J. K. Rowling ︎◆ Livros

Melissa Anelli e JK Rowling falam sobre spoilers

Melissa Anelli, a autora do livro “Harry, a History”, vem publicando diversos trechos de sua entrevista com JK Rowling. Agora ela divulgou em seu site uma nova parte na qual Jo fala sobre os muitos spoilers que rodeavam o lançamento de um livro Potter.
Jo fala do tiroteio que houve por causa de uma cópia aparentemente vazada do livro Harry Potter e o Enigma do Príncipe (uma rápida recapitulação: um repórter do The Sun foi chamado para uma reunião com alguém que dizia possuir uma cópia e a venderia por cerca de 50000 libras; ele chamou a polícia, e dois tiros foram disparados):

E depois, é claro, chegamos ao livro seis e achamos que vimos a tentativa mais absurda de se conseguir um manuscrito de Harry Potter antes do tempo, e certamente não ficamos próximos, pois eles pegaram o cara com a arma. Foi bem sério, realmente não foi engraçado. Fiddy me disse e eu pensei que fosse uma piada. Eu achei que ela estivesse fazendo uma piada.

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Apenas o mero fato de que você produziu algo que as pessoas querem roubar, querem disponibilizar na internet, é, para mim, muito desconfortável. E quando uma arma é envolvida, a piada saiu do controle. Completamente fora de controle. Eu fiquei apavorada. O cara que possuía a arma direcionada a ele escreveu que ele havia estado em lugares como Kosovo e passou pela sua cabeça, “Eu vou morrer por causa de Harry Potter.” Que Deus não permita.

Leia a entrevista na íntegra em Notícia Completa!

JK ROWLING
Falando de Spoilers ~ Melissa Anelli
02 de Novembro de 2008
Tradução: Dérick Andrade Moreira

Essa conversa do livro ser enviado antes (e como hilariamente os fãs de HP estão desacostumados com isso) fez-me revisitar a parte da entrevista com J.K.Rowling onde nós falamos sobre os intensos spoilers que aconteceram a caminho de cada livro depois do terceiro. Para aqueles que não notaram, cada um dos últimos quatro livros apresentava algum conteúdo extravagante que resultou em assuntos arruinados por spoilers.

Havia muitos para o quarto livro (veja a última entrada do cofre); Para o quinto livro as cópias aparentemente apareceram em um campo próximo a fábrica de publicação, e a pessoa audaz que as achou ligou para o The Sun ao invés de, ah, levá-los de volta a fábrica ou ligar para a Editora; O quinto livro também chegou a uma prateleira de uma loja de alimentos saudáveis do Brooklin, NY, onde um repórter do NY Daily News comprou uma cópia, facilmente como se comprasse uma torta, alguns dias antes da publicação. Todos os tipos de problemas aconteceram com o sete.

Mas para o seis, Harry Potter e o Enigma do Príncipe, algo extraordinário e terrível aconteceu. Houve um tiroteio. Nós ficamos sabendo depois que a arma estava cheia de explosivos, mas sem nenhuma bala, e a pessoa que atirou neles sairia da cadeia depois de aproximadamente um ano, mas na época imagine as manchetes:

“Arma disparada por causa de livro Potter não publicado.” Eu estava em Manhattan quando eu descobri, comprando algum tipo de roupa apropriada para a minha viagem pendente para Edimburgo (um salário de repórter = morango; um horário de repórter = roupas usadas que outros repórteres não acham repreensíveis, pois suas camisas também possuem três buracos, e nenhum de vocês foi fazer compras desde antes de conseguir seu trabalho) quando Lizo Mzimba da BBC ligou.

Eu tinha seis cabides no meu dedo mindinho esquerdo e quatro cabides no meu direito e quando ele me contou eu gritei “O que?!” e depois fiz um desafortunado, ainda assim automático gesto. Tudo caiu no chão. Um tiroteio por causa de um livro Harry Potter. Sério. (Uma rápida recapitulação: Um repórter do The Sun foi chamado para uma reunião com alguém que dizia possuir uma cópia e a venderia por cerca de 50000 libras; ele chamou a polícia, e dois tiros foram disparados.)

Esse acontecimento e as circunstâncias estão em ‘Harry, A History’ (‘Harry, uma história’ em tradução livre), mas aqui estão alguns comentários completos de Jo sobre as circunstâncias e o sentimento de tensão que cercou o lançamento naquele momento. (Eu mesma editei da conversa.) A citação começa falando sobre o incidente no campo do livro cinco:

“Eu me lembro que havia um jornalista, um jornalista da TV, que disse naquela época, de maneira petulante, ‘Ha, ha, é tudo parte da publicidade, não é?” Simplesmente parecia fora do controle naquele momento, parecia fora do controle que um manuscrito tivesse suspeitosamente aparecido em um campo, que esse cara que supostamente o achou pensou, ‘Ah, bem, a melhor coisa que eu posso fazer aqui é telefonar para algum jornal. …E depois, é claro, chegamos ao livro seis e achamos que vimos a tentativa mais absurda de se conseguir um manuscrito de Harry Potter antes do tempo, e certamente não ficamos próximos, pois eles pegaram o cara com a arma. Foi bem sério, realmente não foi engraçado. Fiddy me disse e eu pensei que fosse uma piada. Eu achei que ela estivesse fazendo uma piada.

Apenas o mero fato de que você produziu algo que as pessoas querem roubar, querem disponibilizar na internet, é, para mim, muito desconfortável. E quando uma arma é envolvida, a piada saiu do controle. Completamente fora de controle. Eu fiquei apavorada. O cara que possuía a arma direcionada a ele escreveu que ele havia estado em lugares como Kosovo e passou pela sua cabeça, “Eu vou morrer por causa de Harry Potter.” Que Deus não permita.

Há uma visão lá fora, ‘É tudo bom,’ tudo isso aumenta a antecipação, deixa mais colorido. Mas não, estava realmente saindo do controle. E enquanto as pessoas falavam de antecipação, ela consumia a si própria, e gerava esse tipo de feiúra… Isso está muito além de tramas que vazaram, está relacionado a violência e intimidação, e quem quer estar envolvido com isso? Quem deseja ter seu trabalho associado a isso? Sabe, vamos apenas publicá-lo duas semanas antes. Quem quer uma arma sendo disparada? Então você começa a ficar muito ansioso com isso.

…Naquela altura, havia se tornado bem diferente do que era para ser. Não é definitivamente sobre a antecipação por um livro, não é sobre o amor por uma história ou até o desejo de estragá-la. Tornou-se algo a que as pessoas queriam se apegar apenas porque era o jeito mais rápido de se conseguir alguma publicidade para eles mesmos ou notoriedade para eles mesmos e você tem essa extremidade-

Não posso exaltá-los com a palavra fã, pois eu acho que se não tivesse sido Harry Potter teria sido Star Wars ou seria algo grande o bastante para que eles conseguissem seus cinco minutos de fama. …Não tem nada a ver com Harry Potter, e ainda assim Harry Potter atraiu muito disso, mais tarde, eu diria, para os últimos três livros. …Está criando expectativas de um jeito não saudável, está deixando as pessoas cansadas do som de Harry Potter pelas razões erradas, e mais seriamente se chega no domínio de fraude literária, intimidação, violência, roubo, e quase nunca esteve relacionado com os fãs.