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Mike Newell revela que gostaria de dirigir RdM

Em entrevista à SET, o diretor de Harry Potter e o Cálice de Fogo, Mike Newell, fala sobre seu novo trabalho – O Amor nos Tempos do Cólera – que conta com a atriz brasileira Fernanda Montenegro e fala sobre a série Harry Potter, incluindo que gostaria de dirigir Harry Potter e as Relíquias da Morte.

Você viu Harry Potter e a Ordem da Fênix? Voltaria para um próximo capítulo?
Vi, porque conheço bem David. Assim como Alfonso (Cuarón, de O Prisioneiro de Azkaban) fez comigo ao me chamar para um almoço e contar tudo o que eu precisava saber, também fiz com David. Você entrega o filme para o próximo (risos). Voltaria sim, mas ainda não fui convidado.

Confira em notícia completa, a entrevista na íntegra.

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MIKE NEWELL
“Eu tenho mais medo dos fãs de O Amor nos Tempos do Cólera que dos de Harry Potter

SET ~ André Gordirro
dezembro de 2007

Na entrevista coletiva sobre O Amor nos Tempos do Cólera, em um hotel em Copacabana, o diretor Mike Newell deixou a impressão de que adaptar Harry Potter e o Cálice de Fogo teria sido desagradável. No papo exclusivo com SET, o cineasta desfez o mal-entendido e disse que aceitaria o convite para encerrar a saga do aprendiz de feiticeiro. Enquanto a coruja não pousa, ele fala acerca da adaptação da obra de Gabriel García Márquez.

Perdoe-nos, mas os ingleses são vistos como frios e distantes. Não é estranho que um diretor inglês tenha decidido adaptar uma história caliente como O Amor nos Tempos do Cólera?
Eu concordo, absolutamente concordo. Quis saber como exatamente faria isso, pois ainda não tinha encarado algo assim no meu passado. Já havia feito uma filme de máfia (Donnie Brasco) e um sobre um colégio para garotas nos anos 50 (O Sorriso de Mona Lisa). Ou seja, passei por várias experiências e adoro ir a lugares estranhos.

Qual sua relação com o livro?
Tive muita sorte nesse filme de ter um livro extraordinário para trabalhar. Sempre começo pela palavra, seja o roteiro, seja a fonte do roteiro. No caso, comecei pelo livro, que relia de tempos em tempos por puro prazer – e sempre encontrava algo novo. Fiquei interessado em descobrir exatamente o que me atraía tanto, a razão de me prender dessa forma. Acho que é o jeito como Gabriel García Márquez descreve a cidade, o ambiente, os detalhes do rosto ou roupa de alguém, de forma extraordinária que parece ter saído de uma tomada de cinema. Percebi que se conseguisse capturar a riqueza das imagens, eu chegaria perto de traduzir a vida do livro.

O trabalho com Harry Potter e o Cálice de Fogo também foi assim, com muitas releituras por prazer ou foi um fardo?
Não, não foi um fardo. Minha grande sorte com Harry Potter foi que consegui enxergar uma alternativa ao livro, que é dessa grossura (abre bem o polegar e o indicador), para uma versão assim (diminui bem o espaço entre os dedos). Muita gente pode dizer que cortei “passagens sagradas”, mas de qualquer forma não me importei com isso. Fui logo aos produtores e disse que, se realmente estavam interessados em mim, eu só faria se fosse dessa maneira. Se não estivessem de acordo, então seria melhor que nos despedíssemos como amigos agora. E concordaram comigo.

O Amor nos Tempos do Cólera tem fãs em todo o mundo, assim como Harry Potter
Tenho mais medo dos fãs deste livro que dos de Harry Potter por duas razões. Primeiro, porque os de Harry Potter não falaram mal de mim; segundo, porque os fãs de O Amor nos Tempos do Cólera ainda não viram o filme, então não sei como reagirão. Estou morrendo de medo (risos).

Você viu Harry Potter e a Ordem da Fênix? Voltaria para um próximo capítulo?
Vi, porque conheço bem David. Assim como Alfonso (Cuarón, de O Prisioneiro de Azkaban) fez comigo ao me chamar para um almoço e contar tudo o que eu precisava saber, também fiz com David. Você entrega o filme para o próximo (risos). Voltaria sim, mas ainda não fui convidado.

Como você chegou a Fernanda Montenegro?
Estávamos observando várias atrizes espanholas e sul-americanas de certa idade para o papel. E Javier (Bardem) sugeriu o nome de Fernanda. Eu já a conhecia de Central do Brasil, mas estava preocupado não somente com o domínio do inglês, mas também com o fato de no livro a personagem estar entre o fim dos 30 e início dos 40 anos. Ao encontrá-la, eu percebi que, apesar de o inglês ser um problema, ela tinha bom ouvido para a língua, pois ouvi sua faixa de comentário no DVD de Central do Brasil. Consegui persuadi-la e usamos um bom técnico em diálogos com ela, que ficou com um inglês muito bom.