J. K. Rowling ︎◆ Livros

JK Rowling fala sobre projetos futuros, sexualidade de Dumbledore e religião

JK Rowling concedeu uma entrevista exclusiva a um jornal estudantil de Edimburgo, na qual falou sobre seus projetos futuros, a reação mundial à notícia da sexualidade de Dumbledore, as atitudes de fanáticos religiosos com sua obra literária e muito mais!

Como ela reage àqueles que discordam de um personagem homossexual em uma história para crianças? “Então o quê?” ela responde automaticamente “É uma pergunta muito interessante porque eu penso que homofobia é o medo de pessoas amando, mais do que do próprio ato sexual. Parece existir um desgosto natural pelo amor envolvido, o que eu acho totalmente extraordinário. E ainda tem pessoas que pensam, ‘Bem, por que não vemos a angústia dele por ser gay?’” Rowling parece se divertir com isso e instantaneamente continua “Onde isso iria entrar? E então outras coisas começam – e eu tive cartas dizendo isso – que por ser gay, ele nunca estaria seguro ensinando em uma escola.

Ele é um homem muito velho e solteiro. Você tem que se perguntar: Porque isso é tão interessante? Pessoas tem que examinar sua própria atitude. Essa é a sombra do personagem. É a coisa mais importante sobre ele? Não, é Dumbledore, pelo amor de Deus! Existem 20 coisas que são mais relevantes à historia do que a sua sexualidade.” Última linha então: ele não é um personagem gay; ele é um personagem que simplesmente acontece de ser gay. Rowling concorda inteiramente e de coração.

Confiram mais do resumo em notícia completa. Em breve nós divulgaremos a tradução na íntegra dos scans!

Thanks, TLC.

JK ROWLING
Entrevista exclusiva a jornal estudantil de Edimburgo

The Leaky Cauldron ~ Sue
08 de março de 2008
Tradução: Fernando Nery

Sobre o caso do banimento do livro, Jo fala:
“Eu posso lidar com uma má crítica. Ninguém ama uma crítica ruim, mas uma crítica boa é aquela que te ensina alguma coisa. Mas, para ser honesta, os Fundamentalistas do Cristianismo pensam mal. Eu ficaria feliz em sentar ali e debater com um dos críticos que estavam analisando Harry Potter por uma perspectiva moral. No geral, viemos passando argumentos pela mídia. Eu tentei ser racional sobre isso. Uma mulher na Carolina do Norte ou Alabama que vem tentando banir os livros – ela é mãe de quatro crianças e nunca os leu antes. E depois – eu não estou mentindo, nem fazendo graca, essa é a pura verdade do que ela disse – ela foi perguntada (o porquê) e ela disse ‘Bem, eu rezei e perguntei se deveria ou não ler os livros, e Deus me disse não.'” Rowling pausa um instante para refletir o peso dessa afirmação, e sua expressão é de total descrença.

“Voce vê, nesse ponto que eu discordo com o grupo de pessoas desse lado da cerca, porque isso é fundamentalismo. Fundamentalismo é ‘Eu não vou abrir a minha mente para olhar o outro lado do argumento por nada. Eu não vou ler, eu não vou olhar nele, eu estou com muito medo.’ Aí que mora o perigo, seja extremista político, ou religioso… De fato, fundamentalistas por trás de várias religiões, se você colocá-los em uma sala, eles tem bagagem em comum!” ela ri alto antes de continuar. “Eles odeiam a mesma coisa, é uma ironia tão grande.”

Sobre o caso de Dumbledore, Jo fala francamente:
“Sempre vi Dumbledore como gay, mas num sentido que não faria grande diferença. O livro não era sobre Dumbledore ser gay. É só que fora do segmento do livro, eu sabia que ele tinha esse grande segredo, e que ele se interessou pela idéia exata a que Voldemort estava indo, ele flertava com a idéia da dominação racial, que ele iria subjulgar os trouxas. Então esse era o grande segredo de Dumbledore.”

“Por que ele se interessava com aquilo?” ela pergunta “Ele é um bom homem de coração, o que o faria se interessar por isso. Eu nem pensei nisso por essa visão, simplesmente pareceu vir desse jeito para mim, eu pensei ‘Eu sei o que ele fez, ele se apaixonou.’ E mesmo se eles tiverem consumido sua paixão cega, ou não, não é o problema. O problema é o amor. Não é sobre sexo. Era isso que eu sabia sobre Dumbledore. E isso só é relevante porque ele se apaixonou e virou um tolo pelo amor. Ele perdeu completamente o passo de sua moral quando se apaixonou e eu penso que conseqüentemente isso se misturou com o seu julgamento nessas questões e então o tornou praticamente assexual. Ele se dirigiu para um celibato e uma vida de livros.”

Claramente algumas pessoas não viram dessa forma. Como ela reage àqueles que discordam de um personagem homossexual em uma história para crianças? “Então o quê?” ela responde automaticamente “É uma pergunta muito interessante porque eu penso que homofobia é o medo de pessoas amando, mais do que do próprio ato sexual. Parece existir um desgosto natural pelo amor envolvido, o que eu acho totalmente extraordinário. E ainda tem pessoas que pensam, ‘Bem, por que não vemos a angústia dele por ser gay?'” Rowling parece se divertir com isso e instantaneamente continua “Onde isso iria entrar? E então outras coisas começam – e eu tive cartas dizendo isso – que por ser gay, ele nunca estaria seguro ensinando em uma escola.”

Um ar de incredulidade cai sobre a sala como se Rowling ainda não conseguisse acreditar na afirmação. Ela continua: “Ele é um homem muito velho e solteiro. Você tem que se perguntar: Por que isso é tão interessante? Pessoas tem que examinar sua própria atitude. Essa é a sombra do personagem. É a coisa mais importante sobre ele? Não, é Dumbledore, pelo amor de Deus! Existem 20 coisas que são mais relevantes à historia do que a sua sexualidade.” Última linha então: ele não é um personagem gay; ele é um personagem que simplesmente acontece de ser gay. Rowling concorda inteiramente e de coração.