Filmes e peças ︎◆ O Enigma do Príncipe

AlloCiné publica set report e entrevistas com o elenco!

Cansaram de ler relatos das pessoas que tiveram a sorte de visitar os Estúdios Leavesden no início desse ano? Esperamos que não, pois o AlloCiné disponibilizou o seu com algumas entrevistas!As disponibilizadas hoje são com Daniel Radcliffe (Harry), Tom Felton (Draco), o diretor David Yates e o produtor David Barron, além de trechos com Emma Watson (Hermione), Rupert Grint (Rony), Jessie Cave (Lilá) e Matthew Lewis (Neville)

Como o site é todo em francês, as traduções demoraram um pouquinho para sair, mas o esforço da nossa equipe nos fez terminar ainda hoje. Leiam um trecho da entrevista com Dan logo abaixo:

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Quando Katie Leung chegou em Harry Potter e o Cálice de Fogo, era para interpretar Cho, o primeiro amor de Harry. Nós então sabíamos que não havia preocupação. Mas quanto a Bonnie Wright, que eu conheço há 9 anos! Foi muito estranho, agora que ela tem 17 anos… mas ficou legal no final.

E abaixo o Rupert falando sobre sua cena de beijo com Jessie:

Nós gravamos as nossas cenas com Jessie Cave (Lilá Brown) há algumas semanas, e claro a cena do beijo. Sem ensaios, na verdade: a gente deu o nosso melhor. Foi um pouco vergonhoso, porque foi antes da partida de Quadribol e então foi na frente de MUITA gente. Foi embaraçoso no começo, nós dois estávamos nervosos, nós nos mergulhamos na cena e correu bem…

Confiram muito mais na tradução completa clicando aqui! Em breve disponibilizaremos a última restante. Continuem ligados no Ish!

Atualizado: Todas as entrevistas já podem ser vistas em notícia completa.

HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE
Visita às filmagens do sexto filme

AlloCiné
31 de julho de 2008
Tradução: Daniel Mählmann, Fernanda Midori e Thiago Caetano
Revisão: Patricia Abreu, Thiago Caetano e Virág Venekey

De volta à escola. Embora a saga Harry Potter se aproxime do seu desfecho cinematográfico (para os livros, a menos que você tenha vivido em outro planeta em 2007, você sabe que JK Rowling acabou), está mais do que na hora do AlloCiné oferecer uma pequena passagem pela magia em Hogwarts. Sim, a escola é “para valer”. Ao menos um pedaço, distribuído através de sete espaços dos impressionantes Estúdios Leavesden, incluindo 500.000 metros quadrados dedicados às aventuras do jovem bruxo. Adicionar alguns fundos infinitos azuis ou verdes, gráficos e a arte de edição, e a Escola de Bruxaria vem à vida na tela. A magia do cinema.

A primeira coisa com que o visitante trouxa se depara: a atmosfera familiar e quieta que reina nas filmagens. Basta ver a alegria das jovens estrelas da saga que estão todos juntos pela primeira vez desde os ensaios há alguns meses. A cena do dia tem lugar no Salão Principal de Hogwarts e todos os estudantes bruxos – Harry, Rony, Hermione, Neville, Gina, Cho, irmãs Patil, Draco – reunidos para a ocasião. Um dos gêmeos Weasley, fora da escola com seu irmão desde o final do quinto para lançar sua loja Gemialidades Weasley, também está na festa: James Phelps, também conhecido como Fred, é um dos assistentes do diretor David Yates no filme. Quando se diz que esta é uma grande família…

Entre as filmagens, todos têm a oportunidade de encontrar os amigos. E quando é a hora de almoço, todos (estrelas, técnicos, dublês, extras…) ficam juntos em uma enorme cafeteria com estilo de salão de acampamento. Vem uma atmosfera muito boa. Mas eles não esquecem o trabalho. E, apesar de algumas risadas com seus companheiros Rupert “Rony” Grint na cena do jantar, você fica impressionado com a quantidade de nuances propostas por Emma “Hermione” Watson para esse diálogo de minutos entre os amigos (e futuros amantes), que vê o ruivo perguntar ao seu amigo as circustâncias do seu término com Lilá Brown. Os fãs vão entender.

