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Ilustradora Potter fala sobre arte da edição comemorativa de Pedra Filosofal

Há alguns dias a nossa equipe contou a vocês que a editora Scholastic vai lançar uma edição especial do livro Harry Potter e a Pedra Filosofal para comemorar os dez anos de sua publicação.A ilustradora Mary GrandPré, responsável pelas capas norte-americana, foi entrevistada pela TIME e falou seu trabalho, a dificuldade de voltar a desenhar Harry com 11 anos, seu relacionamento com Rowling, o processo de criação das capas, a incrível sensação de ser uma das primeiras pessoas a ler o manuscrito, dentre vários outros assuntos.

Como foi voltar atrás e desenhar Harry como um garoto de 11 anos de idade [para a próxima edição de aniversário], agora que a história dele teve seu final revelado?
Foi uma oportunidade realmente legal. Como Harry cresceu, eu sempre desejei que pudesse voltar e fazer uma nova peça para cada livro. Então quando a idéia da capa de aniversário surgiu, eu fiquei realmente animada para fazê-la. É como comprar um novo retrato dessa alma velha que você realmente conhece.

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Você acha que poderia desenhar Harry com 30 ou 60 anos?
Claro. É preciso tempo para desenhar e redesenhar, e estudar sua estrutura facial. Quanto mais eu desenho Harry, mais eu me torno familiarizada com ele em minha cabeça. Eu tento usar cada desenho anterior como um mapa para o próximo. Eu preciso, para começar a desenhar, saber como ele deve aparecer. [Adicionalmente, JK Rowling] é uma escritora tão visual. Eu sempre vi a sua escrita como a principal fonte de inspiração para os desenhos. Para um livro de histórias ou capa ilustrada, a primeira responsabilidade é desenhar a partir da escrita. Ela faz com que isso seja realmente fácil porque ela é muito descritiva.

Confiram a tradução na íntegra dessa interessante entrevista clicando em notícia completa!

MARY GRANDPRÉ
O perfil da artista de Harry Potter

TIME ~ Alex Altman
30 de maio de 2008

JK Rowling deu à luz a Harry Potter, mas Mary GrandPré lhe deu vida para milhões de leitores. Como ilustradora da saga Potter, os desenhos mencionados de GrandPré seguiram a jornada de Harry, muitas vezes perigosa, através da adolescencia, e nesse processo moldaram a imagem do mundo do herói do livro. GrandPré falou com a TIME sobre como ela foi levada a desenhar Potter e como foi dar uma nova forma à imagem de Harry para a próxima edição de aniversário de 10 anos de ‘Harry Potter e a Pedra Filosofal’.

Como você discutiu sobre o pequeno Potter em primeiro lugar?
Naquele momento foi como qualquer outro trabalho. Eu recebi um telefonema da Scholastic. Eles queriam saber se eu tinha tempo para fazer uma ilustração para a capa de um livro sobre esse garoto que tinha poderes mágicos. Àquela altura eu estava realmente ocupada com outros trabalhos e disse que não tinha tempo. [O meu contato, David Saylor] realmente queria que eu a fizesse, e perguntou se eu iria reconsiderar se ele me enviasse a história. Eu a li, e realmente gostei dela, então garanti dar espaço à ela em minha agenda. O resto é história. Estou satisfeita por ter feito isso.

Como foi voltar atrás e desenhar Harry como um garoto de 11 anos de idade [para a próxima edição de aniversário], agora que a história dele teve seu final revelado?
Foi uma oportunidade realmente legal. Como Harry cresceu, eu sempre desejei que pudesse voltar e fazer uma nova peça para cada livro. Então quando a idéia da capa de aniversário surgiu, eu fiquei realmente animada para fazê-la. É como comprar um novo retrato dessa alma velha que você realmente conhece.

O que você tentou fazer de diferente, uma vez que você aprendeu sobre ele enquanto ele viajava através da saga?
A primeira capa foi capa projetada, com umo certo teor de moda. Conforme você começa a conhecê-lo, era mais sobre pintar Harry como uma pessoa de verdade. Até a quinta capa, eu estava mais interessada em Harry num nível mais emocional e pessoal, em vez de criar uma capa graficamente desenhada e composicionalmente correta. Eu tentei colocar esse sentimento emocional e pessoal nessa capa de aniversário.

Você acha que poderia desenhar Harry com 30 ou 60 anos?
Claro. É preciso tempo para desenhar e redesenhar, e estudar sua estrutura facial. Quanto mais eu desenho Harry, mais eu me torno familiarizada com ele em minha cabeça. Eu tento usar cada desenho anterior como um mapa para o próximo. Eu preciso, para começar a desenhar, saber como ele deve aparecer. [Adicionalmente, JK Rowling] é uma escritora tão visual. Eu sempre vi a sua escrita como a principal fonte de inspiração para os desenhos. Para um livro de histórias ou capa ilustrada, a primeira responsabilidade é desenhar a partir da escrita. Ela faz com que isso seja realmente fácil porque ela é muito descritiva.

Você se consultou com Rowling enquanto estava se preparando para retrarar os personagens?
Não diretamente. O meu relacionamento foi com o [diretor de arte] David Saylor e Arthur Levine [o editor do livro]. Eles teriam de consultá-la e mostrá-la os meus esboços. Ela sempre foi muito agradável, foi o que me pareceu pelas imagens que vieram até mim. Acho que tivemos a mesma coisa em mente. Foi um par realmente legal para mim e para ela.

