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Snitch Seeker analisa a peça Equus

O site Snitch Seeker fez uma análise da peça Equus, atualmente com apresentações na cidade de Nova Iorque, onde fala sobre Daniel Radcliffe e Richard Griffiths. Já nos primeiros parágrafos eles fazem uma análise da atuação de Radcliffe:

E assim foi. Dan era, sem dúvidas, o coração e alma da produção, e não porque ele é Daniel Radcliffe … Houve uma tal inexperiência em seu Alan Strang que foi hipnotizador em alguns pontos; você não poderia deixar de ficar surpreso por quanto ele entrou no personagem, e como ele trouxe alguém tão atormentado, hesitante de falar de si mesmo, preocupado, mentalmente instável quanto Alan à vida, de modo tão bonito e quase sem falhas.

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E para finalizar com chave-de-ouro, analizaram o Dr. Dysart (Richard Griffiths):

Além da atuação admirável de Dan, tenho que dizer que o Dr. Dysart de Richard Griffith foi o complemento perfeito para o Alan de Dan. Com Dysart, você tem alguém que é muito comedido em sua vida pessoal (como é mostrado), mas também calmo e controlado se comparado à insanidade resistente que Alan traz consigo (que pode estar mirando intencionalmente sua presa ou gritando fortemente para eles), e que funciona muito bem…

A entrevista pode ser vista na íntegra clicando aqui.

EQUUS
Divulgada Análise de Equus pelo Snitch Seeker

SnitchSeeker
20 de setembro de 2008
Tradução: Renan Lazzarin

Devo primeiro dizer: é realmente legal ver que Dan Radcliffe pode, realmente, atuar (estou no grupo de pessoas que sente que sua atuação de Harry Potter foi sempre grave e dura). Em certo ponto, me aproximei e sussurrei à minha colega, “Por que ele não pode fazer isso em Harry Potter?” Ela acenou de volta, completamente consciente de como sua performance era brilhante.

E assim foi. Dan era, sem dúvidas, o coração e alma da produção, e não porque ele é Daniel Radcliffe, estrela dos filmes de Harry Potter. Se qualquer um já percebeu o quanto ele é exagerado e nervoso o tempo todo, imagine-o focalizando isso numa performance que exige que ele corra enquanto grita insultos e queixas para um relativamente vencido e amargo Richard Griffiths (também muito bom, e hilário até os pés). Houve uma tal inexperiência em seu Alan Strang que foi hipnotizador em alguns pontos; você não poderia deixar de ficar surpreso por quanto ele entrou no personagem, e como ele trouxe alguém tão atormentado, hesitante de falar de si mesmo, preocupado, mentalmente instável quanto Alan à vida, de modo tão bonito e quase sem falhas.

A desvantagem de se ter assentos de palco é que você perde algumas das expressões faciais quando os atores estão falando ao público do teatro (como eles estão sentados contrários a nós). Entretanto, dado ao fato de que você pode, realmente, ouvir as emoções que eles estão tentando conduzir com suas falas, realmente não faz uma grande diferença para a experiência (e tem mais, se alguém viu as numerosas imagens promocionais da peça, dá a idéia de como a cena parece do outro lado, de qualquer forma, o que foi um pouco vantajoso). Houve algumas cenas nas quais os atores, especialmente Dan, vira de costas para a platéia, então os poucos de nós ocupando os assentos de palco meio que recebemos um presente bônus (especialmente porque nossos assentos estavam cerca de 3 metros acima do verdadeiro palco, o nível de intimidade que sentíamos estarmos tão próximos não é algo que alguém dos assentos do teatro pudessem entender… embora eu pudesse estar um pouco mais tendencioso lá).