Quanto a este filme, também é atingido por uma preocupação com os detalhes. Ok, isso é normal para uma produção de 200 milhões de dólares, mas ainda assim… Na biblioteca de Hogwarts, as prateleiras estão cobertas com fileiras de livros de magia, cada livro com um título, e podemos encontrar, por exemplo, um livro dedicado ao estilo de vida do trouxa britânico. Na sala comunal da Grifinória, quadrinhos de “As Aventuras de Martin Miggs, o Trouxa Louco” em cima de uma mesa, enquanto vários pequenos anúncios (“Perdido livro de feitiços 2° ano”, etc) concorrem em um quadro de recados: não vemos na tela, mas estes são os pequenos toques de decoradores que fazem toda a diferença. No quarto dos meninos, uma cama não é arrumada: a do Rony, obviamente. No escritório de Dumbledore, uma carta dirigida ao Diretor de Hogwarts espera ser aberta. E nós descobrimos uma surpresa, atrás do escritório do bruxo, uma antecâmara e um enorme telescópio que nunca foram mostrados em filmes (e que não poderão ser nunca!)

Na Toca, desenhos das crianças Weasley (incluindo um retrato da coruja Errol assinado por um Rony muito jovem) enfeitam as paredes. O relógio mágico, que mostra que toda a família está em perigo mortal: uma cena inédita, inventada para os propósitos dessa sexta parte, de fato confrontam Harry, Hermione, Lupin, Tonks, Rony e sua família em um ataque dos Comensais. Além disso, duas estúdios – um coberto com fundo azul, outro com fundo verde – são dedicadas às cenas de Quadribol e à seqüência da caverna na qual Harry e Dumbledore enfrentam um exército de Inferi para capturar uma das horcruxes de Voldemort. Uma parede coberta com storyboards da cena aguardada com tanta expectativa obviamente chama nossa atenção. Infelizmente, a produção é mais rápida: é ultra-secreto.

No entanto, o mágico Nick Dudman, da equipe responsável pelas criaturas, revela o seu museu de horrores: dragões, centauros, trolls, basiliscos, aranhas gigantes, duendes, hipogrifos e testrálios preenchem a oficina dedicada às suas criações, muitas vezes em tamanho real. As mais recentes, Inferi, corpos em decomposição que atacam Harry e Dumbledore na caverna, estão bem no meio do local. Nós ficamos deliciados com o resultado, que deverá ser aterrorizante. Ainda mais que a saída dos Dementadores de Azkaban.

De volta ao Salão Principal, onde o pessoal termina o dia de “Champion” (Campeão), o título de trabalho do filme (para evitar pirataria). Nós sentimos, na interpretação de Emma Watson, os sentimentos de Hermione por Rony chegando à superfície. Sim, porque em Hogwarts, por trás da magica, cursos e a luta contra Você-Sabe-Quem, os hormônios fervilham. David Yates nos avisou durante a divulgação de Harry Potter e a Ordem da Fênix: o filme Harry Potter e o Enigma do Príncipe seria uma mistura de sexo, drogas e rock’n’roll. Surpreso? O melhor ainda está em perguntar a diferentes talentos. Accio entrevistas!

Entrevista com Daniel Radcliffe

Feliz em estar de volta?
Eu estou realmente satisfeito por voltar a Hogwarts. Mas na verdade, nós estamos trabalhando há várias semanas, sempre com David Yates dirigindo. E nós temos um relacionamento profissional muito bom. Isso também é muito legal. O que realmente curti durante essas poucas primeiras semanas é que eu me encontrei sozinho com Michael Gambon para todas as cenas onde Harry e Dumbledore estão sozinhos. E ele é muito interessante e fascinante: nós falamos sobre a direção da história… Fascinante.

