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Nova Entrevista com Michael Gambon

O ator Michael Gambom, que desde Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, interpreta Alvo Dumbledore, concedeu uma entrevista à David Walliams, ele falou sobre sua vida de ator e sobre seu papel na série Harry Potter.
Eles estão prestes a dividir as telas em dois novos dramas da BBC de Stephen Poliakoff. Aqui, o veterano ator Michael Gambon fala com David Walliams sobre o medo do palco e figuração. Leia abaixo um trecho da entrevista.

Eu odeio a idéia de ser bem conhecido. Sei que é quase impossível se você é um ator que faz bem seu papel, mas eu sempre lutei contra isso. Declarou Gambon.

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DW: Então por que aceitar um papel nos filmes de Harry Potter?
Gambon: Porque lá você está usando um enorme disfarce.

DW: Você tinha visto os filmes?
Gambon: Não.

DW: Você os viu agora?
Gambon: Não.

DW: Nem aqueles nos quais você está?
Gambon: Oh, espere, eu vi um.

Para ler a entrevista na íntegra, clique em Notícia Completa.

Entrevista com Michael Gambon
31 de outubro de 2007
Tradução: Renata Grando

David Walliams pega algumas digas de atuação com Michael Gambon

DAVID WALLIAMS – Eu uma vez contei ao ator Niall Buggy, “Eu amo atuar porque eu amo poder fazer diferentes pessoas e me disfarçar”. Ele disse, “Grande atores de verdade revelam algo de si mesmo quando atuam”. Me surpreendeu bastante. Você acha que é esconder algo ou revelar algo?
MICHAEL GAMBON – Eu acho que é revelar algo. Cada papel que você faz, você está fazendo você mesmo na verdade. Mas você apenas muda a si mesmo para revelar o que está escrito, não é? É essencialmente você.

DW – É mostrar uma vulnerabilidade.
MG – Bom, é isso que é atraente, não é? É o que faz você querer fazer isso: achar a fraqueza nas pessoas (pausa). Por exemplo, eu adoro atuar de costas para a audiência.

DW – Um papel chave para você, e um que eu lembro bem por ter visto quando estava na escola, foi The Singing Detective de Dennis Potter. Seu papel, interpretando o escritor do hospital, atraiu uma grande simpatia, não foi? Eu sei que você tinha tido um grande sucesso nos palcos naquela época, mas você sentiu que isso o fez uma estrela?
MG – É, é. Foi a primeira grande coisa pública que eu fiz e tinha um ótimo roteiro. Mas sim, é mencionado toda semana para mim. Todo mundo menciona isso. Pessoas nas ruas mencionam isso. Motoristas de táxi sempre falam disso.

DW – E as pessoas perceberam que você estava fingindo ter a doença de pele? Que era maquiagem?
MG – Para ser honesto, nunca foi tão ruim quanto eu costumava contar às pessoas. Por você querer conseguir um pouco de dinheiro extra para as meninas da maquiagem, você mente sobre quanto tempo leva para colocá-la.

DW – É sempre bom mentir. No Little Britain, nos temos ternos grandes. Na primeira vez que fomos entrevistados, nós dissemos que levava quase três horas para colocá-los, então se tornou quatro horas; na vez seguinte eram oito horas. Dennis Potter foi ao set?
MG – Uma vez e outra. Quando Joanne Whalley estava lá, ele sempre aparecia (ele ri). Eu de fato lembro dele vindo nos ensaios e rabiscando um pouco. Ele esteve lá para a primeira leitura. Eu observei as mãos dele e então as copiei. E eu disse, “É assim?” E ele disse, “Sim”.

E ele disse: “Segure seu copo desse jeito com o dedo”. E eu fiz tudo isso. E então eu contei ao Michael Caine que eu tinha que fumar muito e ele disse, “Mantenha o cigarro debaixo dos lençóis para que eles não vejam, e então pegue em alguns momentos”.

DW – Você teve um amadurecimento tardio, na verdade. Você esteve em Othello com Maggie Smith e Laurance Olivier, como figurante. Por quantos anos você foi figurante?
MG – Eu estive com o National por quatro anos após a abertura. E eventualmente, eu tinha algumas falas. Sabe, eu na verdade disse a Maggie Smith, “Madame, sua carruagem está esperando”.

DW – Oh, eu acho que vi isso. Você foi maravilhoso. Você roubou o show.
MG – E então eu fui até Oliver, que era brilhante, e disse, “Eu gostaria de um papel.” E ele disse, “Que papel você quer?” Não, na verdade, ele disse, “Quem está fazendo o papel que você quer?” E eu disse, “Bom, Derek Jacobi, Robert Stephens, Colin Blakely.” E ele disse, “Bom, eu não posso dar a você o papel deles.” E eu disse, “Eu não estou pedindo pra você fazer isso”.

