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David Yates fala sobre a cena d’A Toca, RdM e mais…

O diretor David Yates concedeu uma entrevista à Vanity Fair onde o mesmo falou, mais uma vez, sobre a adição da cena do ataque À Toca no sexto filme bem como sobre Relíquias da Morte – Parte II e seus planos de carreira para quando a série terminar.
Você é o capataz do trabalho que é terrivelmente importante para milhões de pessoas. Como você balanceia as expectativas dos fãs mais devotos e dos fãs não tão adeptos?

Bem, é só você fazer o seu melhor. Eu sou um fã de Harry Potter. Todos aqueles que trabalham nas filmagens e nos filmes também são. Estou cercado por fãs de Harry Potter todos os dias. Então nós tentamos realizar o nosso melhor para perceber “o espírito do mundo”. Ao final do dia, eu tenho que agradar a plateia Potter mas eu também tenho tentado balancear [os filmes] para aquelas pessoas que nunca leram nenhum dos livros. É muito difícil fazer malabarismos mas não basta só isso, existem momentos em que você tem que fazer certas escolhas, as quais são difíceis as vezes, que fazem realmente com que a adaptação cinematográfica seja uma experiência nos cinemas.

Nossa equipe está traduzindo a entrevista e em breve você confere a tradução neste post!

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Atualizado: A tradução do artigo na íntegra já se encontra na extensão!

DAVID YATES
P&R: O diretor de Harry Potter David Yates fala sobre Relíquias da Morte

Vanity Fair ~ Julian Sancton
23 de julho de 2009
Tradução: Jenifer Cestari e Patricia Abreu

Por algum tempo, os filmes de Harry Potter estavam se tornando a nova franquia Alien: um diretor após o outro, revezando e reinterpretando a fonte de informações e deixando-a com sua cara. Mas como uma jovem que namora em seus primeiros anos de aventuras-pulando de um bem-sucedido diretor de Hollywood (Chris Columbus), à um inglês refinado, à um perigoso, sombrio mexicano (Alfonso Cuarón)-a franquia finalmente achou o homem com que quer passar o resto da vida: David Yates. Mama Rowling aprova. Afinal, Yates é um grande fã de Potter, tem a suave voz de um contador de histórias pra dormir e ele é um bom garoto britânico, então estão todos em família.

Yates, que se esforçou dirigindo miniseries da televisão Britânica, teve pouca experiência dirigindo filmes do cinema, antes de ser confiado aos dois últimos filmes da multi-biolionaria franquia. Como o recorde do filme atual, Harry Potter e o Enigma do Príncipe, revela, Warner Bros. apostou bem. Depois que Yates entregar os últimos filmes, ele vai ser o diretor que mais se identificou com a série. Atualmente filmando Harry Potter e as Relíquias da Morte, Yates falou a VF Daily sobre essa incrível responsabilidade, tanto com os fãs quanto com o estúdio.

Em primeiro lugar, parabéns pelo seu sucesso. Pelo visto você foi aprovado. Você se sente aliviado?
Sim, claro. Foi ótimo. É bem estressante. Você nunca quer ser o diretor que estragou tudo, sabe? É uma experiência muito curiosa, porque terminamos as filmagens a um tempo atrás e ainda estamos ocupados fazendo as duas outras partes. Nós avançamos muito de onde estávamos. É ótimo que as pessoas sejam tão positivas. É ótimo que a bilheteria seja tão empolgante e tudo o mais. Mas eu tive que costurar essa jornada nas próximas então é um sentimento bem estranho.

Posso imaginar, porque você já está pensando em Harry de um jeito diferente e já investiu em uma parte diferente da história.
Totalmente. E os personagens estão envelhecendo, os atores estão envelhecendo e abandonamos Hogwarts no próximo filme. Sempre dizemos – Eu o fiz no quinto [capítulo], o fiz no sexto [capítulo]-“Oh esses filmes estão crescendo. Estão ficando mais sombrios.” Esse é mesmo o caso quando deixa a escola pra trás e está lá fora no mundo real. É uma dinâmica muito diferente. É muito empolgante, na verdade.