Qual é o estado de espírito de Harry nesse sexto filme?
Nesse sexto filme, Harry é muito mais organizado e focado em suas tarefas. Ele fala cinco anos sobre enfrentar Voldemort, mas essa é a primeira vez que ele e Dumbledore gastam tempo com uma ação concreta. Harry vê a si mesmo como o melhor soldado de Dumbledore nessa guerra, e ele quer ajudar a realizar esta missão.

Você já filmou a cena final, com Dumbledore e Draco?
Eu acho que nós vamos gravar essa cena em poucas semanas. Eu realmente não acho… será interessante, eu acho. Eu realmente não sei o que esperar, porque normalmente as cenas mais fortes do filme, as mais épicas, não são necessariamente as mais impressionantes na tela. Depois disso, o nosso trabalho é entregar a melhor atuação possível, mas eu realmente não sei como nós vamos interpretar essa cena. Haverá, sem dúvida, uma atmosfera um pouco especial nesse dia…

E a cena de beijo com Gina?
Foi estranha. Quando Katie Leung chegou em Harry Potter e o Cálice de Fogo, era para interpretar Cho, o primeiro amor de Harry. Nós então sabíamos que não havia preocupação. Mas quanto a Bonnie Wright, que eu conheço há 9 anos! Foi muito estranho, agora que ela tem 17 anos… mas ficou legal no final.

Nos conte sobre a nova jovem, Jessie Cave…
Jessie é brilhante como Lilá! É realmente engraçada! Isso está evidente, porque esse é um papel que só funciona se você estiver totalmente nele. E ela está totalmente assim em cada tomada. Essa é a personagem que traz um pouco de leveza ao filme, porque o relacionamento de Harry e Gina é mais complicado.

Você já sentiu uma mudança na interpretação de Alan Rickman, agora que a saga está concluída e nós sabemos mais sobre Snape?
Acho que é possível que Alan Rickman já soubesse de coisas sobre o passado de Snape antes do lançamento do livro. Ele foi informado diretamente por JK Rowling, que contou a ele o que ele precisava saber. Eu ainda não filmei com Alan nesse sexto filme, mas acho que ele sabe tudo do personagem desde o começo e, por isso, não precisaria necessariamente mudar a sua forma de lidar com ele.

E o que você achou do sétimo livro?
Eu amei! Sobrevivi e derrotei o vilão… esse é o melhor final com que eu poderia sonhar (risadas). Sério, foi bem estranho, porque eu terminei o livro no meu caminho para as filmagens do sexto filme pela primeira vez. Foi muito estranho… eu o achei muito emocionante: não apenas por causa da história, mas também porque ele foi realmente o final, o fim de tudo. Descobri que eu tinha de aproveitar esse personagem.

O que você sente quando se vê tão jovem nos filmes anteriores?
Tinha esquecido o quanto eu era jovem! Eu achava problemático me ver neles quando eu tinha 13 anos. Mas hoje, eu acho estranho e tocante me ver tão jovem no primeiro. É estranho porque não existem muitas franquias onde nós seguimos um personagem por 6 ou 7 filmes, acompanhando seu crescimento. Mas ao mesmo tempo, é a percepção do público, não a minha, porque eu nunca me vi “crescendo na tela”. Eu cresci na vida real. Será realmente estranho mostrar os filmes para meus filhos… eu acho isso quando vejo fotos dos meus pais crianças: é muito estranho ver seus parentes tão jovens. Então a saga Harry Potter, essa é uma boa maneira de assustar meus filhos!

