “Millennium” dos Backstreet Boys, e como Adam Sandler era mais engraçado quando soltava fumaça pelas ventas em filmes como “Um Maluco no Golfe” e “O Rei da Água”.

“Ele não é tão bravo quanto costumava ser,” disse o Sr. Eisenberg.

E nem comece a falar de Blu-ray.

“Sinto falta de fitas de VHS,” disse ele. “Não consigo mais assistir a nenhum dos meus filmes dos Power Rangers.”

NOTA DO TRADUTOR:

¹: Pessoas que nasceram nos Estados Unidos entre 1946 e 1964.