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Compositor Nicholas Hooper não trabalhará em RdM

Àqueles aficionados em trilha sonora, temos uma notícia que vão lhes interessar: o compositor Nicholas Hooper, responsável pela trilha de Ordem da Fênix e Enigma do Príncipe, revelou durante uma entrevista à iF Magazine que não vai voltar à série para Relíquias da Morte.

Após dois filmes Potter, e eu imagino que os próximos dois, você espera trazer a sua própria riqueza aos temas ao Harry que será tão memorável quanto a música que começou tudo isso?
Eu tomei a decisão de não fazer os próximos dois filmes Harry Potter. Eu vou estar entregando a batuta a outro compositor. Tem sido uma montanha russa e, em minha opinião, um enorme privilégio ter a oportunidade de ter composto a trilha de filmes tão bons e de uma história tão fantástica.

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Embora Nicholas não tenha revelado quem vai substituí-lo nesse papel, é de conhecimento público que o John Williams, compositor dos três primeiros filmes da saga, está tão interessado em voltar quanto a própria equipe técnica.

Nós os manteremos informados sobre os desenlaces dessa história. Enquanto isso, vocês podem conferir a tradução de toda a entrevista em notícia completa, durante a qual Hooper fala sobre a trilha de Enigma do Príncipe e como é trabalhar numa série e usar a trilha criada por outros compositores.!

NICHOLAS HOOPER
Nicholas Hooper agita sua varinha mágica de composição sobre ‘Harry Potter e o Enigma do Príncipe’

iF Magazine ~ Daniel Schweiger
23 de julho de 2009
Tradução: Isadora Moraes

O compositor retorna a Hogwarts para sua segunda trilha em Harry Potter

Quando você vai para a escola de Hogwarts de magia musical cujos estudantes anteriores incluíram John Williams, William Ross e Patrick Doyle, é melhor trazer seu melhor jogo de composições para sua partida de quadribol. O nome de Hooper pode ter obtido um “O quê?” coletivo e perplexo dos fãs de Harry Potter quando David Yates, seu freqüente colaborador de filmagens, trouxe-o para criar a trilha sonora de “Harry Potter e a Ordem da Fênix”, mas a partitura suntuosamente assustadora e dramaticamente poderosa de Nicholas Hooper para o novo filme, “Enigma do Príncipe” é prova de que esse inglês transformou Hogwarts em seu próprio musical.

Embora ele tenha feito uma trilha sonora animadora e repleta de ação para “Fênix”, os corredores de Hogwarts tornaram-se notoriamente mais sombrios, já que o plano de ação de Lord Voldemort se utiliza de seus antigos fundamentos – um slow maléfico – baseado em vingança e traição que arrasta quase todos os personagens inocentes de Potter para o lado das trevas. Mas isso não significa que adolescentes não possam ser adolescentes, já que amor reprimido e travessuras mágicas não foram deixados de fora do currículo musical. É uma poção resultante de elementos do enredo que abrem uma ampla porta a um grandioso mundo musical para Hooper, que satisfaz melodicamente batalhas cósmicas com corais, grandes faixas de rumba, melodias irlandesas e um nível muito mais infernal de mal que está à espreita e se multiplica.

Embora partes da música que John Williams criou quando Harry era um pequeno e inocente garoto ainda possam ser ouvidas, a trilha de Hooper em “Enigma do Príncipe” é, distintivamente, a mais madura que já apareceu em Hogwarts. E, assim sendo, representa, sem dúvida, o ponto mais alto de uma parceria que começou com Yates em projetos de TV tão britânicos como “State of Play”, “The Young Visiters” e “The Girl in the Café”. Claro que são coisas pequenas e pouco dignas de atenção quando você está falando da série de fantasia de maior sucesso depois de “O Senhor dos Anéis”. Mas é para um mundo de trouxas musicais que Hooper retornará, agora que ele se formou em Hogwarts com cores musicais voadoras.

Agora, recuperando merecidamente o fôlego depois de dois anos frenéticos na escola, Nicholas Hooper fala sobre estar na companhia de um “Enigma do Príncipe”.

iF: Sendo o mais misterioso de todos os compositores de Harry Potter, como foi que primeiramente quis se provar para “Ordem da Fênix”?
NC: Encarei isso como um ótimo desafio para expandir minha paleta de composições, compor como nunca tinha feito antes, e uma chance de compor músicas para uma das melhores histórias já escritas. Eu era um grande fã dos livros e também considero John Williams um dos melhores compositores dos tempos modernos. Foi uma oportunidade maravilhosa compor quase que sinfonicamente para os filmes.

iF: Como você se preparou para embarcar nos filmes de Harry Potter, e você queria continuar no mundo musical que John Williams havia estabelecido?
NC: É claro que estudei a música de John Williams e também alguns dos compositores que possam tê-lo influenciado em Harry Potter. Uma faixa em particular que eu dei uma olhada mais de perto foi “The Firebird” de Igor Stravinsky. “The Firebird” é, na verdade, uma fênix, então parecia muito apropriado na época. Tendo estudado as composições de John Williams, eu decidi que seria melhor achar meu próprio caminho ao invés de tentar imitar um mestre como ele. Isso também foi aprovado por David Yates, já que ele queria que a música seguisse uma direção diferente que esses filmes mais sombrios.