Que atores fizeram mais por esses filmes?
Michael Gambon, Gary Oldman e Imelda Staunton. Essa lista não foi exaustiva, com certeza! (risadas) Michael é maravilhoso porque não leva nada a sério. Ele é muito relaxado, mas quando escuta ‘ação’, ele está dentro (do personagem) em um segundo. Imelda é impressionante pelo número de variações que pode oferecer e como chegou a mostrar toda a história de uma personagem em uma cena mínima. Ela tem essa capacidade de incutir elementos muito importantes em suas cenas. Quanto ao Gary Oldman é a interpretação fenomenal que me ensinou como poderia mergulhar em um personagem. Seus papéis são sempre incríveis…

E o que você aprendeu de sua experiência teatral?
Nada para Harry Potter diretamente, mas acho que a experiência como um ator de teatro necessariamente tem um impacto em seu trabalho. Em Equus, eu aprendi a manter um nível elevado de concentração por um lomgo período, ignorando ao mesmo tempo o que está ao seu redor. No palco, acontece a você várias coisas: uma vez, eu quase caí lá de cima! No teatro você aprende a se manter focado na cena, não importa o que aconteça. Equus me ensinou isso, e é útil em uma grande produção como Harry Potter, onde existem tantas coisas para se fazer… como essa entrevista! Agora eu sei me recompor rapidamente quando tenho dois turnos.

Entrevista com Tom Felton

O que podemos esperar neste filme?
Draco tem um papel mais importante neste filme, então é legal ter a oportunidade de abordar o personagem sob esse aspecto. Eu tenho mais coisas a fazer, o roteiro é brilhante e até agora está sendo muito divertido. Além disso eu sou o oposto de Draco na vida real, por isso é interessante interpretar alguém que não gostaria de mim nem um pouco. Eu e David Yates conversamos muito sobre Draco e o seu estado de espírito nessa sexta parte. De alguma forma ele perdeu seu pai, ao menos como um modelo. De repente cuida de si mesmo e ele quer mostrar a sua independência. E depois, há a inveja de Harry e do seu papel como o eleito: ele sonha mostrar ao mundo do que ele é capaz. Enquanto isso, por dentro, ele está aterrorizado e sabe que não poderá realizar sua missão… esse é um verdadeiro conflito interno.

Como você se prepara para o personagem?
Nós tivemos tempo para trabalhar com David no cenário, incluindo a cena final com Michael Gambon, mas também sobre a relação entre Snape e Draco. Nós lemos o roteiro, tomamos notas e falamos sobre a mentalidade de Draco nestas diferentes cenas. Draco é mais complexo desde que o seu pai não está: inicialmente, eu era provavelmente muito bidimensional em minha abordagem, mas David conseguiu uma profundidade real. Draco está mais centrado em Harry: ele tem uma missão agora, e ele tem feito realmente algo característico. E, depois, da mesma forma que inclui as reações de Harry comparado com o que ele viveu e da ausência de seus pais, em particular, estão começando a compreender que Draco não é assim tão mau, e que essa é a sua maneira de ser fortemente influenciado pelo seu pai e de como ele o trata. É, por conseguinte, há mais investigação, emoções, sutilezas…

Você já gravou a cena final contra Dumbledore?
Ainda não. Mas eu mal posso esperar para estar lá.

Será que a fadiga é sentida após seis filmes? Você acha que está nessa fase?
É ótimo voltar todo ano e ver todos os outros crescidos. Nós olhamos para os filmes anteriores quando eles passam na televisão e é simplesmente louco ver o quanto nós todos envelhecemos… é muito estranho… e, ao mesmo tempo, é muito legal ter isso em vídeo. Eu necessariamente pensei no fim de tudo isso. E imagino que isso será como o fim do ensino médio, ou algo desse tipo, quando você deixa pessoas as quais aprendeu a amar e respeitar. Esse é o nosso primeiro trabalho, afinal! Portanto, a idéia de deixar Hogwarts e fazer outra coisa é assustadora e excitante. O dia de despedida será uma mistura de emoções, eu acho… mas eu não espero por ele, disso tenho certeza. Como resultado da minha carreira, eu estou aberto a qualquer coisa que possa me levar a algo diferente… mesmo se eu estiver errado, eu gostaria de experimentar várias coisas, fazer um teste em público e ver no que dá. Ao mesmo tempo, eu não estou no momento em que posso escolher meus projetos! Aproveito o que você me oferecer! (risos)