Você pode me dizer um pouco mais sobre seu processo para mapear cada ilustrações do livro?
Eu trabalhei com um sistema em que, conforme eu leio, eu destaco coisas diferentes – descrições de personagens, cenas legais – em cores diferentes. Então eu poderia rastrear por cores o que eu precisava encontrar. Eu começava esboçando vagamente, com lápis sobre um papel transparente. Eu fazia uma série de traçados por cima disso, e por cima, até que eu tivesse o que eu achasse que era uma boa aparência para o personagem. É realmente apenas esboçar e re-esboçar, e prestar atenção às palavras e descrições. Os fãs de Harry Potter são tão afiados. Eles prestam atenção a cada detalhe, e se você falhar, você vai saber disso no dia seguinte.

Os fãs radicais nunca entraram em contato com você para lhe dizer que você falhou, ou que seus desenhos não eram da mesma maneira como eles imaginavam?
Nem tanto. Houve algumas discussões online onde as pessoas às vezes não estavam felizes com meu trabalho porque eles têm suas próprias idéias de como as coisas devem parecer. Eu li algumas delas e então parei. Você faz o melhor possível. É uma pressão enorme, porque [a série] está tão no centro das atenções. Mas, do mesmo modo, os fãs apaixonados também são os fãs mais compreensivos. Eu recebo um monte de ótimos e-mails de fãs. A maior parte das pessoas com as quais eu falo realmente aprecia o trabalho.

Quanto tempo você leva para ilustrar cada livro?
Geralmente é apressado; parece que o artista normalmente é o último a receber a tarefa. Eu não sou uma leitora rápida, então eu normalmente me dou cerca de duas semanas para ler e digerir e fazer notas no manuscrito. Em seguida, uma outra semana para esboçar a capa, e mais uma ou duas semanas para todos os capítulos. Então eu acho que você provavelmente está contando uns dois meses para lê-lo e criar todas as ilustrações.

Há mais limitações legais com relação a onde e como você pode desenhar os personagens? Se alguém oferecesse a você uma quantia obscena de dinheiro para fazer um mural de Harry na casa dela, você poderia fazê-lo?
Não sei se eu seria permitida, mas eu escolheria não fazê-lo. Eu não quero levar o mérito para longe do personagem. A questão toda da propriedade é bastante complexa. E eu tenho tantas outras maneiras com as quais quero gastar meu tempo criativo que eu não iria fazer isso de qualquer maneira.

Existem outros personagens que você gostaria de ter ilustrado?
Se eu fosse escolher um personagem clássico, Alice no País das Maravilhas seria um realmente divertido para talvez colocar um tom moderno nela. Eu sei que isso tem sido feito, mas seria divertido fazê-lo à minha maneira.

Suas ilustrações nunca devem desviar completamente da maneira como os personagens são descritos no livro?
Não. Eu acho que não me sentiria bem se elas se desviassem. Sei que há um pouco de discrepância entre os filmes e os livros. Mas como uma ilustradora de livro, eu tenho essa obrigação e senso de responsabilidade – e privilégio – de permanecer fiel à escrita.

Os filmes afetaram sua concepção de como os personagens parecem?
Eu me mantive longe de assistir os filmes. Agora que a série terminou, eu os estou assistindo. Agora eu posso apreciá-los porque não tenho que me preocupar deles confundirem minha mente.

Sua arte de capa muitas vezes parece conter dicas do que está por vir sem estragar o enredo. Essa é uma linha difícil para você andar?
Um pouco, mas essa também é a parte divertida. Você está tentando os leitores com algo que provoque seu interesse. É divertido projetar isso na capa, e mostrar dicas e sombras. O humor no livro é colocado, muitas vezes, pela sugestão de coisas soam, uma cor suave, uma sombra. Quando posso, eu tento fazer com que as ilustrações também dêem ao livro a sensação de mistério.

Como foi ser uma das poucas pessoas que sabiam o que estava por vir, enquanto o resto do mundo esperava em antecipação?
Foi algo bem legal. Eu me senti bastante privilegiada. E eu tinha que ser bem cuidadosa para que ninguém soubesse que eu tinha o manuscrito. Eu o mantive em um cofre. Tive de jurar segredo para meu marido. É um assunto muito, muito, muito sério. Começando talvez com o quarto ou quinto livro, cada vez que havia um novo manuscrito, uma das pessoas da Scholastic voava com ele e eu iria encontrá-la para pegá-lo. Sempre parecia alguma reunião clandestina.

Quantas pessoas sabiam com antecedência o que acontecia nos livros?
Eu não sei. Eu suponho que provavelmente oito, nove ou dez.

As pessoas tentavam retirar informações de você?
Sim, às vezes. Não muito. Meus amigos e família são muito legais sobre o assunto. Eles nem sequer realmente falavam muito sobre isso comigo. Eles entendem que é parte do que eu faço, e que há um acordo de confidencialidade.

Como é que o fim da série veio de encontro com suas próprias expectativas?
Acho que foi um último livro bom. Foi realmente uma bela maneira de envolvê-lo. Eu tenho de dizer que ele foi o meu favorito dos sete. E foi o meu favorito para desenhar.