Por que você e Warners decidiram dividir o último capítulo Harry Potter e as Relíquias da Morte em duas partes?
Três motivos. Primeiro: é um livro enorme então tem muita coisa nele. Você faz a lista de coisas que quer colocar no filme e tem tantos pedaços enormes que quando você chega no fim deessa lista, pensa “Uau esse seria o filme mais caro de todos os tempos.” Muito mais caro que qualquer blockbuster convencional. Você tem que arrumar um jeito de manter todas as coisas que você quer fazer, o que é mais fácil divindo-o em dois filmes. [Roteirista] Steve Kloves estava trabalhando na adaptação enquanto filmávamos Enigma do Príncipe e ele nos juntou e disse, “Olha pessoal, estou tendo muito trabalho pra contar essa história em duas horas e meia. Eu acho que em relação a narração esse filme possa ser feito em duas partes.” Foi assim. Eu fico frustado quando fãs dizem ‘Por que você não colocou isso ou aquilo?’ Então foi uma combinação do processo de adaptação e o fato que eu só quero dar a platéia tudo que podemos do livro, basicamente.

Também dá aos fãs algo mais pra esperar porque os livros acabaram muito repentinamente pra algumas pessoas.
É legal porque estamos nos divertindo muito fazendo essas histórias. É meio difícil. Você só quer aproveitar a jornada e é isso que vamos fazer com Relíquias.

Você é o administrador de um trabalho que é terrivelmente importante a milhões de pessoas. Como você equilibra a expectativa de fãs devotados e aos iniciantes em Harry Potter?
Bem, você faz o seu melhor. Eu sou um fã de Harry Potter. Todo mundo que está trabalhando nesse filme é. Estou rodeado de fãs de Harry Potter todos os dias. Então tentamos realizar ao máximo o espírito desse mundo. No fim do dia, eu tenho que agradar a platéia mas também tenho que equilibrar com pessoas que talvez nunca leram os livros. É um malabarismo difícil mas dou o meu máximo pra fazer o filme tão no-momento quanto possível, e você tem que fazer certas escolhas, que são difíceis às vezes, o que faz a adaptação caber mais dentro da experiência cinematográfica.

Você pode me dar um exemplo de uma escolha difícil que você teve que fazer neste último filme?
Uma das coisas que fizemos foi adicionar uma sequência no meio do filme – a parte na toca quando os comensais da morte tentam atacar Harry – e essa sequência nunca existiu no livro. De certa forma parece loucura adicionar algo ao mundo de Jo J.K. Rowling e ao livro de Jo. Já é cheio de coisas ricas e fantásticas – por que adicionar algo? Mas no tipo de estrutura de duas-horas-e-meia havia um buraco no senso de estrago do lado de fora. Nós estávamos nos focando em todas as disputas amorosas e eu precisava lembrar a platéia do tipo de ameaça do mundo de fora. Jo fala sobre essas coisas ao fundo da história no livro, mas no meio do nosso livro, nós precisávamos que nossa platéia estivesse ciente delas e que as experienciasse. Então adicionamos a sequência que não existe no livro, mas estava lá, eu acho, em espírito porque estava acontecendo fora de Hogwarts.

Você a gravou com J.K. Rowling? Digo, “Jo”?
Sim, e ela ficou numa boa. Ela reconheceu o desafio que tínhamos e a necessidade dessa cena.

Por que você acha que esse é o filme para se quebrar todos os recordes? Por que esse entre todos os filmes?
Minha teoria é que esses filmes foram feitos como filmes infantis, pelo menos os primeiros. Houve uma parcela do público que achou isso meio frustrante. Ele ainda se dedicava à uma das maiores parcelas possíveis: a audiência familiar. Eu acho que o que está acontecendo é que, conforme eles envelhecem e o material fica um pouco mais sombrio e um pouco mais complicado e um pouco mais irascível e um pouco mais realista, ele também fica um pouco mais legal. Eu acho que então começa a chamar uma nova parcela do público. Começa a chamar um monte de pessoas que não os vêem mais como filmes de crianças. Essa é uma possibilidade. A outra é que os livros da Jo continuam atraindo público porque as pessoas cresceram com os livros e agora os lêem para os seus filhos, então você tem um ciclo infinito de crianças recebendo esse material. Eu acho que há muitas razões. Eu também acho que não há um livro novo, e todos estamos sentido falta disso, então o filme meio que preenche esse vácuo um pouco. Há uma nostalgia real por esse mundo.