E como é que acontece com os fãs de Harry?
Não tenho muitos problemas com os fãs de Harry Potter. Só com os mais jovens que estão lutando para diferenciar a ficção da realidade. Ao mesmo tempo, significa que eu não estou tão ruim no meu trabalho se eles reagem dessa forma! (risos)

Entrevista com Emma, Rupert e companhia

Hermione cresceu…
Emma Watson: Hermione mudou muito. Inicialmente, ela era a primeiríssima da classe, muito obediente às regras… mas ela evoluiu, cresceu. Sua amizade com Harry e Rony se tornou mais forte, assim como os seus sentimentos por Rony. Ela cuida bastante de Harry, como uma espécie de mãe ou irmã mais velha. Muitas pessoas se perguntam porque ela não termina com Harry, mas é bem lógico: trata-se de uma amiga e uma mãe para ele, e nesse sexto filme nós vamos ver sua amizade realmente crescer. É muito bonito de ver e interpretar… (…) Desde o início eu sabia que Rony e Hermione acabariam juntos! Eu sabia! (Risos) Hermione começa a aceitar seus sentimentos por Rony, que ela se recusou a ver até agora. O Rony também não tinha certeza, mesmo que inconscientemente, eu acho que ele sente a mesma coisa. Eles se provocavam, se enfrentavam… então, é uma evolução interessante dessa relação que é abordada nesse sexto filme. E é agradável, enquanto que a saga se torna cada vez mais obscura, manter um toque de sutileza através desses dois personagens. Acho que JK Rowling conseguiu encontrar e capturar o que é ser um adolescente. Todas estas situações estranhas onde você aprende o jogo do amor… é algo que ela compreende muito bem. Quando li o sétimo livro, e a cena do beijo entre Rony e Hermione, eu estava dividida. Por um lado, fiquei muito feliz por Hermione. E, por outro, eu entrei em pânico! Eu teria que beijar um amigo de sete anos… (Risos)

Histórias dos beijos
Rupert Grint: Cada filme é um pouco diferente. Rony está mais confiante neste. Ele joga Quadribol, tem uma namorada… algumas novidades bem legais. (…) Nós gravamos as nossas cenas com Jessie Cave (Lilá Brown) há algumas semanas, e claro a cena do beijo. Sem ensaios, na verdade: a gente deu o nosso melhor. Foi um pouco vergonhoso, porque foi antes da partida de Quadribol e então foi na frente de MUITA gente. Foi embaraçoso no começo, nós dois estávamos nervosos, nós nos mergulhamos na cena e correu bem… (…) O casal Rony/Hermione, eu esperava muito ler essa parte no sétimo livro. Mas é verdade que quando tivermos que gravar esta cena, vai ser muito estranho de fazer. Nós temos uma relação muito fraternal nos sets, então vai ser muito estranho. Mas nós vamos fazer, não se preocupem! (Risos)

