O Cálice de Fogo

Nova Entrevista com Patrick Doyle

Essa semana a IGN realizou uma entrevista com o compositor Patrick Doyle, responsável pela criação e adaptação da trilha sonora de Harry Potter e o Cálice de Fogo. Na entrevista ele comenta sobre como foi compor a trilha do quarto filme e o início da sua carreira.
                                                                          
Patrick Doyle talvez seja mais conhecido pelo público jovem por orquestrar Harry Potter e o Cálice de Fogo em 2005, mas o compositor começou sua carreira com Kenneth Branagh (Professor Gilderoy Lockhart), ao instrumentar “Henrique V” e começar um trabalho que o veria entregar música aos filmes de Branagh “Como Gosteis” e “Sleuth”.

John Williams não estava disponível e inicialmente o pedido era para que eu trabalhasse com o material de John, e por isso eu estava um pouco hesitante. No fim, só trabalhei com o “Hedwig’s Theme”. Foi uma honra seguir os passos de um compositor tão grandioso. Se tivesse sido um trabalho temático ininterrupto teria sido outra história, mas foi um filme bastante sombrio, mais sombrio do que os anteriores, e fui capaz de incluir elementos como Voldemort, que mantiveram as coisas frescas. No final das contas, para mim foi uma oportunidade para deixar minha própria marca nesta história.

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Confira o resto da entrevista traduzida em notícia completa.

Patrick Doyle
Compositor Patrick Doyle: a entrevista de RT

IGN Entertainment – Joe Utichi
19/12/2007
Tradução: Bruna Moreno

Patrick Doyle talvez seja mais conhecido por seu público jovem por orquestrar “Harry Potter e o Cálice de Fogo” em 2005, mas o compositor começou sua carreira com Kenneth Branagh, ao instrumentar “Henrique V” e começar um trabalho que o veria entregar música aos filmes de Branagh “Como Gosteis” e “Sleuth”.

Longe de Branagh, o compositor instrumentou filmes como “Carlito’s Way”, de Brian de Palma, “Donnie Brasco” de Mike Newell e “Great Expecatations” de Alfonso Cuaron.

No dia 6 de janeiro, a Orquestra Sinfônica de Londres apresenta um concerto de músicas de filmes, incluindo algumas de Doyle, no Barbican Hall, e Doyle e seu companheiro compositor David Arnold estarão presentes. Antes do evento, em uma entrevista exclusiva, a RT alcançou Doyle e descobriu mais sobre sua carreira.

Como você começou nesta indústria?
Meu primeiro emprego foi com Kenneth Branagh no teatro, nosso relacionamento começou com a Renaissance Theatre Company na sua tour pelo Reino Unido em 1987. Eu escrevi músicas para as produções deles, como “Hamlet”, “Como Gosteis”, “Look Back in Anger”. Eu me tornei seu compositor de músicas de filmes a partir de então. Ele me pediu para que instrumentasse “Henrique V” em 1989 e foi assim que minha carreira com trilhas sonoras começou.

Eu achava que você tinha começado como ator.
Bem, eu me formei pela Royal Scottish Academy of Music e tenho bacharelado em música. Uma amiga minha na faculdade de artes cênicas, que era no mesmo prédio, me pediu para que escrevesse uma música para uma peça que ela apresentaria lá, um pouco como Dudley Moore, eu acho. Eu estudei canto na Academy of Music e aprendi um pouco de interpretação ali. Depois disso, me pediram para participar de uma peça muito bem-sucedida e ali eu encontrei Robbie Coltrane.

Eu decidi, depois que conheci Kenneth Branagh, na verdade, que eu queria voltar à música. Então foi muita coincidência, na verdade, porque ao decidir que queria voltar para a música nós começamos a trabalhar juntos.

Seu relacionamento com ele é mais produtivo do que qualquer outro relacionamento de trabalho que você já teve, como é trabalhar com ele?
Ah, é fantástico, hilário, nunca há um momento entediante. Ele é muito atento, muito brilhante, muito inteligente, muito gentil e muito generoso. Toda essa imprensa chata me enfurece porque eu o conheço muito bem e sei que ele não merece isso.

Muitas pessoas descobriram sua música recentemente através de “Harry Potter e o Cálice de Fogo”. Como foi isso?
Foi extraordinário e foi ótimo trabalhar com Mike Newell de novo. Eu já tinha trabalhado com o produtor David Barron antes, mas não com David Heyman. Eu trabalhei com Mike Newell em “Into the West” e “Donnie Brasco”.

John Williams não estava disponível e inicialmente o pedido era para que eu trabalhasse com o material de John, e por isso eu estava um pouco hesitante. No fim, só trabalhei com o “Hedwig’s Theme”. Foi uma honra seguir os passos de um compositor tão grandioso. Se tivesse sido um trabalho temático ininterrupto teria sido outra história, mas foi um filme bastante sombrio, mais sombrio do que os anteriores, e fui capaz de incluir elementos como Voldemort, que mantiveram as coisas frescas. No final das contas, para mim foi uma oportunidade para deixar minha própria marcar nesta história.

Existe uma tradição entre os compositores sobre trabalhar sobre o material de outros compositores, por isso foi uma grande honra trabalhar com os temas de John Williams.
É claro, acima de qualquer coisa, se eu não tivesse feito isso meus filhos teriam me matado!