O quanto você se deixa criar? Você sente falta da experimentação que você podia fazer na TV?
Eu experimento muito nesses filmes. Eu tenho exatamente a mesma liberdade e tomo as mesmas decisões e tento na mesma proporção sempre. Eu estou servido a história. É isso que eu sempre tentei fazer, primeiro e acima de tudo. O estúdio se mantém bem fora do caminho e em geral me dá bastante apoio. Eles reconhecem que nós estamos fazendo o melhor. Eles ficam lá com suas notas no estágio final do processo, quando finalmente estamos deixando o filme pronto para o público, e mesmo então eles realmente demonstram apoio e respeito. Eu acho que você vai achar o próximo filme uma despedida do sexto filme.

Por quê?
Ele é mais irascível. É um pouco mais cru. Mais contemporâneo. Ele parece mais moderno. Filmar como nós temos filmado, fazendo muitas cenas com a câmera na mão, tudo isso, eu nunca recebi uma ligação do estúdio. Eles só telefonam ou mandam um email e dizem que estão amando as diárias, mesmo que eu esteja fazendo coisas que não parecem muito com Harry Potter. Então eu sinto que tenho liberdade e espaço para fazer o que eu achar que a história pede.

Então você tem se voltado para os seus dias corajosos de State of Play?
Sim, realmente. Em Harry Potter Sete, parte Um, muito mesmo. Mas, é claro, Relíquias parte Dois trás aquele mundo fantástico de volta em grande estilo. Está cheio de dragões, e grandes batalhas bruxas, e magia. Para manter as coisas interessantes para mim como cineasta, eu quero servir as maravilhosas histórias que a Jo nos deu, mas eu preciso mexer um pouco nas coisas. Eu não posso sentir que estou fazendo o mesmo filme. Eu preciso mudar um pouco a tonalidade. Assim como Enigma do Príncipe tem bem mais humor do que A Ordem da Fênix, e isso era importante pra mim, e eu acho que isso foi importante para o público não ter o mesmo passeio. E Relíquias parte Um vai ser bem diferente de Enigma do Príncipe.

É como aquelas trilogias e franquias grandes, como Guerra nas Estrelas, onde cada filme tem um tom diferente. Esse filme vai ser comentado depois como “o filme desbocado”.
É, eu espero que sim.

Você vai dirigir a maior parte dos filmes de Harry Potter. Como você se sente de ficar tão relacionado à franquia?
Eu me sinto realmente bem a esse respeito. Com certeza vai elevar a linha de corte quando eu deixar Potter e eu continuar e começar outras coisas. Vai ser um desafio, eu acho, porque há tantas coisas que eu quero fazer depois de Potter. Eu não estou querendo isso demais, porque eu estou em uma fase tão boa fazendo esses filmes, é realmente um privilégio, tanta diversão. Eu gosto das pessoas. Eu só estou pensando nas coisas que virão depois.

Qual a primeira coisa que você vai fazer?
Tem duas coisas. Quero fazer um filme de guerra. Estou desenvolvendo um filme de guerra chamado Saint Nazaire, que é sobre um ataque rápido de um comando na Segunda Guerra Mundial. Também quero fazer uma versão cinematográfica de algo que eu fiz na TV chamadaSex Traffic, sobre o tráfico. Tem uma pilha de coisas aparecendo. Estou lendo coisas novas o tempo todo.

Por que você acha que as minisséries britânicas fazem tanto sucesso aqui? Por que estamos sempre roubando-as?
[Risos] Eu não sei. Você vai ter que me dizer isso, porque são vocês quem as roubam. Eu não faço idéia – eu sou britânico.