Bem-vindo a Hogwarts
Jessie Cave: Fui para uma audição em abril de 2007, repeti mais três ou quatro vezes os testes mais tarde, e então em setembro, eu soube que tinha sido selecionada. Eu não estava acreditando! Até nós verdadeiramente filmarmos. (Risos) Mesmo assim meus amigos nao acreditaram! (…) É bastante estranho descobrir esse universo pela primeira vez, porque nós conhecemos como espectador e como fã. Aqui todos os cenarios são separados, é bastante surpreendente. E também, encontrar-se no meio de atores em figurinos, adereços, corujas, técnicos… é impressionante. Todos esses atores se conhecem desde o primeiro dia de filmagem do primeiro filme: logo, eu tinha a impressão de invadir o universo que era deles, isso me incomodava um pouco. Eu ficava no meu canto, tipo retorno às aulas quando a gente fica no fundo da sala. Mas todos foram muito calorosos então foi estranho, mas super fácil graças a eles. (…) A cena do beijo com Rony foi muito embaraçosa de filmar. Ela nao tinha muito o que fazer: tinha apenas de ficar lá e deixar ser beijado. (Risos) Nós ensaiamos de manhã, sozinhos com o diretor, mais ninguem por perto. O primeiro beijo foi mais delicado de fazer, depois se tornou algo mecânico para poder fazer na frente de 70 figurantes.

A evolução do Neville
Matthew Lewis: É realmente surpreendente. Mas ao mesmo tempo, eu tinha a certeza que Neville teria o seu momento antes do tinal da saga. Desde o começo na verdade… Mas que seria tão forte assim como foi no ultimo livro, foi realmente uma surpresa. Eu realmente não esperava vê-lo se tornar um tipo de líder da resistência! (Risos) Eu adorei o livro e estou ansioso pra filmá-lo. (…) A personagem é realmente muito interessante de interpretar: tem a sua relação com o Harry, porque os dois perderam os seus pais, as cenas de ação que a gente pode ver no quinto filme e que serão ainda mais intensas no sétimo… E tambem o humor. É otimo fazer os outros rir. Existe muitos desafios e coisas diferentes a fazer com o Neville.

Entrevista com David Yates

Como um diretor independente como você encontrou um lugar em uma grande saga? O que o fez ficar interessado?
Você se concentra no que você conta com o roteiro. No filme anterior, foi a frustração dos adolescentes que me interessou e com a qual eu me identifiquei. Aqui, é o nascimento do amor que atrai… e também o modo como os jovens percebem o quanto o mundo é complexo. No quinto filme, Harry viu a complexidade do mundo dos adultos. Agora, ele mesmo participa desta complexidade, devendo se tornar suas decisões. Ele faz coisas que você pensava que ele não era capaz: por exemplo, obter informações de Slughorn, e ele faz de uma forma que não é característica daquilo que podemos esperar de um herói. Cada dia, um diretor toma decisões em termos de interpretação, gravação, iluminação… decisões que dependem da sua sensibilidade. O quinto filme foi diferente do anterior, e esse é ainda o caso aqui. O negativo de um filme é parte da alma do diretor: e espero que tenha tanto de mim nesse filme quanto no quinto.

Como o sexto filme se diferencia do anterior?
Esse filme é diferente no sentido de que é mais suave e se baseia mais na comédia. Eu tenho uma aborgadem bem diferente da que eu tive em Harry Potter e a Ordem da Fênix. O sexto livro é muito diferente do quinto, mais intenso porque tudo gira em torno deste período de adolescência, onde você descobre a mecânica do amor. É muito “sexo, drogas e rock’n’roll”. Existe mesmo uma atmosfera diferente, o que é muito interessante. É a qualidade da saga, à medida que o seu herói cresce. E agora que aprendi a trabalhar com efeitos visuais, o que me deixa mais confortável pra brincar com tantas emoções nesse filme.

E há algum francês na produção…
Eu queria trabalhar com o diretor de fotografia Bruno Delbonnel desde a Ordem, mas ele não estava disponível. Felizmente, ele pôde se liberar para o sexto filme, e faz um ótimo trabalho.