Houve um par de cenas que destacaram que apenas os ocupantes dos assentos do palco puderam ver, tendo uma vista aérea de olho de pássaro da peça. Quando o Alan de Dan estava imitando açoites em si próprio com um cabide como meio de penitência, você pode, talvez, pensar que, uma vez que poucas pessoas verão suas expressões faciais de trás, ele não seria tão severo, ou que ele relaxaria um pouco, mas ele não o fez, nem um pouco. Você podia ver a intensidade, podia ver o quanto ele entrou no personagem e a dor e aflição que ele sente pelos pecados que acha que cometera. Os olhos fechados de modo apertado e o rosto cheio de uma ilusão de desespero pela culpa; pode-se ver que Dan estava verdadeiramente sentindo a dor de seu personagem. Houve outra parte, em particular, na qual ele está fitando os cavalos (Nugget, o único de quem Alan realmente ficou íntimo), e seus olhos estavam são cheios de pavor e adoração que é até um pouco inquietante olhá-los, onde seu esplendor absoluto ao olharem com amor outra figura torna-se quase hipnótico.

Há alguns momentos, também, nos quais Dan está deitado em uma posição de feto em uma das caixas usadas como suporte e mobília, pois ele não é necessário na cena, então ele vira suas costas para o lado do teatro do público. Dos assentos do palco, você pode ver suas expressões faciais, que são algumas vezes hilárias e distrativas que você perde o vestígio do que está acontecendo ao redor dele. Os outros atores estão lá dizendo suas falas e fazendo suas cenas, e você é atraído ao Dan deitado lá, completamente isolado mentalmente de tudo exceto as performances ao redor dele, enquanto ele está coçando seu rosto, bocejando e roendo suas unhas (as quais ele mastigou e cuspiu algumas vezes, também). Acho que ter que vê-lo fora do personagem tantas vezes, isso tira você de Alan e você se lembra que ele é apenas Dan, e isso se torna preocupante quando ele levanta abruptamente para fazer suas cenas. Dan tem um vigor imenso, tenho que dizer (e ele perfeitamente desmonta dos obstáculos quando são colocados na posição mais alta, fazendo com que seus pés estejam a cerca de 1,2 metro do chão, exigindo que você pule, o que ele faz com uma facilidade chocante – você vê onde os exercícios que ele fez durante tantos anos vieram a ser utilizados).

Além da atuação admirável de Dan, tenho que dizer que o Dr. Dysart de Richard Griffith foi o complemento perfeito para o Alan de Dan. Com Dysart, você tem alguém que é muito comedido em sua vida pessoal (como é mostrado), mas também calmo e controlado se comparado à insanidade resistente que Alan traz consigo (que pode estar mirando intencionalmente sua presa ou gritando fortemente para eles), e que funciona muito bem. É algo que percebi com a peça: houve personagens que funcionaram gradualmente bem uns com os outros por causa de suas diferenças, e que eles meio que combinaram juntos as peças do quebra-cabeça (como Alan e Dysart, Dysart e Hester, o magistrado da Corte – definitivamente quando ele, às vezes, representava o moleque irritante e pestilento com sua figura bem montada e rígida; os pais de Alan, Dora e Frank; e Alan e Jill [a garota com quem ele namora]: ele é totalmente reservado e tem medo de mostrar suas verdadeiras cores; e quando ele o faz, ela se senta com os braços cruzados e ri de sua cara quanto a isso, porque ela é uma garota muito fácil que quer se divertir). É uma peça de personagens complementares tentando se descobrir encontrando as peças perdidas que fazem tudo ser compreensível e completo, e isso é feito muito bem pelos atores (embora o suposto sotaque irlandês de Jill tenha deixado a desejar).

Os cavalos e os atores que os interpretam são fenomenais. Depois do Alan de Dan, eles realmente são, de longe, os personagens mais interessantes na peça. Você fica na apreensão de como seis atores se levantam e interpretavam seus papéis tão bem (houve uma incrível quantidade de coreografia nisso; no final, quando Alan deixa os cavalos cegos, se torna um pouco de dança, na qual ele está fugindo após tentar atacá-los, e a graça e elegância com as quais eles se mexem com dor e terror são magníficas – o único problema é que a cena de clímax termina muito rapidamente). Os atores adotam seus personagens eqüinos tão perfeitamente que o público se esquece de que há seis homens vestindo máscaras de metal no formato de cavalo; o que pode ser visto é o amor entre um jovem homem e os animais que ele ama tão encarecidamente.