As Relíquias da Morte ︎◆ Livros

A difícil tarefa de traduzir

O site Times Online publicou um artigo muito interessante falando da corrida pela qual os tradutores responsáveis pela série Potter sempre passam a cada lançamento de um novo volume. Além disso, ele mostra várias traduções pelo mundo de nomes como Tom Marvolo Riddle, Fawkes, e outros.
O artigo também aponta os milhares de fãs que não entendem as escolhas dos profissionais da área e fazem críticas às adaptações dos nomes. Vejam um trecho:

Quando a Warner Bros comprou a franquia, a tradutora catalã Laura Escorihuela se recusou a renegociar termos – e foi substituída. A israelense Gili Bar-Hillel recebe correções de leitores. “Cada erro me seguirá pelo resto de minha vida,” ela diz. “Os leitores são novos e inflexíveis.

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Não fique surpreso se você vir tradutores pulando da Plataforma 9¾ em frente a trens fantasmas. Até Morozov, cuja corrida de 60 dias deve colher muitas vendas, admitiu: “Estou feliz que este seja o último livro.

Bastante similar com o que acontece aqui no Brasil, não? Para ler a tradução na íntegra, que não possui nenhum spoiler e nos faz ver as dificuldades dos tradutores, cliquem em notícia completa.

Vale lembrar que a tradução brasileira foi finalizada no dia 28 de setembro pela Lia Wyler, e que agora está em fase de revisão.

HARRY POTTER
Quem ganhou a corrida de tradução de “Harry Potter”?

Times Online ~ William Sutton
12 de outubro de 2007
Tradução: Raisa Garcia

William Sutton sobre como o herói de J.K. Rowling encontra seus fãs estrangeiros

Para fãs turcos, a espera acabou. Harry Potter ve Ölüm Yadigarlar foi lançado na terça, menos de 12 semanas depois da publicação de Deathly Hallows. Apenas o ucraniano Harry Potter i Smertelni Relikviyi foi mais rápido.

Na França, J.F. Ménard traduziu os livros anteriores em nove semanas. Desta vez sua candidatura à Académie Française (Academia Francesa) está adiando Les Réliques de la Mort até fevereiro. E na Itália, fãs irados organizaram a Operação Pena, enchendo a editora Salani com penas para exigir que publicação seja mais cedo, do mesmo modo que as corujas mensageiras de Hogwarts.

Há sempre uma corrida para traduzir o último J.K. Rowling. Assim como as versões autorizadas, fã clubes virtuais da Alemanha ao Vietnã pulam imediatamente ao trabalho. Mas questões de direitos continuam turvas: um adolescente em Provença passou uma noite na cadeia por lançar uma tradução instantânea. A polícia o soltou, impressionados com seu trabalho quase profissional.

Em Março, venezuelanos se divertiram com Harry Potter e a Sombra da Serpente, fanfiction disfarçada como o sétimo livro. O autor bengalês Uttam Ghosh ficou apavorado quando seu Harry Potter em Calcutá foi removido das estantes. Na China, uma dúzia de livros falsos está à venda. Não é a toa que Victor Morozov trabalhou 15 horas por dia em uma tradução ucraniana. “Os piratas estão ficando tão bons, é difícil dizer qual é o original,” ele diz.

Mas como alguém traduz palavras como Wormtail (Rabicho) quidditch (quadribol)? Alguns nomes, no entanto, se traduzem mais ordenadamente que outros. Em francês, Wood se torna Dubois; Rabicho é Queuedver. O italiano para Fudge, Cornelius Caramell, perde a nuança secundária; Severus Piton soa irritável, mas não tão desprezível como Snape. Albus Silente transmite autoridade quieta, mas ignora o significado arcaico de Dumbledore: abelha grande. A versão norueguesa foi formada com a adição de humle (abelha) com snurr (giro), também sugerindo surr (zumbido). Não apenas rítmico, Humlesnurr captura o ferrão no rabo de Dumbledore.

Trocadilhos e referências são teimosos. Tom Marvolo Riddle é um anagrama de I am Lord Voldemort (Eu sou Lord Voldemort). Para preservar isso, seu nome do meio se torna Vandrolo em hebraico, Marvoldo (turco) e Orvoloson (italiano). Ele é Tom Elvis Jedusor em francês, Tom Sorvolo Ryddle (espanhol) e Trevor Delgome (islandês). Fawkes, a tão britânica fênix, desafia tradução: deveríamos preferir a fogosa Vulcan (norueguês) ou a aliterativa Felix (eslovaco)?

Vale a pena o esforço? Tradutores recebem salários baixos, glória escassa e o insulto de fãs. Alguns aproveitam as estrelas refletidas. Yuko Matsuoka, no Japão, diz: “Uma onda de choque correu por mim. Eu disse, ‘Aqui está algo que esperei’.”

Outros estão menos entusiasmados. Quando a Warner Bros comprou a franquia, a tradutora catalã Laura Escorihuela se recusou a renegociar termos – e foi substituída. A israelense Gili Bar-Hillel recebe correções de leitores. “Cada erro me seguirá pelo resto de minha vida,” ela diz. “Os leitores são novos e inflexíveis.”

Não fique surpreso se você vir tradutores pulando da Plataforma 9¾ em frente a trens fantasmas. Até Morozov, cuja corrida de 60 dias deve colher muitas vendas, admitiu: “Estou feliz que este seja o último livro.”