Qual é a maior dificuldade para você nesse filme?
Trabalhar com o fundo verde. Há realmente com o que enlouquecer quando você fica três semanas sucessivas na frente de telas verdes. Daniel está acostumado com isso, mas dá muita dor de cabeça quando voce não está acostumado. Nós gravamos a cena da caverna durante duas semanas, e foi muito difícil… é mais agradavel gravar no Salão Principal de Hogwarts, como hoje: há muitos detalhes, coisas para filmar, texturas, é bonito como uma igreja! Em um ambiente com fundo verde, só há aquela cor em todos os lugares ao seu redor e você tem que ficar muito focado para visualizar toda a seqüência…

JK Rowling disse que Dumbledore era gay. Essa declaração mudou a sua abordagem dessa personagem?
Não exatamente, porque a orientação sexual não mudará a essência desse personagem. Dumbledore é sempre charmoso, engraçado, poderoso, misterioso, excêntrico… e gay. Isso só vem a se acrescentar nessa longa lista, mas não muda nada a personagem. Michael Gambon nos dá uma bela performance neste filme, porque Dumbledore tem mais profundidade e mais coisas para fazer. É um Dumbledore mais interessante.

Vamos falar da cena que você incorporou no sexto filme…
JK Rowling sempre nos apoiou e encorajou. Ela adorou o quinto filme, e ela gostou muito do roteiro deste também, então…. ela tem essa confiança em nós, o que faz que ela esteja sempre aberta à novas propostas e que aceite certas alterações. Como esta cena que resume a atmosfera do livro, onde ficamos sabendo a cada dia de novos mortos e desaparecimentos. O leitor não vê nunca essas cenas: ele só tem os relatos contados pelos jornais. Para a gente era importante mostrar isso no filme, visto que isso é algo essencial: se você tenta sentir isso através do testemunho de alguém, o fato não vai ter tanto impacto que se você realmente assisti-lo. Foi isso que filmamos com o ataque à familia Weasley pelos Comensais da Morte. Mas a essência resta fiel ao livro.

E a morte de Dumbledore…
Vai ser muito emocionante por muitas razões. Especialmente porque Draco se vê com a missão de matar Dumbledore. É algo terrível, uma criança-assassina. Tom Felton entrega uma super performance neste filme, ele tem enfim algo serio à se dedicar em termos de interpretação… esta será uma seqüência muito apreensiva, vocês vão ver… e também Dumbledore continua uma figura central neste universo: Harry perde mais um ente, mas ele enfrentará com uma verdadeira maturidade. É algo diferente do que vocês puderam ver nos outros filmes…

Entrevista com David Barron

Em que estado de espírito o Sr. se encontra com este sexto filme?
As pessoas nos perguntam sempre se não é cansativo voltar sempre à serie. Mas as histórias são tão diferentes. E além do mais, nós temos uma super distribuição, e trabalhamos com diferentes diretores talentosos. Mike Newell não tinha forças pra engatar dois filmes em seguida, mas David Yates é incansável: quanto mais ele grava, mais encontra energia. É alguém maravilhoso: se eu pudesse, eu passaria o resto da minha carreira trabalhando com ele.

É facil administrar a entrada de um novo diretor nesta saga fortemente delineada?
Cada novo diretor, que já tenha tido o habito de trabalhar anteriormente com filmes únicos, que não fazem parte de uma franquia, deve se adaptar a esse novo universo e personagens que já haviam sido definidos desde o primeiro volume. Não é nem um pouco evidente para um recém chegado, pois devemos às vezes dizer que Harry não fará isso ou aquilo, ou dizer que tal coisa não é possível. Mas com o segundo filme, o mesmo para este filme com o David, é muito mais fácil porque os diretores já estão tão envolvidos neste mundo quanto nós… e como sempre tentamos ultrapassar as fronteiras em cada filme em termos de feitos visuais e outros pontos, é mais fácil trabalhar com um diretor que já tenha assinado um episódio.