DW – (Interrompendo) Ele conseguia ver o potencial em você ou você estava frustrado, pensando, “Eu sou potencialmente um grande ator”?
MG – Oh, eu não teria pensado isso. Eu apenas queria fazer papéis melhores. Ele disse que não podia me dar nada melhor, mas ele trouxe Birmingham Rep e me arrumou uma temporada. Eu fui imediatamente lá e fiz o papel de Othello, em que eu tinha acabado de estar com Oliver. Eu o copiei exatamente.

DW – Você saiu livre dessa?
MG – Sim, eu não soava como ele, mas eu lembrei de cada coisa que ele fez e meio o ecoei.

DW – É estranho, ver uma imagem dele com Othello, como parece fora do tempo.(gargalhando) Bem, está bem então (ambos riem).
MG – Eu não fui ótimo porque eu tenho uma concentração terrível e nós estávamos atuando por volta. Eu não consigo fazer isso. Eu olhava para Iago e em cada lado de sua cabeça havia um par de treinadores e uma criança se aproximando por cima deles.

DW – Então, essas eram as matinês, então, em que você tinha muitas crianças lá?
MG – Bom, sim, mas não é realmente uma peça para crianças, não é? Eles precisam rir um pouco.

DW – Há muitas histórias que eu ouvi de atores que trabalharam com você sobre como você gosta de brincar um pouco por lá quando não está trabalhando.
MG – É, eu sei, eu tenho essa má reputação, mas não é realmente verdade. Quer dizer, eu posso brincar um pouco nos ensaios, onde eu gosto de esticar as coisas e ver até onde posso levar as coisas.

DW – Mas você nunca, nunca desleixou no palco?
MG – (risadas) Oh, já. Claro que sim. A verdade é que algumas vezes eu contei histórias, rindo. Então isso particularmente explodiu em mim. A melhor máquina de pum foi de Johnny Deep em Sleepy Hollow. Marlon Brando era um especialista em máquinas de pum; ele deu uma a Johnny. Elas passam por gerações de atores.

DW – Você de fato trabalhou com Brando, não trabalhou?
MG – Trabalhei.

DW – Em “A Dry White Season”?
MG – Sim, e eu fiquei bem próximo dele. Bem, mais ou menos.

DW – Isso foi como uma reinvenção para ele.
MG – Sim, e ele é outro que brincava o dia todo e todos os dias. Eu me lembro dele rindo muito e fingindo que não sabia o que a palavra “ação” significava. Estavam todos encantados com ele, e assim que eles gritavam isso, ele perguntava (ele imitava a voz de Brando), “O que isso significa?” em uma voz inglesa. E alguém nervosamente explicava, “Oh, significa que você tem que começar a atuar agora”. E ele dizia, “Ooh, eu não tenho atuado por quatro anos e não vou começar agora”.

DW – Você trabalhou com Stephen Poliakoff antes. O que o levou a esse trabalho?
MG – O diálogo e as partes com um pouco de profundidade. Eles lidam com fraquezas e operam em todos tidos de níveis.

DW – É meio incomum trabalhar com alguém que é escritor e diretor. Ele sabe exatamente como ele quer.
MG – Exatamente. Eu tive uns problemas com as falas nesse. Minha memória está indo. Eu tive alguns dias terríveis. Mas você simplesmente passa por isso. Ele é bom. Você pode confiar nele.

DW – Eu adorei aquele dia quando nós todos tivemos a leitura completa.
MG – Sim, assustador.

DW – Bom, se você achou que foi assustador, imagine como eu me senti – vindo de um programa de televisão em que eu sou principalmente conhecido por contar histórias – me encontrar com Dame Maggie e Sir Michael Gambon, e pensando, “Oh Deus, eu tenho que ler na frente deles.” Eles devem pensar que sou uma droga. Por que você estava assustado?
MG – Eu sempre estou.

DW – O que, em leituras?
MG – Sim. É a pior parte, porque não é nem uma coisa nem outra, é? Você está atuando, mas não está.

DW – Há um comediante frustrado em você?
MG – Ah sim, eu adoraria ser um comediante. Eu já fiz muito, mas sempre nos confins das peças.

DW – Você é um fã de comédias?
MG – Especialmente Tommy Cooper.

DW – Já te pediram para atuá-lo?
MG – Já, mas eu estava muito aterrorizado. Eu não sou um personificador. Eu não quero ser limitado como isso.

DW – Eu tenho visto você em coisas como Room 101 e Top Gear, mas você não esteve em Parkinson.
MG – Não, eu não vou.

DW – Acho interessante que você se divirta indo em uma pista de corrida ou algo assim, mas não queira revelar muito sobre si mesmo.
MG – Não, eu não quero. Eu sou amedrontado.

DW – Você tem medo de quê?
MG – Eu simplesmente odeio a idéia de ser bem conhecido. Eu sei que é quase impossível se você é um ator que tem se saído bem, mas eu sempre lutei contra isso.