iF: Como você conduz magia com música?
NC: Música é magia! Mas se isso soa um pouco obtuso então eu poderia dizer que com a minha música mais mágica é difícil para o ouvinte dizer de onde veio o som. O uso de Celeste e Glockenspiel [música clássica e gospel] (ambos instrumentos de percussão de tinidos) às vezes funciona muito bem com certos acontecimentos mágicos. Mas eu senti que era melhor não exagerar, já que era mais eficaz quando usado moderadamente. Também é importante notar que a música nos dois filmes mais recentes precisava dar suporte a cenas emocionais muito mais do que a cenas mágicas.

iF: Como você fez para decidir quais temas da trilha anterior de Potter você iria colocar em “Enigma do Príncipe”, e onde gostaria de anunciar o tema de Williams?
NC: Embora várias coisas pareçam lógicas depois de algum acontecimento, eu tenho a tendência a compor instintivamente, permitindo que as coisas se desenvolvam a sua maneira. Seria fácil dizer que fiz questão de usar tal e tal tema graças a “um brilhante golpe de genialidade.” Mas, na verdade, muito do que é empregado vem de tentativas às cegas, e depois de debates sobre elas. É como jogar tinta na parede um dia e dar uma olhada no outro para ver como ficou. O uso do tema da Possessão do quinto filme de Harry Potter (no qual Voldemort possui Harry) veio como uma idéia quando Voldemort é mencionado primeiramente pelo nome Tom Riddle no discurso de Dumbledore no começo do período letivo. Pareceu funcionar ali e foi gradualmente funcionando no filme, por causa do próprio envolvimento de Dumbledore com Voldemort. Isso junto com um novo tema resultou no DNA para toda a trilha. Empregar os temas de John Williams se tornou uma coisa óbvia à medida que avançávamos. O começo do filme tem que pelo menos insinuar o Tema de Edwiges (fique de olho na finalização dele no instrumento de metal logo antes dos Comensais da Morte atacarem Londres). Um pouco adiante no filme, o Tema de Edwiges dá a impressão de estarmos de volta em um filme de Potter, então foi usada no trem para Hogwarts e na chegada de Harry à casa dos Weasley. Eu também gostei de usar um pouco do tema de quadribol de Williams na partida de quadribol para destacar as impressionantes defesas de Rony.

iF: Conte-nos sobre os novos temas para “Enigma do Príncipe”.
NC: O novo tema principal surgiu através de uma combinação de palavras do roteirista Steve Cloves, “In Noctem”, que seriam cantadas pelo coral de Hogwarts em uma cena que apareceria mais para o fim do filme, um pouco antes da cena da morte de Dumbledore. Enquanto acontecia, a cena do coral foi tirada por atrasar a ação. Mas a parte mediana do canto se tornou um tema de grande importância no filme, destacando a maior parte da jornada de Dumbledore e chegando ao clímax quando ele viaja com Harry até a caverna. Outro tema novo e muito importante é para Malfoy, que tem um grande papel neste filme. O objetivo era dar um ar de mistério mas também de tristeza melancólica para o jovem Draco, que ficou preso nesta teia do mal.

iF: De todos os filmes de ‘Harry Potter’, esse é o que tem o ritmo mais lento. Quanta luz que a história do filme exigia você queria trazer para as trevas?
NC: Não penso como ritmo mais lento. É certamente tocante, mas há bastante ação e os relacionamentos dos personagens se desenvolvem de maneira mais profunda. Minha parte nisso foi mais emocional, como já disse, então as sugestões de interesse amoroso, como quando Gina beijou Harry, ou a cena levemente divertida quando Hermione tenta convencer Harry que ela não está chateada por causa de Rony e Lilá, têm um toque muito mais leve e solista.

iF: Você é sensato quanto a que tipos de instrumentos “modernos” e orquestração você gostaria de acrescentar à sua trilha sonora, de maneira a manter o tom das trilhas anteriores à sua?
NC: Certamente que não, eu simplesmente sigo meus instintos. Porque David e eu decidimos seguir uma direção diferente nesses filmes, a escolha de instrumentos foi se desenvolvendo à medida que as composições foram se desdobravam.

iF: Você tem algum personagem de Harry Potter para o qual prefere compor?
NC: Não. Eu adoro todos eles! Todos têm seu próprio potencial musical.

iF: Você sente uma grande responsabilidade por compor para os filmes de Potter ou David Yates o mantém protegido da pressão da indústria e dos fãs da franquia?
NC: Ninguém pode protegê-lo da responsabilidade de criar a trilha sonora desses filmes!

iF: Como você acha que os filmes de Potter ajudaram-no a progredir artisticamente e profissionalmente como um compositor?
NC: É claro que, ao fazer algo nessa escala, que exige tanta responsabilidade, eu ganhei músculos musicais e uma paleta mais abrangente.

iF: Depois de dois filmes de Potter, e eu imagino que nos próximos dois, você espera trazer sua própria riqueza de temas para Harry que serão tão memoráveis quando a música que deu início a tudo isso?
NC: Eu decidi não fazer os próximos dois filmes de “Harry Potter”. Entregarei o bastão para outro compositor. Foi uma como andar na montanha-russa e, penso, um enorme privilégio ter tido a oportunidade de criar a trilha sonora para filmes tão bons e uma história tão fantástica.