David Yates sempre disse que o sexto filme seria “Sexo, drogas e rock’n’roll”…
O rock’n’roll, eu não sei, eu não vi nenhuma bateria! E menos ainda de sexo! (Risos) Mais eu estou certo que esse filme, além do crescente poder de Voldemort e da preparação de Harry por Voldemort, é muito focado na adolescência e nas tensões amorosa dos jovens. E especialmente Rony, com um Rupert Grint realmente muito engraçado, vocês verão. Há também o Quadribol: não havia no quinto, já que não era necessário à historia, mas aqui nós pudemos reincorporá-lo pelo intermédio de Rony… em resumo, este filme tem um coração muito suave no meio de uma história sombria.

Qual é o maior desafio para um produtor nesta franquia?
O maior desafio estava nos ombros dos produtores do primeiro filme. Era preciso não somente definir este universo – é mais fácil desenvolver um universo que já existe -, e também escolher os jovens atores de 10-12 anos que sejam bons atores desde o primeiro volume e que sejam capazes de se tornar brilhantes à medida que os filmes fossem realizados. E no fim, nós estávamos completos. Não havia nenhuma “maçã podre” no nosso grupo. Porém, a cena da caverna foi um grande desafio no sexto filme. É um ambiente totalmente virtual, como a Sala das Profecias no quinto. E era preciso trabalhar no design dos Inferi, para que eles não parecessem sair de um filme de George A. Romero! É muito difícil inventar um novo tipo de mortos-vivos…

Um dos novos personagens, o Prof. Slughorn, é muito diferente em relação ao livro…
Realmente, Jim Broadbent é muito diferente fisicamente do Slughorn dos livros, que é menor e mais gordo. Eu estou falando do Slughorn, não do Jim! (Risos). Mas David sempre pensou nele para esse papel e Jim é um ator genial: ele mora totalmente na personagem e quando vocês o virem, não pensarão mais nas diferenças com o Slughorn dos livros.

Algum ator já te disse não?
Não que eu saiba. Mas eu não trabalhei no primeiro nem no terceiro filme, então é possível que isso tenha acontecido. Mas não na minha supervisão de qualquer maneira. (Trabalhando em Planeta dos Macacos de Tim Burton, Tim Roth rejeitou o papel de Snape no primeiro filme – Nota da Redação). Isso se dá ao fato que a grande maioria dos atores tem filhos, netos, sobrinhos, e a ameaça que eles sofreriam se recusassem um papel em Harry Potter é um risco que eles preferem não correr. Mas o maior problema não é encontrar um ator para os papéis adultos, mas de conciliar os estudos à agenda das nossas jovens estrelas: pois as provas são mais importantes. E eles devem estar preparados no momento de fazer as provas e se formar, assim como todos os estudantes do mundo inteiro…

Vocês conservam alguns cenários de um filme ao outro?
Ao menos que algo não esteja em condições de uso, tentamos guardar o máximo de cenários e acessórios. Neste caso, tentamos conceber os cenários de forma a poder desmontar e montar facilmente caso necessário. E às vezes, alteramos um pouco: nos demos conta que as janelas dos banheiros de Hogwarts, lá onde vive Murta que Geme, são semelhantes às da Enfermaria e da biblioteca. Então podemos pegar um pedaço de um cenário e colocá-lo no outro…

Descobrimos no sétimo livro a importância que podem ter certos detalhes dos livros anteriores… vocês têm a certeza de não ter esquecido nada “esquecido” nos filmes anteriores para o grande final?
No inicio, JK Rowling conversa muito com o diretor e os roteiristas. Trabalhamos no roteiro, e quando estamos satisfeitos, nós o enviamos para validação. Às vezes ela nos faz umas observações. Foi o caso com o Monstro no quinto filme: tínhamos tomado a decisão de não colocá-lo no quinto filme, pois não teríamos tempo de aprofundar sua personagem. E visto a sua importância no sétimo livro que nós vimos mais tarde, JK Rowling nos disse: “Eu não faria isso se eu fosse vocês!” (Risos) Nós então o introduzimos brevemente no quinto para poder utilizá-lo no sétimo. E se tudo correr bem, não teremos outras surpresas ruins porque JK nos ajudou a não esquecer nada….