DW – Então quando você entra no palco, as pessoas não dizem, “Oh, aí está ele”.
MG – Sim, então eu sou apenas um ator interpretando um papel.

DW – Então porque aceitar um trabalho em um filme Harry Potter?
MG – Porque você está usando uma enorme roupa de disfarce.

DW – As crianças não te reconhecem?
MG – Uma criança de fato se aproximou de mim em um restaurante em Cornwall, mas ele pensou que eu fosse Gandalf.

DW – Você tinha visto os filmes?
MG – Não.

DW – Você viu algum deles agora?
MG – Não.

DW – Nem mesmo nos quais você atuou?
MG – Oh, está bem, eu vi um.

DW – Isso é porque você não gosta de se ver em nada?
MG – Não, eu acho realmente alarmante. E quanto mais velho eu fico, pior se torna. Eu vou pra dar uma olhada rápida, aí saio e tomo uma xícara de chá, e então olho de novo. Dá pra ouvir a outra sala, onde parece estar melhor.

DW – Você gostou de uma vez ter feito uma audição para James Bond?
MG – Sim, foi depois de Lazenby. Havia toda uma fila descendo as escadas numa casa em Mayfair. Nós subíamos um de cada vez. Cubby Broccoli me contou que ele tinha sido passado pra trás por um modelo, que era George Lazenby. Ele disse, “Nós queremos um ator de teatro britânico desconhecido”. Eu disse “Eu não seria muito bom”. Ele disse, “Por que não?”. Eu disse, “Bom, eu tenho peito, dentes ruins e nenhum cabelo”. Ele disse, “Escute, nós temos duas bolsas de gelo cobertas de couro no set. Nós a colocamos no peito de Sean exatamente antes de uma cena e isso acorda o corpo dele”. Então ele disse, “Nós podemos dar um jeito nos dentes”. Eu disse, “Oh, está certo, eu faço isso se vocês quiserem que eu faça”. Eles nunca me ligaram de volta.

DW – Mas você é um tipo de James Bond da vida real. Você tem uma licença de piloto e tem uma coleção de armas antigas, o que faz você parecer um pouco louco. O que você faz com elas?
MG – Todo mundo ri disso. Por que isso é tão pior do que ter uma coleção de ferramentas antigas ou qualquer coisa? Eu admiro a arte delas. São lindas. Elas têm que ser inglesas ou irlandesas e não-militares.

DW – Você as dispara?
MG – Não, eu pertenço a diversas sociedade, assim como outros membros, e nós sentamos juntos e conversamos sobre elas.

DW – Você mantém a sua licença de piloto?
MG – Eu a mantenho válida.

DW – Você é como John Travolta?
MG – Não, tem sido sempre aviões de engenharia única.

DW – Você gosta de estar sozinho lá em cima?
MG – Ah, gosto.

DW – Você pega isso por estar no palco?
MG – Eu fiz uma peça de uma pessoa, Eh Joe, recentemente, em que eu não falava e estava sozinho. Eu não gostei muito. Eu achei realmente solitário. Eu gosto da camaradagem de tudo isso.

DW – Então, quanto o sucesso te afetou? Você se tornou famoso. Você ganhou um título. Você acha que é um ator melhor agora do que quando começou?
MG – Eu fico mais preocupado. Recentemente, eu fiz Falstaff no National, o qual eu não fiz tão bom quando devia. Desde então, eu perdi muita confiança.

DW – As pessoas acharam brilhante. O que você achou que deu errado?
MG – Eu não fiz uso inteiro disso, mas eu gostaria de fazer de novo. Eu me senti da mesma foram com Lear, mas há uma parte de você que não quer passar pelo trauma de novo. Quando eu fiz Falstaff, nós fizemos a Parte 1 e a Parte 2 juntas e as ensaiamos juntas. Eu lutei contra o sentimento de devastação, mas era muito para mim – somente aquele sentimento de se sentir derrotado. Você tem que usar tanta roupa, e há suor pingando de você.

DW – Agora, Eu fiz um teste para Capturing Mary. Quando foi a última vez que você teve um teste?
MG – Oh, anos, anos e anos atrás. Quando eu estava fazendo Rep em Londres. Eu não era bom. Eu estava muito nervoso. Eu tinha feito aquilo de ir ao Dorchester para encontrar um diretor famoso.

DW – Você teve que encantá-los?
MG – Sim, o último que eu fui foi com o cara que dirigiu Tootsie – Sydney Pollack? Ele disse, “Há algo em você que faz você querer se rebelar”. Então ele disse, “Você tem a sua gravação?” Eu fingi que não sabia o que era aquilo. Ele disse, “Esse é onde você tem uma fita do seu trabalho.” Eu disse, “Não, eu não teria isso, porque todo trabalho que eu fiz tem sido uma droga”. Eu pensei que ele iria rir, mas ele apenas me encarou com um rosto sério. Ele olhou para mim como se eu fosse louco. Foi horrível.