Parece que os produtores de “Harry Potter” têm uma inclinação para permitir que os criadores envolvidos estejam livres para deixar suas próprias marcas na franquia.
Ah, certamente, todas as pessoas envolvidas eram animadoras. Foi uma lenda e uma honra. David Heyman é adorável nesse sentido,

Também, Mike é muito forte e direto e eu amo tudo isso. Ele era aberto para qualquer tentativa. Eu estive disponível esporadicamente por um ano, então fui capaz de lhe dar várias opções e realmente experimentar, e isso ajudou muito.

Qual é o trabalho mais importante para um compositor de trilhas sonoras?
Para que um tema seja contemplado, você tem que entender os personagens do filme e o enredo, sem mencionar seu plano de fundo. Às vezes eu me pergunto se quem compôs a música de um filme realmente o assistiu. Você tem que enfatizar muito, muito a história e a narrativa. O diálogo reina de forma suprema, o que eles estão tentando dizer é o que você deveria estar tentando dizer com a sua música. É nisso que se deve focar.

Como seu trabalho tende a se envolver no processo? Você começa cedo ou tarde no ciclo de produção do filme?
A segunda alternativa pode acontecer, mas normalmente eu procuro me envolver o mais cedo possível. E algumas vezes é necessário; antes que “Harry Potter” começasse a filmar deveria haver música na cena, então você tinha que começar antes da gravação. Eu tive que trabalhar com a equipe de produção da valsa de Harry, a dança de Neville e a introdução dos meninos da Durmstrang,

Eu tinha acesso ao script, e me inspirava somente por ele. Eu prefiro me envolver cedo, você se sente confortável e pode começar a experimentar coisas novas. Eu consigo fazer isso em três semanas se eu precisar, mas o ideal são 16 semanas. Quanto mais escolhas você tiver, melhor, e você pode começar a recorrer a suas próprias experiências anteriores.

Existem muitas filosofias sobre trilhas sonoras; alguns sugeririam que uma música deveria ter tanta presença quanto qualquer outra parte da produção, enquanto outros preferem temas que não se percebem, que elevam um filme quase que de maneira subliminar. Qual é a sua posição?
Eu acredito que uma trilha sonora deva estar lá para trazer um outro elemento para todo o conjunto artístico. Mas ela não deve se manter sozinha, deve ser criada para colaborar com tudo o que estiver acontecendo e mesclar sua maneira com todos os diferentes ingredientes de um filme. É claro, existem algumas ocasiões em que há seqüências de vôo ou de batalha, e são nestes momentos em que o compositor pode aparecer, se divertir e cantar uma ópera ou qualquer outra coisa. A emoção de compor é ter momentos assim. Mas satisfaz igualmente disfarçar sua presença, fornecer um tom, uma qualidade e uma cor que somente uma música pode fornecer.

Em um filme de suspense, por exemplo, a trilha sonora tem um grande papel, mais obviamente de criar tensão. O silêncio pode ser poderoso, mas uma música pode ser duplamente mais poderosa. Eu já fiz filmes em que a música somente permanece ali e às vezes te afasta. O trabalho do compositor é entregar o espectador à alma do filme e ajudar a evidenciar outras partes; design, edição, direção e atuação.

Existe algum momento importante da sua carreira que você gostaria de compartilhar?
O mais importante, para mim, foi no Royal Albert Hall no dia 20 de outubro ano passado, quando vários atores se reuniram para celebrar o mundo da trilha sonora em benefício da Pesquisa de Leucemia. Foi um sucesso e todo o lucro foi para essa fantástica caridade. Robbie Coltrane, Derek Jacobi, Dame Judi Dench… Todas essas pessoas que eu conheço há anos vieram para me apoiar, e foi uma noite que eu jamais vou esquecer.

Em termos de filmes, “Henrique V”, já que foi minha primeira trilha sonora, foi especial, e “Harry Potter” foi muito especial. Trabalhar com Brain De Palma em “Carlito’s Way” foi uma grande honra. Eu escrevi uma parte para o aniversário de 90 anos da Rainha Mãe no Palácio de Buckhingham, encomendado pelo Príncipe do País de Gales.

Existe alguma coisa que você ainda não fez e que gostaria de tentar?
Esta é uma pergunta difícil de ser respondida porque sou ótimo em seguir com a multidão. Eu adoraria fazer um filme de ficção científica, um grande trabalho de ficção científica. “Frankenstein” era bem ficção científica, acredito. Honestamente, eu não tenho reclamações. Eu tive uma experiência variada por compor trilhas sonoras ecléticas e felizmente nunca foi estereotipado.

Com o que você está trabalhando neste momento?
Eu estou trabalhando em filme chamado “Nim”s Island” para Jennifer Flackett e Mark levin. Jodie Foster e Abigail Breslin estrelam nele. Eu vou passar três dias com eles amanhã, antes do Natal. E vou fazer uma animação logo depois dele. Então, com “Sleuth” e “Como Gostais” eu tenho estado bastante ocupado. Mas, meu Deus, eu amo estar ocupado!

Você pode nos contar um pouco sobre seu envolvimento com o evento da Orquestra Sinfônica de Londres em janeiro?
Eu usei a Orquestra Sinfônica de Londres em dez filmes, como “Harry Potter”, “Man to Man”, “Como Gostais”, “Sleuth”, e muitos outros. Ela tem tocado alguns trabalhos meus nos últimos três ou quatro anos, e eu tenho um relacionamento bem íntimo com o orquestra. Eles estão tocando a minha música “Romance” de “Como Gostais” e estão se divertindo tocando “The Creation” de Frakenstein no Royal Albert Hall em outubro, e por isso ela vai tocar essa também. Vai acontecer no dia 6 de janeiro no Barbican Hall em Londres e eu vou estar lá com David Arnold para conversar sobre música.